985 - KRISHNA – UMA PONTE PARA O INFINITO

E aí Ele tirou o seu som como quem gera a vida num sopro de harmonia.
E eu compreendi porque os sábios sempre falavam do Sopro Vital do Eterno.
Será que eles também o viram tocando? E se extasiaram com a doçura?
Sim, eu devia estar sonhando, porque via estrelas saindo de sua flauta.
E, acima de nós, empoleirados nos galhos da árvore, os passarinhos o escutavam.
E começaram a acompanhá-lo com seu canto... Como uma banda da natureza.
E eu ali, no meio, entre as estrelas e os pássaros, enquanto o Céu se abria para Ele.
Ele não me disse, mas eu sabia que Seu som se propagava por entre os planos...
Sua doçura viajava curando homens e espíritos na vastidão universal.
Ele tocava e miríades de cores se espalhavam em sua aura (1) e em torno de nós.
E eu poderia jurar que até mesmo as flores em volta se abriam para ouvi-lo.
Eu só podia estar sonhando. Sim, era isso. Era a única explicação para Ele estar ali.
No entanto, Ele me olhou e sorriu mais uma vez. E, aí, eu compreendi a verdade.
O Divino toma a forma que quer e é simples como uma criança, e ri à vontade...
O seu templo é em todo lugar e cada coração é sua casa. Ele conhece a todos.
E, quando ele toca sua flauta, tudo muda. Porque, quem escuta o seu som, desperta!
Ele não estava no meu sonho, eu é que estava no som d’Ele, despertando...
E, quando o Seu olhar tocou o meu, Ele me disse, dentro do meu coração:
“Eu toco para despertar as consciências; para fazer o Amor acontecer.
O Céu e a Terra Me escutam; os devas (2), os pássaros e as estrelas também.
E, às vezes, Eu toco entre os homens e os espíritos, por entre os planos...
E libero as cores curativas a favor de todos. Elas viajam no Meu sopro vital.
Eu toco a flauta e chamo a Luz e a Harmonia para dentro dos corações.
São raros os que escutam o Meu som. E, mais raros ainda, os que Me vêem.
Mas veja como são lindas essas cores. E elas curam secretamente.
E a doçura do som dessa flauta não se compara. É som das esferas do infinito...
Agora, você sabe: O Divino se manifesta de muitas formas, e ri igual criança.
Porque o Espírito Supremo sopra onde quer, e é simples como a própria vida.
Se Eu toco com os pássaros e as estrelas, por que não tocaria com os homens?
A grande maioria é impermeável aos toques espirituais. Mesmo assim, Eu toco.
Porque Eu não toco por eles, mas pelo Amor e pelas cores lindas que surgem.
E, quando Eu toco, o Céu se abre e a Terra Me escuta, e tudo muda...
Às vezes, Eu apareço para alguém, como agora, para rir junto, igual criança.
Então, ria, meu amigo. E deixe o seu coração escutar o meu som celeste.
E aí, um dia, você se lembrará desse momento e escreverá sobre isso.
Sobre essa doçura que viaja com as cores a favor do bem de todos.
Há outros no mundo que também Me sentem, mesmo sem Me ver.
E eles compreenderão essas linhas e seus propósitos espirituais.
E em seus corações eles reconhecerão o Amor que viaja com eles.
Sim, você se lembrará e escreverá sobre o Sopro Vital do Eterno.
E Eu virei novamente, bem dentro do seu coração, para rirmos juntos.
E você Me verá com seus sentidos espirituais, e escutará Minha flauta.
Amigo, não há doçura igual, medite nisso. Ah, você se lembrará!
E, juntos, abraçaremos o mundo com as cores mais lindas e curativas.
Quando a taça do seu coração transbordar de Amor, você se lembrará.
Então, você escreverá por Mim... E realizará isso, por Amor.
E a doçura viajará nas linhas escritas até outros corações sensíveis à Luz.
Esse é o darma (3) que Eu lhe dou: escrever sobre as coisas do espírito.
Ah, meu amigo, você se lembrará! Porque não há doçura igual.
E a taça do Amor transbordará, como dever ser...”
Ele me disse isso, em espírito e verdade e, a seguir, transformou-se em menino.
E novamente riu. E eu o vi entrar na abertura celeste e voar por entre os devas.
Acho que ele foi brincar com as estrelas e fazer o Amor acontecer, por aí...
E eu fiquei ali, embaixo da árvore, pensando n’Ele. Ou, melhor dizendo, sentindo-O.
Ele, Krishna, o Senhor dos Olhos de Lótus, que sentou-se e riu junto comigo.

