899 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NA LUA DO AMOR

(Conversando com um Amigo no Firmamento da Sabedoria)

- Por Wagner Borges -

Dentro do silêncio, nós nos tocamos.
De coração a coração, a compreensão fluiu...
De espírito a espírito, nós rimos juntos.
E você me lembrou de uma canção mística.
Em sua beleza, ela fala de um Grande Amor.
Ela diz que, no firmamento da sabedoria,
Está surgindo a Lua do Amor.
E você está dentro dela, meu amigo.
Eu sinto sua alegria, em meu coração.
Você está se sentindo como criança novamente.
Em sua nova jornada de vida, não se esqueça de mim.
Porque eu não o esquecerei.
Nossa amizade continua firme, por entre os planos.
E, quando der, por favor, apareça para um papo.
Traga uma canção do Céu para mim.
E aí, eu a guardarei em meu coração.
Para, depois, transcrevê-la com alegria e luz.
Sim, no firmamento da Sabedoria,
Está surgindo a Lua do Amor.
E você está dentro dela, porque merece.
Então, meu amigo, desfrute, igual criança.
De espírito a espírito, um grande abraço.

(Dedicado ao meu amigo Waldemar Ciglione, ex-diretor de programação da Rádio Mundial de São Paulo, que desencarnou recentemente, aos 89 anos de idade, e agora anda igual criança arteira, fazendo novas amizades no Astral, feliz da vida.)

Paz e Luz.

São Paulo, 25 de novembro de 2008.



Texto <899><28/11/2008>

898 - NA CAVERNA DO CORAÇÃO ESPIRITUAL

(Quando o Espírito Chama Para o Real...)

 
- Por Wagner Borges -
 
A voz do espírito só fala ao coração.
É cheia de sabedoria.
É Amor e Luz, integrados.
Porém, quem escuta o sutil?
É mais fácil escutar o ruído das emoções...
Ou o burburinho psíquico dos pensamentos agitados.
É mais cômodo dizer não ao coração, do que escutar sua canção.
Tornar-se surdo ao chamado interno é fechar-se para o fluxo espiritual, que vem do infinito.
É mais fácil dopar a consciência e fingir que o chamado não existe.
Contudo, a voz do espírito continua sussurrando as coisas do Eterno dentro do coração.
Intuições, lembranças e sensações incomuns brotam dessa interioridade, chamando para o encontro sutil, no âmago do próprio Ser.
Para fugir do chamado secreto, muitos consomem drogas ou afogam as mágoas no álcool. Outros se entopem de remédios ou de jogo, justamente para tentar preencher o vazio existencial, para fugir de si mesmos.
E, outros mais, embarcam em viagens estranhas, perdidos nas brumas da ilusão.
No entanto, a sensação de vazio existencial sempre retornará, enquanto a surdez psíquica não for curada... Enquanto o chamado de dentro não for atendido.
A voz do espírito é a bússola do coração. É dela que vêm as grandes orientações.
Quem escuta seu chamado, sente-se integrado consigo mesmo e harmonizado com a existência.
Escutar é preciso!
 
P.S.: Há um chamado sutil em você mesmo.
Escute-o.
Há um Grande Amor em seu pequeno coração.
Aceite-o.
Você é uma centelha viva do infinito.
Alegre-se.
A Luz do Todo está em tudo!
Então, seja feliz.
 
(Esses escritos são dedicados a minha amiguinha Brenda, estrelinha de sete anos, reencarnada na cidade de Caxias do Sul para iluminar o mundo com seu amor e carisma*). 
 
Paz e Luz.
 
Caxias do Sul, 14 de novembro de 2008.
 
- Nota:
* Enquanto eu passava esses escritos a limpo, lembrei-me de um texto de alma celta, que escrevi há alguns anos, e que me deu vontade de colocar ao final desse texto de agora. Sei lá por que; só sei que, em meio à agitação do mundo, onde valores reais são esquecidos facilmente e muita gente anda perdida, é sempre bom ler algo que fale ao coração e ilumine os sentimentos verdadeiros.
Amar é preciso! E rir também...
Então, que assim seja!
Segue-se o texto logo abaixo.
 
