1093 - ENCONTRO DE ALMAS

- Por Rumi -
 
Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
 
Sem exibir os dentes,
Sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
Sem língua, sem lábios.
 
Sem abrir a boca,
Contemo-nos todos os segredos do mundo,
Como faria o intelecto divino.
 
Fujamos dos incrédulos,
Que só são capazes de entender
Se escutam palavras e veem rostos.
 
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que somos todos um,
Falemos desse outro modo.
 
Como podes dizer à tua mão: "toca",
Se todas as mãos são uma?
 
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos, pois, a boca e conversemos através da alma.
 
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
 
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos" - Editora Attar.)
 
- Nota de Wagner Borges: Jalal Ud-Din Rumi foi um brilhante poeta sufi que viveu no século 13, na antiga cidade persa de Balkh, onde hoje é o Afeganistão. É considerado como um dos grandes poetas místicos da antiguidade. Seus escritos exalam aquele perfume espiritual que só o coração reconhece. Para ele, Deus não era apenas o Senhor, mas “O Amado”. Ler os seus lindos poemas cheios de amor pelo Eterno é uma honra e uma inspiração.

Texto <1093><13/05/2011>

1092 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NO CANTO SECRETO DOS BUDAS DA TERRA PURA – II

(Na Terra Pura de Nós Mesmos...)
 
Que Amor é esse?...
Que, mesmo na noite fria, aquece o meu coração?
Que vem de mansinho, como uma brisa cálida...
E me diz, em espírito: “Ninguém morre!”
 
Que Amor é esse?...
Que eu sinto que está em tudo.
Que me faz ver um rio espiritual, algures...
Onde os espíritos nadam felizes.
 
Que Amor é esse?...
Que faz o chão ficar estrelado...
E que me diz que o Buda** está em todos os corações.
Inclusive, no meu, e no seu, caro irmão e amigo de senda.
 
Que Amor é esse?...
Que fala de Sabedoria e Paz.
Que nada julga; só ama; que a tudo compreende...
E que me diz, “só é forte quem ama!”
 
Que Amor é esse?...
Que corre como um rio...
Na direção do Oceano de Ananda***.
O mesmo rio onde nadam os espíritos felizes.
 
Que Amor é esse?...
Que me abraça em silêncio na flor de lótus.
Que faz o meu coração virar joia...
E vibrar pelo Bem de todos.
 
Que Amor é esse?...
Que me mostra os espíritos rindo, além...
E me diz: “Sim, eles vivem!”
E que me faz nadar no mesmo rio que eles...
 
Que Amor é esse?...
Que me embala - como uma mãe embala o filho...
Que me diz: “Embale os seus irmãos no mesmo Amor...
Pois há um Buda em cada coração.”
 
Que Amor é esse?...
Que desce aqui, na Força do Espírito...
Como um Sopro Vital do Eterno.
E que abençoa a tudo e a todos.
 
Que Amor é esse?...
Que transforma as trevas em lótus coloridos.
Que faz o chão virar um pedacinho da Terra Pura****.
E que faz sentir a respiração do Buda em cada Ser.
 
P.S.:
Que Amor é esse?...
Que faz a Luz acontecer em você, e também em mim?...
Que faz o coração da gente virar joia.
Que nos faz pequenos Budas...
Que nos faz irmãos de jornada espiritual e humana.
Que traz felicidade em nosso reencontro.
Que está com a gente, aqui e agora, como sempre esteve...
E sempre estará... Nas asas da Paz.
Ah, que o Buda nos abençoe!
E que assim seja.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges –
São Paulo, 03 de maio de 2011.
 
- Notas:
* Esse texto foi direcionado para os 30 participantes do grupo de estudos do Espaço Origens, no bairro do Brooklyn, em São Paulo. Foi escrito um pouco antes do início de uma reunião. E eu agradeço aos amparadores extrafísicos, que fizeram descer uma atmosfera espiritual maravilhosa sobre todas as pessoas presentes, dando a todos nós um grande presente espiritual.
** Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.
*** Ananda – do sânscrito - bem-aventurança; êxtase espiritual.
**** Terra Pura – metáfora budista para a morada espiritual dos Budas.
Obs.: Para melhor compreensão desses escritos, estou postando na sequência a sua primeira parte, postada pelo site do IPPB em abril de 2009.

