878 - BATENDO ASAS FORA DO CORPO

- Por Frank -
 
Não uso a força, bato asas bem levemente.
Pouco a pouco, suavemente, vou saindo do corpo, para onde a minha alma me carregar.
Deixo no leito meu outro dormindo, com cara de suspeito que sabe onde estou indo...
Vou atravessando os cômodos, vendo a sala, o abajur, o livro que deixei jogado no canto e me direciono para a porta.
O corredor está vazio, minha alma está calma, vejo as chaves na porta, penso em usá-las, mas, tão logo penso em sair, estou lá fora, entre o sonho e o agora, pronto para voar...
Sinto uma breve sensação de euforia, vontade de acordar o mundo com uma gritaria, dizendo a todos que continuamos vivos, mesmo sem corpo, mas contenho o desejo.
Pois, se eu tenho recordações de viagens anteriores, todas acabaram na volta para o corpo, ao primeiro sinal de exagero. Então, permaneço lúcido e me jogo no ar - do oitavo andar -, para voar na noite.
Sou pássaro de novo; sou nuvem; consciência em estado gasoso.
Deslizo pelo ar, e até dou algumas piruetas, lembrando que sempre estive onde quero estar. Que malvadeza, meu Deus, privar o homem de voar!
E sigo meu vôo noturno, indo para onde a minha sintonia me levar...
 
São Paulo, 27 de agosto de 2008.
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com
 

- Nota do Texto:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.


Texto <878><09/09/2008>

878 - O DESPERTAR DA SEMENTE-CONSCIÊNCIA

(Luz na Luz - A Grandeza das Grandezas)
 