 
 
ANAM CARA II*
(Texto postado originalmente na lista do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB)
 
- Por Wagner Borges -
 
Ainda agora, estava preparando o material para o curso "Tambores Celtas" – 1a fase, que realizarei em Salvador daqui a duas semanas. Esse é aquele curso baseado na espiritualidade celta antiga, cheio de referências espirituais e poéticas maravilhosas. Aqui em São Paulo já realizei várias fases desse curso, sempre com um clima maravilhoso.
Enquanto separava o material, coloquei para tocar o CD. "Anam Cara", do músico new age inglês Medwyn Goodall**.
Envolvido pelas canções inspiradas e, ao mesmo tempo, organizando mentalmente algumas idéias para a montagem da aula do grupo de estudos de amanhã, comecei a sentir, dentro do coração, uma sintonia bem legal relativa à expressão Anam Cara.
Por isso, vou escrever de improviso agora algumas coisas sobre Anam Cara, o amigo d´alma. Pode até ser que amanhã já role alguma coisa disso na reunião do grupo, mas, levando em conta que muitos não estarão presentes fisicamente na reunião, vou adiantando alguma coisa por aqui mesmo.
 
* * *
 
Anam Cara é uma expressão celta que significa "Amigo de minha alma" ou "amigo d´alma".
Há duas maneiras de interpretar o Anam Cara:
1. Neste plano fenomênico de manifestação densa, ele (ou ela) é o seu amigo querido, aquela pessoa com a qual você poderá contar em qualquer ocasião, mesmo quando todos tiverem voltado as suas costas para você. E mais: é aquela pessoa com a qual você pode abrir o coração com confiança. Quando você pensa nela, algo em seu coração brilha mais. Você sabe que ela existe e está no mesmo plano que você. Sabe que ela é valiosa e que, só de ver você, já sabe como seu coração está, pois ela lhe conhece profundamente, além das aparências. Ela sabe sentir você em espírito.
2. Em outros planos mais sutis, ele é o amparador, aquela consciência extrafísica que lhe ajuda invisivelmente. Ele é aquele que lhe conhece há muitas vidas. Sabe dos seus dramas e de seus acertos ao longo dos milênios. Pode até ter participado dos eventos anteriores junto com você, tanto na carne quanto além dela. Porém, no momento ele está em outra condição vibracional. Mas não se esqueceu de você!
Muitas vezes, ele mergulha nos planos mais densos para lhe apoiar invisivelmente. Você não percebe sua presença, mas ele vela secretamente pelo seu progresso. Ele não é uma divindade, é apenas o seu amigo invisível, um Anam Cara extrafísico.
 
* * *
O Anam Cara poderá ser o seu filho, parceiro, irmão, pai, mãe, parente, ou apenas um amigo que você reconheceu ao longo da vida.
Não importa nada disso. O laço real não está na carne nem no sangue, está na alma. Por isso, o Anam Cara independe de idade, raça ou condição.
Você o reconhecerá pelo brilho do olhar, sentirá o seu coração pulsando junto com o seu, sentirá muita saudade dele e reconhecerá a sua riqueza interior.
No entanto, muitas vezes o orgulho poderá bloquear tal percepção, e é possível que os seus olhos não o vejam e que seu coração não o reconheça mais. Então, o coração não falará mais ao coração no silêncio de uma vibração silenciosa trocada no olhar da alma. Haverá apenas o olhar que percebe o convencional, e que se perde nele em meio à dor de tentar achar o Anam Cara onde ele não está.
Sentir alguém que é um Anam Cara em sua vida, seja ele o irmão, o amigo ou o parceiro, é sentir-se acompanhado na existência por uma alma brilhante. É viajar pelo plano denso e enganoso acompanhado de alguém que também vê algo além... É sentir-se ligado em alma, dentro do coração.
O Anam Cara é seu refúgio dentro da loucura em torno. É o porto em que a nave de seu coração gosta de aportar em meio à tempestade.
Pense numa canção que lhe fala ao coração. Ao ouvi-la, você se lembrará de muitas coisas. O Anam Cara é semelhante a essa música. Quando você se lembra dele, o coração viaja...
Ele pode ser seu amigo, amparador, irmão ou parceiro. Tanto faz. O que vale mesmo é que ele é uma riqueza que você achou no mundo.
O Anam Cara é isso: um amigo d´alma.
Nesse aspecto, o TODO é o amigo d´alma de todos os seres.
E como o TODO está em tudo, Ele também está nos amigos d´alma, desse e de outros planos.
Pode-se gostar de alguém em vários níveis: mental, emocional, energético ou sexual. Porém, a ligação do Anam Cara transcende esses níveis e chega ao espírito. Por isso, os celtas antigos reverenciavam o conceito de Anam Cara.
Para eles, tratava-se de uma riqueza sem paralelos. E eles sabiam que as ligações que não são em espírito e verdade, são apenas manifestações temporárias e irrisórias ao sabor dos pensamentos, emoções e energias do momento.
Para eles, o real sempre foi o espírito eterno, não a bruma que dificulta a percepção. Por isso, os poetas celtas cantavam:
 
