863 - CINCO ORAÇÕES CELTAS

- Por John O´Donohue -


UMA ORAÇÃO - I

Bendito seja o anseio que te trouxe aqui e que aviva a tua alma com assombro.
Que tenhas a coragem de acolher o teu anseio eterno.
Que aprecies a companhia crítica e criativa da pergunta “Quem sou eu?” e que ela ilumine o teu anseio.
Que uma secreta Providência Divina guie o teu pensamento e proteja o teu sentimento.
Que a tua mente habite a tua vida com a mesma certeza com que teu corpo se integra ao mundo.
Que a sensação de algo ausente amplie a tua vida.
 Que a tua alma seja livre como as sempre renovadas ondas do mar.
Que vivas perto do assombro.
Que te integres ao amor com o arrebatamento da Dança.
Que saibas que estás sempre incluído no benévolo círculo de Deus.

UMA ORAÇÃO - II

Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.

UMA ORAÇÃO - III

Que atendas ao teu anseio de ser livre.
Que as molduras da tua integração sejam suficientemente amplas para os sonhos da tua alma.
Que te levantes todos os dias com uma voz de bênção murmurando em teu coração que algo de bom te vai acontecer.
Que encontres uma harmonia entre a tua alma e a tua vida.
Que a mansão da tua alma nunca se torne um local assombrado.
Que reconheças o anseio eterno que vive no cerne do tempo.
Que haja benevolência no teu olhar quando contemplares o teu íntimo.
Que nunca coloques muros entre a luz e ti.
Que o teu anjo te liberte das prisões da culpa, medo, decepção e desespero.
Que permitas que a beleza espontânea do mundo invisível te recolha, cuide de ti e te inclua na integração.

UMA ORAÇÃO - IV

Que sejas abençoado nos Nomes Sagrados daqueles que suportam a nossa dor pela montanha da transfiguração acima.
Que conheças o suave abrigo e a graça restauradora quando fores chamado a resistir na morada da dor.
Que os pontos de escuridão no teu íntimo se voltem na direção da luz.
Que te seja concedida a sabedoria de evitar a falsa resistência e, quando o sofrimento bater à porta da tua vida, sejas capaz de lhe vislumbrar a dádiva oculta.
Que sejas capaz de enxergar os frutos do sofrimento.
Que a memória te abençoe e te abrigue com a arduamente obtida luz do esforço passado, que isso te dê confiança e segurança.
Que uma janela de luz sempre te surpreenda.
Que a graça da transfiguração te cure as feridas.
Que saibas que, embora a tempestade possa rugir, nem um fio do teu cabelo será magoado.

UMA ORAÇÃO - V

Que saibas que a ausência está repleta de terna presença e que nada jamais está perdido ou esquecido.
Que as ausências na tua vida estejam repletas de eco eterno.
Que sintas ao redor do secreto “Outro Lugar” que contém as presenças que deixaram a tua vida.
Que sejas forte na aceitação das tuas perdas.
Que a dolorosa fonte de luto se transforme em uma fonte de ininterrupta presença.
Que a tua paixão se estenda àqueles de que nunca temos notícia e que tenhas a coragem de falar em nome de excluídos.
Que venhas a ser o afável e apaixonado sujeito da tua vida.
Que não desrespeites o teu mistério por meio de palavras insensíveis ou integração falsa.
Que sejas acolhido por Deus, em quem o amanhecer e o crepúsculo se unem, e que a tua integração habite os seus sonhos mais profundos no interior do abrigo da Grande Integração.

(Textos extraídos do livro “Ecos Eternos” de John O’Donohue; Editora Rocco).

Nota de Wagner Borges: O irlandês John O’Donohue é escritor, pesquisador, poeta e filósofo católico, com Ph.D. em Teologia Filosófica pela Universidade de Tübingen. É autor de dois belos livros sobre a sabedoria celta: “Anam Cara” e “Ecos Eternos”, ambos publicados no Brasil pela Editora Rocco.
Por diversas vezes, ajudei pessoas com problemas de baixa auto-estima e vazio existencial simplesmente indicando a leitura desses dois livros. O seu autor fala direto ao coração e enche a alma do leitor daquela beleza vital e amor pela vida dos celtas antigos, que valorizavam o gosto pelas coisas da natureza e a fluência dos sentimentos verdadeiros expressados no cotidiano. Vale a pena ler esse material celta inspirado.
 
Texto <863><01/07/2008>

863 - DESPRENDIMENTO ESPIRITUAL - ENTRANDO NA LUZ...