Na magnitude da vida universal, com todas as grandezas incomensuráveis que existem na vastidão sideral, a grandeza das grandezas se chama "consciência".
O despertar da consciência é a maior dessas grandezas, quando o Ser encontra o próprio Ser dentro do coração. Quando se descobre a imensidão universal dentro dos sentimentos do próprio coração. Quando se descobre que, mesmo à distância, é possível abraçar a todos os seres na vastidão, desaparecem as distâncias, as limitações, e só fica a consciência.
Essa consciência é representada pelo centro do coração, tanto pelos iniciados do Oriente antigo, como pelas consciências mais sábias que iniciaram os estudos espirituais neste orbe há muito tempo. Elas localizaram o centro da consciência no centro peitoral, por reconhecerem que cada consciência encarnada em corpos densos, em meio à fieira evolutiva das reencarnações, ao mergulhar na carne para mais uma vivência, é semelhante a uma semente que é jogada nas profundezas da terra escura, úmida e fria.
A semente, adormecida em si mesma, sem noção do que é, na escuridão do seio da terra, hibernando por um tempo... Porém, por dentro, de forma espontânea, surge um chamado, uma evocação à luz do Sol. Como se parte da semente clamasse pela luz, em meio às trevas que a rodeiam.
E, de alguma maneira fenomenal, que só a magnitude da Mãe Natureza reconhece, o Sol escuta o chamado e os seus raios se aprofundam no solo, aquecendo o que estava frio, energizando em volta e chamando a semente para o despertar. E ela, então, acorda e começa o seu trabalho.
De forma instintiva, espontânea, ela busca a luz que está acima. Segue lutando e abrindo espaço dentro do espaço limitado onde está. E vai ganhando forças e mais forças, até abrir o caminho para a superfície e, finalmente, surgir como uma planta aberta para o céu.
Na superfície, ela sente o beijo dos raios solares que um dia a despertaram no seio do chão.
Por analogia, os raios solares são as consciências mais avançadas, que constantemente clamam ao homem da Terra para o despertar da consciência. O Sol é O Absoluto, O Todo que está em tudo, e cada consciência é semelhante a essa semente em si mesma.
Que haja dentro de cada coração a consciência inicial de clamar pela Luz, mesmo em meio às trevas de si mesmo (momentâneas e circunstanciais).
Que o grito da semente-consciência possa se propagar e que os raios solares possam iluminá-la, e que ela cresça, se expanda, e alcance a superfície de si mesma. E desperte todo o seu potencial, para a glória infinita, à qual está reservada, para novos rumos no infinito...
E essa é a Grandeza das Grandezas, quando a semente começa a ir para cima. Este é o trabalho de despertar que as consciências mais avançadas superintendem e inspiram de formas admiráveis e invisíveis, que os homens não percebem. Este é o trabalho secreto feito nos bastidores da humanidade, por consciências amáveis, generosas, limpas, sutis, serenas e maravilhosas! E que, tranqüilamente, inspiram as sementes-consciências em seus desenvolvimentos.
Que, mesmo no meio da treva mais profunda, a semente-consciência cante para a Luz. E Ela virá como sempre...
O despertar da consciência é quando a semente encontra a Luz dentro dela própria, mesmo em meio à treva exterior. E é esta luz interna que busca a Luz de cima. É este o encontro do Ser com o Ser, Luz na Luz.
É isso que lhe dá forças para superar as próximas etapas do seu crescimento, até alcançar a superfície de si mesma. Vidas e vidas se sucedem... E a semente-consciência vai crescendo e despertando para novos patamares evolutivos à frente...
Que ela possa encontrar na terra em torno de si própria o adubo necessário e os nutrientes compatíveis com seu desenvolvimento. Que o adubo seja de alegria e que os nutrientes sejam de puro amor.
Essa é a Grandeza das Grandezas, que o homem da Terra desconhece. E, ao longo de tantas e tantas experiências, cada consciência descerrará os véus que a impedem de perceber O Todo. Gradativamente, levantará esses véus e perceberá a imensidão, no devido momento do seu despertar.
O descerramento desses véus da ilusão é o motivo de todas as buscas e aprofundamentos dos estudantes espirituais ao longo do eons e eons...
Não somente na Terra, mas também em outros orbes, os iniciados de outrora, de todas as linhas, sempre buscaram esse despertar, sabendo que o processo é dentro de si mesmo e que ninguém de fora poderá operar o que é fruto do esforço de cada um. Eles sabiam que não há dependência externa, psicológica, emocional ou religiosa que possa operar esse despertar. O processo é interno e intransferível. Como também é intransferível o valor evolutivo agregado ao esforço de cada um.
O homem da Terra é triste, confuso e estranho para si mesmo. Isso porque desconhece a imensidão que carrega dentro do próprio coração e, mesmo em meio aos grupos de estudantes espirituais, ainda reina grande confusão. E a Grandeza das Grandezas é mais simples do que se pode imaginar, é apenas o encontro do Ser com consigo mesmo, despertando e fluindo sentimentos melhores... Porque, quando encontra a si mesmo, toda a dúvida desaparece, só fica a consciência do que se é, fluindo, fluindo, fluindo...
Portanto, que tudo possa fluir no tempo certo de cada um. E que cada um também possa perceber quando esse tempo é chegado, e possa despertar e fluir sem atrasar mais o chamado.
Que as grossas camadas do egoísmo e do medo não impeçam o despertar da Luz em si mesmo. E que isso possa fluir por todos os planos, para todos. A Grandeza das Grandezas é o despertar da consciência, é a maior das riquezas, é o que vale a pena no meio das ilusões sensoriais. E ninguém poderá jamais mensurar o grau evolutivo de outro.
Esse é o ensinamento que vem sendo passado a eons e eons, por todos os grandes iniciados da história. O chamado da luz que vem de dentro se encontra com a Luz que está em tudo e se funde nela, tornando-se uma só.
E esse despertar é silencioso e sereno. E, mesmo que ainda não seja pleno, apenas uma pequena parte desse despertar já é suficiente para transformar, de maneira admirável, a semente em planta viçosa.
Não precisa alcançar a Luz total enquanto não for o tempo certo da maturidade de cada ser. Mas, dentro dos estudos espirituais, já é possível vislumbrar centelhas disso, e estas já bastam para transformar a lucidez do homem terrestre na lucidez dos seres universais, tudo isso em si mesmo.
Simples centelhas dessa luz valem mais do que todas as riquezas da Terra. Porque essa é a Grandeza das Grandezas. E só alguém que viu a centelha em si mesmo, é que poderá compreender o grande valor.
Enquanto a humanidade terrestre não perceber sequer centelhas dessa Luz em si mesma, reinará a confusão. Pois são estas fagulhas que guiam a semente-consciência em seu coração.
Que os grandes raios conscienciais possam incidir sobre os corações de todos... Aqueles raios lúcidos que vêm das Almas Livres, consciências serenas e magnânimas e, acima delas, do Sol de todos, O Todo, O Absoluto*.