"Oh, Anam Cara!
Muitos outros vieram,
Mas só sinto tua comunhão sagrada.
Só escuto a tua canção.
Ali está o sol, e mais tarde virá a lua.
Mas, só me importa a tua canção!"
* * *
 
O Anam Cara é isso: uma riqueza sem paralelos.
Só o coração é que sabe. Só ele é que sente.
Certa vez, o mestre Babaji ensinou:
"Quando o coração fala ao coração, não há mais nada a dizer."
O Anam Cara, seja ele ou ela, quem for, é um presente da vida ao coração.
Sua ligação não vem da Terra, mas do espírito!
Que as pessoas conscientes possam reconhecer o Anam Cara pelo coração.
 
(Dedico esses escritos a uma das minhas estrelinhas-filhas, a Maria Luz, pequena Anam Cara que O Grande Arquiteto Do Universo me presenteou por um tempo de vida, e que está aqui de férias comigo enchendo a casa do meu coração de alegria e agradecimento).
 
Paz e Luz.
 
São Paulo, 07 de janeiro de 2003.
 
- Nota:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB – www.ippb.org.br –, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=430.
Obs.: Anam Cara – “Anam” é a palavra gaélica para alma; "Cara" é a palavra para amigo. Assim, Anam Cara significa “amigo da alma”.
** CD. “Anam Cara” – do músico new age inglês Medwyn Goodall – Importado – Gravadora New Earth – England.


Texto <898><26/11/2008>

898 - CONVERSANDO SOBRE O ESPÍRITO E A VIDA II

(Resposta ao e-mail de Outro Amigo Triste e Sem Vontade de Viver)

