652 - CONSIDERAÇÕES SOBRE A SENDA ESPIRITUAL

Olá, amigo ouvinte.

Bom, vamos começar pelo fim da sua carta.

Sinta-se abençoado, desde sempre, não por mim, mas porque tudo o que existe já está abençoado, só pelo fato de existir. Você, eu e todos os seres somos a própria existência. Como diria o meu amigo extrafísico Rama, “somos o sonho de Deus”.

O Todo está em tudo (muito embora, nem tudo perceba o Todo), logo, tudo está abençoado. Ou seja, não dependa de algum mestre, padre, pastor, médium, projetor, ou quem quer que o mundo julgue como tal, para despertar sua consciência ou abrir o seu coração ao influxo do Amor Cósmico. Para isso, basta se encantar com a própria vida e encher-se da luz do Todo em você mesmo.

Faça isso agora, dê uma boa risada das coisas, inclusive de si mesmo, e aí, mesmo à distância, estaremos juntos, por sintonia, na mesma risada e encantamento da vida, na mesma luz do Todo, que está em nós e em tudo!

Quanto à sua decepção com as pessoas nos estudos espirituais, nada mais ilusório do que isso. Tal coisa se dá devido às suas perspectivas e julgamentos em cima da conduta alheia. Quanto mais você esperar de alguém, maior será a possibilidade de sentir-se decepcionado no final, já que estamos falando de seres humanos nada perfeitos, incluindo nisso eu e você. Se quiser se decepcionar, basta projetar expectativas em cima de algo ou de alguém.

Então, como não se decepcionar mais na senda?

É simples. Preste mais atenção no seu próprio crescimento e nas suas limitações, procurando alguma maneira inteligente e criativa de se acertar, fluindo contente e conscientemente. Faça isso por você mesmo, não pelos outros.

Em relação a qual caminho espiritual você deva seguir, nessa eu passo. Pelo simples motivo de que as pessoas não são iguais em seus níveis de lucidez e percepção. O que pode agradar a um, poderá desagradar a outro, dentro da relatividade das opiniões de cada um. Achar uma senda espiritual sadia é questão de foro íntimo, é busca e decisão pessoal. Contudo, uma coisa é sempre aconselhável: procure algum caminho que respeite o seu livre arbítrio e lhe passe valores nobres e voltados para o bem da humanidade. Dentro desse caminho, pratique-o (sempre usando a inteligência e o bom senso, aliados aos sentimentos mais altos e à alegria da jornada espiritual), e sinta em si mesmo se é o seu lugar. E desconfie de qualquer um que queira barrar a sua liberdade de pensamento, ou que diga que a verdade só está ali, ou que afirme ser o único caminho.

Meu amigo, usando o bom senso, filtre tudo aquilo que ler, ouvir e ver e só aceite aquilo que for de acordo com os valores calcados na razão e no discernimento. E faça isso com amor e alegria, pois de nada adianta estudar temas espirituais, se não for para rir e ser feliz com a lucidez que se alcança e com o contentamento íntimo que se apresenta, naturalmente, sem forçar a barra consciencialmente.

E também pondere tudo isso que estou lhe escrevendo, usando as mesmas medidas de filtro de discernimento sugeridas. Ninguém é dono da verdade, e não há caminho perfeito aqui na Terra.

Fique bem!

Todos nós já estamos abençoados, só por existirmos.

Por isso, agradeça ao Todo, por tudo.



P.S.: Como diria Fernando Pessoa, em espírito:

“Não sou mestre nem discípulo.
Nem isso ou aquilo.
Sou só Pessoa.
E isso já basta!”



Paz e Luz para você.



- Wagner Borges –

São Paulo, 31 de outubro de 2005.



* O programa "Viagem Espiritual" é apresentado pelo Prof. Wagner Borges às 5as feiras, das 19h às 20h, na Rádio Mundial de São Paulo, 95.7 FM.

OBS.: O programa pode ser ouvido diretamente pelo site da Rádio Mundial, no mesmo dia e horário. O site da rádio é: www.radiomundial.com.br

As gravações dos programas dos meses anteriores estão disponibilizadas dentro da seção de Multimídia de nosso site, na Rádio IPPB. O endereço específico no site é: http://www.ippb.org/multimidia@ippb.org/default.htm



- Nota: deixo aqui na seqüência um texto sobre a “Senda”, do amparador Sanat Khum Maat, publicado no meu livro mais recente, o “Ensinamentos Extrafísicos e Projetivos”. Penso que os ensinamentos dele são adequados para os seus questionamentos (e, mesmo assim, filtre tudo, não se esqueça).





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SENDA
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Saudações, caro irmão das lidas espirituais.

Observe o seguinte: muitas das pessoas que têm acesso aos conhecimentos espirituais ainda estão presas às muralhas do próprio ego.

Algumas delas erguem anteparos impermeáveis à luz do esclarecimento. Outras, fecham os olhos para não enfrentar a renovação necessária. Ainda estão manietadas ao medo de crescer e fogem do encontro com elas mesmas.

Transitam pelos estudos espirituais e aparentemente são esforçadas. Contudo, muitas trabalham sem honra e não dignificam os objetivos do próprio estudo.

