706 - NO DHARMA – SEGUINDO A LINHA ALTA

Meu irmão, tudo de bom!

Que bom vê-lo novamente, sempre no trabalho espiritual.

Você diz: “Faz tempo que não nos vemos, não é mesmo?”

Não! Você não me vê há tempos, mas eu vejo você sempre.

Isso é o normal, devido à densidade da matéria, mas o importante é a sintonia.

Ainda há pouco, você meditava sobre o dharma e os compromissos espirituais.

Pois veja, o dharma é uma linha interligando o homem aos planos mais altos.

Ou seja, é uma linha muito alta. Para segui-la, é preciso estar à altura...

Bem poucos conseguem isso. A maioria cai no caminho, sem a devida sintonia.

Outros, porque não notaram que os objetivos elevados estão acima de seus egos.

E, outros mais, por discórdias dentro deles mesmos ou por confusão sensorial.

Hoje, mais do que antes, é necessário lembrar-se do bordão dharmico:

“Levanta e não te detenhas, até alcançares a meta!

Isso é dharma, a linha alta, que leva várias vidas para subir.

Para compreender isso, é necessário olhar acima do temporário, para além...

Alguns seguem firme, outros só por um tempo, e alguns despencam mesmo.

O valor de cada um está intrínseco em suas próprias atitudes e pensamentos.

E só Brahman é que sabe o tempo de cada um. Só Ele sabe o que cada um é!

Aqueles que despencam, voltarão à frente, como deve ser...

Aqueles que permanecem, são o estímulo dos que fraquejam.

E manter a sintonia na linha alta não é fácil!

É mais fácil deixar-se levar pelas emoções e pelas circunstâncias das provas.

Por isso, só permanecem firmes na senda do dharma aqueles de espírito forte.

E esses, sempre são os que compreenderão os que despencarem da linha de luz.

E, mesmo incompreendidos por aqueles, ainda estenderão as mãos, sem mágoa.

E os chamarão de volta aos caminhos da luz, como deve ser...

E os receberão de braços abertos, pois quem segue o dharma, não julga, só ama.

E respeita o tempo de cada um, mas sem se envolver nas emoções alheias.

Quem trabalha firme, não tem tempo para ver os defeitos alheios!

Sempre agradeça a Brahman pela oportunidade do trabalho sadio.

Quem trabalha, sobe a linha e acha o Supremo dentro de si mesmo.

E exclama, contente: “Levanta e não te detenhas, até alcançar a meta!”



- Os Amigos de Ramakrishna –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 30 de maio de 2006.)

Nota de Wagner Borges:

Os Amigos de Ramakrishna são um grupo de amparadores extrafísicos ligados aos ensinamentos universalistas de Paramahamsa Ramakrishna. Na verdade, são meus amigos de outras vidas e, de vez em quando, aparecem para matar a saudade e dar uns toques espirituais legais. Certa vez, um deles me disse: “Sair do corpo é fácil. Difícil é ficar em paz, dentro ou fora do corpo.” Eles também me ensinaram essa verdade: “Dias ruins não são aqueles de tempestade, que até limpam a atmosfera de fora, mas aqueles dias em que permitimos as pesadas nuvens da mediocridade toldando o céu do coração, dentro de nós mesmos”. Agradeço a esse grupo de amigos pela amizade e pelos toques conscienciais pertinentes, que sempre me ensinam muito.


Notas do sânscrito:

* Brahman: O Absoluto; O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Todos que está em tudo!

* Dharma: dever; trabalho; mérito; benção. Programação existencial; missão virtuosa; ação sadia; meta existencial elevada.

* Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje como um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

* O amparador extrafísico que me passou esses escritos é um amigo de longa data. Foi um dos primeiros espíritos que vi, sempre me protegendo e estimulando a consecução de atitudes sadias no seio do mundo. Ele se apresenta como um rapaz negro, jovem, bem sorridente. Porta uma atmosfera de firmeza e tranqüilidade.
Certa vez, ele me disse: “Mudam-se os rostos e os corpos, mas um espírito leal sempre pontificará e levará os ideais de luz em seu semblante. E, mais à frente na senda, se tornará igual a Ramakrishna, que levava o amor no semblante. E, na imensidão da vida universal, perceberá o semblante cósmico de Brahman em cada criatura.
Só Brahman é o fim da saudade do amor!”

Texto <706><23/06/2006>