1067 - A ROUPA DA MÃE VELHA

- Por Frank -
 
Vou compartilhar com você um segredo, mas é preciso que você me prometa que ele só vai ficar entre a gente, pois tem pessoa, nesse mundo, que se assusta fácil e, se não escutar ou ler sobre esse segredo direito, pode até achar que a visão que eu tive é obra do "coisa-ruim". E, por mais medo que eu tenha tido - e foi muito medo mesmo -, tudo do que eu me recordo é o que eu vou lhe contar agora: Eu vi a "Mãe Velha"!
Ela se revelou para mim. E, se eu ainda consigo me lembrar disso, deve ser porque Ela me deixou, ao menos, manter parte da lembrança. Se bem que essa memória pode ter sido distorcida por símbolos antigos - inebriados pela minha fé em qualquer coisa.
Daí, já de início, fica o meu sincero pedido de desculpas se, por algum motivo, você for conduzido a acreditar em algo do que eu acredito. A minha esperança é que você, leitor seletivo e inteligente, possa usar o seu discernimento para ir além dos meus escritos e ler nas entrelinhas o que está sendo dito e, se possível, revestir tudo com os seus próprios símbolos. Porém, peço-lhe que mantenha, ao menos, o respeito pela ideia original - esse arquétipo da "Mãe Velha", a Vó, a Preta-Veia, Mataji, Nanâ Buroquê, ou seja lá qual for o nome pelo qual você a chame...
Eu, talvez em voo espiritual, talvez em sonho, lembro-me que a minha consciência escapuliu da minha mente e foi parar bem distante, no meio de uma floresta, onde dei de cara com uma cabana de madeira, de onde saía fumaça pela chaminé, e o cheiro das folhas da mata se misturavam com um cheiro de café.
O cheiro de algo tão forte me deu conta de que eu não estava isento de corpo e, logo em seguida, o som das folhas sendo pisadas denunciava que eu estava revestido com alguma “espécie de corpo” - espiritual? sutil? astral? -, que me permitia também ouvir o canto das cigarras, os grilos e o piado da "mãe da noite", um pássaro do cerrado brasileiro com fama de bruxa.
Confesso que fiquei com medo, e me deu vontade de correr, mas, ao mesmo tempo, lembrei-me que tinha ido parar naquelas bandas por algum motivo. Daí, criei coragem e bati na porta, e a mesma se abriu, rangendo. E vi, lá dentro, sentada, uma velhinha, cujos cabelos prateados se derramavam de sua cabeça e se espalhavam pelo chão – e, ao chegarem ao mesmo, os fios se transformavam em raízes que entravam pelas frestas do assoalho de madeira.
Sentada numa cadeira de balanço, ela ia para aqui e para acolá, e a mesma cantava “nhã-iá-nhã-iá”, sem parar, sustentando o peso dessa senhora, que era do tamanho do mundo. Vestida numa bela roupa cor de rosa brilhante, ela tinha nos cabelos uma tiara de diamantes, mas os seus pés estavam descalços e sujos de lama. E, em suas mãos, ela tecia uma malha com duas agulhas de tricô, enquanto seus óculos caiam ternamente pelo seu nariz. Porém, acima deles, havia um par de olhos brancos, cegos como um caminho coberto de névoa.
“Olá!” - ela disse.
Daí, senti vergonha de a estar olhando, mas ainda deu tempo de observar no seu rosto as rugas do tempo, que pareciam contar a origem das estrelas e as experiências de todos os lugares em uma só face.
“Oi!” - respondi, sem saber o que dizer, nem como agir.
Então notei que os seus olhos brancos ganharam cor e, em cada um deles, havia a banda de uma lua, que ficava cheia quando ela sorria - e ela ria muito.
E, a cada vez que ela piscava, um pássaro, lá fora, gritava, “Salubá! Salubà!”
Eu quis logo me ajoelhar, mas ela acenou que não e me disse que existe uma diferença entre respeito e submissão, que um viajante deve aprender a se ajoelhar com o coração, não com os joelhos, para poder pisar em todo lugar. Daí, em algum ponto onde corre a nascente da minha intuição e de quem eu sou, eu a ouvi me contando a história do mundo em que vivemos, e vi uma fila de espíritos esperando-a tecer a malha da matéria que usariam para encarnar na Terra.
Ela me contou outras tantas coisas, mas disse que tudo aquilo só faria sentido lá naquela cabana, pois, tão logo eu saísse dali, toda aquela conversa viraria pó de lembrança, como o corpo que se desfaz ao fim da nossa existência no mundo da matéria...
Perguntei-lhe se poderia guardar, pelo menos, a recordação de tê-la visitado e aí ela riu... E sua gargalhada tinha o som de uma queda d'água batendo nas pedras do rio.
Então, me disse: “Você não veio me visitar, eu é que estou lhe visitando! E você esquecerá boa parte daquilo que estamos conversando. Mas, à medida em que for trilhando o seu caminho, tudo o que eu lhe disse se transformará em intuições, guiando-o, como chuva caindo...
Daí, caí - ou levantei do meu sono -, lembrando-me que eu jamais poderia esquecer aquele encontro. Afinal, eu trouxe comigo algo desse sonho: a malha da "Mãe Velha" nesse corpo que estou usando.
 
