541 - NA ALVORADA DO ESPÍRITO

Ah, meu rapaz!

Muitas vezes chorei quieto no meu canto, enquanto meditava sobre isso. Às vezes, chorava por sentir imensas saudades das paragens siderais que reconhecia nos meus sonhos e viagens espirituais. Outras vezes, chorava de solidão, por saber que bem poucos compreenderiam tal coisa.

Por mais que eu soubesse que todos os iniciados na senda do espírito, ao longo da história, também choravam em silêncio pelo mesmo motivo, isso não me tirava a sensação de ser um pássaro engaiolado, nem me fazia ser produtivo em coisa alguma. Então, eu mergulhava na prece ao Grande Anônimo, e, mesmo enredado na carne, o meu pequeno Eu batia asas de contentamento e êxtase. E eu sentia a Unidade presente!

Sentia-me ligado em espírito aos iniciados de todos os tempos, que também estavam em prece, e a saudade aliviava o seu aperto. E tudo aquilo transformava as lágrimas do meu choro em lágrimas de luz cristalina, que lavavam o meu espírito.

O seu choro de agora era o meu choro de outrora. É o mesmo choro de todos os iniciados na senda do espírito, que almejam por climas melhores na existência, que sonham com um mundo melhor e uma humanidade mais consciente. É choro iniciático, que alivia por dentro, porque é baseado na alvorada do espírito.

Você captou o meu momento, e o seu espírito fremiu junto ao desembocar das minhas lágrimas no grande oceano da prece.

E o Grande Anônimo transformou meu choro em luz. E transforma você, também, por maneiras que você desconhece, mas que lhe abrem novos sentidos e perspectivas na senda escolhida.

É hora de trabalhar, meu rapaz! Vamos juntos, pois o trabalho digno enobrece o espírito.

Felizmente, o nosso choro não é pelas coisas profanas, mas pelas coisas de Deus.

Na alvorada do espírito, vamos trabalhar e agradecer ao Grande Anônimo, que nos transforma de maneiras admiráveis e que abraça a todos neste magnífico universo.

Do alto, os grandes iniciados velam por todos os trabalhadores que choram as lágrimas dos justos. Essas mesmas lágrimas que, no cadinho da experiência do Ser, serão transformadas em lágrimas de luz, e lavarão outros espíritos, algures, na assistência espiritual que opera em outros planos, longe da vista humana, mas dentro da onipresença do Senhor.

Na alvorada do espírito, despertemos!


- Delfos** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 26 de junho de 2004.)

* Esses escritos foram recebidos após uma leitura de um dos livros de Delfos, publicado quando ele estava “encadernado” aqui no plano físico. O texto do livro trata sobre a iniciação espiritual e o despertar da consciência. Num dos capítulos do mesmo, onde ele usa a expressão “na alvorada do espírito”, entrei num estado alterado de consciência e comecei a chorar, tocado por alguma atmosfera sutil. De alguma forma captei (por psicometria espontânea), o estado emocional em que o autor se encontrava na hora em que escrevia o texto original. Daí a sintonia desse choro iniciático, onde nós dois, consciências situadas em planos vibracionais diferentes, haurimos algo da inspiração celeste em nossos corações.

** Delfos: pseudônimo extrafísico de um famoso filósofo brasileiro desencarnado. Há outros textos dele postados nessa seção de textos periódicos. Para acessar os seus escritos inspirados, basta entrar na seção de busca por palavras do site e clicar o nome "Delfos". Daí surgirão na tela os títulos de todos eles. É só clicar em cima de cada um deles e ler.

Texto <541><03/08/2004>