 
- Os Iniciados** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 02 de maio de 2007.)
 
- Nota de Wagner Borges: Esses escritos são a transcrição de uma mensagem psicofônica - ocorrida durante uma reunião do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB.
Enquanto a turma de cem participantes realizava um trabalho de irradiação de energias, de mãos dadas, um dos amparadores do grupo extrafísico dos Iniciados se aproximou de mim. Então, ele projetou essas palavras por meu intermédio, para reflexão da turma. Por sorte, alguém estava gravando o lance. E, agora, essas ponderações conscienciais podem ser lidas por todos e talvez beneficiem a outros grupos e estudantes espirituais por esse mundão de Deus...
Agradeço aos amparadores espirituais*** por todo carinho e paciência. Mais do que palavras, é o amor deles que viaja por essas linhas. Mais do que apenas amparo extrafísico a um grupo de estudantes, viaja junto aquela atmosfera perene do Alto. Viaja junto o Sopro Vital do Eterno.
Felizes são aqueles que, mais do que as palavras, percebem o perfume sutil e invisível do Grande Arquiteto Do Universo em cada linha.
 
Paz e Luz.
 
- Notas:
* O TODO: expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.
*** Amparador extrafísico – entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
Obs.: Há um texto antigo de Ramatís, passado em conjunto com o grupo dos Iniciados, exatamente sobre esse mesmo tema do despertar da consciência. Estou postando-o logo abaixo, para somar com esses escritos de hoje.
 
 
 
DESPERTAR ESPIRITUAL
 
A alma dos homens está inchada de emoções grossas e de paixões turbulentas*.
O campo emocional humano está infestado de caminhos perigosos e de “devoradores espirituais”, que destroçam violentamente os despojos das emoções negativas. Há muita violência na alma dos homens, e é por isso que o sofrimento os persegue tão continuamente.
Quando se fala em pacificar as emoções, as pessoas não entendem, pois as emoções violentas são mais familiares e presentes do que os objetivos da paz espiritual.
É por causa das posturas emocionais ridículas que a humanidade é tão sofrível. É por causa do coração inchado que as atitudes são tão medíocres.
Os seres luminosos passam os ensinamentos espirituais, mas as pessoas não coadunam com eles e preferem entregar a alma a objetivos torpes e fúteis.
O chamado do ego mascara seus melhores potenciais, levando-as à consecução de realizações tacanhas.
Parece que o ser humano porta uma doença espiritual, mas isso não é verdade. Dentro de cada um reside o potencial divino puro, só esperando o momento do despertar espiritual.
Aos que estudam os temas espirituais, um alerta:
 
• Não se chega aos cumes da realização espiritual portando trevas no coração.
• Não se chega às verdades da alma sintonizando a mente a objetivos escusos.
• Não se chega à pura luz com os chacras opacos.
• Não se chega às estrelas com a mochila do medo agarrada às costas.
• E não se firmam no caminho espiritual aqueles que caminham com objetivos levianos*.
 
