900 - DANCE WITH MY FATHER IV

Olá.
Nesse instante, eu ouço uma canção celta** e me lembro de você.
Ela me faz pensar na Presença*** que está em tudo.
Então, eu agradeço a Ela, por tudo.
Agradeço por você e por mim... E pela vida.
Você me trouxe ao mundo e me educou com sacrifício.
E educou os meus irmãos também.
Como você trabalhou, cara! Mas o seu labor valeu a pena.
Apesar de nunca ter tido facilidades na vida, você nunca desistiu.
Mesmo sob pressão, você sempre foi correto e honesto.
Você educou os filhos pelo exemplo, não pela palavra vazia.
Sim, a canção rola no som e eu me lembro de você com carinho...
Estamos distantes no físico, mas eu sinto você em meu coração.
E, junto, vem uma onda de gratidão, pelas barras que você segurou.
Vi você triste por muitas vezes, mas nunca revoltado com a vida.
E você sempre dava a volta por cima, com trabalho e risadas.
Ainda me lembro do primeiro aparelho de som que você me deu.
Eu era adolescente e nem soube lhe agradecer direito.
Hoje eu também sou pai, e sinto o que você sentia em silêncio.
E sei que minhas filhas também sentirão isso, um dia...
Talvez, escutando alguma canção na quietude da noite.
E eu torço para que elas se lembrem de mim, como eu me lembro de você.
Pelo exemplo, não pela palavra vazia. Pelo amor, não pela dor. Pela vida...
Sim, pelo exemplo, se Deus quiser.
Pai, de coração, valeu, por tudo.

(Dedicado a Valdemar Borges, meu pai, que atualmente tem 77 anos e mora no Rio de Janeiro, ainda apaixonado pela música e pleno de vida.)

P.S.:
Às vezes, basta ouvir uma música para o meu coração transbordar de amor.
Então, para dar vazão às ondas desse amor, escrevo...
Não é nada programado. Aliás, nem tem como ser assim.
Como eu poderia conter tanto amor descendo aqui nesse pequeno coração?
Ah, e as palavras são tão pobres para expressar o que sinto na alma.
E esse Grande Amor vem e me possui, por inteiro, e eu fico tão pequeno.
É como um maremoto chegando num pequeno regato... E tudo vira onda.
Ou como uma ventania levando a folha pelo ar... No movimento do Eterno.
É cheia de amor transbordando e lavando o coração... Por isso, escrevo o que sinto.
E faço isso enquanto posso, pois o Amor é cada vez maior e, eu, cada vez menor.
E que palavras limitadas darão vazão a isso? Serão dignas desse Amor?
Conseguirão levar essas ondas por esse mundão de Deus, para outros corações?
Oxalá, se assim for, que os faça felizes e lhes dê força na jornada da vida.

Nas ondas, com gratidão e admiração.
Paz e Luz.

- Wagner Borges - sujeito com qualidades e defeitos, mestre de nada e discípulo de coisa alguma; 47 anos de "encadernação"; mais espiritualista do que nunca; e, cada vez menor diante da Grandeza da Vida, em todos os planos.

São Paulo, 24 de outubro de 2008.

- Notas:
* Os três primeiros textos estão publicados no meu livro "Flama Espiritual" - e também estão postadas no site do IPPB - www.ippb.org.br -, nos seguintes endereços específicos:
Parte I: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5013
Parte II: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5315
Parte III: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5958

** A canção celta é a belíssima "Always There" - 4ª faixa do CD. "Earth Song" - do grupo new age/celta Secret Garden.

*** A Presença - metáfora celta para o Todo que está em tudo.
Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: "Isso é um assombro!"
E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano.
Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos.
Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres.
Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade.
Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro!
E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: "Que assombro!"
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o "terno assombro" que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo.
E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia, no antigo Egito: "O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração."
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê.
O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: "Caramba, que assombro!"


Texto <900><02/12/2008>