611 - O CREDO DA CIÊNCIA

Creio no testemunho dos historiadores - porque não presenciei o que referem...

Creio na palavra dos químicos e físicos – porque admito que não se tenham enganado nem me queiram enganar...

Creio na autoridade dos matemáticos e astrônomos - porque não sei medir uma só das distâncias e trajetórias siderais.

Tenho de crer em quase todas as teses e hipóteses da ciência – porque ultrapassam os horizontes da minha capacidade de compreensão.

Creio até nas coisas mais quotidianas - na matéria e na força que me circundam.

Creio em moléculas e átomos, em elétrons e prótons - que nunca vi...

Creio nas emanações do rádium e nas partículas do hélium - enigmas ultramicroscópicos.

Creio no magnetismo e na eletricidade – esses mistérios de cada dia.

Creio na gravitação dos corpos siderais – cuja natureza ignoro.

Creio no princípio vital da planta e do animal - que ninguém sabe definir.

Creio na própria alma - esse mistério dentro do Eu.

Não te admires, meu amigo, de que eu, formado em ciências naturais, creia piamente em tudo isto...

Admira-te, antes de que haja quem afirme só admitir o que compreende - depois de tantos atos de fé quotidiana.

O que me espanta é que homens que vivem de atos de crença descreiam de Deus - "por motivos científicos".

Homem! Tu, que não compreendes o artefato - pretendes compreender o Artífice?

Que Deus seria esse que em tua inteligência coubesse?

Um mar que coubesse numa concha de molusco ainda seria mar?

Um universo encerrado num dedal - que nome mereceria?

O Infinito circunscrito pelo finito - seria Infinito?

Convence-te, ó homem, desta verdade: só há duas categorias de seres que estão dispensados de crer: os da meia-noite - e os do meio-dia...

As trevas noturnas do irracional - e a luz meridiana da Divindade...

O insciente - e o onisciente...

Aquele por incapacidade absoluta - este por absoluta perfeição...

O que oscila entre a treva total do insciente e a luz integral do onisciente – deve crer...

Deve crer, porque a fé se move nesse mundo crepuscular, eqüidistante do vácuo e da plenitude, da meia-noite e do meio-dia...


(Texto extraído do inspirado livro “De Alma Para Alma”* – Editora Martin Claret.)

* Ver a coluna de Huberto Rohden em nosso site, na seção de Multimídia. www.ippb.org.br

Texto <611><25/05/2005>