São Paulo, 11 de janeiro de 2011.
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com
Texto <1067><02/02/2011>

1066 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NAS RISADAS CURATIVAS III

(Quando os Budas Riem e Curam as Feridas dos Corações)
 
Ah, eu vi um Buda** sorrindo!
E Ele só me disse uma coisa: “Paz, meu irmão!”
E aí, eu ri junto com Ele.
Sim, eu ri igual criança...
Porque, diante do infinito, o que eu sou?
E, diante de um Buda, o ego da gente parece uma casquinha de antigas tolices.
E Ele me disse: “Transcendência é comunhão. É a integração da Luz no Ser – e em todos os corações.”
Então, Ele tocou em meu peito, e o meu coração virou um sol.
E, naquela linguagem secreta, de espírito a espírito, Ele me disse:
“A Compaixão é irmã da Compaixão!
Torne-se veículo de suaves bênçãos.
As coisas da Terra passam... Mas a alegria fica.
Porque, a grande riqueza está na consciência serena.
A Compaixão chama a alegria. E esta chama a Vida!
O coração compassivo é alegre, porque é sereno.
Om Mani Padme Hum*** em seu coração.
E alegria para todos.”
Ah, Ele me disse isso e riu novamente.
E eu o acompanhei na risada...
Porque, diante do infinito, eu não passo de uma criança.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges –
São Paulo, 14 de dezembro de 2010.
 
