858 - A UNIÃO COM BRAHMA

(A Sabedoria do Buda)

Tendo dois brâmanes perguntado ao Buda qual o verdadeiro caminho para chegar à união com Brahma, respondeu o Bem-Aventurado:
- Qualquer dentre os brâmanes versados no estudo dos Vedas já viu Brahma face a face?
- Não, responderam os dois brâmanes.
- Mas algum mestre versado no estudo dos Vedas, ou qualquer dos autores dos Vedas, já viu Brahma face a face?
- Não, responderam os dois brâmanes.
- Então, retrucou o Buda, acaso deveriam dizer os brâmanes: "Indicamos o caminho para chegar a uma união com aquilo que não conhecemos, que nunca vimos?" Se tal é a substância da tradição dos brâmanes, bem vã é a sua missão. É exatamente como uma fila de cegos agarrados uns aos outros: o primeiro não vê, o do meio não vê, os últimos não podem ver.
- Imaginai agora, disse ainda o Buda, que um homem chega à margem deste rio e quer atravessá-lo. Julgais que se ele rogasse à outra margem que se aproximasse dele, ela, com efeito, viria por virtude de suas orações? É isso, no entanto, o que fazem os brâmanes. Negligenciam na prática das qualidades que realmente fazem um brâmane, e dizem: "Indra, nós te imploramos; Varuna, nós te imploramos, Brahma, nós te imploramos!" Mas não é possível que só por força dessas invocações possam eles jamais chegar à união com Brahma.
Mas, se um homem penetra sucessivamente os quatro quartéis do mundo com pensamentos de amor; se ele enche o mundo de pensamentos de um amor crescente, incessante e sem medida; se, como a trombeta que se faz ouvir facilmente em todas as direções, não deixa esquecido ente algum, no mundo, que tenha forma e vida, e a todos envolve em sentimentos de amor, de piedade, de simpatia e de serenidade crescente, incessante e sem medida, então, na verdade, esse homem conhecerá o caminho que leva à união com Brahma.

(Extraído do livro "Buda - Aquele que Despertou"; Editora Martin Claret).

Texto <858><13/06/2008>

858 - UMA VIAGEM ESPIRITUAL COM SHIVA, O MAHA-DEVA!

Nas asas da meditação, no centro do olho espiritual, surge uma visão.
É um círculo azulado, circundado por uma aura dourada. No centro do azul, uma estrela de cinco pontas, branco-prateada.
Uma força invisível me atrai para dentro da imagem, como se ela fosse uma passagem espiritual. Atravesso a estrela – verdadeiro portal interplanos – e me vejo por cima da imensidão do Himalaia.
Estou lúcido e sereno, incorpóreo, flutuando por cima da cadeia montanhosa.
Há uma fragrância sutil na atmosfera. Reconheço-a. É cheiro de sândalo.
E o mais incrível: vejo zilhões de partículas brilhantes permeando o ar.
Elas pulsam, enchendo a atmosfera de vida. Reconheço-as. São partículas de prana (1), o sopro vital.
Suspenso no meio dessa massa energética aérea, plena de vitalidade, sinto uma presença portentosa. Então, Ele surge à minha frente, montado num touro branco. 
Sua figura gigantesca se destaca em contraste com o azul do céu.
Por obra de Sua graça sutil, estou na frente do Sr. Shiva (2), o Senhor das energias e das transformações, o mentor dos iogues, o Maha-Deva (3).
De forma que não sei descrever, Ele interpenetra minha mente.
Em frações de segundo, sinto que o universo inteiro pulsa dentro de mim.
Estrelas e seres estão em minha consciência, e eu neles, como uma só consciência, a d’Ele!
Ele sabe tudo sobre mim. Dessa e de outras vidas. Conhece os meus pensamentos e sentimentos mais secretos, desde sempre. No entanto, não sinto que Ele condena ou absolve nada. Ele apenas compreende e me respeita.
Sim, Ele me compreende e nada julga. Ele me respeita, assim como respeita a todos os seres, centelhas vivas d’Ele mesmo.
Com carinho, Ele vibra o tridente (4) que carrega na mão direita. Então, três rajadas luminosas se projetam de suas pontas, para baixo, transformando o meu peito em sol.
E uma faixa de “luz viva” interliga o meu chacra cardíaco (5) ao chacra do topo da cabeça (6).
Na verdade, não sei se essa energia vai do peito para cima, ou de cima para o peito, pois me parece uma coisa só, e os dois chacras (7) também, parceiros da mesma expansão da consciência. Ao mesmo tempo, escuto o seu mantra (8) ecoando por dentro de mim:

Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya...
O amor me inunda e eu me dissolvo na consciência d’Ele, o Maha-Deva, Senhor de todas as transmutações. Entrego-me à luz, completamente, sem barreiras, pronto para qualquer coisa, nas mãos d’Ele.
Ficar ou partir, voltar ao corpo ou mergulhar no turbilhão estelar, descer ou subir, que seja o que Ele decidir.
Nele, com Ele, por Ele, que seja feita Sua vontade, e não a minha!
No centro da luz, Ele ri e me olha de maneira divertida e profunda. Sinto-me como uma criança diante do Seu olhar.
No centro do meu Ser, Ele me passa alguns toques conscienciais preciosos e me fala de trabalhos a realizar e de luzes e sentimentos espirituais a serem compartilhados entre os homens e os espíritos.
Finalmente, Ele me ordena voltar para o corpo, nas ondas do Dharma (9).
Daí, uma força invisível me puxa abruptamente pelas costas e eu caio de volta dentro da estrela. Passo por ela e me vejo encaixado no centro da testa, de volta ao padrão normal de lucidez.
Abro os olhos e me lembro de tudo, e compreendo...
Olho o relógio e vejo que se passaram duas horas desde que fechei os olhos para meditar. Mexo o corpo e fico surpreso, pelo mesmo não estar dolorido ou estalando, depois desse tempo sentado e imóvel. Pelo contrário, os movimentos estão flexíveis e eu quero andar um pouco.
Ainda sinto a fragrância de sândalo no ar e o amor d’Ele em mim.
E a luz segue viajando aqui dentro, mas continuo não sabendo se é do peito para cima, ou se do peito para baixo, pois é uma coisa só, cheia de amor.
Oxalá, um pouco dessa fragrância d’Ele viaje junto com esses escritos, até outros corações sensíveis às coisas do espírito.
Que as energias d’Ele abençoem a todos os leitores, de hoje e de amanhã, encarnados e desencarnados, terrestres e extraterrestres, na Terra e além, como deve ser.

Om Namah Shivaya! (10)

Paz e Luz.

- Wagner Borges -

Jundiaí, 20 de fevereiro de 2008.

- Notas do sânscrito:
1. Prana – sopro vital; força vital; energia.
2. Shiva - na Cosmogonia hinduísta, o Divino é representado por três aspectos fenomênicos: Brahma - O Criador, Vishnu - O Preservador, e Shiva - O Transformador.
Shiva é o senhor de todas as transmutações na natureza, é o senhor das energias e de todo movimento vital. Em muitas representações simbólicas, Ele é representado como o "Nataraja", O Dançarino Divino que faz o universo vibrar e girar em sua eterna dança cósmica. Por isso algumas imagens O mostram dançando dentro de uma roda (o universo).
3. Maha-Deva – maha: grande, vasto, imenso, grandioso – deva: divindade, ser celestial.  Logo, Mahadeva significa "Grande Divindade", "Grande Ser Celestial", "Grande Deus".
4. Tridente de Shiva - dentro do contexto hinduísta, as energias se manifestam no plano fenomênico da existência em três aspectos vibracionais: Rajas (atividade), Tamas (inércia) e Sattva (equilíbrio ou pureza).
O tridente que Shiva carrega, expressa essas três manifestações vitais (cada uma das pontas do tridente é uma das expressões energéticas). Sendo o Senhor das energias, nada mais natural do que Ele "portar nas mãos" o controle de suas manifestações.
Num contexto ainda mais esotérico, as três pontas do tridente também representariam os três nádis (condutos sutis – Ida, Píngala e Sushumna) que correm ao longo da coluna, e que são muito importantes na circulação da energia pelo corpo energético e nos processos de ascensão da Kundalini.
Inclusive, é muito comum vermos imagens de Shiva com diversas cobras najas penduradas pelo seu corpo. Elas representam a sabedoria, da qual Ele está repleto. Também representam a expansão da consciência (consciência cósmica, samadhi) nos processos ascensionais da Kundalini (Shakti).
Aqui, por e-mail, fica difícil explicar esses mecanismos bioenergéticos tão conhecidos dos iogues de todos os tempos e linhas.
Obs.: Alguns fundamentalistas cristãos associaram o tridente de Shiva e as cobras najas (que são apenas simbolismo iogue) à figura do diabo. E aí nem precisa dizer da confusão que eles fazem com isso, oriunda diretamente da falta de informação (ou, em alguns casos, de má intenção mesmo).
5. Chacra
Texto <858><13/06/2008>

