751 - OLHOS SERENOS NO MEIO DA TEMPESTADE

Então, junto com o clarão de mais um raio, um pensamento estalou em minha mente: será que outros olhos estariam brilhando lá em cima, também encantados com a beleza da tempestade?

Surpreso com tal idéia, fui até a sacada e abri a janela. O vento e a chuva saudaram o meu rosto com uma forte rajada e realizaram um pandemônio nos papéis que estavam na mesa. Mas eu não me preocupei com isso, apenas olhei para cima.

E fiquei ali por um bom tempo, recebendo os elementos da natureza como meus irmãos, admirado, e ponderando sobre os outros irmãos além da atmosfera, lá em cima, em suas naves reluzentes, também encantados com o mesmo Poder Gerador de todas as maravilhas.

No meio da noite, entre a tempestade e o zimbório celeste, os nossos olhares se cruzaram espiritualmente, brilhando entre os pensamentos.

Da mesma maneira que o vento e a chuva me saudaram numa rajada límpida e fresca, eu saudei em silêncio aqueles outros olhos, de coração a coração, na linguagem do Amor Que Ama Sem Nome.

Aqueles outros olhos, tão encantados quanto os meus.

No centro da noite, eu quedei mais uma vez, maravilhado com a tormenta.

Maravilha das maravilhas: no meio dela, a calmaria espiritual.

E, algures, no espaço sideral, os olhos que eu não vi, mas o meu coração sentiu.

Em silêncio, fiquei ali com os elementos da natureza, admirado e leve, com os dois olhos iguais a diamantes.



(Esses escritos me foram inspirados espiritualmente por um escritor extrafisico*. Fui acordado no meio da noite para grafar essas palavras rapidamente).



- Wagner Borges –

São Paulo, 25 de outubro de 2006.

* Sobre esse escritor extrafísico, favor ver o texto “Viajando no Fogo Doce e Arrebatador”, já enviado anteriormente pelo site (texto 750).

Texto <751><26/01/2007>