1058 - A PSICOGRAFIA E O TELEFONE SEM FIO

 
- Por Frank -
 
Fulano diz remédio, Sicrano entende Genésio, você compreende outra coisa.
- Eu mesmo ouvi, moça - já ele entendeu força!
Telefone sem fio: todo mundo segue nessa brincadeira, dizendo o que não ouviu, repassando adiante o que mal escutou.
Como assim, você nunca brincou disso? Todo mundo brinca! Se não agora, brincou na infância, ou, inconscientemente, nas cirandas do repassar a mensagem que lhe disseram em algum lugar lá distante, e você acreditou, repassou.
E outro fez o mesmo, sem se dar conta de que a comunicação falada passa sempre pelo filtro de quem a recebe, a interpreta e reconta - por vezes adultera -, pois, quem conta, sempre aumenta um conto.
E nem lhe conto que boa parte das minhas lembranças é de coisas inventadas, ou de mensagens passadas por outras pessoas, que nem sei bem se repassaram algo ou simplesmente criaram. Daí a minha desconfiança com as mensagens psicografadas.
Se já é difícil repassar a mensagem de quem está vivo, imagine ouvir e decodificar o que se fala do outro lado de lá, da terceira margem do rio, de onde Guimarães e o Meu Tio Joca contavam:
- Ora, lá é um lugar que nem se fala, nem se fala.
Se lá não se fala, como é que há vivos que escutam o que dizem os que moram além da morte? Digo isso, pois meu tio, um dia, disse algo que fez, pra mim, todo o sentido:
- Não acredito que falemos português do lado de lá, pois, em corpo, precisamos da garganta para nos comunicar, mas, quando morremos, a garganta fica no corpo, não é mesmo, menino?
Eu só pude responder:
- Sei lá!
- Deve haver algum outro tipo de comunicação - ele continuou - Só assim daria para explicar como é recebido, no astral, o brasileiro ou o índio, o espanhol ou o mongol. Não é mesmo, menino?
- Sei lá, sei lá!
Porém, devo confessar que sempre pensei nisso toda vez que alguém me dizia que psicografava mensagens dos parentes mortos a quem se pedia um sinal, uma carta, algumas palavras que pudessem demonstrar, provar que o amado falecido continuava vivo e bem.
Lá pelas tantas da minha caminhada espiritual, plantei e semeei alguma certeza de que essas coisas do astral são mesmo reais. Aprendi sobre corpo astral e perispírito. Sei que as mensagens que sopram de lá são coisas sérias, e que elas vêm em bloco, sobrando para o médium a função de fazer o download, traduzir, interpretar e repassar a mensagem. Em outras palavras, vem a ideia, mas as palavras são de quem as recebe. Por isso a minha pulga dançante atrás da moleira, pois, assim como a mensagem entre vivos pode ser uma brincadeira de telefone sem fio, quem diz ouvir o povo do astral pode sempre escutar algo e reproduzir esse algo distorcido.
Eu, tradutor do inglês para o português, sei o quanto é impossível traduzir palavra por palavra. Não dá tempo, não faz sentido! Daí a importância de um bom ouvido e de repassar somente o contexto. Por isso, tome a minha palavra quando eu digo: quem me garante que essas mensagens recebidas pelos médiuns são mesmo idênticas, em conteúdo, ao que foi passado?
O que salva e preserva a minha fé na psicografia é que, volta e meia, e meia volta, surge um profissional da comunicação extrafisíca, um tradutor do astral que consegue captar e psicografar uma mensagem do lado de lá, sem deturpação, sem acrescentar a sua própria opinião, crença, achismo no meio da escrita ou da fala. Esses bons médiuns são poucos, a grande maioria nem está na mídia, e nem vende best-seller espírita, mas são pessoas que aprenderam algo que os distingue dos outros médiuns de meio ouvido: eles aprenderam a escutar, não somente espíritos, mas, principalmente, quem está aqui e está vivo.
 