- Ramatís e Os Iniciados -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Texto extraído do livro "Viagem Espiritual – Vol. III" – Editora Universalista – 1998.)
 
- Nota:
* Trechos de sabedoria do grupo extrafísico “Os Amigos de Ramakrishna”:
• Há milhões de batalhas a vencer; todas elas estão dentro de sua alma.
• Quantas vezes os olhos vêem, mas a mente não percebe!
• Quantas vidas vividas; quanto tempo desperdiçado!
• Quantas estrelas no Universo; mas quantas mágoas no coração!
 


Texto <878><09/09/2008>

877 - AGENTES DO CONTRA

- Por André Luiz -

 
*A LEMBRANÇA AMARGA NÃO CONSERTARÁ O PASSADO.
 
* A TRISTEZA NÃO LHE TRARÁ LUZ AO PENSAMENTO.
 
* O DESÂNIMO NÃO TEM CONDIÇÕES DE PRESTAR AUXÍLIO.
 
* O AZEDUME NÃO PACIFICA O MUNDO ÍNTIMO.
 
* A REVOLTA NÃO LHE FARÁ VER O CAMINHO JUSTO.
 
* A CRÍTICA É FATOR DE MAIS SOLIDÃO.
 
* A IRRITAÇÃO É A COMPANHEIRA DO FRACASSO.
 
* A INTOLERÂNCIA AFASTA A SIMPATIA.
 
* O RESSENTIMENTO É VENENO EM VOCÊ MESMO.
 
* A CONDENAÇÃO É TREVA QUE SE ESPALHA.
 
EVITEMOS ESSES AGENTES DO CONTRA E PROCUREMOS TRABALHAR, NA CERTEZA DE QUE, SERVINDO, ENCONTRAREMOS A BÊNÇÃO DA ALEGRIA POR NOSSO CLIMA PERMANENTE DE LUZ.
 
(Recebido espiritualmente por Francisco Cândido Xavier -Texto extraído do livro "Respostas da Vida").


Texto <877><05/09/2008>

877 - PRECE AOS BUDAS DA TERRA PURA

(Com Relato Projetivo nas Notas de Rodapé)

 
- Por Wagner Borges –
 
Que, da Terra Pura dos Budas, desça a paz espiritual entre os homens.
Que os céus se abram, para que o Grande Coração do Amor dos Budas toque os pequenos corações humanos.
Para que todos também se tornem Budas!
Para que cada ser sensível seja iluminado.
Que a compaixão jorre nas dez direções.
Que todos sejam curados na Luz.
Que as trevas do egoísmo e da ignorância sejam transformadas pela clara compreensão dos Budas.
Para que todos sejam felizes no grande despertar da consciência.
Que a Terra Pura dos Budas seja em todos os corações.
Que, na escuridão da noite mais profunda, surja a aurora da clara compreensão.
Que todos tornem-se Budas!
 
P.S.: Os Budas são médicos da alma.
Eles prescrevem aos homens agitados o remédio da reflexão ponderada e da meditação serena.
Porém, mentes agitadas pouco escutam.
Por isso, eles só falam no silêncio da meditação.
E, quem escuta, desperta, e vê a Terra Pura em seu próprio coração.
 
(Dedico essa prece na intenção dos médicos responsáveis e bondosos e às crianças abortadas. Que a compaixão silenciosa dos Budas possa abraçá-las e confortá-las. Que o choro delas, que o mundo não ouve, seja transformado, pela bondade deles, em risadas maravilhosas e cheias de vida. Que os médicos da alma curem as dores dessas crianças. E que, no momento adequado, elas possam vir novamente ao palco da vida na Terra, e que sejam bem recebidas por pais responsáveis e por médicos dignos.
Que os Budas as abençoem!)**
 
Paz e Luz.
 
Jundiaí, 09 de agosto de 2008.
 