- Notas:
* * As duas primeiras partes desse texto estão postadas no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5634:843-viajando-espiritualmente-nas-risadas-curativas-ii&catid=31:periodicos&Itemid=57 
** Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.
*** Om Mani Padme Hum - do sânscrito - sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do boddhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração"; ou seja, é o próprio Ser, a essência divina. Padme (Lótus) é o chacra cardíaco que envolve, energeticamente, essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco em favor de todos os seres.
Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão". É um dos mantras mais poderosos que conheço. Pode ser concentrado, mentalmente, dentro do peito – como se a voz mental estivesse reverberando ali –, ou dentro de qualquer um dos chacras que a pessoa desejar ativar. No entanto, o melhor lugar para ele é realmente o chacra cardíaco, pois o que chega ali é distribuído para todo o corpo, pela circulação do sangue comandada pelo coração, e também a todos os outros chacras do corpo energético.
O chacra frontal, na testa, também é excelente para a prática desse mantra, pois o que chega nele é distribuído ao longo da coluna pelos nádis – condutos sutis de transporte energético pelo sistema –, e comunicado a todos os outros chacras abaixo dele. Esse é o motivo pelo qual vários mestres iogues sempre aconselham aos seus discípulos iniciar alguma prática bioenergética por ele.
Um livro excelente sobre isso é o “Teoria dos Chacras”, do pesquisador iogue japonês Hiroshi Motoyama – publicado no Brasil pela Editora Pensamento.
Eis alguns CDs maravilhosos que contêm esse mantra:
- Laíze, com a participação de Áurio Corrá nos teclados e arranjos - CD. "OM", pela Gravadora Alquimusic – Brasil - A segunda faixa desse disco é um canto de amor e faz um bem enorme ao chacra cardíaco. É amor em forma de ondas sonoras.
- CD. "Tibetan Incantations - The Meditative Sound of Buddhist Chants", pela Gravadora Music Club, Série 50050 – England - A segunda faixa é de uma profunda alegria e melhora o humor do ouvinte. É alegria em forma de ondas sonoras. A terceira música é o mantra Om Mani Padme Hum cantado a capela pelos monges tibetanos. Esse álbum tem 74 minutos de música.
- CD. "Six-Word Mantra of Avalokitesvara - The Avalokitesvara Boddhisattva Dharma Door Vol. ll", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2109 – E.U.A. - Esse CD foi feito por músicos chineses e direcionado para a cura de órgãos internos pelo mantra Om Mani Padme Hum. Entretanto, como a pronúncia é chinesa, o mantra fica Om Mani Pa Me Hung. Seu efeito é bem forte. Nesse trabalho, o lance é mais de energia do que de amor. É vitalidade em ondas sonoras.
- Beijing Central Juvenile Chorus - CD. "Wingsong of The Lotus World", pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2152 – E.U.A. - Esse disco é cantado por um coro juvenil chinês. Aqui o Avalokitesvara, criador do mantra Om Mani Padme Hum – representado pelos chineses na figura da Deusa da compaixão "Kuan-Yin" –, é reverenciado em um belo canto que encanta o coração do ouvinte sensível. Esse disco é paz em ondas sonoras.
- Buedi Siebert – CD. “Om Mani Padme Hum”, pela Gravadora Real Music, Série RM – 4040 – E.U.A. – Esse CD contém diversas versões do mantra Om mani Padme Hum. É excelente para momentos de prece, práticas meditativas, práticas de Ioga e momentos de inspiração e conexão espiritual.
- Fan Li-bin – CD. “Sound From the Cosmos”, pela Gravadora Wind Records, Série TCD – 2112 – E.U.A. – Nesse trabalho de fortes vibrações, Fan Li-bin, vocalista nascido em Taiwan e exímio praticante de mantras, procurou realizar uma conexão espiritual do mantra Om Mani Padme Hum com os chacras. Aqui a pronúncia do mantra é cantada como Om Ma Ni Pa Mei Hum.
- Craig Pruess – CD. “Sacred Chants of Buddha”, pela Gravadora Heaven on Earth Music, Série HOEM – 12 – England – A terceira faixa deste CD é uma versão do mantra Om Mani Padme Hum elaborada para profundo relaxamento psicofísico.
Texto <1066><27/01/2011>

1066 - QUIMERAS DA ALMA

Os homens acolhem as ilusões em seus corações e depois choram, desconsolados com as consequências desastrosas de suas ações fantasiosas.
Há certas pessoas que nem mesmo sabem fazer algo direito.
Suas ações são tão equivocadas que mais parecem simulacros de ação.
São fantasmas de si mesmas.
São fatiadas o tempo inteiro pelo próprio ego, que as aprisiona às ilusões sensoriais e as arremete de encontro ao reino fantástico de Maya*.
Os homens transitam pela existência cheios de sonhos e quimeras distantes, deixando, com isso, de perceber a clara realidade da vida, que os chama a todo instante para o justo aprendizado.
Passam várias vidas assim, permeados pela ilusão do sentir e com as inexoráveis repercussões cármicas**, açoitando-lhes os caminhos.
Buscam a fantasia, mas acabam encontrando a dor.
Consomem o tempo com futilidades e acabam perdendo o tempo certo de viver e aprender. São escravos das sensações, sendo facilmente condicionados pelo ambiente cultural em que foram inseridos.
São apegados a pessoas, objetos e situações, esquecendo-se de que tudo é transitório e que a morte um dia vai arrebatar-lhes tudo, exceto o próprio nível de consciência, arrastando-os para planos espirituais que não admitem nenhum apego aos condicionamentos ilusórios.
 
