545 - OS GRILHÕES

- Por Sry Aurobindo -

O mundo inteiro anseia por liberdade, no entanto, cada criatura está apaixonada por seus grilhões; este é o primeiro paradoxo e o nó intrincável de nossa natureza.
O homem está apaixonado pelos grilhões de nascimento, assim ele fica aprisionado aos grilhões companheiros da morte. Nestes grilhões ele aspira pela liberdade de seu ser e domínio de sua realização.
O homem está apaixonado pelo poder; assim ele fica sujeito à fraqueza. Porque o mundo é um mar de ondas de força, que se encontram e continuamente se chocam umas com as outras; ele que poderia cavalgar na crista de uma onda, deve ser vencido sob o choque de centenas.
O homem está apaixonado pelo prazer; por isso ele deve se submeter ao jugo da tristeza e da dor. Porque a felicidade sem mistura é apenas para a alma livre e sem paixão; mas isso que continua no homem depois do prazer é uma energia sofredora e extenuada.
O homem tem fome de calma, mas também tem sede de experiências de uma mente agitada e de um coração inquieto.
Para sua mente, o prazer é uma febre, a calma, uma inércia e monotonia,
O homem está apaixonado pelas limitações de seu ser físico, e contudo gostaria de ter também a liberdade de sua mente infinita e de sua alma imortal.
E alguma coisa nele encontra uma curiosa atração por estes contrastes; eles constituem, para o ser mental, a intensidade artística da vida. Não é apenas o néctar, mas o veneno também que atrai seu paladar e sua curiosidade.

(Texto extraído do excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti.)


Texto <545><17/08/2004>