857 - PENSE

Pense nas grandes massas, ainda sem o acesso ao esclarecimento espiritual.
Pense em quantas pessoas estão urdindo, agora mesmo, planos maquiavélicos na intenção de outras pessoas.
Pense naqueles que acalentam o ódio no coração e vertem o fel emocional pelo olhar ensandecido de ego.
Pense em quantos estudantes espirituais você já viu se afastarem do caminho por causa de questões ridículas, que nada mais eram do que arroubos de personalismo dos envolvidos.
Pense em quantas vezes você viu pessoas com excelente potencial espiritual desistirem por causa da falta de empenho e dedicação em seu próprio desenvolvimento.
Pense em quantas vezes você viu companheiros emanando farpas psíquicas contra outros colegas de senda espiritual, muitas vezes por questões tolas, que os levaram a projetar formas-pensamento doentias, filhas de seus egos feridos.
Pense em quantas vezes você viu colegas encarnados projetando emoções e energias pesadas na direção de alguém, e agindo piores do que muitos espíritos desencarnados obsessores.
Pense em quantas vezes você viu colegas doutrinando espíritos e pedindo-os para perdoar os adversários, sem que eles mesmos praticassem o perdão que tentavam exigir dos outros.
Pense em quantas vezes você viu estudantes espirituais chorando no cemitério por uma perda que nunca existiu, pois eles sabem que ninguém morre.
Pense em quantas vezes você viu médiuns com medo de espíritos.
Pense em quantas vezes você viu componentes de grupos espirituais faltarem levianamente às reuniões que participavam.
Finalmente, pense em quantas oportunidades foram perdidas ao longo da vida, e quantas chances de crescimento espiritual foram deixadas de lado.
Pense nas pessoas que se arrastam pela vida apenas sobrevivendo, sem pensar, sem sentir, sem poder levantar o véu das coisas espirituais, e sem conseguir sair do atoleiro material ou emocional em que se enfiaram.
Pense nisso tudo, e erga os pensamentos ao Alto, que lhe deu a chance de perceber que há algo a mais do que apenas comer, beber, dormir e copular cegamente pela vida, e agradeça por todas as oportunidades de aprendizado, mesmo aquelas que lhe foram provas difíceis na jornada.
Pense que a vida está passando e a morte não tem hora para chegar (não sabe quanto tempo lhe resta)...
Pense... E agradeça!
 
P.S.:
Logo após eu digitar essas linhas, surgiu um dos espíritos da Companhia do Amor e me ditou o seguinte:
“Quem martela demais a mente, amarrota os pensamentos.
Quem pisa demais nos sentimentos, deixa pegadas de dor por onde vai.
Quem pisa na bola espiritualmente, perde a jogada, e faz gol contra.
Quem pensa e agradece ao Papai do Céu pelo trabalho espiritual que abraçou com Amor e coração, não faz bobagens, pelo contrário, só faz golaços e joga bem nos campos da vida.
Os seus ‘passes’ são luminosos, é craque da vida, e a toda hora dribla o mau humor e enfia a bola por entre as pernas do ego.
Quem não corre do jogo espiritual, nem nega fogo no serviço pelo qual é responsável, é craque de Deus.
E a bola das experiências continua rolando pelos campos da vida...
O craque não pisa nela, e ela gosta dele, pois os seus ‘passes’ são luminosos."
 
