607 - EXPERIÊNCIAS COM O EU ASTRAL III

(Relatos Projetivos)



- Por Hamilton Prado –



- Nota inicial de Wagner Borges: Em dezembro de 2003 e setembro de 2004 enviei pelos textos periódicos do site alguns capítulos extraídos do livro "No Limiar do Mistério da Sobrevivência - Experiências Com o Eu Astral", de autoria do projetor brasileiro Hamilton Prado (1905-1972). Na época, assinalei nas notas, após o fim dos textos, alguns dados sobre o livro, o autor e o motivo de remeter em aberto os capítulos (para situar melhor o leitor, repeti os mesmos dados ao final desse texto postado agora).

Como o livro está esgotado há vários anos (ainda há alguns exemplares do livro no IPPB), e levando em conta que os relatos projetivos do Prado podem ajudar a outros projetores a compreenderem alguns dos mecanismos projetivos, resolvi postar mais material dessa obra sensacional.

Da mesma forma que antes, penso que disponibilizar textos projetivos desse nível é um verdadeiro presente para os leitores interessados no tema das projeções da consciência para fora do corpo físico.

Estou verificando com os familiares do Hamilton Prado a possibilidade de reeditar esse livro oportunamente, com anexos e correções atualizadas.

Os texto anteriores estão postado na seção de textos periódicos de nosso site (textos 433 e 555, respectivamente).

Feitos esses esclarecimentos iniciais, vamos à leitura desses ricos relatos projetivos de um dos maiores projetores brasileiros.


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CAPÍTULO X
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Acima de certo nível, nos planos que se estratificam, a música parece ser um fator de aproximação dos espíritos. Aliás, estes devem senti-la de maneira muito mais intensa do que nós.

Além dessa vez há pouco referida, outros ensejos tive em que ouvi músicas no espaço, músicas todas elas harmoniosas e com uma força de encantamento excepcional. Linhas atrás, já me referi, aliás, ao efeito profundamente melancólico e triste que certa vez exerceu sobre meu espírito uma canção que ouvi. Das outras vezes, porém, ouvi músicas orquestrais e, de certa feita, uma execução, em violino, de uma peça cuja harmonia me fez lembrar uma dessas maravilhosas composições de Chopin. Nessas ocasiões, a gente sente que o tempo corre com muita rapidez, porque o nosso espírito recebe os sons musicais como quem procura saciar-se de felicidade, buscando em vão transformar em eternidade cada nota suave e comovente da música que ouve. Mal termina a execução e já uma saudade doce, mas dominadora, da execução ouvida, nos enche o coração. Aliás, o sentido de beleza, de perfeição parece à gente, naquele estado, muito mais profundo e significativo. Talvez eu tenha concluído assim por causa das coisas inéditas e formosíssimas que às vezes me foi dado apreciar.

Algumas oportunidades tive para apreciar horizontes e paisagens de uma beleza transcendental. O encanto que dimana de tais paisagens não é só derivado dos acidentes propriamente físicos que se oferecem à vista, tais como montanhas de contornos caprichosos e extraordinários, praias, descampados, nuvens, obras arquitetônicas, etc., mas, principalmente, da riqueza dos coloridos ou, ainda, da suavidade da luz que tudo ilumina e, também, da tranqüilidade infinita que o ambiente e a visão nos transmitem, infundindo-nos uma serenidade, um sossego, que transcendem a todas as sensações de plenitude e satisfação que a gente possa desfrutar quando acordado.

Aliás, esses sentimentos que se podem traduzir como uma forma de delicada e superior felicidade, eu tive oportunidade de sentir quando de outras vezes, no estado de desdobramento, me foram proporcionadas visões das quais, sempre que me lembro, sinto saudades, visões que surgiram imprevistamente, nunca tornando a se reproduzirem, apesar do encantamento que me causaram.

Uma de tais visões foi a de um quadro. Lembro-me como se tivesse acontecido há pouco tempo. Ao sair do meu corpo, senti-me levado para uma saleta pequena e em penumbra, onde fiquei ao lado de alguns vultos, dos quais o mais próximo, que se ombreava comigo, me pareceu uma moça magra, morena, de fisionomia sobranceira, quase orgulhosa, extremamente simpática. Inesperadamente, à nossa frente, surge, todo iluminado, como se fosse uma cena real, esbatido por uma claridade de canícula, um quadro em que, a traços firmes, com um colorido vivo, se achavam pintados dois guerreiros romanos, com seus capacetes, túnicas de metal, espadas largas e escudos, enfim, com toda a sua indumentária rude e característica, conduzindo com violência, melhor diria, arrastando para a entrada de uma prisão subterrânea, um tipo de guerreiro ou escravo selvagem, semi-nu, de tez escura, grande e musculoso, de crânio raspado. O conjunto e as expressões, além de ricos em detalhes eloqüentes, revelavam um vigor, uma vitalidade, que me impressionaram profundamente. Procurava, insaciável, fixar o quadro em todos os seus pormenores, quando a luz que o iluminava começou a esmaecer. Não me contive e pedi, por favor, que iluminassem novamente o quadro, e, como que atendendo ao meu pedido, a luz se fez para, pouco depois, apagar-se de todo. Os vultos ao meu lado se retiraram e eu voltei para minha casa, a fim de acordar, amargurado pela fugacidade daquele excepcional espetáculo.