 
VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NO CANTO SECRETO DOS BUDAS DA TERRA PURA
 
(“Que, da Terra Pura dos Budas, desça sobre os homens a compaixão silenciosa”).
 
No silêncio da meditação, por entre os planos da vida, eu escuto o choro de muitas consciências, da Terra e do Astral.
Escuto em espírito, e oro ao Alto, pelo bem de todos os seres.
E sinto algo em meu coração. Um chamado sutil... Vindo da Terra Pura dos Budas*.
E, de lá, desce uma canção de compaixão, serena e amiga, em prol dos homens.
Eu a escuto, com o coração. E meus olhos tornam-se duas cascatas de luz.
No meio delas, as lágrimas, por sentir um Grande Amor varrendo a poeira do meu ego. Por perceber a ação secreta dos Budas, médicos da alma, cantando pelo bem de todos.
E eu me pego envergonhado de mim mesmo, por não aguentar tanto amor descendo aqui. E o meu choro revela-me, por inteiro, em espírito; revela a criança que eu sou diante do infinito...
Então, sinto que outros estão chorando junto comigo, algures...
Eu não os vejo, mas sinto seus corações. E sinto o amor dos Budas entrando neles.
Sinto o poder da luz e do esclarecimento libertando espíritos sofredores, de todos os lugares. Sinto que correntes estão sendo partidas, e que a canção cura suas dores e medos, levando-os para novos rumos, na vida que segue além...
Também sinto o mesmo amor entrando em muitos corações dos homens da Terra, secretamente... Nos doentes e nos médicos; nos alunos e nos professores; nos pais e nos filhos; e em todo lugar.
A canção continua... E minhas lágrimas também. Ela é linda e serena. E eu choro a dor do mundo.
Sozinho, entre a luz secreta do amor e as dores do mundo, e entre os Budas, os espíritos e os homens, e sem ser mestre de coisa alguma, nem de mim mesmo, eu só sei chorar, pois aqui eu só sou uma criança diante do infinito...
Ah, tantos anos de experiência, e eu só sei chorar ao sentir um Grande Amor em meu pequeno coração; só sei dar expressão às lágrimas, pois dissolvo-me junto na canção.
Mas os Budas da Terra Pura não veem como sou pequeno e falível; eles só veem o coração e a verdade que move um homem; eles só veem outro Buda, em potencial.
E a canção deles não quebra apenas as correntes dos espíritos tristes, mas também as minhas. Por isso, choramos juntos, mesmo em planos diferentes, enquanto a canção de compaixão segue transformando os corações, por entre os mundos, clareando os pensamentos e emoções de todos.
Lá em cima, os Budas cantam o despertar da consciência; cá embaixo, nós choramos e lavamos nossas dores e tolices. Homens e espíritos, nós somos crianças diante do infinito...
Contudo, para os Budas, nós também somos Budas! Por isso, eles cantam.
É para despertar o Buda em nós. Para que o amor floresça em nossos corações.
Eles sabem mais do que nós. Estão despertos na senda. Por isso, querem que nós saibamos também. Por isso eles cantam...
E felizes são os corações que escutam essa canção secreta, mesmo chorando tanto.
Em suas lágrimas está o choro de milhões de mundos dissolvendo-se na luz de um Grande Amor.
 
P.S.:
Ah, tantas correntes partidas em segredo, no Astral e na Terra...
Tantas magias maléficas dissolvidas no poder de libertação de uma canção...
Tantas tristezas lavadas no choro limpo, por entre os muitos planos da vida...
Tantos corações tocados invisivelmente, por obra dos Budas...
Tantos Budas cantando, enquanto um Grande Amor segue secretamente trabalhando...
Ah, eu ainda irei chorar muito... Porque homem feito, fico igual criança diante do infinito...
E a canção deles continua, por aí, por entre os planos...
E felizes são aqueles que a escutam, em seus corações, em espírito e verdade**.
 
(Dedicado aos homens e mulheres de boa vontade, de todas as raças, credos e culturas do mundo. Que, mesmo sob as pressões do mundo, eles não desistam de seus ideais sadios e nem reneguem a luz espiritual de seus corações. Que os Budas da Terra Pura os abençoem.)
 
