610 - ENTREVISTA COM UM AMPARADOR EXTRAFÍSICO CHINÊS

P. De onde você vem?

R. Eu venho da cadeia de montanhas do Himalaia, pertencia a uma ordem secreta de muitos séculos atrás, naquela cadeia de montanhas, e depois da minha passagem para o plano espiritual, permaneci ligado a essa ordem no plano extrafísico, e de lá faço um trabalho junto com milhares de outros, que através de todos os séculos participaram de seus ensinamentos.

Nós estamos aí para ajudar a humanidade invisivelmente, nos bastidores, sempre buscando o esclarecimento das consciências e sempre trabalhando nas pessoas as idéias profundas, nada de emoção grossa, e cultivando nas pessoas que se afinizam conosco o bom humor, a galhardia, a serenidade, a modéstia, a tranqüilidade na consciência que busca os valores mais altos, enfim, nós trabalhamos com qualquer pessoa que esteja buscando a serenidade, a meditação pacífica e a projeção da consciência bem lúcida.

Nós trabalhamos com as pessoas que buscam uma elevação da sua própria lucidez. Em suma: gostamos de trabalhar com pessoas que busquem a expansão da consciência e a expansão do sentimento puro em todos os níveis.



P. Você aparenta ter mais ou menos uns 60, 63, ou 65 anos. Com quantos anos você desencarnou, pelo que você está aparentando aí?

R. A idade não importa muito, você pode colocar aí 39, 58, ou 85 anos, tanto faz, porque essa questão da idade é uma coisa muito primária, tola, inclusive, porque realmente a aparência não reflete em nada o grau de consciência que uma pessoa pode aparentar. Não se preocupe com coisa de idade, isso é tolice humana.



P. Há quanto tempo você está desencarnado? Isso é só curiosidade sadia, é só porque as pessoas podem perguntar isso daí, e é bom a gente saber. Isso não é pergunta tola não, isso é uma pergunta de quem está encarnado por aqui e quer saber mais detalhes, inclusive para ter uma referência melhor. Há quanto tempo você está desencarnado?

R. Eu estou desencarnado há mais ou menos 900 anos do tempo terrestre. Parece bastante coisa, mas não é não, porque o tempo é uma grande falácia, o tempo não existe e, talvez, seja a coisa mais relativa que existe no universo inteiro; contudo, novamente repetindo, a questão da idade é irrelevante perante aquilo que a consciência busca, que está além do tempo e do espaço, e além de qualquer referência.

Procuremos O Inominável, O Absoluto, Aquele que não tem nome, não tem forma, não tem raça, não tem idade e não tem limite no nível de poder e consciência. Busquemos sempre a referência maior do Pai ou, se quiser, da Mãe, do Filho, do Neto, do Discípulo, ou do Mestre, porque, na verdade, O Tao, o Absoluto, ou como quer que as pessoas O chamem, interpenetra todos os seres. Logo, chamá-lo de Pai, Mãe, Filho ou Neto, tanto faz, já que Ele está em tudo, Ele é tudo e Ele é todos!

Então, quem busca aquilo que os antigos chineses chamavam de O Tao, quem busca esse "Caminho", Via do equilíbrio vital, sabe que o tempo ou a idade não importam muito. Os humanos, na verdade, buscam essa referência de tempo, mas isso é um condicionamento. Se as pessoas puderem extrapolar essa referência de tempo, talvez as coisas possam ficar mais fáceis na caminhada espiritual.



P. Você é sempre bem humorado desse jeitinho que aparece aí?

R. Sim, na maioria das vezes. O bom humor é fundamental para quem quer seguir um caminho de serenidade e tranqüilidade.



P. Qual é o caminho espiritual que você indicaria como sendo o mais correto, o mais claro para as pessoas que estão nessa trilha espiritualista, procurando algum espaço, algum lugar, algum livro? Qual é a sua opinião sobre qual é o melhor caminho para uma pessoa crescer mais objetivamente?

R. Olha, qualquer caminho é um caminho, e cada pessoa está num nível de consciência, e em cima disso, a pessoa busca uma religião, um caminho espiritual que se afinize com aquilo que ela já tem dentro de si. Na verdade, dizer qual é o caminho correto é sempre uma questão muito relativa, já que as pessoas são diferentes umas das outras, mas uma coisa posso dizer para você: o melhor caminho é aquele que estimula idéias claras, precisas, concisas e extremamente cirúrgicas, que possam, deliberadamente, podar e cortar tudo aquilo que os hindus antigos chamavam de ego, orgulho e raiva. O caminho correto é aquele que induz o discípulo caminhante à serenidade de espírito, à meditação tranqüila, ao controle das emoções mais grossas, e que não afaste a pessoa da vida, que estimule a pessoa a viver corretamente, de maneira equilibrada, buscando a harmonia com todas as pessoas, com todas as criaturas, em todos os lugares. Então, o melhor caminho é aquele que estimula a objetividade, com idéias claras, sem romantismo exagerado, entretanto, sem nenhuma técnica também muito ostensiva, muito exagerada. O caminho correto seria praticamente uma soma de equilíbrio mental com idéias claras, estudo profundo das coisas e o discernimento completo, somado com o sentimento puro, com um amor profundo, alegria, aquela compaixão bonita que aparece em cada um, e acima de tudo, com uma energia sadia permeando essa mente pura e esse sentimento puro. Juntando essas três coisas: energia pura, sentimento puro e mente pura, a pessoa consegue seguir um caminho mais correto, ela abrevia etapas evolutivas e segue sempre com consciência naquilo que a vida colocar diante dela mesma.



