1036 - O VELHO EU QUE RESULTA EM MIM

- Por Frank -

Ontem, acordei com uma vontade grande de, só por um dia, deixar de ser eu.
Explico: o meu projeto exigiria uma mudança radical de pequenos hábitos, que julgo terem o poder de causar um extremo mal-estar a longo prazo.
Comecei trocando uma hora de sono por uma corrida matinal, e provei algo que só posso descrever como LUCIDEZ absoluta. Era como se o atleta chutasse o sonâmbulo, e eu pudesse finalmente perceber que, no meu dia-a-dia, mesmo acordado, continuo dormindo.
Depois, antes de ir trabalhar, dei um longo abraço e um beijo de namorado na esposa, que me olhou com surpresa, já esperando o carinho apressado de quem já acorda atrasado.
Durante o dia, tratei de evitar, ao máximo, pequenas mentiras, julgamentos apressados, preconceitos e toda série de pensamentos nocivos que viram erva daninha no quintal dos outros.
Ao fim do dia, ao chegar em casa, após um belo banho, jantei prestando atenção apenas ao ato de mastigar. Descobri que, quando os olhos não estão na TV, ou na preocupação do dia seguinte, o sabor se maximiza na comida.
Depois, troquei o jornal da onze da noite pela leitura de um livro que comprara há meses e nunca tinha lido e, mesmo cansado, fiz as minhas meditações.
Resultado: caí no sono tranquilo, dormindo tão bem, que resolvi repetir a experiência no dia seguinte.
Quem disse que consegui?
Não tive o mesmo pique do dia anterior e voltei a ser o "velho eu" que resulta sempre em mim; mas não desisto, pois ainda terei uma nova chance amanhã de mudar e diminuir, mais ainda, a distância entre a versão cansada de mim e o cara que fui ontem, e que quero tanto tornar a ser.

São Paulo, 13 de Dezembro de 2005.

- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com


Texto <1036><02/08/2010>

1036 - GAIA – NOSSA LINDA MÃEZINHA QUERIDA

(Toques Ecológicos da Companhia do Amor)

Dizem por aí que a Terra é um planeta de provas e expiações.
Mas isso não é verdade. O planeta é lindo demais.
Em sua maioria, os espíritos que reencarnam por aqui é que são complicados.
Descem à Terra trazendo mazelas de outras vidas...
E, alguns, até mesmo trazendo lambanças feitas em outros orbes.
E, agora, ficam reclamando logo do planeta que os acolheu?
Ô gente ingrata! Que cospe no prato que come e ofende quem os acolhe.
E, além de não agradecer à Mãe Terra, ainda detonam os seus recursos naturais.
Na verdade, quem diz que o lance é de provas e expiações é a própria Terra.
Às vezes, Ela se pergunta o que fez de mal para receber gente tão complicada.
Será que a humanidade é o teste do planeta? Os homens são a expiação da Terra?
Ô gente tiririca! Que mais parece uma horda famélica causando destruição...
Dentro do corpo, reclamam. Fora do corpo, também. Nunca estão satisfeitos.
E o planeta é que paga o pato de suas neuroses e falta de respeito e gratidão.
Não é à toa que a Terra, às vezes, dá uma sacudida e manda uma galera embora.
E, quando Ela enjoa de ver tanta lambança, vomita sua insatisfação pelos vulcões.
Ô gente tonta! Que anda respirando as cinzas de suas próprias queimadas.
E que galera porca, que deixa o petróleo vazar no mar e destruir o meio-ambiente.
E depois se dizem civilizados... Coisa nenhuma! Carma* neles!
Olhem as baleias e os golfinhos sendo dizimados por embarcações tenebrosas...
E, depois, os comparem com os seus caçadores, e vejam quem é animal mesmo.
E os homens de ternos vistosos, que mandam desmatar sem bom senso e respeito...
São produtores de chagas na pele do planeta. São como vírus infectando Gaia**.
Ô gentalha! Que sequer merece os corpos que ganha para evoluir na Terra.
Mas, Lei é Lei! E o Dr. Carma está de olho. E ele sabe que, quem semear, colherá!
E Ele garante que, “o cabeça-dura de hoje, será o cabeça-mole do futuro”.
Ninguém engana a Natureza, nem na Terra, nem no Astral.
Ah, Papai do Céu, dê um jeito nessa “gente sem jeito”.
E dê forças a Gaia, para ela aguentar o tranco de suas provas.
E, quem sabe, enfim, a galera desperte...
Para que não haja mais provas e expiações para o planeta.
E, sim, mais música, poesia, arte, cultura, ecologia e consciência.

P.S.:
Pois é isso. A Companhia do Amor também é ecológica.
Afinal, também iremos reencarnar na Terra, oportunamente.
E queremos ver o planeta verdinho e em dia, cheio de parques.
Dá-lhe, Terra!

- Companhia do Amor*** –
A Turma dos Poetas em Flor.
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 24 de agosto de 2010.)