São Paulo, 18 de novembro de 2010.
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com
 

Texto <1058><29/11/2010>

1057 - O RECADO ESPIRITUAL DAS ALMAS LIVRES

(Falando de Renovação Consciencial)*
 
Olá, caro rapaz!
Que bom que você veio.
Porque há um poder maior que o trouxe até aqui.
O mesmo poder que lhe deu a vida e o fez descer a esse lindo planeta azulado.
No entanto, por que você se ilude pensando que pode controlar tudo?
Saiba que não lhe pertence nem mesmo o corpo que lhe serve de veículo carnal nesse momento. E só Deus sabe o seu tempo de experiência na Terra.
E, se nem isso você sabe, como poderá avaliar o que é certo no tempo e na vida dos outros? Você está aqui só de passagem... E todos os homens também!
Então, faça o seu trânsito de mente aberta e coração magnânimo.
Você possui mais bagagem espiritual do que acredita. Use-a.
Você não é vitima de nada e o universo não está sequer de olho em você, quanto mais perseguindo-o. Quem vem se punindo é você mesmo... Porque deixou de acreditar em si mesmo e na força do seu espírito.
E o seu amor não foi embora, não. Está aí, com seu brilho empanado por suas lágrimas, dentro do seu coração. Aliás, sempre esteve... E é a coisa mais linda de todas.
E a sua luz brilha além da linha do horizonte do que você acha da vida... Sim, bem além, até mesmo das estrelas, pois sua natureza é a mesma do Supremo.
Ah, você deixou de escutar a canção do espírito em seu coração... E isso o machucou demais. E só agora é que você está percebendo isso.
Mas, tudo tem seu momento, e, agora, você está aqui.
Porque uma das almas livres soprou uma inspiração em sua mente, por ordem do Amor Que Gera a Vida. E, agora, você sabe que não foi esquecido, mesmo quando você se esqueceu do próprio espírito.
E, no silêncio do Amor Que Ama Sem Nome, uma luz o guiou até aqui.
Então, eu quero lhe dizer que sua dor é conhecida, assim como o seu coração.
E, dos escombros de suas emoções e do seu choro, está emergindo algo melhor.
Porque você tem a Força do Eterno em seu próprio ser. Você já tinha, antes mesmo de reencarnar na Terra. E é Dela que você deve se nutrir, em espírito em verdade.
E uma das almas livre, tranquilas e magnânimas, o abençoou secretamente.
Sim, “lá das esferas espirituais elevadas”, alguém que ama em silêncio tocou seu coração. E eu não sei mais o que lhe dizer. E nem o tempo de coisa alguma.
Eu só sei sentir e escrever...
E sei que nenhum de nós caminha sozinho, mesmo naqueles momentos em que pensamos que o céu nos abandonou... Porque há almas livres, velando em silêncio, por nossos corações.
Suas dores são conhecidas, e as minhas também – e a de todos os seres humanos.
E é nos momentos difíceis que precisamos nos lembrar disso.
Portanto, acalme o seu coração. Voe espiritualmente, nas asas da prece, e capte a Luz do Todo. E quando abraçar alguém, que não seja por dramas, mas, pela alegria de um reencontro. Pela grandeza do Amor. Pela Força do Espírito.
E que tudo se esclareça e você e seus entes queridos reconstruam suas emoções e sigam em frente...
Ah, que bom que você veio!
Para que eu lhe ofereça, aqui e agora, esse presente: o conhecimento de que uma das almas livres olha por você.
Então, que esse olhar secreto, sereno e amoroso, apazigue o seu coração.
Para que você volte a perceber o Amor mais lindo de todos, na Terra ou no Astral.
Para que suas lágrimas se transformem em muitas risadas, com gosto e paz.
 
P.S.:
Há uma luz que brilha mais do que bilhões de sóis.
É a essência da alma.
Esta é a luz que mora no coração.
Essa é a luz que o trouxe aqui hoje.
Por favor, aceite-a.
E caminhe com ela, para sempre...
 
- Wagner Borges – aprendiz do Todo e admirador das almas livres**.
São Paulo, 20 de agosto de 2010.
 
