605 - DHARMA - O RECADO DE RAMAKRISHNA

O tempo passou, e tudo o que Ramakrishna disse, aconteceu: vários de seus discípulos estão vivendo no Brasil atualmente, com cara e jeito de ocidentais.

Oxalá, que eles se lembrem!

E que o olhar silencioso do Rishi os acompanhe, por onde quer que eles sigam, na Terra e além...



- Wagner Borges –
Rio de Janeiro, 20 de abril de 2005.



- Notas do sânscrito:

1. Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje como um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

2. Dharma: missão, mérito, dever, trabalho, benção, programação existencial, ação virtuosa.

3. Rishi: sábio, mestre espiritual.

4. Maya: ilusão.

5. Repercussões cármicas (de “Carma” - do sânscrito “Karma”: “ação ou causa”): reflexos das escolhas e ações praticadas na existência.

6. Para situar melhor os leitores em relação ao Rishi dos olhos secretos citado no texto, reproduzo na seqüência dois textos já postados pelo site (nos anos de 2000 e 2004, respectivamente), em que revelo alguns detalhes sobre o seu trabalho invisível. Talvez, lendo estes textos na sintonia espiritual adequada, alguns dos leitores possam pegar uma carona interdimensional nas ondas inspiradas desse sábio cheio de amor e lucidez serena.





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VIAJANDO NOS OLHOS-SATTVA
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Olho pelas janelas de tua alma,
Os teus olhos,
E vejo o grande oceano de ananda (1)
Na consciência cósmica de Brahman (2).

Penso no Amor que te move
E que te faz vir aqui,
No centro de meu coração,
Inspirar a luz de minha vida.

Escuto tuas palavras no silêncio...
Sei que elas falam do amor incondicional.
Sei que é preciso grafar no mundo dos homens
As palavras espirituais desse amor.

Porém, meu amigo dos olhos-sattva (3),
Como registrar o teu olhar cheio de amor,
Nos olhos meus?
Esse olhar que viaja por entre os planos.

Esse mesmo olhar, que absorve as dores
De muitos, que nem sabem de ti,
E os transforma em amor
No silêncio...

Sabe, quando esses olhos entram nos meus,
Tudo muda!
E o que era dor, se transforma em festa,
Na forja da luz que chega.

E percebo que a vida é festa,
Quando se nota a alegria
Que viaja nos átomos vitais,
Cheios da luz de Brahman!

É festa... Quando respiro a vida
E sinto o prana (4) viajando alegremente
Pelos condutos sutis de meu espírito,
Filho do Espírito Supremo.

Não há chagas na pele do meu corpo espiritual.
Elas foram sanadas alegremente,
Quando teu olhar chegou aqui, tempos atrás,
E no silêncio, disse: "Viaje com alegria!"

Em teus olhos, eu vejo tanto!
Em teu amor, eu amo tanto!
Nesses momentos, com você aqui,
Sinto que é o amor que nos leva...

No entanto, como falar desse amor,
Que é só silêncio?
Como escrever sobre o que se sente,
Mas que não se vê com os olhos da carne?

Como levar aos meus irmãos de estudo
O amor silencioso de um olhar?
Como lhes dizer que a luz dos teus olhos
Está nesses escritos simples de coração?

É o teu olhar que olha por mim?
Ou sou eu que vejo em ti
O amor que ainda não tenho,
Mas com o qual sonho voar um dia?

Você é esse amor sereno?
Ou será que é o amor que faz o teu olhar?
Esse amor que está nos turbilhões galácticos,
E no silêncio interdimensional...

Esse amor, nem teu, nem meu,
Mas de todos os seres na casa de Brahman.
Esse amor, sem nome e sem forma,
De todas as formas...

No teu olhar, só serenidade.
Por onde eu capto a mensagem:
Lembrar aos homens da essência espiritual
Que mora neles mesmos.

E com isso, lembrar a mim mesmo,
De que é preciso crescer, amar, sorrir e seguir...
E deslizar com sabedoria nas ondas
Da luz imortal e silenciosa...