- Os Iniciados*** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Viagem Espiritual – Vol. 3” – Editora Universalista – 1998.)
 
- Notas:
* Maya – do sânscrito - ilusão; tudo aquilo que é mutável, que está sujeito à transformação por diferenciação.
** Cármicas – do sânscrito Karma: ação, causa - toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal os hindus chamaram carma. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de consequências cármicas.
***Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de uma linda canção sufi, que nasceu no coração dos mestres das areias, que, por séculos, encheram as terras do Oriente Médio com sua sabedoria e amor. Segue-se a mesma na sequência.
 


CANÇÃO SUFI
 
A terra do nosso supremo lar
È uma terra de flores sem espinhos;
Não se permitem ali as atrás florestas do medo
Nem se semeia jamais a Dor.
 
O riacho do amor corre ali sem cessar,
A criação é um deslumbramento
E visões celestiais consolam a terra
Enquanto torrentes imemoriais alegram os olhos.
 
Ali toda oração é auto-suficiente,
Ninguém regateia dádivas,
A vida é deita de Verdade,
E desconhece a máscara da ilusão.
 
Proscrito está o egoísmo,
E vedados os pensamentos personalizados,
Senhor algum governa, servo algum obedece,
Sombra alguma empana a Divina Luz.
 
Não é um arroubo poético
Esse mundo de amor e êxtase
Que, no fundo de cada coração,
Espera apenas ser descoberto.


Texto <1066><27/01/2011>

1065 - VIAJANDO NA LUFADA DE ANANDA DE KRISHNA...

Eu cometi um grande erro: pensei que o coração era meu.
Mas Ele veio e me arrebatou nas ondas de um Grande Amor...
Então, eu percebi que eu não era mais meu.
Porque, diante d'Ele eu não era coisa alguma.
E o caminho que eu trilhava, também nunca foi meu.
Nem o que eu pensava ser o meu Darma!*
Sim, eu havia me enganado: tudo era Ele, em mim.
Sempre foi assim... Mesmo quando eu pensava estar sozinho.
Ah, quantas vezes Ele me sustentou, sem que eu O percebesse...
E quantas vezes Ele me livrou de jornadas perigosas?
E, quando eu pensava estar no comando, era Ele que me impulsionava...
E, por mais que eu errasse na senda, Ele sempre me amparava.
Ah, Ele veio e encheu os meus chacras** de flores amarelas e azuis.
E me disse: "Diante dos ventos da maldade, ofereça flores.
Os chacras são os lótus espirituais sob o comando da Luz.
Pense em Mim dentro dos seus centros vitais. E abrace o mundo em silêncio.
E deixe o Meu Amor fluir por você, como a música viajando pelo ar...
Diante das tragédias do mundo, ore a Mim, com todo o seu Ser.
Eu sou Aquele que ampara a criança e o velho, e estou em todos os corações.
Como a brisa suave, Eu levo os males para longe, numa lufada de Ananda***.
E, não se esqueça: o Amor não tem inimigos. E a tudo transforma.
Eu estou em você, sempre. Então, abrace o mundo Comigo.
Ofereça flores invisivelmente... Aos homens da Terra e aos espíritos tristes.
Vibre a Luz em seus chacras! E deixe o Meu Amor fluir por você..."
Ah, Ele veio e encheu o meu lar de alegria, e deixou um perfume sutil no ar.
Sim, um perfume de Ananda. E aquela Paz que vem lá do Céu...
Ele, Krishna, o Senhor dos Olhos de Lótus, que faz os chacras virarem flores.
E que me arrebatou nas ondas de um Grande Amor...