- Notas:
* Escrevi essas linhas um pouco antes de iniciar uma palestra no IPPB. Enquanto o pessoal chegava, eu grafava tudo isso rapidamente. E depois, eu li o texto para todos, pois eu sabia que o seu conteúdo estava direcionado para uma das pessoas ali presentes (muito embora eu não soubesse quem era). E, ao final da palestra, o rapaz se identificou e falou comigo. E, agora, esses escritos estão sendo disponibilizados em aberto para todos. E, talvez, os mesmos sejam úteis para as reflexões de outras pessoas. Porque, embora o recado esteja direcionado para uma pessoa, o seu conteúdo pode suscitar renovações conscienciais para outras mais (incluindo eu mesmo).
E mais um detalhe: Eu escrevi essas linhas, mas a inspiração veio de uma das Almas Livres, à qual agradeço, por confiar em mim e me inspirar na senda...
** Para enriquecer esses escritos, posto na seqüência um texto sobre as Almas Livres. Segue-se o mesmo logo abaixo.
 
 
 
 
 
CANÇÃO D’ALMA – QUANDO A LUZ SEGUE O AMOR – II*
 
No silêncio da madrugada, eu sinto um toque espiritual.
Primeiro, é um amor que chega de mansinho e vai me possuindo.
Então, o coração se derrete sob a ação de sentimentos indescritíveis.
Surge a vontade de abraçar o mundo e encher a todos de luz pacífica.
O peito se torna pequeno para abrigar essa cheia de amor.
E os meus pensamentos viajam nas asas de uma canção secreta...
Canto espiritualmente essa canção, não sei como, só canto, de coração.
De alguma maneira sutil, sei que outros também a cantam, algures...
E nossos sentimentos se comunicam no mesmo Grande Coração da Vida.
Sim, há almas livres, tranquilas e generosas cantando secretamente.
Pego carona na sabedoria delas e ouso também cantar, em espírito.
Elas cantam o amor universal, além de qualquer medida. E eu canto junto...
E tudo isso rola no silêncio, por entre os planos, onde só Deus escuta.
Serenamente, as almas livres abençoam o mundo em segredo.
Suas ondas pacíficas tocam os corações de todos, incondicionalmente.
E eu vejo essas ondas descendo, por entre os planos, na cheia do amor...
Tudo fica dourado e rosa, dentro e fora... E eu canto junto!
Canto em silêncio, no coração, esse amor que o mundo não vê.
E me encanto, embalado pela alegria e contentamento serenos.
Fico igual criança, rindo no meio da noite iluminada de dourado e rosa.
E só quero cantar mais, em silêncio, a favor do mundo, junto com as almas livres.
Para também, um dia, ser uma alma livre, serena e magnânima, nas asas do amor.
Mas, por enquanto, só de pegar carona nas ondas pacíficas delas, já vale muito.
Só de cantar junto e saber que Deus escuta, já é muita luz para o meu coração.
E me sinto igual a um bebê diante do infinito, sem muito saber, mas rindo, simplesmente.
Está tudo dourado e rosa. A cheia do amor transbordou no mundo. E a canção continua...
Sim, e felizes são aqueles que escutam essa canção secreta, que Deus também escuta.
 
P.S.:
Fico aqui quietinho, pois sei bem o meu lugar.
Eu sou o bebê diante do infinito...
Elas são as almas livres, presenças venerandas e conscientes desse infinito**.
Elas emanam o amor sereno.
Eu só pego carona e escrevo o que o meu coração sente.
O bebê e as almas livres estão no centro do Grande Coração da Vida.
Enquanto eles cantam, juntos, Deus escuta.
E tudo fica dourado e rosa, dentro e fora, como deve ser.
Pois o Todo está em tudo!
 
(Esses escritos são dedicados, com admiração e gratidão, a duas grandes almas, às quais devo muito: Paramahamsa Ramakrishna e Sry Aurobindo.)***
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, bebê diante do infinito, mestre de nada e discípulo de coisa alguma, que sempre agradece ao Grande Arquiteto Do Universo, por tudo.
São Paulo, 21 de maio de 2008.
 
- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB, e pode ser acessada no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5631   
** Nesse mundo de homens agitados, quem imagina o poder da paz?
Quem pensa que há consciências que se nutrem apenas de paz?
Sim, há almas boas, tranquilas e magnânimas, que são pura paz.
São anônimas e serenas; nada pedem; apenas viajam em paz.
Fazem bem a todos, como a primavera; atuam sem que o mundo as veja.
Estão acima das ondas encapeladas do carma, mas ajudam os navegantes.
Fazem isso apenas por sua bondade, sem aparecer, em sua paz silenciosa.
São agentes da “paz-ciência”, mestres da consciência serena.
São viajantes da paz, mas parecem sóis conscientes.
Não são atraídos por devoções cegas, mas se aproximam dos corações pacíficos.
“Falam no silêncio”; e sempre estimulam as atitudes sadias...
Sim, há almas boas, tranquilas e magnânimas, que viajam na paz.
Serenamente, elas sustentam a humanidade, com a nutrição certa: A PAZ!
Nesse mundo dos homens agitados, fica difícil sentir essa paz.
Mas é nela que as grandes almas viajam em silêncio.
Sim, essas almas boas surfam nas ondas da paz, sem que os homens as vejam.
Que os homens, em seus momentos de provas acerbas, lembrem-se dessa paz.
Que pensem nessas almas amigas e serenas e também se tornem serenos.
Essas almas boas, tranquilas e magnânimas, que ajudam a todos.
Que são como a primavera, fazendo tudo florescer em paz.
Que os homens se inspirem nelas!
*** Finalizando esses escritos, lembro-me de Shankara, que um dia homenageou essas consciências evoluídas, dizendo o seguinte:
"Há almas boas, tranqüilas e magnânimas,
Que, como a primavera, fazem bem a todos;
E que, depois de haverem cruzado esse espantoso oceano
Do nascimento e da morte,
Ajudam outros a cruzá-lo também.
Tudo isso sem nenhum motivo particular,
Mas somente por sua própria natureza bondosa."
 
- In Shankara –
(O célebre autor de um dos grandes clássicos do Hinduísmo: “Viveka Chuda Mani” (“A Jóia Suprema do Discernimento”); nasceu em Káladi, vilarejo do Malabar Ocidental, no Sul da Índia, por volta de 686 d.C. - Iogue, filósofo e poeta, era um prodígio acadêmico e dotado de rara didática para escrever sobre os temas do espírito. Foi um dos grandes iogues da Índia, e seu nome é evocativo do deus Shiva, que é reverenciado com o epíteto de Shankara, o “doador de bênçãos”.)

Texto <1057><25/11/2010>

1056 - IEMANJÁ – A MÃE DO AMOR NA CACHOEIRA DOS OLHOS


Mãe Iemanjá!*
Que faz dos meus olhos
Uma cachoeira,
Quando eu penso no Bem
E na evolução dos homens.
Quando eu canto a Luz
Em meu coração;
Quando o Amor me faz escrever
E os espíritos vêm cantar aqui.
 
Ah, Mãe Querida!
Que lava as maldades do mundo
Com as águas da compaixão,
E que acalma o coração.
Que faz a chuva de Amor acontecer
Na cachoeira dos meus olhos...
 
Ah, Mãe das águas!
Que me abraça com a luz azul e branca,
E fortalece a minha fé.
Que, na luz do luar e nas ondas do mar,
Vem me sussurrar o encanto do Bem.
 
A Senhora me conhece, bem mais do que eu mesmo.
E, em muitos voos espirituais, me protegeu tanto...
E, novamente, eu estou aqui, igual a uma criança,
Brincando na chuva.
 
Sim, a sua chuva de Amor, que cai do Astral Superior,
E faz a cachoeira descer dos meus olhos...
Porque assim são as minhas lágrimas,
Quando o Amor me faz escrever,
E lava a minha alma
 
Ah, Mãe Iemanjá!
Que faz o meu corpo astral** flutuar nas vagas siderais...
Como uma pluma levada pelos ventos da espiritualidade.
Que me chama de menino, porque me conhece bem;
Que me fez ser médium*** de tudo o que é da Luz;
E que me deu a Fé que não me deixa trair o meu coração.
 
Ah, Querida!
Se eu tivesse o talento do poetinha, faria agora uma canção.
Mas eu só tenho um Grande Amor no coração,
E a Luz do Bem que a Senhora me ensinou.
E tudo isso desce na cachoeira dos meus olhos...
 