 
Na escuridão da noite mais fria, lembre-se que você é um espírito.
Não é a morte que o transformará em coisa alguma.
Você sempre foi o eterno. E sempre será!
Você entra e sai de corpos perecíveis há um tempão.
O fogo não pode queimá-lo. A água não pode molhá-lo.
Que arma poderia ferir o princípio imperecível?
Krishna já ensinava isso no Bhagavad-Gita, lá na antiga Índia.
E você ainda tem dúvidas? Não sente um sol dentro do peito?
Nunca olhou para o céu estrelado? E nem admirou um pôr do sol?
Preste atenção: ame seus filhos – que também são espíritos.
Sinta seu coração. Não com o corpo, mas com os sentidos espirituais.
Você é uma estrela na carne. Na hora das provas, aumente seu brilho.
Pense no infinito. Medite no Supremo. Não desista, jamais!
Viver na Terra não é fácil. Nunca foi. Mas é onde você está agora.
Acertos e erros vão e vêm... Fazem parte da experiência. É da vida!
Tire a lição e continue caminhando. Toque a bola para frente...
E não se engane: isso aqui não tem nada a ver com auto-ajuda fajuta.
O que estou lhe escrevendo também vale para mim.
É na noite escura e fria que você prova quem é verdadeiramente.
Como diz um ditado antigo: as pessoas são como saquinhos de chá.
Você só sabe se elas são boas quando as coloca na água quente.
Erros e decepções acontecem. Faz parte do jogo de viver.
Então, não valorize nada em demasia, seja lá o que for.
Nesse plano fenomênico, tudo passa. É da vida!
Se você não se desesperar com o frio e a escuridão, seu prêmio virá.
Há uma aurora novinha chegando. E, na luz, as coisas mudam.
Na escuridão, ilumine-se com o discernimento. Fortaleça sua mente.
No frio, aqueça-se na prece. Fortaleça seus sentimentos.
E não se esqueça do Grande Amor que anima seu pequeno coração.
Pense no Supremo. O Amor Que Gera a Vida. O Amor que criou você.
Não faça por menos: você é um espírito. Jamais se esqueça disso!
E, enquanto estiver na Terra, honre-a! Faça valer a pena.
E só volte para o Astral no final do jogo, quando Deus o chamar.
Só Ele é que sabe o tempo de vida de cada um por aqui.
Então, meu amigo, supere as trevas que o cercam no momento.
Com o calor do seu coração. Com honra na jornada. Com brilho.
Enquanto a aurora não chega, conte com a sua própria luz.
Você é um espírito. Vem da Grande Luz. É estrela na carne.
Ilumine o corpo. Ilumine o mundo. Lembre-se de quem lhe deu a vida.
Você não nasce nem morre; só entra e sai dos corpos perecíveis.
Alegre-se. Ria mais das coisas, principalmente de si mesmo.
Lembre-se do seu Primeiro Amor: O Todo**.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges (seu amigo e colega de evolução, não seu mestre.)
São Paulo, 09 de setembro de 2008.
 
- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5954.
** O TODO: dentro das tradições herméticas, é o Poder Supremo que dá origem a todas as coisas; O Absoluto; Deus; O Imanente; O Profundo; O Amor Maior que Gera a Vida; O Grande Arquiteto Do Universo; O Primeiro Amor; A Primeira Luz, fonte de toda vida; simplesmente, o TODO que está em tudo.

Texto <898><26/11/2008>

897 - UM GRANDE AMOR NUM PEQUENO CORAÇÃO III

- por Wagner Borges –
 
As palavras não dizem mais do que um olhar,
E o amor é a coisa mais linda de todas.
No entanto, emoções estranhas podem bloqueá-lo, 
Trazendo dúvida e rompendo a alegria.
O amor não rompe a luz do coração. 
Pelo contrário, faz o peito virar sol. Faz a vida valer a pena!
Torna o olhar luminoso. Faz, do ato de respirar, uma festa vital.
Quem ama sabe que um grande amor não cabe num pequeno coração.
Por isso, transborda de sentimentos bons para outros corações.
E, assim, faz o amor circular... E tudo vira grandeza no brilho do olhar.
Como dizia o poeta, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. 
Sim, tudo vale a pena quando o amor transborda.
Então, algo acontece no coração, que vira sol.
E que palavras poderão descrever isso?
Talvez, só o olhar revele tanto, mesmo à distância, por entre as estrelas.
O olhar do Grande Espírito, Causa da Vida e do Grande Amor,
E que inspira um pequeno coração a transbordar...
Para alguns, o amor é só uma palavra, mas, para quem ama,
É o que faz a vida valer a pena.
Esse amor que não se explica, só se sente...
 
Paz e Luz.
 
P.S.: Esses escritos foram feitos dentro dos estúdios da Rádio Mundial, momentos antes do início do programa Viagem Espiritual**.
 
São Paulo, 30 de Outubro de 2008.
 
- Nota:
* As duas partes anteriores desse texto estão postadas no site do IPPB – www.ippb.org.br -, nos seguintes endereços específicos:
Parte I: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5794.
Parte II:
https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5939.
** O programa Viagem Espiritual é apresentado todas às quintas-feiras, das 19h às 20h, na Rádio Mundial de São Paulo – 95.7 FM.
Obs.: Enquanto eu finalizava estas notas, lembrei-me de um poema de Fernando Pessoa, o grande poeta português, gênio da escrita, e iniciado nas artes secretas do coração espiritual. Segue-se o mesmo na seqüência.
 