Om Mani Padme Hum!***
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – criança do infinito, que não segue nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra, sejam elas ocidentais ou orientais, e que sabe do poder que alguns escritos têm de ligar outros corações ao coração do Eterno, na sintonia do Amor e da Luz.
São Paulo, 20 de abril de 2009.
 
- Notas:
* Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.
** Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o lindo CD. “Tibet – Cry of the Snow Lion” – de Jeff Beal e Nawang Kechog – Lançamento nacional. A música “One Human Life” (faixa 2 do CD) é linda demais!
*** Om Mani Padme Hum - do sânscrito - sua tradução literal é: "Salve a joia no lótus". Esse é um mantra de evocação do boddhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Joia espiritual que mora no coração"; ou seja, é o próprio Ser, a essência divina. Padme / Lótus é o chacra cardíaco que envolve, energeticamente, essa joia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco em favor de todos os seres.
Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão". É um dos mantras mais poderosos que conheço. Pode ser concentrado, mentalmente, dentro do peito – como se a voz mental estivesse reverberando ali –, ou dentro de qualquer um dos chacras que a pessoa desejar ativar. No entanto, o melhor lugar para ele é realmente o chacra cardíaco, pois o que chega ali é distribuído para todo o corpo, pela circulação do sangue comandada pelo coração, e também a todos os outros chacras do corpo energético.
O chacra frontal, na testa, também é excelente para a prática desse mantra, pois o que chega nele é distribuído ao longo da coluna pelos nádis – condutos sutis de transporte energético pelo sistema –, e comunicado a todos os outros chacras abaixo dele. Esse é o motivo pelo qual vários mestres iogues sempre aconselham aos seus discípulos iniciar alguma prática bioenergética por ele.
Um livro excelente sobre isso é o do pesquisador iogue japonês Hiroshi Motoyama, "Teoria dos Chacras", lançado no Brasil pela Editora Pensamento.
Eis alguns CDs maravilhosos que contêm esse mantra:
- Laíze, com a participação de Áurio Corrá nos teclados e arranjos - CD. "OM", pela Gravadora Alquimusic – Brasil - A segunda faixa desse disco é um canto de amor e faz um bem enorme ao chacra cardíaco. É amor em forma de ondas sonoras.
- CD. "Tibetan Incantations - The Meditative Sound of Buddhist Chants", pela Gravadora Music Club, Série 50050 – England - A segunda faixa é de uma profunda alegria e melhora o humor do ouvinte. É alegria em forma de ondas sonoras. A terceira música é o mantra Om Mani Padme Hum cantado a cappella pelos monges tibetanos. Esse álbum tem 74 minutos de música.
- CD. "Six-Word Mantra of Avalokitesvara - The Avalokitesvara Boddhisattva Dharma Door Vol. ll", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2109 – E.U.A. - Esse CD foi feito por músicos chineses e direcionado para a cura de órgãos internos pelo mantra Om Mani Padme Hum. Entretanto, como a pronúncia é chinesa, o mantra fica Om Mani Pa Me Hung. Seu efeito é bem forte. Nesse trabalho, o lance é mais de energia do que de amor. É vitalidade em ondas sonoras.
- Beijing Central Juvenile Chorus - CD. "Wingsong of The Lotus World", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2152 – E.U.A. - Esse disco é cantado por um coro juvenil chinês. Aqui o Avalokitesvara, criador do mantra Om Mani Padme Hum – representado pelos chineses na figura da Deusa da compaixão "Kuan-Yin" –, é reverenciado em um belo canto que encanta o coração do ouvinte sensível. Esse disco é paz em ondas sonoras.
- Buedi Siebert – CD. “Om Mani Padme Hum”, pela Gravadora Real Music, Série RM – 4040 – E.U.A. – Esse CD contém diversas versões do mantra Om mani Padme Hum. É excelente para momentos de prece, práticas meditativas, práticas de Ioga e momentos de inspiração e conexão espiritual.
- Fan Li-bin – CD. “Sound From the Cosmos”, pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2112 – E.U.A. – Nesse trabalho de fortes vibrações, Fan Li-bin, vocalista nascido em Taiwan e exímio praticante de mantras, procurou realizar uma conexão espiritual do mantra Om Mani Padme Hum com os chacras. Aqui a pronúncia do mantra é cantada como Om Ma Ni Pa Mei Hum.
- Craig Pruess – CD. “Sacred Chants of Buddha”, pela Gravadora Heaven on Earth Music, Série HOEM – 12 – England – A terceira faixa deste CD é uma versão do mantra Om Mani Padme Hum elaborada para profundo relaxamento psicofísico.
 