P. A equipe espiritual da qual você faz parte trabalha especificamente com alguém ou com alguma linha espiritual em particular?

R. Não! Nós trabalhamos com todas as pessoas que estão buscando alguma idéia clara. Trabalhamos com as pessoas que estão buscando o conhecimento espiritual em conjunto com a normalidade diária, sem perder a referência humana correta. Buscamos trabalhar com qualquer pessoa que esteja afinizada com ideais nobres e corretos. Não trabalhamos com uma ou outra pessoa em particular. Trabalhamos com você, trabalhamos com o Waldo Vieira, com o Chico Xavier, trabalhamos com vários mestres hindus, trabalhamos com mestres taoístas antigos que estão encarnados atualmente na China fazendo seu trabalho silencioso, trabalhamos com americanos que fazem meditação nos Estados Unidos, trabalhamos com colombianos anônimos que vibram luz na Colômbia e trabalhamos na Argentina, de alguma maneira. Em suma, buscamos a melhor referência possível, e em todos os lugares nós buscamos traduzir idéias claras, canalizar energias sutis, bom humor e tranqüilidade. Não pertencemos a ninguém em particular, a nenhuma instituição, nenhum grupo, nenhuma religião. Pertencemos à vida, como tudo, e estamos trabalhando nos níveis extrafísicos, como também trabalhamos aqui na Terra e fazemos o melhor possível dentro das condições que se apresentam. Repetimos: não pertencemos a ninguém, e acima de tudo, sabemos que a vida é constante mudança. E, se dissermos hoje, que pertencemos a algo ou a alguém ou a algum grupo, pode ser que daqui a minutos, anos ou séculos, não sei, essa referência tenha mudado; então, preferimos o conhecimento universalista, a idéia clara, aberta e precisa, sempre.



P. Na sua opinião, qual é a melhor técnica de projeção da consciência (2), e quais seriam os melhores recursos para as pessoas que estão encarnadas aqui buscar uma consciência melhor nas projeções, uma melhor lucidez, um melhor aproveitamento das horas de sono?

R. A melhor técnica para o controle efetivo da consciência é o domínio das energias do chacra umbilical, aquele ponto energético interiorizado no umbigo, e também o centro localizado um pouco abaixo dele, que os japoneses antigos chamavam de Hara (3) ou baixo ventre. É imprescindível que cada buscador coerente, cada projetor consciente, equilibre esse ponto com grande paciência e grande tranqüilidade. É necessário deslizar a mente, nos momentos de meditação, para dentro do umbigo; retirá-la do cérebro e levá-la para dentro do umbigo e pacientemente trabalhar a energia, visualizando uma luz pacífica interiorizada por trás do umbigo, e que essa luz circule suavemente girando e se projetando para fora do umbigo, como se fossem raios de luz ou como se fosse uma tempestade com vários raios projetando-se para fora do umbigo. A pessoa deve sentar quietinha, antes de dormir, tirar alguns minutos e fazer essa pequena prática: projetar raios de luz do umbigo para fora. Mas é necessário que não haja esforço excessivo algum (no sentido de não forçar a barra), porque essa região congestiona energeticamente as emoções mais grossas, e se a pessoa fizer muita força, poderá danificar o centro energético.

Leve a mente para o interior do umbigo, concentre calmamente a luz e projete os seus raios luminosos suavemente para fora. Também pode ser visualizada uma esfera luminosa esverdeada ou esbranquiçada na frente do umbigo, para melhorar e intensificar essa visualização, como também se pode fazer um exercício antigo dos taoístas, que é visualizar uma pequena nuvem escura, a cerca de três centímetros para fora do umbigo, e projetar raios de luz que vão penetrando nessa nuvem escura e diluindo-a, até que a mesma se transforme numa nuvem branca bem pacífica, bem luminosa.