P.S.:
A chuva desce aqui,
Enquanto os espíritos
Cantam e dançam.
Porque eles sabem das coisas,
E eles cantam a Fé e o Amor.
E sempre dizem: “Nunca traia o seu coração.
Porque a morte real não é a do corpo,
Mas, sim, aquela que afasta o Ser da Espiritualidade”.
 
(Dedicado a Vinicius de Moraes, ao meu amigo baiano Carlito, que também mora no Céu, e aos guardiões espirituais que operam invisivelmente a favor do bem de todos os seres.)
Com gratidão.
 
- Wagner Borges – servidor da Luz, sempre...
São Paulo, 16 de novembro de 2010.

- Notas:
* Iemanjá - no Brasil, Iemanjá está associada ao mar, embora na África esteja mais vinculada à desembocadura dos rios. Nas lendas africanas ela é tida como filha de Olokum, deusa do mar, Mãe que criou muitos Orixás.
Na Bahia, as festas se realizam no dia 02 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, com repercussão nacional.
Seus instrumentos são o abebé cor de prata e uma espada. Sua saudação espiritual é “Odoiyá!”
** Corpo astral - do latim, astrum - estrelado - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Sinonímias: Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz – Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma, corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, que atualmente é mais usada pelos estudantes de Projeciologia.
*** Médium - do latim, intermediário – é o indivíduo que tem a capacidade supranormal de perceber os seres extrafísicos e de servir de canal interplanos para eles se comunicarem com os níveis mais densos.
Obs.: Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som o CD. “Canto de Ossanha” – parceria genial de Vinicius de Moraes e Baden Powell (com a participação do Quarteto em Cy), lançado em 1966. A faixa 3 do disco se chama “Canto de Yemanja”.

Texto <1056><22/11/2010>

1056 - ANJO


O anjo está perto.
Sim, muito perto.
Bem mais do que você imagina.
Ele está em seu coração.
 
E nada que você faça pode afastá-lo.
Nem mesmo o mal que você permite.
Porque ele vê a sua essência imperecível...
E opera por ordem de um Grande Amor.
 
Ah, o anjo nada espera de você.
Porque ele conhece sua jornada de muitas vidas.
Ele já viu você oscilar entre a Luz e as trevas do ego.
Sim, ele já viu isso, muitas vezes...
 
No entanto, ele sabe das coisas do Céu e da Terra.
E sabe que o tempo operará as devidas transformações...
Você pode ir e vir, mas o seu destino é a Luz.
E ele acompanhará o seu progresso.
 
O anjo não quer que você o adore.
Ele quer que você cresça!
E ele não precisa de preces ou evocações.
Porque é você que precisa disso, não ele.
 
E ele não falará com você, mas, sim, ao seu coração.
E isso na linguagem do Amor.
E, talvez, você sinta um contentamento secreto.
Sim, ele o guiará... De alguma maneira.
 
O anjo não pertence a grupo algum da Terra.
Ele vem do Alto, da Grande Fonte Imanente.
E ele não tem asas, pois o Amor o deixa leve e sutil.
E o seu corpo espiritual flutua naturalmente na Luz.
 
Então, de vez em quando, lembre-se dele, e agradeça.
Pela paciência e compreensão na jornada.
Não peça nada, pois ele sabe o que você precisa.
Apenas abra o coração e sintonize o Alto.
 
Ah, o anjo está perto, mais do que você imagina...
 
(Dedicado a Julia Blanque e aos leitores do seu livro, “Reencontro com Você”).
 
Paz e Luz.
 
– Wagner Borges –
(Nascido no Rio de Janeiro em setembro de 1961 – é pesquisador espiritualista, projetor extrafísico, conferencista, consultor da Revista UFO e colaborador de várias outras revistas como, Sexto Sentido, Espiritismo e Ciência, Revista Cristã de Espiritismo, e também do Jornal O Legado.
É escritor - autor de 11 livros dentro da temática projetiva e espiritual, dentre eles a série “Viagem Espiritual”, sobre as experiências fora do corpo.
É colunista de vários sites na Internet: Guruweb – www.guruweb.com.br, SomosTodosUm - www.somostodosum.com.br, IPPB: www.ippb.org.br, dentre outros.
É radialista – apresentador do programa “Viagem Espiritual”, na Rádio Mundial de São Paulo – 95.7 FM.
 
