990 - NO ALTO DA MONTANHA, NA LUZ DA PRESENÇA IV

E, surpreso, eu vejo pétalas de flores desconhecidas descendo sobre mim.
E sei que é um carinho dos espíritos dos Andes, por entre os planos...
Tímido, eu compreendo e agradeço, enquanto as lágrimas rolam em silêncio.
Fico quietinho, enquanto as imagens vão mudando em minha tela mental.
Minha mente vai longe, enquanto o meu coração me ancora espiritualmente.
Então, eu vejo a imensa cadeia montanhosa do Himalaia, com seus picos nevados.
E escuto o som de pequenos sinos e gongos, dentro de mim.
E outras vozes antigas me chamam e me falam da sabedoria do velho Oriente.
E da luz sutil daquelas alturas, que um dia desceu na Índia e iluminou os iogues.
E aí, eu vejo um olhar no céu, cheio de amor, e a serenidade me envolve.
Eu sei que é um Rishi (2) velando silenciosamente pela humanidade.
E as vozes me dizem que “Brahman (3) é o fim da saudade do amor...”
Ah, elas também me falam da compaixão silenciosa dos Budas e Bodhisattvas (4).
E eu vejo meninos tibetanos vestidos de monges e cantando com alegria.
São mestres espirituais em forma de criança, voando por cima do mundo.
E eles cantam o mantra da compaixão: “Om Mani Padme Hum...” (5)
E uma luz cor de vinho desce das alturas do Himalaia em meu coração.
E eu escuto as risadas de criança deles dentro de mim mesmo.
E fico sem saber o que fazer, arrebatado pelas ondas de sabedoria deles.
Porque as aparências enganam: eles são mestres da consciência e, eu, a criança.
Então, mais uma vez as imagens mudam, e eu vejo as montanhas Kun Lun, na China.
E, lá em cima, eu vejo uma reunião de sábios taoístas, cheios de bom humor.
Um deles me acena e, imediatamente, um raio de luz amarela desce em minha testa.
E, enquanto tudo fica brilhante, as vozes me falam do Amor Que Gera a Vida.
E da dança do Chi (6) ... E da ação doTao (7), que não pode ser definido.
E eu, imerso na luz amarela, nem sei o que fazer, solto nas ondas espirituais...
E, novamente, as imagens mudam, e eu vou vendo diversas montanhas do mundo.
Eu vejo o Monte Fuji, no Japão, e as Highlands, nas ilhas britânicas.
E tantas outras montanhas que nem conheço... E os espíritos dali, sempre na Luz.
Finalmente, eu vejo apenas uma montanha, e sei que ela é a origem de todas elas.
Porque ela é toda de luz e as vozes vêm de lá, por entre os planos...
E elas me dizem que “O Todo está em tudo!” – e que, “sem amor, ninguém segue...”
Então, uma onda de luz branquinha desce sobre o topo de minha cabeça.
E, na luz, eu escuto, em meu coração: “Escreve, ri, estuda, trabalha, ama e segue...”

P.S.:
As montanhas me chamaram, mais uma vez.
E eu fui até elas, mas não saí do lugar.
Eu fui, em espírito, por entre os planos...
Sim, eu fui pelas trilhas do coração.
Que é a mesma por onde andam os iniciados e os poetas.
Porque eles sabem que essas trilhas não são desse mundo;
E nela estão os espíritos de todas as montanhas.
Sim, eu fui por elas, e escutei a mensagem, em meu coração.
E ela era a mesma, por onde eu fui; e sempre em nome da Luz.
E honrando-a, aqui e agora, eu escrevo essas linhas.
E peço ao Grande Espírito que permita que elas viajem, por aí...
Até as trilhas de outros corações, para inspirar suas jornadas.
Ah, eu não sou mestre de nada, nem de mim mesmo.
Eu só sei sentir e escrever... E, às vezes, as montanhas me chamam!
Então, eu escuto a mensagem delas, em espírito, e depois escrevo, como deve ser.
E só o Grande Arquiteto Do Universo é que sabe o que se passa em meu coração.
Ele, o Senhor de todas as montanhas, do Céu e da Terra.

Gratidão.
Paz e Luz.

- Wagner Borges – espiritualista consciente e contente e, às vezes, médium das montanhas.
São Paulo, 09 de janeiro de 2010.

- Notas:
Obs.: As três partes anteriores desse texto foram postadas recentemente pelo site do IPPB – www.ippb.org.br -, e podem ser acessadas nos seguintes endereços específicos:
Parte 1 - https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5755
Parte 2 - https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6861
Parte 3 - https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=6868

1. Pacha Mama - do quíchua Pacha ("universo, mundo, tempo, lugar"); e de Mama ("mãe") - "Mãe terra" - é a deidade máxima dos Andes peruanos, bolivianos, do noroeste argentino e do extremo norte do Chile.
2. Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.
3. Brahman – do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
4. Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.
- Boddhisattvas – do sânscrito – são aqueles seres bondosos que estão perto de tornarem-se Budas ou Iluminados. Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais ou avatares conscientes do amor de todos os Budas.
5. Om Mani Padme Hum - do sânscrito - sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do boddhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração"; ou seja, é o próprio Ser, a essência divina. Padme / Lótus é o chacra cardíaco que envolve, energeticamente, essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco em favor de todos os seres.
Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão".
6. Tao - do chinês - "O Caminho"; "a essência de tudo"; "O Todo".
Na verdade, o TAO não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:
"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o TAO.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."
- Lao Tzé - in "Tao Te Ching" – China; Século VI a.C.
7. Chi - do chinês - força vital, energia.
Dentro dos ensinamentos taoístas, a força vital é polarizada na natureza das coisas em dois aspectos fenomênicos: o Yin e o Yang, as alternâncias do Chi, as polaridades da energia.

Texto <990><03/02/2010>