542 - O VERDADEIRO CORAJOSO
Mas o Ancião dos Dias negou com um gesto de cabeça.
Arrastando-me até o deserto, mostrou-me um sem-fim de ermitãos.
- Que vês?
- Homens santos e corajosos, sem dúvida, que desprezam a vida.
Mas o Ancião dos Dias negou com um gesto de cabeça.
E, convidando-me a segui-lo, pôs diante de mim uma legião de monges, isolados do mundo por muros altos.
- Que vês? - interrogou-me pela terceira vez.
- Homens corajosos e abnegados, sem dúvida, que lutam consigo mesmos.
Negou outra vez e dirigiu-se ao leito de um moribundo.
- Que vês?
- Outro ser humano cansado de viver e que clama pela morte. Sem dúvida, um corajoso.
Mas o Ancião dos Dias sorriu com amargura.
E fui transportado até a beira de um precipício. Ali, um suicida acabava de escrever sua carta de despedida.
- Que vês?
- Um homem desesperado que renunciou à vida. A sua maneira, um homem corajoso, sem dúvida.
Mas o Ancião dos Dias tornou a negar firmemente.
Por último, abrindo a porta de uma humilde morada, apontou-me um pai de família consumido pelos conflitos, em perpétua batalha contra o infortúnio, mas, apesar de sua permanente e atroz monotonia, parecendo imune ao desalento.
- Que vês?
- Um homem acovardado...
E meu guia, outra vez desaprovando-me, exclamou:
- Novamente te equivocas. Este é o verdadeiro corajoso. Luta pela vida.
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – J. J. Benitez – Editora Mercuryo.)
Texto <542><06/08/2004>
Arrastando-me até o deserto, mostrou-me um sem-fim de ermitãos.
- Que vês?
- Homens santos e corajosos, sem dúvida, que desprezam a vida.
Mas o Ancião dos Dias negou com um gesto de cabeça.
E, convidando-me a segui-lo, pôs diante de mim uma legião de monges, isolados do mundo por muros altos.
- Que vês? - interrogou-me pela terceira vez.
- Homens corajosos e abnegados, sem dúvida, que lutam consigo mesmos.
Negou outra vez e dirigiu-se ao leito de um moribundo.
- Que vês?
- Outro ser humano cansado de viver e que clama pela morte. Sem dúvida, um corajoso.
Mas o Ancião dos Dias sorriu com amargura.
E fui transportado até a beira de um precipício. Ali, um suicida acabava de escrever sua carta de despedida.
- Que vês?
- Um homem desesperado que renunciou à vida. A sua maneira, um homem corajoso, sem dúvida.
Mas o Ancião dos Dias tornou a negar firmemente.
Por último, abrindo a porta de uma humilde morada, apontou-me um pai de família consumido pelos conflitos, em perpétua batalha contra o infortúnio, mas, apesar de sua permanente e atroz monotonia, parecendo imune ao desalento.
- Que vês?
- Um homem acovardado...
E meu guia, outra vez desaprovando-me, exclamou:
- Novamente te equivocas. Este é o verdadeiro corajoso. Luta pela vida.
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – J. J. Benitez – Editora Mercuryo.)
Texto <542><06/08/2004>