Texto <1092><11/05/2011>

1092 - NÃO JULGUES TEU IRMÃO

Por André Luiz -

 
Amigo.
Examina o trabalho que desempenhas.
Analisa a própria conduta.
Observa os atos que te definem.
Vigia as palavras que proferes.
Aprimora os pensamentos que emites.
Pondera as responsabilidades que recebeste.
Aperfeiçoa os próprios sentimentos.
Relaciona as faltas em que, porventura, incorreste.
Arrola os pontos fracos da própria personalidade.
Inventaria os débitos em que te inseriste.
Sê o investigador de ti mesmo, o defensor do próprio coração, o guarda de tua mente.
Mas, se não deténs contigo a função do juiz, chamado à cura das chagas sociais, não julgues o irmão do caminho, porque não existem dois problemas, absolutamente iguais, e cada espírito possui um campo de manifestações particulares.
Cada criatura tem o seu drama, a sua aflição, a sua dificuldade e a sua dor.
Antes de julgar, busca entender o próximo e compadece-te, para que a tua palavra seja uma luz de fraternidade no incentivo do bem.
E, acima de tudo, lembra-te de que amanhã, outros pousarão sobre ti, assim como agora a tua visão se demora sobre os outros.
Então, serás julgado pelos teus julgamentos e medido, segundo as medidas que aplicas aos que te seguem.
 
(Recebido espiritualmente por Francisco Cândido Xavier – Texto extraído do livro “Meditações Diárias” – Editora Ide.)

Texto <1092><11/05/2011>

1091 - DILUINDO AS ONDAS CINZENTAS – II

(E Projetando Luz nas Ruínas, de Dentro e de Fora...)
 
