664 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE COM O ANDARILHO DE LUZ II

Então, pensei em escrever para compartilhar esse amor com alguém. Contudo, as palavras me pareceram tão pobres e tão limitadas. Senti a impotência de expressar os sentimentos silenciosos que nem são deste mundo.

Jesus estava certo: “Há uma paz que não é desse mundo!”

E que palavras poderiam expressar tal estado de consciência interna?

Por isso os grandes iniciados do passado se calavam. Quem compreenderia a mensagem espiritual de um olhar sereno, dentro do coração? Acostumadas aos ruídos sensoriais de fora e ao burburinho mental de sua agitação interna, as pessoas não acreditariam que um olhar silencioso pudesse passar tanta coisa boa.

Ainda hoje é assim!

Porém, não sou um grande iniciado, sou apenas um neófito da vida, com muita coisa para aprender. Por isso, não consigo ficar com essa onda de amor sozinho; meu coração não agüenta. Não tenho nível para “ser esse amor”, nem sou mestre em coisa alguma.

Mas ele veio aqui e entrou em meu coração, e eu não sei mais o que dizer. Assim como ele mesmo, que nada disse, apenas me deixou ver o seu olhar que, no silêncio, preencheu tudo de amor. Esse amor que não se explica, só se sente. Essa paz que não é deste mundo. Esse olhar que a tudo compreende.

Que compreende a limitação desses escritos, que não fazem jus à luz que chegou aqui. Que compreende as lágrimas que aqui também desceram, quietinhas, e rolaram mansamente, cumprindo sua função de desaguar as marés dos sentimentos da alma.

Sim, eu o vi, mas não sei bem o que dizer.

E ele me viu e também nada disse, só me olhou dentro do coração.

E na comunhão dos olhares silenciosos, o amor mais uma vez aconteceu. E, mesmo com a limitação das palavras, eu registrei a sua presença e o seu olhar aportando invisivelmente à assistência espiritual no mundo dos homens tristes, presos na noite da alma.

Ele, o andarilho de luz que, anonimamente, toca os corações em nome do amor sereno. Ele, o dono daquele olhar sereno que o mundo não percebe e a que as palavras não fazem jus.

Foi aqui, no centro do coração, que, mais uma vez, eu o vi. E o amor aconteceu, mais uma vez...**



P.S.:

“Verte um jorro de luz líquida, silenciosa, da terra ao céu.
Giram as estrelas, na expansão da consciência...
O amor brinca na criação, e o coração sorri, quietinho.
Quem compreende, o compreende.”



(Dedicado a Jesus, inspiração dos andarilhos de luz.)



- Wagner Borges -

(São Paulo, 10 de dezembro de 2005.)



- Notas:

* O primeiro texto está postado na seção de textos periódicos de nosso site (texto 602, postado em abril de 2005). www.ippb.org.br

** Enquanto passava a limpo esses escritos, lembrei-me de um belo poema místico, de autoria de um ocultista alemão. Segue-se o mesmo logo abaixo.





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TUA PEDRA
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Tu tens uma pedra...

Não sabias disso?

Sim, olha.

No mais profundo de ti mesmo, mais além de tua estultícia, incrustada no muro de tua própria subconsciência, há uma pedra.

Bruta, fria, impassível, com a dureza do mármore.

Porém, tens uma pedra secreta, e não percebes, não a tocas, nem sentes seus efeitos. E, no entanto, ela vive ali na solidão de tua caverna, esperando o instante de ser trabalhada.

Se tu passares a vida (de trânsito sempre efêmero) ignorando sua existência, ela, então, haverá esperado inutilmente que o teu olhar interno a descobrisse na monotonia de sua longa espera.

Se a deixas de lado, se não a despertas, ela há de continuar seu sono estático.

E, quando tu não mais estiveres aqui, quando deixares de ser, ela se tornará um amontoado pedregoso, junto de tantas outras pedras que ficaram no caminho de tantos outros que fizeram como tu...

Porém, se não queres que ela durma, ou se tratas de despertá-la porque uma dor ou uma pena profunda trouxeram consciência em tua vida...

Se tentas buscar, dentro de ti mesmo e conforta-te com as grandezas do espírito para enxugar internamente tantas lágrimas, que jamais puderam secar no exterior...

Então... suspira profundamente e vai até a mansão de tuas causas interiores e busca a tua pedra.

Ela é tosca e imperfeita, não é verdade?

Pois, faz saltar as primeiras lascas, para ir moldando-a.

Contudo, com cuidado, com amor.

É nessa pedra que tocas que está a rosa, o tesouro de tua própria alma.



- Huiracocha -

(Pseudônimo do ocultista alemão Krumm-Heller)

- Texto extraído do livro “Rosa Esotérica” - Ed. Kier – Argentina. -


Texto <664><17/12/2005>