 
 
NÃO SEI SE É SONHO
 
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sol se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.
 
Talvez palmares inexistentes,
Aléias longínquas sem poder ser.
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
 
Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.
 
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
 
- Fernando Pessoa -


Texto <897><21/11/2008>

897 - RAMAKRISHNA E O MACACO BÊBADO II

(Viajando Espiritualmente no Colo da Mãe Divina)

 
Foi flutuando fora do corpo**, sobre a grande cidade cinzenta, que eu o encontrei.
Por cima da noite da megalópole de aço e concreto, novamente nós conversamos.
Na verdade, ele me mostrou a letra de uma canção.
E me disse, rindo: “Que tal escrevê-la lá embaixo?”
Vendo-o pular e rir, comecei a rir também, lembrando-me do macaco bêbado.
Ele apontou para baixo e disse: “O mundo precisa de canções.
Precisa respirar o divino. Precisa de fé e de esperança. Precisa de luz.
Às vezes, as músicas são como gotas de alegria nos corações.
Por isso, escreva. Deixe o Vento do Supremo Amor guia-lo.
Ele sopra e os universos estremecem... E você voa, solto na noite.
Deixe que Ele o leve em frente, como uma folha ao vento...
Para o centro da canção, em nome da Mãe Divina.
Apenas escreva, meu filho. E que essa canção seja abençoada.”
Então, ele deu um toque em minha testa, e eu caí de volta dentro do corpo.
E, agora, por obra e graça dele, Ramakrishna***, tento seguir com o Vento...
Que a Mãe Divina guie minhas mãos e meu coração nas asas da canção.
Que eu seja digno de escrever algo que leve luz a outros corações.
 
* * *
 
Ela veio no meio de uma massa luminosa.
Era uma linda mulher negra.
Mas parecia um anjo na luz branca.
Em seu olhar, a serenidade.
Em seu coração, a compaixão.
Tímido, baixei meus olhos.
Eu era a folha; Ela, o Vento...
Eu, o homem; Ela, o Amor.
Pequeno, tremi diante d’Ela.
Eu, mais do que homem, me senti criança.
Então, Ela me tomou no colo, dentro da luz.
E eu senti que o mundo todo estava ali.
Ou, melhor dizendo, dentro d’Ela, em mim.
Maravilhado, vi que Ela abençoava o mundo.
Seu coração absorvia secretamente as dores dos homens...
E as transformava em gotinhas de luz, que eram lindas canções.
E Ela me permitia estar ali, como folha ao vento...
Na luz d’Ela, também chorei as dores do mundo.
E minhas próprias dores foram transformadas em canções.
Eu, simples e pequena folha, no Vento do Supremo.
Um pequeno coração, na luz de um Grande Amor.
Como uma criança dentro da luz d’Ela.
No colo da compaixão em forma de mulher.
Eu, iogue antigo, criança branca, no colo da Mãe Negra.
 
OM!
AXÉ!
Sei Lá, tudo de bom!
 
P.S.: Ah, Ramakrishna, agora eu sei!
Você sempre ouviu a canção d’Ela.
A canção universalista de um Grande Amor.
Por isso, você sempre dizia: “smara, smara”****.
Mas ninguém o compreendia.
Hoje eu me lembro, e compreendo.
O Grande Amor d’Ela entrou em seu Grande Coração.
Acho que, por isso, você sempre foi tão alegre.
E eu sigo fazendo o que você me pediu:
Vou projetando clarinadas espirituais no mundo dos homens.
Ou, melhor dizendo, tento. Com boa vontade, vou seguindo...
Como folha ao vento, balançando a bandeira da esperança.
E agradecendo a você e à Mãe Divina, por tudo.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos; pequena folha ao Vento do Espírito, que, aos 47 anos de “encadernação”, mais do que homem feito, se sente como criança do Eterno.
São Paulo, 05 de novembro de 2008.
 
- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5928.
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
*** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
**** Smara, Smara – do sânscrito – “lembre-se, lembre-se sempre!”
 

Texto <897><21/11/2008>