Muitas vezes, espíritos sofredores entram em lugares abandonados e casas em ruínas e se instalam ali - e, também, nas fábricas abandonadas e prédios obscuros.
Eles gostam de ambientes assim, sem claridade, porque sabem que outras pessoas não irão até lá. E por que eles ficam nesses locais?...
Porque eles sabem que ali poderão ficar nas sombras, recolhidos em si mesmos, da mesma forma que já o faziam quando encarnados, quando não enfrentavam os próprios problemas; quando se recolhiam com medo da luz do esclarecimento e fugiam para dentro de si mesmos, nas sombras de seu ego.
Desencarnados e de frente consigo mesmos, ainda tentam fugir, e se escondem em locais estranhos - como já faziam nos locais obscuros de sua própria mente, quando encarnados. Eles ficam escondidos, com medo da Luz, com medo do encontro consigo mesmos, presos em campos psíquicos cheios de formas mentais estranhas, relativas ao passado, ao apego e ao pesar de tantas coisas não resolvidas e não encaradas, de frente. E, por isso, sofrem nos lugares obscuros...
Em contrapartida, outros preferem lugares frequentados por multidões; locais onde o cheiro do álcool é abundante, locais com cheiro de fumo e, quiçá, locais com atmosfera de drogas. Eles fluem para ali porque esta também é uma forma de fugir de si mesmos, inalando o vapor que dopa os seus sentidos astrais, nas energias dos encarnados correspondentes aos seus próprios vícios.
Muitas vezes, encontramos estas entidades sofredoras nos lares das pessoas “aparentemente de bem", mas que brigam muito e não têm ambiente de harmonia.
Infelizmente, encontramos esses ambientes obscuros também nos lares, assim como os encontramos nas ruínas... Porém, esses espíritos sofredores não suportam permanecer em ambientes pacíficos, luminosos e serenos, porque a quietude os força a ir para dentro. E, aí, eles se encontram consigo mesmos - e é esse encontro que eles tentam evitar.
Naturalmente que os ambientes serenos, tranquilos e elevados espiritualmente estão protegidos da entrada de entidades sofredoras. Por isso, a importância da irradiação de energias positivas no lar, a realização de preces, ou a concentração nos mantras benfeitores; a audição de músicas virtuosas e a emanação de pensamentos sadios e de harmonia no lar...
A importância de lembrar-se diariamente do próprio Espírito, da própria Luz; a importância de não se deixar engolfar pelo materialismo alienante e envolvente, e de não se deixar levar pelas emoções circunstanciais e por aquilo que a multidão fala ou pensa naquele momento... A importância de ter um centro próprio de referência e consciência, um centro de vontade plena, que decida por si mesmo o próprio rumo da vida; a capacidade de ponderar e se disciplinar naturalmente nas coisas da Luz.
E, também, a noção correta da participação em reuniões virtuosas, que formam campos luminosos (egrégoras**), que se propagam no Invisível e chegam aos lugares escuros e, gradativamente, vão expondo aquilo que está escondido.
Energias que fluem, por Amor... Que seguem por entre os diversos planos, limpando, lavando, iluminando, elevando, e abrindo portais espirituais que recolhem os sofredores, aqui mesmo, ou em outros lugares, sempre sob o comando do Alto, pela ação de seres de Luz que jamais aparecem e que sempre sustentam o trabalho de assistência espiritual.
E ninguém os vê, porque são consciências elevadíssimas e que operam em níveis altamente sutis. Eles é que são os verdadeiros sustentadores de todos os trabalhos, sempre em nome do Alto, sempre em nome do “Poder Maior Que Gera a Vida” - o Amor que Gera o Amor, e faz a Vida acontecer...
Há entidades nas ruínas, nas multidões e nos lares, e tudo isso é sintonia...
Ponderem sobre isso e observem o clima de disputa que há nos próprios lares, onde, às vezes, estão reencarnados antigos desafetos do passado, como filhos e parceiros, sob o mesmo teto. Observem o clima de competição entre casais e ponderem bem: o que isso atrai? E observem o medo, que, muitas vezes, leva as pessoas a deixarem de amar, ou de se abrirem para um grande amor, ou mesmo de deixarem passar a vida...
Tudo isso por medo do Amor, assim como, as entidades sofredoras têm medo da Luz - e também do Amor -, e, por isso, jamais se encontram.
E, como vocês mesmos sabem, os iniciados espirituais de todas as eras sempre trabalharam nas iniciações para se encontrarem com sua própria essência, por dentro, e, por conseguinte, o TODO, neles mesmos.
Por isso, não fujam do encontro real, aquele consigo mesmos... Sigam apaziguando as emoções, por dentro, e abrindo os sentimentos reais, fazendo, então, com que eles dissolvam as camadas emocionais grosseiras, que bloqueiam o Amor, para dissolução do medo de amar e do medo da Luz.
E que, na jornada de cada um, a Luz esteja sempre presente, iluminando as trilhas dos corações. E, num planeta sofrido como este, de provas e expiações, quem já anda com um pouco de Luz em si mesmo, já consegue iluminar o caminho para os outros que estão nas ruínas - de fora e de dentro.
Os espíritos viciados em energias sujas, que se drogam em ambientes noturnos, densos, fazem isso porque a verdadeira droga é o vazio existencial deles mesmos. Isso os leva a consumir as energias dos viciados encarnados. E os outros que estão nos lares aproveitando o clima de brigas, também denotam a falta de espiritualidade que já existe dentro deles mesmos.
Então, o que nós temos? Uma humanidade sofrida - e uma humanidade extrafísica sofrida, atrelada espiritualmente -, ambas em ruínas, externas e internas. E a cura é a reconstrução da Luz, no físico e no extrafísico.
Ou seja, projetar Luz e construir um novo prédio, luminoso, consciente, sensato, coerente e benfeitor... E isso está ao alcance de todas as pessoas que se dispõem a trabalhar, a estudar e a enfrentar a própria inércia, como deve ser; como iniciados na Luz, como estudantes espirituais corajosos, que enfrentam a si mesmos e, assim, enfrentam o medo do Amor e iluminam as ruínas de dentro; que constroem novos prédios e seguem em frente, na direção das cidades luminosas, que não existem apenas extrafisicamente, mas, também dentro dos corações.
E só o Alto é que sabe o que cada um tem dentro do próprio coração. Só o Alto é que sabe o valor de cada um, ninguém mais. E é a Luz a parceira de cada um.
Na noite escura da alma, um facho de Luz representa muito; nas ruínas, um toque de Amor representa muito e, juntos, vocês potencializam essa Luz, e os caravaneiros do Alto distribuem-na, somada com a Luz deles mesmos, que, por sua vez, é somada com aquilo que Deus dá e manda em apoio.
E esses benfeitores espirituais*** vão recolhendo os espíritos infelizes da jornada, levando-os para a devida regeneração... E vocês também têm parte nisso, pois são caravaneiros encarnados, que, mesmo sem saber de tudo, participam do trabalho do Alto.
E que isso seja assim, sempre...
 