 
- Notas:
* Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de “Buddhi”, que significa “Iluminação Pura” ou “Inteligência Pura”. Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.
** Enquanto a luz da aurora despontava no horizonte, para iluminar mais um dia na Terra, eu estava projetado fora do corpo num ambiente sórdido, levado pelos amparadores extrafísicos para um lance de limpeza psíquica. Despertei extrafisicamente num ambiente de clínica médica. Ocorre que ali funcionava antes um lugar de abortos. E a atmosfera pesada dessa atividade ainda perdura no astral do ambiente. No duplo da clínica atual ainda está plasmado o clima anterior, com todos os equipamentos e apetrechos da atividade nefanda pairando no ar, sobre as cabeças de quem trabalha ali hoje. E uma entidade extrafísica, que foi médico, ainda age ali, nos bastidores, vampirizando energias e perturbando o astral do ambiente. Provavelmente ele está ligado a algum médico da clínica, ou a alguns de seus sócios proprietários.
Deu trabalho para tirar o cara de lá, pois o sujeito era violento e radical. Mas o pior não era a energia pesada dele, e, sim, as imagens que gravitavam no duplo do ambiente. Eu vi centenas de fetos abortados e muitos espíritos ligados a eles e chorando muito. E, mesmo com a experiência que tenho, senti o efeito disso de forma intensa. Junto com o choro, a decepção deles e um sentimento de profunda rejeição. Doía mais neles a dureza do coração das pessoas e sua capacidade de ferir os outros. Doía mais o sentimento de não serem aceitos como gente e de serem expelidos como algo sem importância e sem vida. E também doeu muito em mim.
Senti o choro deles em meu coração.
Depois, um dos amparadores me disse que é muito grande a quantidade de abortos no mundo e que a humanidade sofre as repercussões psíquicas disso. As lágrimas dessas crianças encharcam de dor o coração da humanidade.
Também me falou da falta de dignidade de muitos profissionais da área da saúde, por estarem envolvidos em atividades ligadas ao aborto (incluindo nisso, além dos médicos e enfermeiras desviados de seus propósitos nobres, os empresários que também participam do negócio escuso), e dos sérios comprometimentos cármicos a que se submetem com sua ação nefasta.
Ao mesmo tempo, lembrei-me de um grande amigo, o Dr. Juan, médico e espiritualista, participante do grupo de estudos do IPPB, e que já fez mais partos do que consegue se lembrar. Ele faz os partos com música new age no ambiente e se sente honrado de trazer novas estrelinhas ao palco da vida terrena. Ele faz o trabalho dele, não só com técnica, mas também com amor e responsabilidade. E sem perder a espiritualidade, pois sabe que isso ajuda muito numa profissão tão desgastante. Ele sabe que, sem a luz do espírito em seu coração, somente a técnica deixaria seu coração duro e limitado. Por isso ele ri quando vê mais uma criança em seus braços. Ele sabe que está onde tem que estar e fazendo o que tem de fazer. E ele jamais se corromperá!
Sua aura está luminosa por isso.
Ao voltar para o corpo, ainda sob o impacto emocional do que tinha visto e sentido, confesso que fiquei um tanto quanto irritado só de pensar na cegueira consciencial que leva profissionais de saúde a se desviarem de sua dignidade. E outros, que, às vezes, se ligam a eles, sem saber onde estão se enfiando, na confiança de estar com outros da mesma área, sem perceber o dano psíquico que sofrem. Infelizmente, as mãos desse pessoal estão sujas. Talvez tenham dinheiro sobrando na conta bancária, mas são mendigos espirituais e, oportunamente, o choro das crianças lhes custará muito caro carmicamente.
Então, para não me ligar mais nisso e serenar meu coração, fiz uma prece e irradiei energias a favor das crianças abortadas. Mais tarde, já em Jundiaí, onde fui para realizar um curso sobre a antiga sabedoria oriental (com muitas coisas baseadas nos ensinamentos dos Budas e Bodhisattvas), fiz essa prece aos Budas da Terra Pura.
Até agora, só de pensar no choro daquelas crianças, ainda fico com o coração apertado. Daí, penso na assistência serena e invisível das almas livres, tranqüilas e magnânimas, que, como a primavera, fazem bem a todos. Penso nelas abraçando invisivelmente essas crianças e levando-as para lugares de luz. Penso nelas enxugando suas lágrimas e falando de perdão, e de que ninguém morre, e que, no amor, todas as dores se curam.
Sim, eu penso que as crianças abortadas estão sendo levadas para a Terra Pura, além da ignorância e do egoísmo dos homens. Para bem longe dos caras com mãos sujas, que encharcam a alma do mundo com o choro das crianças.
Eu senti o choro das crianças, mas também vi o carinho dos mentores espirituais trabalhando nos bastidores invisíveis e limpando a área extrafisicamente.
Será que alguém da clínica atual saberá disso?
Quantos terão a noção correta de que ter as mãos ligadas a mãos sujas é uma forma de se sujar também?
Será que escrever sobre tudo isso mudará alguma coisa no nível de responsabilidade e consciência de alguém?
Não tenho idéia. Mesmo assim escrevo. Pois senti o choro das crianças abortadas em meu coração. Devo isso a elas.
Por isso eu escrevo. Por elas.
 