(Transformando a Dor da Saudade em Luz Clarinha)

Enquanto eu me preparo para sair, para uma reunião espiritual, onde falarei sobre as experiências fora do corpo no contexto hinduísta, sinto uma energia sutil chegando aqui no meu apartamento. Por intuição, sei que há um trabalho de assistência extrafísica em andamento.
Então, coloco para tocar um lindo CD do músico americano Robin Miller* e me sento numa cadeira do quarto, para realizar um trabalho de energia (pulsação de luz nos chacras). Sinto várias presenças extrafísicas no ambiente. Sei que os amparadores** estão enchendo o ambiente de luz clarinha.
Quietinho, elevo meus pensamentos àquelas almas livres, tranqüilas e magnânimas, que ajudam a todos, invisivelmente. Faço uma prece de agradecimento ao Alto, por tudo. E fico à disposição, para tudo aquilo que for útil e positivo para o bem de todos.
Subitamente, sinto uma saudade lancinante invadindo meu coração. Daí, passo a sentir a dor de uma perda em mim mesmo. Sinto a perda de um filho. Então, percebo que estou sentindo a dor da saudade de um pai. Alguém que perdeu seu filho e que está muito agoniado e sofrido. Alguém que os amparadores estão ajudando, à distância.
Continuo quietinho, com a consciência ligada ao Alto e irradiando energias sadias a favor desse pai desconhecido. Sinto que estão transferindo a dor dele, para aliviá-lo, e passando-a por meu coração, transformando-a, por obra e graça de um amor sutil, em luz clarinha e serena.
Sinto a dor dele, como se eu mesmo fosse esse pai e, ao mesmo tempo, sinto a serenidade e o amor descendo em mim. E oro a favor desse homem sofrido, para que a luz toque seu coração e lhe devolva a paz de espírito e a alegria de viver.
Gradualmente, enquanto a linda música do Robin Miller se torna a trilha sonora desse momento, vou entrando num estado alterado de consciência. E aí, o lance espiritual se revela completamente. Vejo, pela clarividência***, a figura de um garoto desencarnado, à minha direita.
Ele está tranqüilo. Está pelado e me olha com simpatia. Sinto que ele é o filho do tal homem e que está recém-desencarnado. Telepaticamente, ele me diz:

“Obrigado por ajudar o meu pai.
Eu estou bem e vou fazer a passagem para a luz. O meu avô**** veio me buscar antes, mas eu não quis ir. Fiquei preocupado com meu pai. Ele está sofrendo muito e não aceita minha partida.
Então eu rezei para Deus mandar um anjo para ajudá-lo. E aí surgiu um facho de luz e me trouxe até aqui. E eu vi você rezando para as almas livres, que ajudam a todos os seres. E rezei junto, para elas ajudarem meu pai. Também senti que a dor dele veio para você. Com isso, eu sei que ele melhorou. E agora, eu posso seguir em frente...
Você promete que continuará rezando por ele? Para que ele volte a rir, como antes?
Para que ele não se sinta culpado de nada. Eu sei o quanto ele me ama. Mas a minha saúde nunca foi muito boa mesmo. O meu tempo chegou e é preciso aceitar isso.
Você promete que continuará transformando a dor dele em luz?”

E aí, ele segura na minha mão direita e fecha os olhos. E um grande facho de luz desce sobre ele e o leva para cima, de volta para a “casa espiritual”.
Nem deu tempo de dizer para ele que quem transforma a dor em luz é o Alto e que sou apenas um servidor interplanos tentando fazer o melhor possível.
Olho a hora e vejo que tenho de sair para a aula. Ainda estou sob a emoção do lance.
Antes de sair, ainda curto mais um pouco a música, e agradeço ao Alto, por mais uma chance de participar da maravilha da assistência espiritual. Espero que o pai dele tenha melhorado de alguma maneira. E que algo bom tenha tocado seu coração.
De toda forma, penso que algo assim também melhora outros pais por aí... Outros que perderam seus filhos. Talvez, lendo essas linhas, eles melhorem junto e elevem seus pensamentos ao Alto.
Seus filhos seguem vivos, além... Isso é certo. Mas eles também precisam seguir vivos, aqui e agora! Precisam superar a dor da saudade e recuperar a alegria. Saudade dói, mas ignorância e apego machucam bem mais.
Que aquele amor sutil transforme a dor de todos os pais em luz clarinha, como deve ser.
E que aquelas almas livres, tranqüilas e generosas, continuem velando secretamente por todos nós. Que os filhos, além, e os pais, por aqui, sejam felizes.
Nada morre! O Todo está em tudo! O amor é maior do que tudo!
E que tudo fique clarinho, como aquela luz do Alto.
Que tudo vire luz!