Luz na senda!
Amor nos caminhos...
 
- Os Iniciados**** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 05 de novembro de 2008.)
 
- Nota de Wagner Borges: Esses escritos são a transcrição de uma mensagem mediúnica ocorrida numa reunião do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB (que tem 140 participantes).
Na ocasião, eu estava conduzindo o grupo numa prática de ativação dos chacras e de irradiação energética para assistência espiritual, quando um dos amparadores extrafísicos do grupo dos Iniciados acoplou-se mediunicamente comigo e projetou essas palavras que aqui estão grafadas. Por sorte, alguém gravou e, agora, é possível disponibilizar para todos os apontamentos conscienciais que eles passaram pela psicofonia.
Penso que esses escritos serão úteis para diversos grupos que trabalham em diversas atividades de ajuda espiritual para o mundo. Mas eles também servem para suscitar reflexões conscienciais sadias em qualquer estudante espiritual sério e dedicado.
E não deixam de ser uma alerta de que é preciso a humanidade crescer e transformar suas ruínas escuras em prédios luminosos e felizes. E que isso seja dentro e fora, na Terra e além... Sim, pelo Bem de todos!
 
Paz e Luz.
 
- Notas do Texto:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB – www.ippb.org.br -, e pode ser acessada no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2335:437-diluindo-as-ondas-cinzentas&catid=31:periodicos&Itemid=57  
** Egrégora - do grego “Egregorien”, que significa “velar”, “cuidar” - é a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.
É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude - independentemente de linha espiritual - forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, à qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interconsciencial.
Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."
Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.
No dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza esse mundo será melhor de viver.
Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam a todos, independentemente de credo, raça ou cultura esposada.
*** Benfeitores espirituais – entidades extrafísicas e positivas que ajudam a todos; mentores extrafísicos; mestres extrafísicos; companheiros espirituais; protetores astrais; auxiliares invisíveis; guardiões astrais; guias espirituais; amparadores extrafísicos.
**** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

Texto <1091><07/05/2011>

1091 - A EVOLUÇÃO DA FORMA

- Por Jalal ud-Din Rumi* -
 
Toda forma que vês
Tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
Permanece o original.
 
As belas figuras que viste,
As sábias palavras que escutaste,
Não te entristeças se pereceram.
 
Enquanto a fonte é abundante,
O rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?
 
A alma é a fonte,
E as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
 
Tira da cabeça todo o pesar
E sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
 
Desde que chegaste ao mundo do ser,
Uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
 
Primeiro, foste mineral;
Depois, te tornaste planta,
E mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?
 
Finalmente foste feito homem,
Com conhecimento, razão e fé.
 
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
Vê quão perfeito se tornou!
 
Quando tiveres cumprido tua jornada,
Decerto hás de regressar como anjo;
Depois disso, terás terminado de vez com a terra,
E tua estação há de ser o céu.
 
Passa de novo pela vida angelical,
Entra naquele oceano,
E que tua gota se torne mar,
Cem vezes maior que o Mar de Oman.
 
Abandona este filho que chamas corpo
E diz sempre, "Um", com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.
 
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos" - Editora Attar.)
 
- Nota de Wagner Borges: Jalal Ud-Din Rumi foi um brilhante poeta sufi que viveu no século 13, na antiga cidade persa de Balkh, onde hoje é o Afeganistão. É considerado como um dos grandes poetas místicos da antiguidade. Seus escritos exalam aquele perfume espiritual que só o coração reconhece. Para ele, Deus não era apenas o Senhor, mas “O Amado”. Ler os seus lindos poemas cheios de amor pelo Eterno é uma honra e uma inspiração.

Texto <1091><07/05/2011>