(Esses escritos são dedicados aos trabalhadores e estudantes espirituais, de todas as linhas, que batalham sem esmorecer por climas melhores na existência, e que não fogem da senda espiritual por motivo algum, pois sabem que sem isso todo o resto ficaria muito pobre e sem viço.)
 - Wagner Borges - São Paulo, 28 de março de 2004.

Texto <10/06/2008>

857 - MÚSICA E ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

Assim como as ondas sonoras se propagam pelo ar, os pensamentos e sentimentos elevados também se propagam, pelas energias, silenciosamente, e seguem até onde a sabedoria do universo os levar, para quem precisar, incondicionalmente e em qualquer lugar.
As energias são distribuídas equilibradamente, dosadas nas cores específicas para cada caso e distribuídas por generosos benfeitores invisíveis aos sofredores de todos os planos.
Silenciosamente, os seus pensamentos e sentimentos se propagam como energias e irradiam pelo éter sutil, e chegam aos que necessitam do calor vital que emana do coração aceso pela paz.
Essa assistência espiritual é realizada de formas admiráveis, que os sentidos dos homens não percebem - como só o céu sabe fazer. Essa é a maravilha silenciosa que viaja como vibrações serenas, por entre os planos, os orbes e os corações, por onde quer que seja necessária.
Nada acontece que não seja de acordo com a lei universal.
Pensem nas maravilhosas ações nobilitantes, realizadas em conjunto, por vocês mesmos, quando se unem, de coração a coração, luz na luz, quando se abrem portais luminosos, passagens interplanos, que comunicam vibrações.
O céu age de formas admiráveis entre os homens, tornando-os veículos de celestes vibrações*.
Assim como o bom músico toca o seu instrumento habilmente, o Espírito Supremo toca sutilmente as cordas secretas dos corações, fazendo acontecer a música secreta, a maravilha da assistência espiritual.
O Espírito Supremo vai dedilhando as cordas de nossas vidas e, com o tempo, elas vão ficando mais afinadas e, as músicas, mais sutis e mais bonitas.
Cada um que participa da assistência espiritual vai melhorando a afinação de suas próprias cordas, pois, quando ajuda a acertar a música psíquica dos outros, vai melhorando a si mesmo.
Tocando nas cordas dos outros, vocês afinam suas próprias cordas. Isso é lei universal.
Então, que cada reunião espiritual seja sempre uma grande música celeste em cada um de vocês, pelo bem de todos.

Paz e Luz.
Amor e serviço.

- Os Iniciados** –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 05 de julho de 2006).

P.S.: Esses escritos são a transcrição de uma psicofonia***, ocorrida durante um trabalho de irradiação energética com os 100 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB. Ao término do mesmo, um dos amparadores do grupo extrafísico dos Iniciados acoplou mediunicamente comigo e passou esses toques sobre música, sintonia e assistência interconsciencial. 