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
(Sujeito com qualidades e defeitos, espiritualista, 46 anos de “encadernação”, pai de duas estrelinhas, Helena e Maria Luz, mestre de nada e discípulo de coisa alguma, e que sempre agradece ao Grande Arquiteto Do Universo, por tudo).

São Paulo, 19 de março de 2008.

- Notas:
* CD. "In the Company of Angels” - do tecladista new age americano Robin Miller - Importado – U.S.A.
** Amparador extrafísico – entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
*** Clarividência – do latim, clarus - claro; videre, ver – é a faculdade perceptiva que permite ao indivíduo adquirir informações acerca de objetos, eventos psíquicos, cenas e coisas, físicas ou extrafísicas, através da percepção parapsíquica de imagens ou quadros mentais.
**** No caso, o avô dele é desencarnado e veio buscá-lo em sua hora final. Isso é muito comum, parentes e amigos extrafísicos costumam vir buscar seus entes queridos no momento da passagem interplanos.
 
Texto <863><01/07/2008>

862 - O BRILHO NOS OLHOS DA ALMA PROJETADA

- Por Frank -

Se já é difícil enxergar as próprias mãos, o que dirá conseguir focalizar por mais de dois segundos o olhar de outra pessoa projetada fora do corpo?
A projeção da consciência* é mais que apenas uma viagem astral, como o próprio nome já diz, a sua consciência revestida (de alguma maneira, astral**, tipo o corpo do Surfista Prateado, roupa de praia, sem cueca), vai despertando aos poucos e se dando conta que ela se manifesta não só dentro do corpo, mas, também fora. Com isso, provamos (será?) que existimos além do corpo que ficou babando no travesseiro.
Quanto mais lúcidos ficamos, melhor fica a qualidade da projeção e afastamos a confusão que geralmente fazemos em relação a ela, quando comparada ao sonho lúcido. É simples: a projeção consciente é uma imagem de alta definição. Por isso, se a lucidez é mínima, mais fácil fica nos confundirmos com imagens mentais, formas pensamentos, cascões astrais e outras imagens que tenhamos projetado ou vieram por sintonia, atraídas por nossos desejos.
Se já confundimos imagens, pessoas, conversas e mensagens quando estamos acordados, imagine o que ocorre conosco quando estamos projetados no plano dos desejos, onde as imagens saltam, literalmente, de acordo com o que pensamos e sintonizamos.
A lucidez é a chave para sabermos distinguir o que estamos vivenciando de verdade (encontros com outras pessoas projetadas, batalhas contra obsessões, palestras, cursos de direção preventiva pelos céus astrais, e outros), do que imaginamos. Quem já esteve projetado conscientemente sabe que sentiu algo tão real e maravilhoso quanto o primeiro beijo, comer pastel de feira e dar risada de uma piada realmente engraçada. O projetor extrafísico, assim como quem está apaixonado, sabe que jamais conseguirá provar para outra pessoa o que sentiu e o que sente. Ele pode até tentar descrever esse amor, esse vôo, mas vai acabar sendo impedido, barrado por um muro de palavras ainda não inventadas.
Saber distinguir a projeção astral de um sonho é fundamental para o entendimento da experiência de saída do corpo, mas tanto um estudo quanto o outro são complementares para entendermos melhor aquilo que pensamos ser e como interagimos com o mundo (físico ou astral) ao nosso redor.
Por isso, meninos e meninas que juram que voam, comecem a usar seus caderninhos ou gravadores de sonho e vocês ficarão surpresos com o que irão descobrir. Contudo, seja na projeção, em sonhos, na realidade física ou em qualquer outro momento, por favor, DISCERNIMENTO!

São Paulo, 24 de junho de 2008.

- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com

- Notas do Texto:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual – autores cristãos.
** Astral – do latim, astrum – estrelado; estelar. Ou seja, o que não é oriundo da Terra, mas dos astros. Daí a expressão clássica usada no Ocultismo: corpo astral (oriundo do plano astral).
 
Texto <862><28/06/2008>

862 - FALANDO DE PAIS E FILHOS NO CÉU DO CORAÇÃO

(Quando a Gaivota Passa o Recado do Grande Espírito)

- Por Wagner Borges -

Pai, eu vi a gaivota voando e me lembrei de você.
E o meu coração se encheu de saudade...
Dos seus braços fortes me segurando no colo.
Dos seus conselhos e de suas esperanças em meu futuro.
Do quanto você teve paciência comigo.