(Texto extraído do livro “Reencontro com Você”, de Julia Blanque – Editora Romero Santiago – 2010.)

 


Texto <1055><22/11/2010>

1055 - MAIS UMA ORAÇÃO DA PRESENÇA

(Com Alma Celta e Coração Lindo)*
 
Que você sempre tenha a mente aberta, para jamais estratificar os seus pensamentos em pontos de vista cristalizados no radicalismo.
Que você seja capaz de escutar o que o seu coração quer dizer.
Que você não pise em ninguém e, pelo contrário, estenda a mão para ajudar os seus irmãos em prova.
Que você jamais acalente a mágoa e o ódio, mesmo diante do aguilhão da ingratidão dos homens, porque isso escureceria o seu coração.
Que você não perca a sua inocência primordial, que nada tem a ver com a idade do seu corpo, mas com a sua própria essência espiritual.
Que um Grande Amor habite em seu coração, como um presente do Céu.
Que, mesmo que os dias anteriores tenham sido difíceis, você ainda se levante e venere a luz do novo dia como uma dádiva.
Que você saiba amar, sem se anular e sem se perder e também sem medo de compartilhar o seu coração com o Ser amado.
Que você não dependa de alguém para ser feliz; porém que você saiba que sua viagem pela vida pode ser linda com alguém ao seu lado.
Que, ao envelhecer fisicamente, você tenha a sabedoria de fazer a colheita de tudo de bom que plantou, sem se lamentar...
Que você jamais deixe de sonhar, mas que tenha o discernimento para estar com os pés no chão, sem perder a realidade de vista.
Que você não deixe a arrogância sequestrar a sua simplicidade, e nem que o mal conquiste o seu Ser.
Que você ore com alegria e gratidão, sabendo que a Presença escuta o seu coração.
Que você tenha a coragem de viver um Grande Amor, sem as barreiras do seu ego, e sinta-se honrado (a), por amar e ser amado.
Que você não permita que poder algum do universo, humano ou espiritual, possa roubar sua luz e tirar sua alegria.
Que você, mesmo com o materialismo do mundo tentando asfixiar os seus valores espirituais, jamais traia o seu coração, porque isso seria a maior das perdas.
Que, diante da dor de uma perda, você saia vencedor de si mesmo e continue vivendo com garra e alegria, na força do seu próprio espírito imortal.
Que você ame aos seus filhos, incondicionalmente, assim como a Presença o ama.
Que você beije com gosto, não com carência ou medo, e saiba que toda relação inclui uma fusão de energias entre os parceiros (e que você tenha a sabedoria de se envolver com alguém na luz).
Que, de vez em quando, você se pergunte o que seria de sua vida, se não houvesse boa música no mundo?...
Que você saiba que os seus animais de estimação são seus parceiros de viagem (mesmo quando estão velhinhos e adoentados); são presentes da Presença, para alegrar sua vida.
Que você honre aos seus pais e avós e jamais os desampare na velhice.
Que a Luz do Eterno se revele em seu coração e lhe dê a certeza da imortalidade da consciência.
Que, mesmo sem ser poeta, você seja capaz de ver a poesia nas coisas da vida: na alegria das crianças; num lindo pôr de sol; no desabrochar das flores; e no olhar de quem você ama...
Que você olhe para as estrelas, e ainda se emocione com a beleza do zimbório celeste (que repousa nas mãos do Ancião dos Dias).
Que você aprecie um dia ensolarado e agradeça a festa da luz na atmosfera, e saia cantando a vida...
Que você aprecie uma noite enluarada e deixe sua consciência viajar por aí...
Que você voe, em espírito, e comungue com as estrelas, mas, sem deixar de escutar o som dos passos da formiga.
Que você agradeça à Presença, pelos grandes amigos que ela colocou na senda de sua vida...
Que você escute o “Oran Mor”** em seu coração.
Que os seus olhos brilhem muito quando você ler essas linhas...
 