É bem provável que ao fazer essa prática, a pessoa sinta uma certa dilatação energética das pernas, da barriga ou das costas, criando, então, aquilo que vocês chamam de ballonnement (4). Esse baloneamento é efetivo, porque se ela consegue dilatar a aura do chacra umbilical, fica mais fácil a aura dos chacras cardíaco e frontal (e também, por extensão, a aura da glândula pineal, no centro da cabeça) se exteriorizar com mais tranqüilidade, por causa das emoções densas que estariam tranqüilizadas na área umbilical nesse instante.

Procure fazer essa prática, todo dia um pouquinho; pode ser feita na hora de dormir, mas, também, pode ser feita em qualquer horário do dia em que a pessoa se sinta agitada e queira tranqüilizar-se. Repetimos: deslize a consciência para o centro umbilical, irradie luz calma na direção de uma nuvem escura na frente do umbigo e vá diluindo essa nuvem escura com esses raios branquinhos, como se fosse uma energia leitosa, branca, cristalina, que vai diluindo, abrindo e pacificando o seu estado emocional.



P. Diga-me algo sobre Jesus, Buda e Krishna?

R. Jesus? Foi um nobre asceta (5). Buda, um filósofo asceta e Krishna, um asceta alegre.



P. Eu posso classificar você como um amparador extrafísico, guia espiritual, ou mestre astral? Como é que eu poderia classificar você, hein?

R. Você pode me classificar simplesmente pelo que eu sou: um simples chinês. É só isso que eu fui e é essa a aparência que eu mantenho. Se você quiser, me chama de bolinha de luz, o que também é verdadeiro.



P. Que técnica você poderia ensinar para nós, que estamos vivendo hoje com tanta violência, poluição, essas coisas absurdas que acontecem no nosso planeta? Que técnica você sugere para a gente permanecer mais estável, mais tranqüilo, sem que essas coisas do mundo afetem tanto a gente (embora a gente esteja no mundo e tenha que estar participando das coisas), mas que nós possamos participar sem sermos afetados por aquilo que é negativo?

R. Digo-lhe o seguinte: não se envolva emocionalmente com coisas densas! Mesmo percebendo-as, busque sempre uma elevação de consciência, o equilíbrio emocional e o aumento dos sentimentos.

A tática certa é: não se envolver com energias densas, e buscar sempre o mais elevado. Entretanto, não se pode fugir do dia-a-dia, tem que trabalhar, viver e se relacionar, porém, realizando tudo isso com alto nível, de maneira competente, correta, modesta e com grande sentimento e respeito por todas as pessoas.

Quando acontecer algum problema sério, busque trazer a consciência para o centro do umbigo, sente quietinho, feche os olhos e relaxe. Se desejar, para lhe dar mais confiança, eleve os pensamentos e chame espiritualmente os amparadores que lhe ajudam.

Esse conselho é extensível a qualquer pessoa que se sentir envolvida em coisas densas: basta sentar-se, levar a consciência para o umbigo, elevar os pensamentos e buscar a companhia invisível daqueles que podem lhe trazer uma ajuda, uma tranqüilidade para superar o problema.



P. Qual é a melhor técnica para ampliar nossa aura, abrir os nossos chacras e potencializar nossas bioenergias?

R. A técnica é simples: luz na testa, luz no coração e luz no baixo ventre.

Concentrando-se apenas nesses três pontos, a energia, como um todo, fica unificada, fica alinhada e num mesmo padrão. Coloque a atenção na testa, no peito e um pouco abaixo do umbigo e concentre-se nesses três pontos luminosos ao mesmo tempo. Tente pulsá-los, com tranqüilidade e muita paciência e disciplina, a cada dia faça um pouquinho... por alguns minutos pulse a luz na testa, no coração e no baixo ventre, vai repetindo suavemente, com paciência, todo dia um pouquinho.



P. Eu sei que você vai dizer que isso é referência humana, mas é até por título de curiosidade, para quem está encarnado por aqui e, às vezes, quer saber, inclusive, para que quem for ler esta, digamos assim, entrevista, possa ter uma referência maior. No entanto, nas perguntas que eu estou fazendo aqui, estou me colocando no papel das pessoas que vão ler estas linhas, e é por isso que estou fazendo essas perguntas, pois são referências que os leitores vão perguntar. Então lá vai: qual o seu nome?

R. O nome realmente não importa, mas se você quiser, coloca aí: Chuang-Tzú (6). Pode ser e pode não ser, não importa muito, porque existem muitos com esse mesmo nome na China até hoje, como existiram outros nos séculos anteriores; então, só coloca isso aí mesmo, o resto não importa muito não. Se você quiser um outro nome, pode colocar aí: Li-Tao.