P.S.:
Sim, eu não sou mais meu. E saber disso é uma grande alegria.
E também saber que uma lufada de Ananda viaja junto com esses escritos...
Até outros corações, nesse mundo, e além...
E que, no silêncio de um Grande Amor, Ele está levando flores, por aí...
Ah, eu não sou mais meu, sou d'Ele. E sempre foi assim.
Então, esses escritos também são d'Ele. Sim, e essa luz que viaja junto...
Levando cura, energia e inspirações secretas, como a música viajando pelo ar...****

Om Namah Krishnaya!

Paz e Luz.

- Wagner Borges – cheio de gratidão e viajando na lufada de Ananda de Krishna...
São Paulo, 22 de dezembro de 2010.

- Notas:
* Darma – do sânscrito "Dharma" – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
*** Ananda – do sânscrito - bem-aventurança; êxtase espiritual.
**** Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o CD. duplo "Happiness is the Road" – da banda inglesa de rock progressivo Marillion. A música "This Train in my Life" – segunda faixa do volume 1 -, é linda demais. E também a música "Trap the Spark" – oitava faixa do volume 1.


Texto <1065><21/01/2011>

1065 - VIAGEM ASTRAL À VRINDAVAN

Desperto fora do corpo (1) no plano extrafísico concomitante à cidade de Vrindavan, terra onde viveu o menino Krishna. Ainda hoje, a atmosfera espiritual do lugar está preenchida pelas vibrações sutis do menino Gopala (2).
Há dois amparadores comigo, mas eles não querem se identificar. Percebo os seus vultos luminosos ao meu lado e respeito seus motivos extrafísicos (3).
Telepaticamente, eles me sugerem que eu vá até um antigo templo nas cercanias da cidade, junto à orla da floresta. Plenamente consciente, deslizo pelo ar até o local.
Noto uma certa expansão de energia branca no centro do meu chacra frontal, acompanhada de um aumento das percepções extrafísicas (4).
Atravesso uma das paredes do templo e me surpreendo.
Dentro do ambiente, no duplo extrafísico do salão principal, há centenas de projetores de vários lugares do mundo. Seus corpos estão repousando em outros países, mas suas almas estão projetadas ali em um templo da Índia.
Apesar de também estar ali projetado, não sou percebido por nenhum deles. O motivo disso é simples: eles estão semiconscientes, entorpecidos, transitando extrafisicamente pelo local, tal qual zumbis extrafísicos.
Motivados por automatismos extrafísicos variados, foram projetados até ali em busca das bênçãos do menino Krishna. Conseguiram chegar, mas estão entorpecidos!
Alguns estão flutuando à deriva pelo salão, enquanto outros estão ajoelhados rezando automaticamente.
Valendo-me da magnitude das percepções extrafísicas (e com o intuito de aprender pela observação consciente), faço uma varredura energética no ambiente e nos projetores, e observo o seguinte:
- Os que estão ajoelhados estão cegos de devoção. Estão inchados de intolerância, pois amam a Krishna, mas não amam o mundo. Esqueceram-se do óbvio: não se chega a
Krishna com fé cega! Falta-lhes o mais importante: discernimento e simplicidade.
- Os que flutuam pelo ar estão cheios de conhecimento. Leram muito sobre o menino Krishna. Contudo, também estão semiconscientes. A arrogância do saber drenou-lhes a
capacidade de compreender os outros. Falta-lhes o essencial: compaixão e abertura consciencial. E não se chega a Krishna pelas vias do orgulho!
Observando aquelas pessoas projetadas, vítimas do condicionamento e da rigidez consciencial, dei-me conta de como é bom ter a mente aberta e ser bem-humorado.
Exteriorizei energias na intenção de todos e saí volitando (5) por sobre a floresta ao lado. Em dado instante, percebi o som de um rio que cortava a densa vegetação lá embaixo (6). Desci e pairei sobre a superfície das águas.
Repentinamente, um delicioso aroma interpenetrou-me por inteiro (a sensação era exatamente essa!). Não sei precisar qual era o perfume, e nem sei explicar direito a sensação, mas, por intuição direta, sei que era o perfume do menino Krishna.
A lucidez ampliou-se e perante minha visão extrafísica, as águas do rio transformaram-se em ouro líquido. Isto é, um rio dourado cortava naquele instante a densa vegetação. Então, uma onda de Amor incondicional entrou em mim (e também no rio e na floresta inteira). Tudo estava tomado pelas vibrações sutis de Govinda, o "Senhor dos Olhos de Lótus".
No centro do meu chacra cardíaco (7), surgiu uma luz dourada. Então, fui possuído espiritualmente por esse Amor incomensurável e minha consciência se expandiu.
Envolvido em tal enlevo, percebi que era hora de voltar para o corpo físico e preenchê-lo com esse amor. Logo a seguir, senti um desconforto na área da nuca extrafísica - sintoma característico do chamado vibratório do cordão de prata (8).
Em instantes, fui tracionado vigorosamente para dentro do vaso carnal. Ato contínuo, abri os olhos do corpo físico.
Para minha alegria, continuava a perceber o rio dourado pela clarividência (9). Nisso, tomei consciência de uma situação inusitada; embora percebesse o rio dourado lá em Vrindavan, ao mesmo tempo eu o percebia correndo dentro do meu coração. E aquele amor ainda me possuía por inteiro.