Sabe, quando somos jovens, não sabemos o que um pai sente.
Não valorizamos quem segura nossa barra e nos sustenta.
Com o tempo, também nos tornamos pais, e aí compreendemos.
A experiência transforma o olhar e faz ver além...
Então, lembramos de que um dia fomos filhos.
E a saudade vem de cheio, junto com o agradecimento.

Pai, ontem eu não sabia; hoje eu sei, com todo meu Ser.
Com a chegada dos meus filhos, o vento do amor arejou meu coração.
Assim como arejou seu coração, quando você me recebeu como seu filho.

Fico pensando nas coisas que não são ditas entre pais e filhos.
Coisas que o tempo leva... Coisas que não têm preço.
Lembranças que viajam pelo céu do coração...

Com o passar dos anos, sinto o que antes não sentia.
Amando meus filhos, penso no seu amor por mim.
E se isso é assim, aqui na Terra, imagino um Amor Maior, em tudo.
Um Grande Coração Universal, onde pais e filhos viajam nos sentimentos reais.

Fico imaginando o Poder Maior que nos colocou aqui, como pais e filhos.
E elevo meus pensamentos a Ele, Pai de todos nós, agradecendo o presente.
Sim, agradeço o presente de hoje ser pai, e de um dia ter sido seu filho.

P.S.: Pai, a gaivota passou voando pelo céu do meu coração.
E ela me disse: “O Grande Espírito lhe ordenou escrever algo para os pais e filhos.”
Não questionei, apenas escrevi o que senti, consciente da missão.
Pois sei que há um Poder Maior capaz de interligar invisivelmente as consciências.
Como sei, também, que algumas palavras podem chegar no momento certo para alguém.
Talvez, a corações feridos, que reconsiderem sentimentos e reúnam novamente pais e filhos.
Ou, simplesmente, por entre os planos da vida, pais e filhos se toquem no infinito.
Por obra e graça de um Poder Maior, isso é possível. Como é possível refletir...
Sim, refletir, para recomeçar. Talvez para melhorar pais e filhos, por esse mundão de Deus.
Então, que esses escritos viajem por aí, cumprindo sua função e unindo corações.
Que o vento do amor leve essas palavras a quem de direito, como deve ser...

(Esses escritos são dedicados a Waldemar Borges, meu pai, hoje com 76 anos de “encadernação”, e aos pais e filhos de todos os lugares, capazes de sentir o vento do amor arejando seus corações).

Paz e Luz.

São Paulo, 26 de junho de 2008.

- Nota:
* Enquanto passava a limpo essas linhas, lembrei-me de um trecho da sabedoria do mestre hindu Sry Aurobindo, a quem tanto admiro:
“Se, no Vazio sem significado, a criação surgiu;
Se, de uma força inconsciente, a Matéria nasceu;
Se a Vida pode se erguer na árvore inconsciente,
E o encanto verde penetrar nas folhas esmeraldinas,
E seu sorriso de beleza desabrochar na flor,
E a sensação pode despertar no tecido, no nervo e na célula,
E o Pensamento apossar-se da matéria cinzenta do cérebro,
E a alma espiar de seu esconderijo através da carne,
Como não poderá a luz ignota se lançar sobre o homem,
E poderes desconhecidos emergirem do sono da Natureza?
Mesmo agora, insinuações de verdades luminosas como estrelas,
Erguem-se no esplendor da mente lunar da ignorância;
Mesmo agora, o toque imortal do Amante sentimos,
Se a porta da câmara apenas estiver entreaberta,
O que então pode impedir Deus de furtar-se para dentro,
Ou quem pode proibir seu beijo na Alma adormecida?”