* * *



- Nota de Wagner Borges: No final desse lance interdimensional, há um detalhe interessante que quero assinalar. Eu teria um milhão de perguntas para fazer para ele, em nível técnico, objetivando uma série de respostas para um monte de questionamentos espirituais, um monte de coisas que seriam interessantes de perguntar, mas é impressionante, eu sinto na minha cabeça um bloqueio para não perguntar tudo o que quero e só perguntar coisas mais objetivas do dia-a-dia, talvez, até por causa das pessoas que futuramente vão ler estas linhas. E é interessante, porque eu forço a minha mente para buscar as perguntas, e nada vem; está na ponta da língua, mas não sai.

Estou com uma entidade dessas na minha frente, poderia perguntar um monte de coisas, aprender bastante com ele, e eu não consigo perguntar as coisas que quero. Só consigo perguntar esse tipo de coisas mais imediatas, como: Qual o seu nome? Quantos anos você tem? Espero que, da próxima vez que eu encontrar esse espírito, ele não me bloqueie dessa maneira. É realmente uma grande sacanagem desse cara, não é à toa que ele é bem humorado, mas fico pensando que se estivesse no lugar dele, como desencarnado, talvez eu fizesse a mesma coisa, porque eu acredito que o objetivo desta conversa seja um bate papo humano e simples com um espírito desencarnado bem humorado e ligado a um trabalho espiritual.

Eu peço a você, que está lendo estas linhas, que experimente essa prática que ele sugeriu: levar a consciência para o chacra umbilical, tentar imaginar uma nuvem escura em frente e projetar energia em cima, até diluí-la por completo. Ela funciona muito bem para mim, e pode ser que funcione bem para você, de alguma maneira.

Bom, é isso aí.



Paz e Luz.

São Paulo, 19 de março de 1996.

1. Tao-Chi: equipe extrafísica de amparadores ligados a egrégora (atmosfera espiritual) do Taoísmo. Originalmente eram duas equipes: a equipe Tao e a equipe Chi. Posteriormente, as duas equipes se fundiram numa só: Tao-Chi. Esse grupo me passa ensinamentos oriundos do Taoísmo adaptados à realidade ocidental e aos estudos espirituais modernos, notadamente sobre as projeções da consciência e os estudos de Bioenergia. No livro "Viagem Espiritual III" há diversos textos desse grupo extrafísico. Também há diversos textos deles em nossa seção de textos projetivos e espiritualistas em meio aos textos já postados no site.

2. Projeção da Consciência: é a capacidade parapsíquica (inerente a todas as criaturas) que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico; viagem astral (Ocultismo); projeção astral (Teosofia); projeção do corpo psíquico (Ordem Rosacruz); experiência fora do corpo (Parapsicologia); viagem da alma (Eckancar); desdobramento, desprendimento espiritual ou emancipação da alma (Espiritismo).

3. Hara (do japonês): parte inferior da barriga, baixo ventre. Obs. Os taoístas chineses chamam esse centro de "Ching", a essência vital que se manifesta no "tan t´ien inferior", ou seja, a esfera do elixir interior (energia) que metaforicamente é associada a região do baixo ventre.

4. Ballonement: sensação de estufamento energético bem característica da dilatação da aura. É a expansão das energias do psicossoma para fora do corpo físico. Quando isso acontece, a pessoa tem a sensação de que o seu corpo está inflando como um balão.

5. Asceta: renunciante; homem santo.

6. Chuang-Tzú: é um dos principais mestres taoístas. Provavelmente seja, depois de Lao-Tzé, o mestre taoísta mais conhecido.



- Nota de esclarecimento:

O Boletim “Paz e Luz” é uma publicação interna do IPPB, contendo artigos sobre as experiências fora do corpo e os temas espirituais e alternativos, organizados pelos participantes do grupo de estudos e assistência espiritual e outros colaboradores. Vários deles são colunistas da revista on line de nosso site: Mauricio Santini, Maísa Intelisano, Frank, Vanderlei Oliveira, e Wagner Borges.

É uma publicação bimestral e apresenta diversos textos inéditos, além de resenhas de livros e CDs comentados pelo Prof. Borges.

O projeto inicial era manter o boletim somente para os freqüentadores do grupo de estudos, cursos e palestras realizados no IPPB. Contudo, o boletim foi crescendo, e com a ajuda de alguns amigos de uma gráfica, agora é possível realizar uma tiragem maior de exemplares.

Estamos estudando uma maneira de passar o boletim em forma de assinatura anual (algo em torno de R$ 20,00, por seis edições enviadas pelo correio), principalmente para às pessoas que não tem acesso ao IPPB.

Também vamos abrir uma coluna em nosso site, contendo uma seleção de textos dos boletins anteriores e disponibilizados gratuitamente.

Oportunamente informaremos mais detalhes por e-mail.

Para mais informações, favor ligar nos telefones do IPPB: (11) 6163-5381 e 6915-7351.



Paz e Luz.


Equipe IPPB.

São Paulo, 20 de maio de 2005.

Texto <610><20/05/2005>