880 - UM PRESENTE ESPIRITUAL NA LUZ DE SETEMBRO

(Um Olhar Doce e Sereno Antecedendo a Primavera)

 
Você veio até o meu lar.
E preencheu o ambiente de serenidade.
Falou-me de Luz e de Liberdade.
Da importância do diálogo e da compreensão.
E da fé que ilumina o coração espiritual.
 
Perguntei-lhe algumas coisas.
E você apenas riu e me disse:
“Quem tem as respostas é a vida.
Observe e aprenda. Tire lição e maturidade.
Receba a vida como um presente.”
 
Você me fez olhar para além do horizonte...
Para o Grande Coração de Deus.
De onde vem toda força e inspiração.
De onde a vida surge, na corrente do Eterno...
 
Você me disse: “Gratidão é elevação.
Sempre agradeça ao Supremo, por tudo.
Mesmo por um dia difícil, que também ensina algo.”
 
Então, olhei para você e vi algo.
Vi uma doçura serena emanando do seu olhar.
E pensei por quantas provas e vidas você já passou...
E o quanto superou e se transformou, para ser assim.
 
Você não me mostrou; fui eu que vi.
O seu jeito simples de ser não esconde sua profundidade.
E a sua aura*, clarinha e tranqüila, é o seu cartão de visita.
 
Olha, hoje eu tentei escrever algo, mas não consegui.
Faltou inspiração. Tem dias que não rola nada mesmo.
Então, resolvi escrever sobre você e seu olhar sereno.
Pois, talvez, sua doçura viaje junto com esses escritos...
 
E aí, meu caro, outros corações sentirão um carinho secreto.
Sim, outros corações sensíveis ao Bem e a Luz.
Outros corações, dentro do mesmo Grande Coração de Deus.
 
Você veio até o meu lar.
E eu nem consegui escrever uma canção para você.
Nem poema, nem nada. Desculpe, mas não deu.
Então, leve o meu olhar com você. Não tem sua doçura, eu sei.
Mas tem o brilho da admiração e da gratidão.
 
E, por onde eu for, sempre me lembrarei de sua serenidade.
Principalmente nos momentos de pressão e de provas difíceis.
E, também, quando eu observar o sofrimento de alguém.
O seu olhar será minha inspiração para verter luz em silêncio.
 
Sim, diante da dor e agitação do mundo, me lembrarei de você.
Para serenar minhas próprias emoções e fazer o que você me ensinou:
Emanar luz, em silêncio, a favor de todos... Com respeito e compreensão.
E agradecer ao Todo, por tudo.
 
Meu amigo, da próxima vez, terei uma canção aqui.
Algo que fale de amor, como você gosta.
Algo com a atmosfera da primavera.
Com a inspiração do Grande Coração do Eterno.
 
P.S.: Daqui a alguns dias, chegará a Primavera.
Mas você já encheu o meu lar de flores.
As flores da paz, que florescem no coração.
Meu amigo, valeu pela visita. Foi um presente.
 
(Dedicado a um amigo espiritual, anônimo e sereno, trabalhador da Luz, que, às vezes, vêm aqui no meu lar para falar-me das coisas do espírito e dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade). 
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges (sujeito com qualidades e defeitos, mestre de nada e discípulo de coisa alguma, que não segue nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra, sempre agradecido ao Grande Arquiteto Do Universo, por tudo).
 
São Paulo, 17 de setembro de 2008. 
 
- Nota:
* Aura - Latim: aura, sopro de ar – halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete energeticamente o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo.
** Enquanto eu escrevia essas linhas, lembrei-me de um belo poema do mestre sufi Rumi. Reproduzo o mesmo na seqüência.
 
 
 
O MUNDO ALÉM DAS PALAVRAS
 
- Por Rumi -
 
Dentro deste mundo há outro mundo,
Impermeável às palavras.
Nele, nem a vida teme a morte,
Nem a primavera dá lugar ao outono.
Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes,
Até mesmo as rochas e árvores exalam poesia.
Aqui, a coruja transforma-se em pavão,
O lobo, em belo pastor.
Para mudar a paisagem,
Basta mudar o que sentes;
E, se queres passear por esses lugares,
Basta expressar o desejo.
Fixa o olhar no deserto de espinhos.
- Já é agora um jardim florido!
Vês aquele bloco de pedra no chão?
- Já se move e dele surge a mina de rubis!
Lava tuas mãos e teu rosto
Nas águas deste lugar,
Que aqui te preparam um fausto banquete.
Aqui, todo ser gera um anjo;
E, quando me vêem subindo aos céus,
Os cadáveres retornam à vida.
Decerto viste as árvores crescendo da terra,
Mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso?
Viste também as águas dos mares e rios,
Mas quem há de ter visto nascer,
De uma única gota d'água, uma centúria de guerreiros?
Quem haveria de imaginar essa morada,
Esse céu, esse jardim do Paraíso?
Tu, que lês este poema, traduze-o.
Diz a todos o que aprendeste
Sobre este lugar.
 
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos" - Jalal ud-Din Rumi - Editora Attar).


Texto <880><17/09/2008>