731 - VIAGEM ESPIRITUAL – UM PRESENTE DE LUZ

Não sei como, mas há alguém maior, invisível, ajudando você secretamente.
Nada sei de suas condições cármicas*; só sei que alguém maior nos ligou.
Não posso curar o seu corpo, mas posso ficar aqui abraçado com você.
Como se você fosse minha filha querida, no amor do meu coração.
O seu corpo físico é pequeno, mas você é grande! E luminosa.
E nós estamos voando juntos, na Luz; e alguém vela por nós secretamente.
Alguém que patrocinou nosso encontro fora do corpo, em espírito e verdade.
Que me fez pegar você no colo, para enchê-la de amor e energia.
Na verdade, eu é que tenho sorte de encontrá-la; estar aqui me faz feliz.
Estar com você me ensina a arte de suportar o sofrimento com estoicismo.
Querida, não sou eu que curo você; é você que me cura com esse olhar tão claro.
Você está no meu colo, mas nós dois estamos no colo invisível de Deus.
E alguém embala nós dois secretamente nessa viagem espiritual.
Nossos corpos estão lá embaixo, dormindo; mas aqui, nós somos duas estrelas.
O seu corpinho está ardendo em febre, e não sei quanto tempo você tem.
Só sei que alguém maior cuida de você espiritualmente e sabe o que rola.
Esse alguém que me trouxe até você para embalar o seu espírito na Luz.
Essa Luz, que brota do meu coração e que agora entra em seu coração.
Essa Luz da eternidade, que vem do coração do Grande Espírito.
Essa mesma Luz que faz você adormecer aqui também em meu colo.
Essa mesma Luz, à qual entrego você, em espírito, para novas jornadas.
Para que aquele alguém secreto guie você de volta para casa, nas estrelas.
A dor ficou lá embaixo; agora é hora da Luz! É hora de rever os amigos.
Os “grilhões prateados” se partiram, e é hora de voar livre novamente.
Pequenina, estão lhe esperando no céu das crianças; é hora de brincar!
Eu ainda fico por aqui, pois não é minha hora; é preciso voltar ao corpo.
Você sobe; eu desço, pois os grilhões prateados me puxam para baixo.
Mas volto contente por tê-la conhecido; por você ter-me deixado abraçá-la.
E agradeço àquele alguém secreto, por ter-me dado essa chance e essa honra.
Sabe, ter conhecido você foi o meu presente de aniversário.
Pequenina, ver você se libertando da dor me encheu de alegria e consciência.
Hoje, quando completo 45 anos de “encadernação”, você me encheu de vida.
Na Luz de sua partida, foi o meu coração que se iluminou mais um pouco.
Volto contente, para contar aos homens que uma estrelinha voltou para casa.
Para confortar outros que perderam suas pequeninas e nada viram.
Para que eles saibam que há alguém secreto para cada uma delas.
Alguém que embala o sono delas na Luz.
Alguém, a quem agradeço pelo presente de luz**.

- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, que desceu novamente na Terra em 23 de setembro de 1961, para aprender um monte de coisas; pai da Helena e da Maria Luz, as duas estrelinhas que O Grande Arquiteto Do Universo me emprestou por um tempo de vida; e que agradece demais aos amigos espirituais, pelo carinho e paciência.


Nota:

* Cármicas (do sânscrito “Karma”: “Ação”, “Causa”): toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal, os hindus chamaram “carma”. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de conseqüências cármicas.

** Enquanto digitava essas linhas, lembrei-me de um outro texto (já postado anteriormente pelo nosso site), que apresenta forte correspondência com esse de hoje. Segue-se o mesmo abaixo.


ESTRELAS BRILHANDO NA CARNE
(Falando de Imortalidade da Consciência)

- por Wagner Borges -

Aqui estamos, todos nós, em presença sutil e carne.
Somos espíritos imperecíveis; não somos apenas corpos.
Não somos humanos, estamos humanos, nesse presente momento.
Somos a essência espiritual que jamais morre!
Entramos e saímos dos corpos transitórios. Nós permanecemos!
Somos estrelas, o corpo é a casca, o envoltório. E, como instrumento de aprendizado, ele é sagrado!
É o nosso templo temporário. Somos hóspedes siderais na carne.
Como espíritos, somos fortes e eternos; mas na carne, somos frágeis.
Nessa dualidade, não é o corpo que precisa tirar o brilho da estrela; pelo contrário, é a estrela que precisa brilhar no corpo e iluminá-lo.
Não somos humanos, estamos humanos, por enquanto.
Portanto, vamos aproveitar para enchermos o corpo carnal de luz.
Vamos fazer valer nossa luz!
Nada no universo pode nos apagar.
Somos mais do que os inumeráveis sóis do universo, pois eles um dia se apagarão. Nós, não!
Quando a casca cai, a estrela sobe!
E quem poderá enterrar aquilo que é do céu?
Que tumba terrena poderá aprisionar o ser de luz?
Não, nenhum de nós jamais será enterrado ou cremado.
Nós voaremos para além... onde muitos outros nos esperam.
Lá na frente, bem alto, onde os olhos não vêem, nós nos reencontraremos. E todos aqueles que já foram, lá estarão, como deve ser.
Não somos humanos; estamos humanos.
E o que importa, realmente, é sabermos disso.
Para nunca mais sofrermos a ilusão da perda de alguém.
Para deixarmos os mortos no cemitério, lugar de reciclagem de corpos.
E para olharmos para o alto, com o coração aberto, e vermos as inumeráveis estrelinhas nos chamando para outros passos evolutivos, além...
Mesmo “estando humanos”, somos espíritos!
Então, vamos fazer o que viemos fazer: encher o corpo e a vida de luz.

São Paulo, 18 de abril de 2006.


Texto <731><23/09/2006>