- Notas:
* Carma - do sânscrito “Karma” - ação; causa – é a lei universal de causa e efeito - Tudo aquilo que pensamos, sentimos e fazemos são movimentações vibracionais nos planos mental, astral e físico, gerando causas que inexoravelmente apresentam seus efeitos correspondentes no universo interdimensional. Logo, obviamente não há efeito sem causa, e os efeitos procuram naturalmente as suas causas correspondentes. A isso os antigos hindus chamaram de carma.
** Gaia – do grego – Mãe Terra.
*** A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros "Companhia do Amor - A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2" - Edição independente - Wagner Borges, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site): www.ippb.org.br.  
Obs.: Enquanto eu digitava essas linhas, lembrei-me de outro texto da Companhia do Amor, recebido em 1998, e posteriormente publicado no primeiro volume do livro “Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor”. Segue-se o mesmo logo abaixo.

 

 

 

TEMPO DE CONSCIÊNCIA

Cabelos, olhos, peitos e coxas, só acessórios, brinquedos que o tempo leva.
Amor, luz e alegria, brilhos da consciência lúcida, que o tempo e a morte não tocam. 
Lábios se abrem e juras de amor são feitas. 
Mas, o tempo segue... E os brinquedos estragam. 
Só fica o que a consciência é!

* * *

A vida é só um jogo. Cada um joga como quer.
Alguns apostam alto, enquanto outros roubam as fichas.   
No entanto, o carma também joga, e a sua aposta é a mais pesada.

* * *

Algumas pessoas tentam burlar as leis da vida. São tolas mesmo!
Enquanto tentam “enrolar” no jogo, o carma vai enrolando os fios de seus atos nas malhas da dor.

* * *

O tempo segue... E os brinquedos vão para baixo da terra. 
A consciência segue além... Pois ela é o que é!

* * *

Brinquedos, carma, vida e consciência.
Isso é apenas um pequeno texto da Companhia do Amor...
Para lembrar ao leitor que o tempo segue...

* * *
O tempo segue... A carcaça física, embalagem de viagem, envelhece. 
Contudo, a consciência, passageira sutil no plano físico, não envelhece nunca.
Essa, o tempo só renova. 
De experiência em experiência, ela evolui e sua luz fica mais bela.
Este é o segredo da vida: o corpo se desgasta, mas a consciência é imortal. 
Por isso, ela sorri, ama, conhece e vive.
O tempo segue e a consciência também...

— Companhia do Amor —
A Turma dos Poetas em Flor. 
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – no ano de 1998 – Texto extraído do livro “Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor.)


Texto <1036><02/09/2010>

1035 - EL MATADOR

- Por Frank -

O duelo começara.
EL Matador se movia graciosamente e se desviava do touro, com rapidez e habilidade, levando a multidão ao delírio.
O touro era valente e forte, mas EL Matador, com a experiência de anos de arena, driblava o animal com facilidade, enquanto sua capa vermelha balançava pelo ar.
Ele oferecia a luta ao filho, futuro toureiro, que continuaria a tradição que começara com seu bisavô e o fizera conhecido de costa a costa na Espanha.
No outro lado da batalha, o touro também cumpria uma tradição. O seu bisavô morrera na arena, assim como seus filhos um dia também estariam frente a frente com um toureiro, cumprindo a sina de todo touro por ali: morrer nas mãos de um matador treinado.
Milhares de pessoas assistiam àquela última luta da temporada e vibravam de alegria a cada lança atingida no touro, e a cada vez que EL Matador se desviava do animal.
Porém, naquela tarde algo inesperado ocorreu. Talvez por excesso de confiança ou descuido, EL Matador, ao tentar se desviar, perdeu o equilíbrio e caiu no chão... Erro fatal à frente de um touro feroz e ferido.
Seus ajudantes tentaram ajudá-lo, mas também foram atingidos pelo animal que parecia ter enlouquecido. Ele até tentou levantar-se, mas o touro o acertou, jogando-o de encontro ao chão.
A multidão silenciara, enquanto outros toureiros e ajudantes tentavam se aproximar para ajudar, mas, durante um breve momento, animal e homem se olharam profundamente.
O touro assumira o controle da luta; o toureiro, no chão, esperava a morte.
Esse momento pareceu durar uma eternidade. Era como se o duelo agora continuasse pelo olhar. E EL Matador viu nos olhos do animal algo que nunca percebera antes...
Talvez tenha sido o cansaço, ou os ferimentos, mas o touro desistiu de lutar e deitou-se no chão, esperando sua morte nas mãos dos que vieram ajudar EL Matador.
O toureiro continuou parado, traumatizado por ter enxergado através dos olhos do animal a mesma luz que habita em cada ser humano: o brilho da vida.
Ele levantou-se, caminhou até o touro e o cobriu com sua capa e pediu perdão a Deus por nunca ter enxergado a verdade antes.
Naquela tarde, a multidão que assistia à luta nas arquibancadas - e milhares de outros espanhóis que assistiam pela televisão ao duelo -, viram algo que nunca ocorrera antes na história da tourada: as lágrimas de um toureiro abatido pelo touro.
Ninguém entendeu, mas, no silêncio de seu coração, EL Matador chorava mesmo era de agradecimento; não só pela vida que o touro lhe poupara, mas também porque o animal lhe ensinara, pelo olhar, que mais importante e poderoso do que ser um matador, era se tornar um campeão da vida.