Parecem entusiasmadas inicialmente com a espiritualidade, mas, em contato com alguns obstáculos inerentes ao seu próprio depuramento, fogem do caminho alegando decepções variadas.

Poucas são honradas em seus compromissos espirituais. Isso é facilmente constatado pela falta de brilho em seus olhos e pela falta de amor e alegria quando falam das coisas espirituais.

Está faltando honra, meu caro!

Quantos não estão fazendo oferendas e sacrifícios em nome de motivações supostamente espiritualizadas? No entanto, o Senhor da vida não é encantado por oferendas superficiais. Ele quer, nada mais, nada menos, que o espiritualista ofereça a cabeça do próprio ego cortada pelas afiadas espadas do discernimento. Ele quer o coração lavado de mágoas e a alma lutando tenazmente pelo rompimento da carapaça do orgulho e do medo.

Quantos estão seriamente empenhados em servir aos ditames da luz?

Caro irmão, quem transita pelos estudos espirituais tem uma séria tarefa a realizar: tomar as rédeas do próprio rumo e seguir em frente pela própria capacidade de discernir e sentir!

Muitos preferem entregar o comando do próprio viver à consciências e situações fora delas mesmas. Porém, como caminhar com as pernas alheias?

Por isso, é fato comum encontrarmos pessoas sem a devida têmpera no contato com as realidades da alma. Estão na trilha espiritual, mas pisam sem respeito. Têm fácil acesso às informações pertinentes, mas acham-se desdenhadas pela sorte.

Fazem abordagens levianas em cima de temas profundos. Especulam e falam muito mais do que agem.

Quantas dessas pessoas lembram os antigos iniciados que pereceram nas fogueiras da intolerância religiosa, filha da ignorância e da ignomínia dos homens?

Será que elas têm noção de que muitos sacrificaram a própria vida para manter ativa a luz da espiritualidade na Terra?



Heróis que silenciaram, mesmo sob pesada tortura, para preservarem a vida de outros que prosseguiriam levando a tocha da espiritualidade em frente.

Hoje, as informações sobre temas espirituais estão generalizadas. O acesso é fácil, mas quantos estão dispostos às provas inerentes a esse estudo?

Quantos estão dispostos a entrar na fogueira do discernimento para incinerarem o próprio ego?

No passado, muitos morreram por esses estudos. Foram assassinados porque quiseram romper o véu da ignorância. Sabiam dos riscos, mas mesmo assim pagaram o preço de boa vontade. Desencarnaram conscientes, pois sabiam valorizar os objetivos espirituais.

Nos planos sutis, os mestres da luz os dignificaram pelo esforço.

Que triste ironia: eles tinham tão pouco acesso, mas para eles era tudo!

Hoje, muitas pessoas têm fácil acesso e ainda acham pouco e reclamam tanto!

Irmão querido, você já conhece esse aforismo iniciático, mas nunca é demais citá-lo para o conhecimento das pessoas: só os fortes de espírito agüentam carregar a tocha do discernimento em suas vidas e o amor em seus passos no mundo. Só eles, em nome da luz, podem hastear as bandeiras da espiritualidade nos altos cumes da Paz!

Desejamos a você e seus leitores, passos responsáveis e coerentes nas trilhas da vida e da espiritualidade!



OM TAT SAT!*



- Sanat Khum Maat e Os Iniciados** -

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges).



- Nota de Wagner Borges: Esses escritos lembraram-me da aguçada percepção do sábio hindu Sry Aurobindo:



"Além de nosso ansioso alcance situam-se estes cumes,

Muito elevados para nossa força e altura mortais.

Dificilmente, num tremendo êxtase de labor,

Escalados pela vontade atlética e desnuda do espírito.

Austeros, intolerantes, eles exigem de nós

Esforços demasiados longos para nossa fibra mortal.

Nossos corações não podem perseverar ou nossa carne suportar;

Apenas a força do Eterno em nós pode ousar

Empreender a imensa aventura dessa escalada

E o sacrifício de tudo que estimamos aqui."



- Notas do texto:

* OM TAT SAT (do sânscrito): é uma tríplice designação de Brahman, o Absoluto. Também é usado como saudação iniciática ou mantra de ativação dos chacras e dos nádis que correm ao longo da coluna.

** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

Para saber mais sobre o amparador extrafísico Sanat Khum Maat, ver o texto 139, postado pelo site em 1999, e onde revelo alguns detalhes sobre sua presença espiritual.

Há outros textos dele (que devido à profundidade de seus apontamentos, é um dos mentores mais queridos dos leitores, que frequentemente enviam e-mails pedindo mais textos de sua autoria espiritual), postados na seção de textos periódicos do site enviados semanalmente - www.ippb.org.br

Obs.: A coletânea de textos espirituais de Sanat Khum Maat está publicada em meu oitavo livro: "Ensinamentos Extrafísicos e Projetivos", recentemente lançado pela Editora Madras - o livro já se encontra nas livrarias e também pode ser adquirido diretamente no IPPB (ou por telefone - pode ser enviado pelo correio).


Texto <652><04/11/2005>