P.S.:

Por sugestão dos dois amparadores sutis, sugiro aos candidatos a projetores conscientes a seguinte prática:
- Deitado, com a mente e o corpo irmanados no mesmo objetivo de evoluir e fazer o Bem, visualize poderosamente que o seu corpo se transforma em um rio dourado.
Isto é, transforme-se em uma massa de ouro líquido por inteiro. Tente imaginar o som da água correndo dentro de você (tanto faz que ela corra de cima para baixo ou de baixo para cima). Dissolva-se na energia dourada!
Se quiser ampliar a concentração, vibre mentalmente no chacra frontal (à guisa
de mantra) o nome "VRINDAVAN", ou então o nome de "KRISHNA".
Faça isso todas as noites e fique muito bem!

- Wagner Borges –
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual – Vol. 3" – Editora Universalista – 1993.)

- Notas:
1. Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
2. Gopala (ou Govinda) - epíteto de Krishna, considerado como o "Pastorzinho divino", que tangencia os seres na direção da Bem-Aventurança (ananda), e da consciência cósmica (o samadhi, a expansão da consciência, muitas vezes associada ao despontar da aurora dissolvendo as trevas – o ego - e fazendo a atmosfera dançar na luz).
Gopala também é considerado como um mantra de dissolução de climas psicofísicos densos. Irradia alegria e espanta as confusões e equívocos.
3. Amparador extrafísico – entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
4. Credito à essa energia branca a excepcional lucidez desta projeção.
Obs.: o Chacra Frontal é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise – pituitária - e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito ele é conhecido como "Ajna", o centro de comando.
(Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico. Suas características básicas são as seguintes:
5. Volitando: voando.
6. Trata-se de um rio extrafísico.
7. Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é "Anahata", o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.
8. Cordão de prata – Conduto energético que liga o corpo espiritual ao corpo físico; cordão astral, cordão fluídico; cabo astral, cordão de luz; laço vital; fio de prata; cordão perispirítico.
9. Clarividência – do latim, clarus - claro; videre, ver – é a faculdade perceptiva que permite ao indivíduo adquirir informações acerca de objetos, eventos psíquicos, cenas e coisas, físicas ou extrafísicas, através da percepção parapsíquica de imagens ou quadros mentais.


Texto <1065><21/01/2011>