813 - CANÇÃO DA ESTRELA PRÂNICA
A luz da estrela prânica brilhou
E o amor imperecível derreteu-me no fogo do Supremo.
O sol e a lua giravam no céu do meu coração,
Enquanto o universo se tornava canção.
A canção era D'Ele...
Escutando-a, soltei-me na luz...
Deslizei na esteira da consciência cósmica,
Lado a lado com os devas, que cantavam a glória D'Ele.
O corpo, moído de viver, ficou me esperando lá na Terra.
Enquanto ele descansava, em espírito eu tocava o Akasha e ria...
Além das bordas do tecido vivo do universo, eu voava feliz...
Eu sabia que corpo e espírito, universo e riso, e tudo mais era D'Ele.
Nas ondas da consciência cósmica, eu viajei pelo mistério D'Ele.
Naquela serenidade lúcida, eu respirava luz pura.
Dissolvi-me na canção do amor Que Ama Sem Nome!
Tornei-me luz branca brilhante...
Na contínua corrente do Todo, tornei-me canção D'Ele.
O fogo do supremo transformou o meu vil metal em ouro.
O velho eu, enferrujado, curvou-se, diante da magnitude D'Ele.
O pensamento silenciou e o coração fremiu no ouro renovado.
Na iniciação estelar, Ele é o Grande Hierofante de todos.
Neófito e discípulo, mestre e guardião, templo e vida, tudo é D'Ele.
Nas pistas siderais, a dança do despertar aconteceu, mais uma vez.
O Grande Dançarino me arrebatou em seus passos eternos.
Eu não era mais meu, era D'Ele; e tudo mais era Ele!
Tudo é Ele! Tudo é Ele! Tudo é Ele!
P.S.: Diante da canção de Brahman, o que mais eu poderia dizer?
O pensamento se foi na luz branca... E o velho eu capitulou, finalmente.
E o coração fremiu, pois, na senda do eterno, é só o amor que se expressa.
O iniciado é eterno aprendiz do Todo e seu templo é o universo.
Ele sabe que, quando o Espírito fala ao Espírito, não há mais nada a dizer.
(Esses escritos são dedicados aos sábios Lao-Tzé, Paramahamsa Yogananda e Francisco de Assis, e à Mãe Sarada Devi).
Paz e Luz.
- Wagner Borges - gotinha espiritual no oceano cósmico de Brahman e, como dizia Paramahamsa Ramakrishna, "apenas o menino da Mãe Divina que viaja pelos ventos do Espírito".
São Paulo, 04 de setembro de 2007.
- Notas:
* Brahman - do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
* Hierofante - dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, era o mestre que testava o neófito - calouro - nas provas iniciáticas.
Quando se afirma que o Supremo é o Grande Hierofante, é no sentido de que Ele é o Supremo iniciador de todos os seres, pois está em tudo! Ele é o Primeiro Amor; A Primeira Luz, Fonte de toda vida; simplesmente o TODO que está em tudo.
* Akasha - do sânscrito - o éter universal; a energia cósmica primordial.
* Estrela Prânica - do sânscrito Prana - "força vital"; "energia" - no contexto iogue é a estrela espiritual, manifestação do plano divino. Para melhor compreensão sobre isso, sugiro ao leitor ler o texto "A Canção das Estrelas-Bebê
Texto <813><27/09/2007>