- In Savitri –
(Sry Aurobindo - Aurobindo Ghose - Índia, 1872-1950 - foi um dos maiores mestres da Índia. O seu trabalho tornou-se conhecido como “O Yoga Integral”, porque, como ele dizia, “Toda vida é Yoga!” - Para mais detalhes sobre os seus escritos inspirados, ver o excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti, e o site da Casa Aurobindo no Brasil: http://br.geocities.com/casa_sri_aurobindo/

Texto <862><28/06/2008>

861 - O HOMEM QUE NÃO MORREU

- Por Íris Regina Fernandes Poffo -

Já ouvimos, com certeza, a célebre frase do cientista Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Bem, hoje em dia, nós espiritualistas e eternos aprendizes que somos, podemos entender que estas palavras podem ser interpretadas de inúmeras maneiras, inclusive quando se trata das pessoas e de nossos espíritos imortais.
Muito se fala e se publica sobre isso ultimamente, e é bom que isso ocorra, para que haja o despertar de uma consciência maior na mente das pessoas, no sentido de perder o medo da morte e de demonstrar que, na verdade, ninguém morre, apenas se transforma. Há o exemplo clássico da lagarta que se transforma em borboleta, deixando uma vida rastejante, para alçar vôos mais altos com suas belas e sutis asas coloridas. Este texto é sobre um amigo que não virou borboleta, mas que está aprendendo a voar e ilustra também como vale a pena realizar trabalhos assistenciais.

* * *

Um amigo de profissão, lá da empresa, passou por um delicado processo cirúrgico na coluna vertebral. Há mais de dez anos sofria sérios problemas de locomoção e vivenciava momentos de muita dor. Ele entrou no hospital, certo que teria alta em 72 horas e que voltaria a andar em breve. Porém, teve que se submeter a três intervenções cirúrgicas em sete dias e a cuidados médicos intensivos por vários meses.
A primeira vez que fui visitá-lo no hospital, ele estava na Semi-UTI (unidade de terapia intensiva), ligado a aparelhos que monitoravam o coração e a respiração. Antes de ir, fiz preces e exercícios bioenergéticos (1) para elevar meu padrão espiritual, ligar-me com as equipes de assistência extrafísica, proteger-me de eventuais desequilíbrios emocionais e perdas de energia. Ao chegar, saudei mentalmente as equipes de socorristas astrais que trabalham naquele hospital (2) e reforcei minha proteção visualizando uma cúpula azul-turquesa ao meu redor. Meio sem jeito, cumprimentei sua sobrinha e me aproximei do leito onde ele estava sob o efeito de fortes analgésicos. Sem jeito, porque na época nós não tínhamos vínculos de amizade e porque não sabia se eles aceitariam alguma ajuda diferente.
Fiquei, então, aos pés da cama, em silêncio, desejando seu restabelecimento e questionando mentalmente a Espiritualidade se teria permissão para fazer algum trabalho energético.
A resposta foi imediata! Sua sobrinha me deixou à vontade.
Ele estava agitado, sentindo muita dor, e um dos aparelhos registrava 100 batimentos cardíacos por minuto.
Comecei captando energia da “Mãe-Terra” e projetei-a pelos seus pés em direção à cabeça, por várias vezes. Depois, fiz limpeza e alinhamento dos seus chacras, para re-equilibrar o seu campo energético, o qual estava desordenado, basicamente, por influência dos medicamentos e dos aparelhos usados na cirurgia.
Projetei energias pelas minhas mãos e coração, mentalizando cores diversas à sua coluna vertebral e ao seu sistema nervoso. O batimento cardíaco começou a diminuir.
Quando o aparelho registrou 60 batimentos, ele adormeceu.
Retirei-me, não sem antes agradecer à Espiritualidade e fazer uma boa limpeza energética em mim mesma (3).
No dia seguinte, pelo telefone, ele agradeceu e pediu-me que voltasse em breve a visitá-lo, contando-me que era espiritualista e que havia percebido os passes. Continuamos o auxílio à distância (4), pois ele havia perdido o movimento das pernas e de um dos braços.
Os meses se passaram. Depois de muita perseverança da parte dele, do carinho e paciência dos familiares, das sessões de fisioterapia e dos medicamentos, ele recuperou totalmente os movimentos das pernas, e parcialmente do braço. O bravo guerreiro voltou a trabalhar por um bom tempo, com seu costumeiro bom humor, demonstrando grandes lições de vida.
Um belo domingo, ele não acordou!
Fizemos muitas preces e até hoje continuamos a fazer.
Menos de um ano depois da sua “passagem”, eu estava trabalhando no computador da empresa, junto de um relatório “gigante”, quando percebi que uma folha de papel virou sozinha. Achei que tivesse sido por causa de uma corrente de ar. Voltei a folha, e de novo ela se mexeu. Daí senti a presença dele. Pensei que fosse imaginação, e não assombração (risos)! Parei o que estava fazendo e busquei me elevar em preces. Em pensamento, pedi uma confirmação se era ele ou não. Senti, então, sua mão no meu ombro e ouvi sua voz me chamar de forma como só ele fazia.
Resumindo: ele primeiro me disse que não foi nada fácil perceber “que havia dormido aqui e acordado lá!” Sabia que havia sido escolha sua e, apesar dos pesares, procurou ir aceitando a idéia da mudança de endereço. Disse que estava bem, se recuperando, e pediu que agradecesse a todo pessoal da empresa pelas orações e pelos bons fluidos com os quais ele tinha sido envolvido, afirmando que muito o ajudara. Passou mais alguns recados para os amigos e disse que precisava seguir para fazer outras visitas, e partiu.
Depois de me recuperar deste contato de surpresa, chamei o pessoal do setor e contei o que havia ocorrido, mesmo sabendo que alguns acreditariam, e que outros duvidariam. O curioso foi ouvir que algumas pessoas também haviam sentido a presença dele, de uma forma ou de outra, no mesmo instante. Isto só confirmava a sintonia. Ficamos emocionados e felizes por saber que estava bem!
Este bravo guerreiro foi o porta-voz dele mesmo, para dar a notícia de que ele não morreu, só mudou de endereço vibracional.