São Paulo, 29 de julho de 2010.

- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com


Texto <1035><25/06/2010>

1035 - O AMOR REAL – SER, PRESENÇA E CONSCIÊNCIA

(Transbordando... Em Espírito e Verdade)

“Uma pessoa deve sempre oferecer uma prece de agradecimento pelo amor que despertou no outro.”

Muitas pessoas só valorizam um amor quando estão sozinhas.
Contudo, o amor é transbordante... É um estado de consciência.
E, nesse mundo transitório, ninguém ganha ou perde nada.
Porque até a chance de viver e amar vem do Papai do Céu.
É um presente. Vem do Coração de Deus para o coração do homem.
Ah, quem ama, naturalmente transborda...
E sabe que o amor é maior do que o amante e o ser amado.
Por isso, não se perde... Pois há uma luz em seu coração.
E, mais do que um encontro, o amor faz mesmo é um reencontro...
Faz a luz reconhecer a luz dentro do próprio homem.
Ensina - não o verbo “ter” -, mas, sim, a SER.
Quando alguém ama, realmente, dá a si mesmo... O próprio espírito.
E o seu coração escuta uma canção secreta – a melodia das esferas astrais.
E isso não cabe em palavras. Aliás, não cabe em coisa alguma.
E só o Grande Arquiteto Do Universo é que compreende isso.
No entanto, os poetas tentam dizer algo, mesmo que de forma imperfeita.
Porque, quem escuta a música das esferas*, quer compartilhá-la...
E, mesmo com todas as limitações, eles falam do amor que transborda.
E, assim, transbordam mais ainda...

P.S.:
O amor arde sem abrasar...
Quem ama, sabe.
É um presente.
É consciência.
Não se explica.
Só se sente...
Não é “ter”.
É SER!**

(Dedicado aos que compreendem além da limitação das palavras, porque sentem algo a mais... Um Amor. Uma Luz.)

Paz e Luz.

- Wagner Borges – tentando SER.
São Paulo, 26 de agosto de 2010.

- Notas:
* "Escutai em vós mesmos e olhai no infinito do espaço e do tempo. Lá retumba o canto dos Astros, a voz dos números, a harmonia das Esferas. Cada sol é um pensamento de Deus e, cada planeta, um modo desse pensamento. Almas!... É para conheceres o pensamento Divino que descei e subis penosamente a estrada dos sete planetas e seus sete céus.”
- In Hermes Trismegistro; Sabedoria hermética -
** Certa vez, perguntaram a Paramahamsa Ramakrishna se Deus existia mesmo. Com seu jeito de menino, ele riu e disse o seguinte: "Se até eu e você existimos, por que é que Deus não existiria?"
E, enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me da risada dele e do quanto ele me ajudou ao longo dos anos – e continua ajudando...
Então, selecionei alguns dos seus toques conscienciais preciosos e estou acrescentando-os aqui nessa nota, para enriquecer esses escritos de hoje.
Espero que a sabedoria e o perfume espiritual de Ramakrishna viajem junto e iluminem muitos corações por esse mundão de Deus...
Seguem-se os mesmos logo abaixo.

“Flutuo no ar e respiro O Grande Amor.”
“Os avatares (emissários divinos) são locomotivas espirituais carregando vagões cheios de almas para Deus.”
“Viva no mundo, mas não seja do mundo.”
“Enquanto vivo, aprendo.”
“Ninguém é estranho!”
“O Amor não tem motivo para amar. Ele é o próprio motivo.”
“Deus é e não é! Só Ele é que sabe o que É.”
“Encontrarás a tua casa no coração de cada criatura viva.”
“Não seja traidor dos seus pensamentos.”

- Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.


Texto <1035><30/08/2010>

1034 - O RIO E O DESERTO

(Para o Dr. Manuel Bautista)

- Por J. J. Benitez -

Um rio, depois de correr livre e despreocupado entre penhascos nevados, profundos canyons e férteis campinas, chegou ao deserto.
Suas águas, até então ágeis e transparentes, perderam a velocidade e se viram turvadas pela areia.
E aquele rio, em sua agonia, clamou aos céus:
- Que posso fazer para continuar meu caminho?
Uma velha palmeira, ao ouvi-lo, compadeceu-se e sussurrou da ponta de suas folhas:
- Evapora-te e salvarás tua essência.
E aquele velho rio, compreendendo, elevou-se sobre si mesmo, unindo-se às nuvens do céu.

(Texto extraído do excelente livro "A Outra Margem" - do jornalista, pesquisador e escritor espanhol J. J. Benitez - Editora Mercuryo.)


Texto <1034><25/06/2010>