Outra visão de grande beleza eu a tive imprevistamente, certa noite em que meu espírito deslizava por sobre um campo baldio e alagadiço. De repente, senti que me retinham e, sem saber porque, olhei para o céu. Este começou a encher-se de luz e breve eu via sobre ele, em grande tamanho, um lance de alta muralha de pedra e, rente a essa muralha, um casal jovem que, frente a frente, dando-se as mãos, conversava. A indumentária do rapaz era a de um gentil homem de nosso século XVI: amplo chapéu de aba larga com pluma, túnica grossa, que parecia de veludo marrom, presa à cintura por um cinto largo, com grande fivela, do qual pendia uma espada, calção e botas altas. A moça trazia um vestido preto de gola alta, mangas compridas e roda ampla, bem ajustado no busto. Eu procurava fixar esses detalhes quando a moça, num gesto brusco, se afastou até ao canto do alto paredão, como que para inspecionar o que ocorria daquele lado, ficando, assim, de costas. Nesse momento, a figura do rapaz ganhou volume e pude observar a sua fisionomia demoradamente. Seus cabelos castanhos desciam até a altura do queixo, seu nariz reto e sua boca bem desenhada e contraída davam à sua fisionomia uma expressão invulgar de resolução e nobreza. Todavia, do seu rosto, sem barba, especialmente dos seus olhos escuros, fluía uma tal expressão de dolorosa sensibilidade, de tão conformada tristeza, que imediatamente um sentimento de profunda simpatia e solidariedade me dominou. Aquela cena no céu foi desaparecendo e se desfez, enquanto alguém dizia ao meu lado: "O amor, na sua mais eloqüente forma de pura sensibilidade e extremo devotamento é que permitiu essa maravilhosa representação da vida de dois entes que sofrem em um mundo distante".

Acordei comovido e durante dias consecutivos uma suave angústia me confrangia o coração ao relembrar-me daquela visão de inexcedível beleza, pensando nos sofrimentos que ela estampara e naqueles dois entes que eu vira e talvez continuassem vivendo dolorosas emoções em um lugar longínquo do universo.

Tais visões e outras de menor impressão, mas de grande beleza, as chuvas coloridas de astros, a sucessão de imagens luminosas no céu, as paisagens imensas iluminadas por revérberos de luz serena, profundamente tranqüila, etc. constituíram, na sucessão das ocorrências com que se vem enriquecendo a minha experiência sobre os fenômenos de que são objeto estas descrições, uma nota de tão compensadora atração, que francamente pagaram com generosidade os sustos, os temores e as preocupações que esses mesmos fenômenos me trouxeram. Por outro lado, elas mostraram o enorme repositório de surpresas imensamente agradáveis, de inexcedível encanto que certos planos muito vizinhos de nós podem proporcionar aos espíritos que, desligando-se de planos materiais e grosseiros, conseguem elevar-se um pouco às regiões em que a sensibilidade, o amor, a solidariedade, a compassividade e a honestidade são as notas dominantes.



(Texto extraído do livro "No Limiar do Mistério da Sobrevivência - Experiências com o Eu Astral" - Hamilton Prado - 1968.)

- Nota original de Wagner Borges: Temos no IPPB alguns exemplares do excelente livro "No Limiar do Mistério da Sobrevivência - Experiências com o Eu Astral", do projetor brasileiro Hamilton Prado (1905-1972). Esse livro está esgotado há muitos anos, e é obra de referência dentro dos estudos das projeções da consciência para fora do corpo físico.

Os exemplares disponíveis estavam guardados com João Prado, sobrinho do Hamilton. Entrei em contato com ele e peguei os 100 livros para repassá-los aos diversos estudantes do grupo de estudo e assistência espiritual do IPPB e aos alunos da 4a fase do curso de projeção da consciência.

Como alguns desses exemplares ficaram, e por tratar-se de obra séria dentro do estudo projetivo, estou informando em aberto para todos.

O livro custa R$ 20,00 - O valor integral da venda dos 100 livros estará sendo repassado para o João Prado tocar a obra de um centro espiritualista em construção na baixada santista - e poderá ser adquirido no IPPB ou por telefone: (11) 6163-5381 e 6915-7351 (no horário comercial).



Obs. Pedi autorização do João Prado para colocar um capítulo importante do livro em nosso site, numa nova seção que estamos abrindo com textos projetivos extraídos de livros importantes (avisaremos oportunamente sobre isso). Porém, enquanto escolhia os textos para esse envio, resolvi postar em aberto o relato projetivo do Hamilton Prado. É extenso, mas vale a pena, principalmente se for levado em consideração de que é material raro.

Portanto, selecionei os dois primeiros capítulos do livro e estou enviando-os na íntegra como um envio especial de texto. Trata-se de um verdadeiro presente para os interessados nas projeções da consciência para fora do corpo físico, principalmente para aqueles que experimentam sintomas projetivos com freqüência (paralisia, estados vibracionais, ballonemant, e outros).



Paz e Luz.

www.ippb.org.br

Texto <607><11/05/2005>