P.S.:
Ah, que os nossos corações se encontrem...
Aqui, nessas linhas, por obra e graça da Presença***.
Você, o leitor; e eu, o escritor, escutando, juntos, o “Oran Mor”...
Com nossos corações.
E que assim seja!
 
Paz e Luz.
 
(Dedicados aos meus amigos de Caxias do Sul e Veranópolis, na serra gaúcha: Tania Lima, Antonio de Cesaro, Elizandra Nunes, Neusa Brugero, Élio J. Chilanti, Patricia Tofoli Manini, Endinara Fabiana Siqueira, Ewelise Weber, Priscila Maria Favaro, e a todos da família do Aldo e da Leor; e também aos meus amigos Marco Antonio Petit e Marcos Malvezzi, e ao casal baiano Sergio e Tania Mota Nogueira Reis).
 
- Wagner Borges – voando com gratidão...
São Paulo, 03 de novembro de 2010.
 
- Notas:
* Há uma série de sete Orações da Presença publicadas no apêndice do meu livro “Flama Espiritual”. Então, essa aqui é a oitava (ou, talvez, a primeira de uma segunda série a ser realizada, por obra e graça da Presença.)
** Oran Mor, traduzido como “A Grande Melodia”, é o que existe de mais próximo sobre o mito da criação celta. Diz-se que o Oran Mor começou no silêncio, quando nada existia ainda. Depois a canção começou. A vida foi tocada na existência, e a melodia continuou desde então, para aqueles que a ouvem...
** A Presença – metáfora celta para o Todo que está em tudo. Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: “Isso é um assombro!” E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano. Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos. Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres. Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade. Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro! E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: “Que assombro!”
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o “terno assombro” que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo. E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia no antigo Egito: “O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê. O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: “Caramba, que assombro!”
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto do mestre búlgaro Mikhael Aivanhov. Segue-se o mesmo logo abaixo.
 
  
  
 
VIVAM NA POESIA
 
- Por Omraam Mikhaël Aïvanhov -
 
Andando pelas ruas e lojas, tomando o trem, o ônibus ou o metrô, vemos praticamente por toda parte apenas rostos desanimados, tristes, tensos, fechados, revoltados. Não é um belo espetáculo! E ainda que não tenhamos nenhum motivo para estar tristes ou infelizes, somos assim desagradavelmente influenciados: voltamos para casa com um mal-estar que transmitimos a toda a família. É essa a vida lamentável que os seres humanos estão continuamente criando uns para os outros.
Por que não se esforçam por apresentar sempre um rosto aberto, sorridente, luminoso? Eles não sabem como viver essa vida poética graças à qual poderão ficar maravilhados uns com os outros. A verdadeira poesia não está na literatura, a verdadeira poesia é uma qualidade da vida interior. Todo mundo gosta de pintura, de música, de dança, de escultura, das artes; por que então não fazer com que a própria vida interior fique em harmonia com essas cores, esses ritmos, essas formas, essas melodias?
É a poesia que amamos nos seres e que neles buscamos: alguma coisa leve, luminosa, que precisamos contemplar, sentir, respirar, algo que acalma, que harmoniza, que inspira.
Mas, quantas pessoas, que ainda não compreenderam isso, vivem sem jamais se preocupar com a impressão penosa que causam nos outros!
Lá estão elas, desagradáveis, mal-humoradas, com os lábios cerrados, as sobrancelhas franzidas, o olhar desconfiado, e ainda que tentem melhorar sua aparência exterior com toda espécie de truques, sua vida interior prosaica, comum, sempre transparece.
A partir de agora, então, deixem de relegar a poesia aos poetas que a escrevem. A vida que levam é que deve ser poética. Sim, a arte nova significa aprender a criar e propagar poesia em torno de si, ser caloroso, expressivo, luminoso, vivo!
 
(Texto extraído do excelente livro “Regras de Ouro Para a Vida Cotidiana” - Omraam Mikhaël Aïvanhov  - Editora Nova Era.)
 

Texto <1055><18/11/2010>