Meu amigo dos olhos-sattva,
O teu olhar chegou aqui, e a luz brilhou mais.
E os meus olhos brilharam com tua mensagem:
"Tudo é Brahman!"

No teu olhar, o amor.
Em teu silêncio, a serenidade.
Por tua inspiração, esses escritos.
E em tudo, Brahman!

P.S.: Esse amor, nem teu, nem meu, mas de todos.
Essa luz, nem tua, nem minha, mas da vida.
Esse Brahman, nem teu, nem meu, mas de todos.
Esses escritos, nem teus, nem meus, mas de Brahman!(5)



- Wagner Borges -
São Paulo, 23 de março de 2004, às 19h46min.



- Notas do sânscrito:

1. Ananda: Bem-Aventurança; Êxtase Espiritual.

2. Brahman: O Todo; O Supremo; O Absoluto; Deus; O Grande Arquiteto Do Universo.

3. Sattva: Equilíbrio; Pureza. É uma das três manifestações fenomênicas: Rajas (atividade, paixões), Tamas (inércia, passividade) e Sattva (equilíbrio).

4. Prana: Sopro vital; Força vital; Energia.

5. Para maior entendimento desses escritos que falam do mestre de olhos-sattva, reproduzo na seqüência um texto anterior que também fala dele. Já foi postado pelo site há quatro anos, e revela alguns pontos interessantes sobre um jornalista-ocultista, hoje desencarnado e morando no "andar de cima". Inclusive, esse texto faz parte do meu livro "Falando de Vida Após a Morte". Segue-se o mesmo logo abaixo.





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REFLEXÕES DE UM ESCRITOR DA ALMA
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O texto abaixo é fruto de dois contatos interdimensionais com um escritor extrafísico.

Ele escreveu muitos livros sobre Espiritualidade e Consciência.

Foi morar "do lado de lá" no início da década de 1980.

Mantenho seu nome no anonimato por motivos que só ele conhece.

Por duas vezes, justamente quando eu estava lendo dois livros de sua autoria, ele apareceu e disse-me o que está transcrito aqui. Não é uma psicografia! Ele apenas apareceu e conversou comigo mentalmente. Inclusive, fui escrevendo o que ele dizia nas páginas de um dos livros.

Ele porta condições extrafísicas muito boas. É dotado de uma calma reflexiva e tem um olhar cheio de sabedoria.

Em dado momento, ele fala do mestre de olhos Sattva*. Trata-se de um dos rishis (sábios) que compilou os Upanishads** na antiga Índia. É um dos seres espirituais que tenho a sorte de receber orientações e que o nosso amigo escritor também admirava profundamente.

Feita essa introdução, vamos a transcrição dessas duas conversas entre escritores interdimensionais.


* * *


Andei por bibliotecas e templos sagrados do mundo inteiro.

Vi o momento mágico do nascer e do pôr-do-sol incontáveis vezes.

Banhei-me nos plácidos raios da lua em muitas noites de meditação.

Vivi só, mas acompanhado por tudo isso.

Refleti, questionei e expus minhas idéias em livros.

O vento da vida espalhou meus escritos.

Observando você lendo-os, lembrei-me das palavras de um sábio de nome Omar:

"Solidão, solidão...

Silenciosa companheira de meditação.

Em sua quietude vejo incontáveis mundos e meus olhos brilham.

Somos companheiros de reflexão e podemos voar além da tosca imaginação dos homens.

Sim, podemos ir aos suaves picos da serenidade, no sagrado recinto do Eu divino... no infinito de nós mesmos."

Idéias fomentam reflexões. Está a cargo dos leitores o uso do raciocínio claro e baseado no discernimento. Ampliar a consciência ou desviá-la de seu curso é escolha de cada um. O escritor semeia idéias. Cabe ao leitor selecionar os temas de seu interesse e refletir em cima deles. É seu trabalho fazer a digestão mental do que lê e aproveitar o que for sensato.


* * *


Salve, meu amigo.

Não há lugar mais sagrado do que a "terra do nosso coração". É o nosso lar secreto, morada natural de nossa essência indissolúvel.

Somos do mesmo povo, meu amigo. Ambos buscamos a mesma Sattva.