São Paulo, 31 de Março de 2005.


- Nota de Wagner Borges: Íris é minha amiga há muitos anos. É espiritualista, coordenadora de um grupo espírita e participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB, no qual colabora desde 1989.
Vem estudando sobre Ecologia, religiosidades, chacras, viagem astral, cristais, meditação, trabalhos terapêuticos e assistência espiritual, entre outros assuntos afins, desde a adolescência.
Freqüentou cursos e conferências organizadas pela Fraternidade Pax Universalis (desde 1988), ajudando a organizar um painel sobre o Planeta Terra no Anhembi.
É participante de um centro espírita no bairro de Santana, São Paulo (desde 1991), onde, além dos trabalhos de assistência (intrafísica e extrafísica), aos encarnados e desencarnados, realiza cursos e palestras.
Na vida profissional, formou-se em Biologia pela Universidade Mackenzie (em 1987), trabalha na CETESB - Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo (desde 1984); fez mestrado em Ciências Ambientais pela USP e atualmente está no doutorado. Paralelamente, é velejadora, mergulhadora (de vez em quando) e primeiro-socorrista. Estuda e participa de trabalhos voluntários sobre Ecologia geral pelo CEACON - Centro de Estudos e Atividades de Conservação da Natureza (desde 1984), e atualmente realiza atividades com crianças da Vila dos Pescadores, na cidade de Cubatão, São Paulo.
Tem se dedicado, particularmente nos últimos anos, a temas relacionados com Ecologia e espiritualidade, com o despertar da consciência ecológica nas pessoas, o que pode ser observado no conteúdo dos textos que escreve (animicamente), ou transcreve mediunicamente.
Outra linha de seus estudos e práticas é o trabalho e a assistência aos "partos astrais" (desencarne, partida final, rompimento do cordão de prata e soltura do espírito para o plano extrafísico) de amigos, familiares e parentes de amigos (pessoas moribundas e recém-desencarnadas), em hospitais e velórios.
Recentemente lançou seu primeiro livro: “O Menino e o Sol”, para crianças de todas as idades, visando aproximar e integrar gente pequena e gente grande sobre Ecologia, bioenergia, e sobre um tema que muitos evitam conversar com as crianças: a morte. Tive a honra de fazer o prefácio do livro.
Mais informações sobre o seu trabalho podem ser conseguidas em sua coluna na revista on line de nosso site – www.ippb.org.br.

- Notas do texto:
1. Preces e exercícios bioenergéticos (respiração, visualização de cores, limpeza de chacras) servem para ajudar a limpar nossa aura e elevar nossos pensamentos ao plano espiritual maior.
2. Hospitais são lugares de pessoas doentes e também de muitos trabalhadores assistenciais. No plano espiritual, concomitante ao hospital intrafísico, há um outro hospital, extrafísico (“hospital astral”), correspondente. Elevando o padrão vibracional, ficamos mais perto de seus amparadores espirituais e podemos servir melhor.
3. Limpeza energética para transmutar as energias densas e negativas presentes no ambiente hospitalar e para não deixar vestígios no meu campo áurico. Abrange: lavar as mãos em água corrente, com sabão; auto-passes e preces de agradecimento por poder ajudar alguém.
4. Todos os dias mentalizava seu quarto cheio de luz e projetava, com carinho e alegria, energias coloridas para seu restabelecimento físico, emocional e espiritual, bem como muita sustentação para seus familiares.
 
Texto <861><24/06/2008>