Obs.: Que fique bem claro aqui que não estou julgando os motivos das pessoas que fazem um aborto, muito menos os médicos que tanto ralam dentro dos atendimentos e que se dedicam em sua profissão, mesmo com os poucos recursos de que dispõem na Saúde Pública. Sei que há momentos, dentro da prática médica em hospitais e clínicas, em que decisões precisam ser tomadas rapidamente. Mas o que estou narrando aqui é um clima psíquico específico, terrível, de um ambiente onde abortos eram feitos clandestinamente (e com presenças extrafísicas densas interagindo nos bastidores invisíveis).
 

Texto <877><05/09/2008>

876 - QUANDO EU ERA MEU

- Por Huberto Rohden -

 
Quando eu era ainda meu,
Não era de ninguém.
Era escravo de tudo que chamava "meu",
Porque o meu pequeno eu despertara,
Tirânico,
E meu grande EU dormia
O sono da ignorância.
Muitos objetos envolviam
O meu sujeito,
Assim como as grades do cárcere
Circundam o prisioneiro.
E eu chamava "meus"
Esses objetos em derredor.
Cuidava possuir esses objetos,
Mas era por eles possuído.
E eles me vedavam o egresso
Da prisão do meu ego
E o ingresso
Na liberdade do meu EU.
 
Nesse tempo não sabia eu
Que o grande EU
É o melhor amigo do pequeno ego,
E que o pequeno ego é o pior inimigo
Do grande Eu.
Jamais olhara para além das fronteiras
Do ego humano,
Esse objeto visível,
E por isto, ignorava, ignorantemente,
Meu EU divino,
Esse sujeito invisível.
Eu pertencia totalmente
A mim mesmo,
Ao meu ego conhecido,
E, por isto, era a minha vida estreita,
Como um casulo em que dormia
A borboleta do meu Cristo interno.
 
Finalmente, graças ao bafejo solar
Da graça,
Deixei de ser casulo inerte...
Rompi as paredes de seda do meu ego,
Porque empecilho me era hoje,
O que auxílio me fora ontem.
Expandi as asas na luminosa amplitude
Do amor universal,
Para cima,
Para os lados,
Para baixo,
Envolvendo em suave benquerença
Todos os mundos de Deus,
Depois que o Deus dos mundos
Me vitalizou com seu Amor...
 
- Texto extraído do inspirado livro “Escalando o Himalaia”, uma das grandes obras do genial filósofo brasileiro Huberto Rohden – Editora Martin Claret.
Obs.: Ver a coluna dedicada a Huberto Rohden em nosso site, na seção de Multimídia – www.ippb.org.br.


Texto <876><03/09/2008>