P.S.:
Krishna, a taça do Amor transbordou.
E eu senti Você dentro do meu coração.
Então, escrevi, como Você me disse.
Você se transformou em criança na minha frente.
Mas, diante do infinito, eu é que sou criança.
E é assim que me sinto diante de Você.
E, como tal, também escrevi assim.
Sim, igual criança admirada.
Criança que se lembrou, porque a taça transbordou...
E o Amor voou para dentro dessas linhas.
E eu escutei o som de Sua flauta, mais uma vez...
Porque não há doçura como essa.
Govinda (4), a taça transbordou mesmo...
E eu escrevi, por Amor. E por Você.
Então, que assim seja!

Om Namo Bhagavate Vasudevaya! (5)

(Dedicado a todos aqueles que sentem um toque espiritual em seus corações e que, mesmo sob a pressão do materialismo do mundo e das pessoas em torno, ainda estudam e trabalham em nome da Luz.)

Em Tempo: Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som a bela canção “Back For Good”, sucesso da banda pop inglesa Take That – faixa 2 do CD. “Nobody Else”, lançado na Inglaterra no ano de 1995.
Obs.: Essa foi a banda de onde surgiu o cantor do pop inglês Robbie Williams.
E depois, enquanto eu passava o texto a limpo, deixei tocando a bela balada “Kiev”, sucesso da banda inglesa de rock progressivo Barclay James Harvest – faixa 6 do CD. “Face To Face” – lançado na Inglaterra no ano de 1992.

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
São Paulo, 05 de dezembro de 2009.

1. Aura – do latim, aura - sopro de ar – halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.
2. Devas – do sânscrito – divindades; seres celestes; anjos.
3. Darma – do sânscrito Dharma – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
4. Govinda (ou Gopala) – epíteto de Krishna, considerado como o “Pastorzinho Divino”, que tangencia os seres na direção da Bem-Aventurança (ananda) e da consciência cósmica (o samadhi, a expansão da consciência, muitas vezes associada ao despontar da aurora dissolvendo as trevas – o ego - e fazendo a atmosfera dançar na luz).
Govinda e Gopala também são considerados como mantras de dissolução de climas psicofísicos densos. Trazem alegria e espantam as confusões e equívocos.
5. Om Namo Bhagavate Vasudevaya - do sânscrito - é um dos mantras de evocação de Krishna. OM é a vibração interdimensional que interpenetra a tudo e a todos.
NAMO: Saudação ou reverência ao poder divino.
BHAGAVATE: Respeito ao Senhor.
VASUDEVAYA: Vasudeva é o nome da família carnal que criou Krishna. O Ya acrescentado no final significa a característica ativa (masculina) do mantra. Quando alguém faz esse mantra completo, evoca Krishna como homem que também viveu aqui na Terra e sabe das dificuldades enfrentadas por todos.
Obs.: Sobre esse mantra, favor ver o texto “Surfando nas Ondas da Consciência Feliz – Om Namo Bhagavate Vasudevaya”, postado no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=3897
Dica de música: Há um ótimo CD de Jai Uttal (músico americano especialista em mantras) contendo mantras alusivos a Krishna e outras divindades hindus. Trata-se de seu melhor trabalho, intitulado “Kirtan! The Arte and Practice of Ecstatic Chant” – lançado nos Estados Unidos da América no ano de 2003. Destaque para a faixa 5 do CD, intitulada “Shri Krishna Govinda”.

Texto <985><18/12/2009>