965 - MARIA MADALENA

- Por Khalil Gibran -

Era o mês de junho quando O vi pela primeira vez. Ele caminhava no campo de trigo quando passei com minhas criadas; Ele estava só.
O ritmo de Seus passos era diferente do caminhar dos outros homens e os movimentos do Seu corpo em nada se assemelhavam aos que eu vira antes.
Os homens não calcam a terra daquela maneira. E mesmo agora não sei se Ele caminhava depressa ou lentamente.

965 - O BEIJO DO ETERNO

Quem poderá impedir o beijo de Brahman* num coração ferido?
Ou as ondas de um Grande Amor chegando às praias da alma adormecida?
O homem tateia pelo mundo, emaranhado no cipoal de suas emoções densas, e perdido em si mesmo. Sua mente lhe diz que só o visível é real, e seus sentidos só percebem as coisas do mundo físico.
Então, seu coração se perde em devaneios emocionais e no vazio existencial.
E, nas bordas de sua aura**, seres infelizes se infiltram em sua natureza psíquica e fomentam dissensões e perturbações variadas; pois o semelhante atrai o semelhante!
E que poder do mundo poderá dissolver tal simbiose psíquica e deletéria?

964 - CRIANÇAS DE OXALÁ

- Por Frank -

Sinto vontade - não necessidade - e vou orar.
Diante do meu altar, vejo a imagem de Jesus e minha consciência sobe escadas, voa alto em direção às estrelas. E, na velocidade da sintonia, ela chega ao Amor Inicial, esse Mar de Compaixão que o meu amigo e professor Wagner Borges chama de Primeiro Amor, um Amor que toca não só o meu intelecto, mas, também, cada célula do corpo que visto.
Sorrio! Estou, nesse momento, na frequência de Cristo, e medito...

964 - O AMOR QUE AMA SEM NOME

(E a Luz que Brilha no Coração)

A voz do seu coração é doce.
Então, escute-a.
Em Paz.

Os seus olhos revelam tudo.
Então, brilhe.
Por Amor.

Suas mãos são de Luz.
Então, cure.
Pelo Bem.

963 - SONO E LUCIDEZ

- Por Wagner Borges -

Ao apagar no sono comum, a pessoa perde a consciência de si mesma durante algumas horas. Logo, dormir é mergulhar na inconsciência e, portanto, no desconhecido.
Isso leva às seguintes questões:

Quando a pessoa dorme, onde está sua consciência? 
Bloqueada dentro do corpo ou projetada fora dele? 
Consciente, semiconsciente ou inconsciente? 
Iluminada por objetivos sadios? 
Ou obnubilada por interesses escusos?
Mesmo sem ter conhecimento específico do assunto, o ótimo escritor e cronista gaúcho Luís Fernando Veríssimo também se perguntou o mesmo em um de seus artigos para a revista "Veja". E tocou no assunto de forma tão magistral, que resolvi reproduzi-lo na sequência:

REFLEXÕES NO ESPELHO

"Por onde a gente anda quando dorme
Pra acordar com essa cara disforme
De quem fez o que não devia?

E este gosto na garganta
É o resto de que janta
De que secreta ambrosiana
De que gim ou malvasia?

E se só estivemos no leito
Por que acordar deste jeito
Com esse olhar de pouco assunto?

Prá onde vai meu ser noturno
Prá me deixar assim soturno
E por que não me leva junto?"

- Luís Fernando Veríssimo – 
(Revista Veja – 11 de janeiro de 1989 - Pg. 19 - Editora Abril.)

(Extraído do livro "Viagem Espiritual – Vol. 2" - Editora Universalista – 1995.)

Texto <963><25/09/2009>