Vivi só, na penumbra dos sonhos e no alvorecer da alma.

Aventurei-me por caminhos ocultos que, quando bem iluminados pelos faróis do conhecimento aplicado, revelaram-me apenas o caminho do coração.

Retirei o véu do ilusório e olhei a verdade de frente.

Vi o dragão do ego devorando-me sem piedade.

Chorei em silêncio...

Passo a passo, lutei tenazmente com ele e me fortaleci.

Caíram as escamas de minha ignorância e me senti livre, pela primeira vez, completo em mim mesmo.

Não havia mais a pata do dragão pressionando meu coração.

Trabalhei muitos anos em silêncio.

Refleti muito.

Tive muita ajuda invisível e muitas consciências extrafísicas inspirando-me a escrever. Principalmente daquela consciência magnânima e amorosa, daquele mestre de olhar sereno e profundo.

Você sabe, pois já foi abençoado tantas vezes por esse olhar. Sabe que o amor comunicado nesse olhar silencioso é portador da pura sabedoria dos rishis.

Quantas vezes, na solidão do meu quarto, eu me lembrava desses olhos e sentia-me compelido a escrever. Sem nada dizer, ele era o mentor dos meus escritos, apenas olhando-me com amor inspirador.

Muitas vezes, cansado das luzes e do barulho da cidade grande, pensei em isolar-me no campo, bem longe da agitação urbana e seu ritmo frenético, repleto de consumo rápido e brilhos fugazes, mas desprovido de conteúdo veraz em suas vias. Porém, lembrava-me dos olhos dele e tornava a escrever.

Eu, o iogue de outrora, reencarnado e preso numa cidade da Europa. Por isso, através de sua psicometria, você notou minha nostalgia. É verdade. Meu coração queria bater asas e voar para longe, para aquele olhar espiritual.

Em plena efervescência cultural dos anos 60 e 70, rock, drogas e pubs barulhentos, eu venerava a quietude e os acordes de piano e violino, e escrevia...

Muitos anos de reflexão se passaram e, no momento certo, desprendi-me do corpo físico e adentrei o plano espiritual suavemente.

Nesse momento final, estava só em meu quarto, mas senti a presença do mestre dos olhos Sattva ali juntinho de mim.

Fui puxado tranqüilamente para fora do corpo por uma força invisível, que me projetou para dentro de um portal de luz que se abriu em frente e acima de mim.

Entrei na luz e adormeci contente.

Em todo esse processo eu estava tranqüilo, pois tinha amplo conhecimento do que se passava. Benditas horas de meditação e reflexões ponderadas, tinham treinado minha alma para aquele momento final.

Despertei dois dias depois em um lugar de campo aprazível, mas situado nos planos invisíveis. Você conhece bem esses trâmites espirituais e fica desnecessário e repetitivo narrar os fatos de minha vida extrafísica daí em diante.

Quando o vi compulsando as páginas do meu livro e sentindo como eu era naquela época de vida, não resisti e vim visitá-lo mais uma vez.

Somos iogues e escritores, meu amigo. Mas, ao contrário de mim, você consegue viver na cidade e superar com bom humor a saudade da pátria espiritual.

Quando se sentir sozinho e cansado, lembre-se dos olhos-sattva do mestre.

Ele olhou por mim e olha por você agora.

Ele vem do "país secreto" que sempre busquei em minhas andanças e pesquisas.

Ele vem do lugar dos rishis, com os olhos brilhando de amor, olhar nossos corações-iogues trabalhando no burburinho do Ocidente.

Meu amigo, estou esperando uma visita extrafísica sua.

Quem sabe poderemos escrever algo juntos?

(Já está na hora daquela flor do Himalaia florescer. Pense nisso!)



- Um Escritor da Alma -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 28 de maio de 2000.)


- Notas:

* Sattva (do sânscrito): equilíbrio; pureza. É uma das três gunas (cordas) da manifestação fenomênica (Prakriti): rajas, tamas e sattva.

** Upanishads (do sânscrito): Parte final dos Vedas, as escrituras inspiradas da antiga Índia.


Texto <605><04/05/2005>