- Notas:
* Trecho da sabedoria do mestre búlgaro Omraam Mikhael Aivanhov sobre reuniões espirituais: “Porque é tão importante formar coletividades espirituais? Eu lhes darei uma imagem: os engenheiros constroem centrais elétricas muito potentes com as quais podem alimentar de energia regiões inteiras. Pois bem, uma coletividade espiritual é comparável a uma central: ela pode dar energia para projetar a luz muito longe no espaço. De fato, os cérebros humanos são verdadeiras baterias, e basta apenas uni-los e colocá-los em contato com uma idéia divina: as correntes que eles projetam são recebidas por uma quantidade de outros cérebros no mundo, que também decidiram trabalhar pela mesma idéia.
“Vocês oram, meditam e cantam juntos, mas ainda não perceberam as imensas possibilidades que todas essas atividades lhes oferecem para beneficiarem toda a humanidade. É o momento de se tornar consciente e fazer um trabalho para que a luz do Reino de Deus seja recebida pelo maior número possível de cérebros na terra.”
** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.
*** Psicofonia – comunicação mediúnica por intermédio da fala de um médium. Chamada popularmente de incorporação mediúnica.
Obs.: o fenômeno psicofônico (assim como a psicografia, que é a escrita mediúnica) apresenta vários graus de manifestação; desde aquela mais ostensiva, até aquela mais discreta, onde a onda mental do espírito se casa sutilmente com a onda mental do médium, influenciando-o e tornando-o um canal interplanos, para passagem de idéias e energias para o plano denso.
A mediunidade é apenas um evento psíquico, interligando consciências sediadas em planos de manifestação diferentes. Não é algo bom ou ruim. E nem pertence a essa ou àquela doutrina dos homens da Terra.
Se o lance é sadio ou não, isso depende de vários fatores, como a qualidade das idéias veiculadas, a intenção do espírito comunicante e o nível do médium.
Por isso, é sempre necessário filtrar as informações veiculadas, sejam elas anímicas ou mediúnicas. O que interessa é o conteúdo das mesmas. Se elas são sadias e de acordo com o bom senso e a razão, ótimo. Se melhoram a reflexão e a espiritualidade de quem as lê e fazem pensar em horizontes maiores e no presente que é a vida, beleza!
Em caso contrário, se aumentam a arrogância e o radicalismo e não suscitam ponderações conscienciais razoáveis, é melhor rejeitá-las, sejam de quem forem, da Terra ou do plano extrafísico.
É necessário filtrar tudo que se lê. O mesmo é válido para tudo que se vê e ouve. Com o discernimento a toda, sem viajadas na maionese psíquica.
E isso vale para qualquer coisa, inclusive para tudo que está sendo dito aqui.
Para os leitores que desejarem aprofundar mais esses questionamentos aqui postados, é só acessar uma entrevista que dei para a Revista Espiritismo e Ciência no ano de 2004. O título da mesma é “Contatos Com o Mundo dos Espíritos”, e pode ser acessa pelo site do IPPB, no seguinte endereço específico:
https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=3264 
Finalizando esses escritos, lembro-me da sabedoria do grande Léon Denis, um dos maiores pesquisadores de temas parapsíquicos de todos os tempos. Deixo na seqüência uma advertência dele, que poderá ser muito útil para reflexões dos estudantes espirituais:
“Deve todo adepto saber que a regra por excelência das relações com o invisível é a lei das afinidades e atrações. Nesse domínio, quem procura baixos objetivos os encontra, e com eles se rebaixa; aquele que aspira às remontadas culminâncias, cedo ou tarde as atinge e delas faz pedestal para novas ascensões.
“Se desejais manifestações de ordem elevada, fazei esforços por elevar-vos a vós mesmos. O bom êxito da experimentação, no que ela tem de belo e grandioso – a comunhão com o mundo superior – não o obtém o mais sábio, mas o mais digno, o melhor, aquele que tem mais paciência, consciência e moralidade.”
(Trecho extraído do livro “No Invisível” - de Léon Denis – publicado pela Federação Espírita Brasileira - FEB).

Texto <857><10/06/2008>

856 - O JOVEM E AS DROGAS

- Por Victor Rebelo –
(Editor-Chefe da Revista Cristã de Espiritismo)

Anos atrás, quando eu era mais jovem, costumava ir a um bar noturno para ouvir o pessoal tocar blues e rock. Fiz amizade com os músicos e comecei aprender a tocar gaita e cantar blues. Foi uma forma de diversão e expressão artística que vivenciei por poucos meses, mas com bastante intensidade durante essa época da minha vida. Quase todas as noites, de tanto tentar cantar e tocar blues, ao fechar os olhos, deitado em minha cama, começava a escutar melodias maravilhosas. Foi uma época legal, de muita criatividade, mas também de alguns desequilíbrios. Infelizmente, naquele ambiente, o excesso de emanações alcoólicas, de fumaça de cigarro, além da presença, nos “bastidores”, de certas drogas, demonstrava que a atmosfera psico-espiritual era bastante perturbadora. Isso não significa que o rock, o blues ou o barzinho, tão freqüentado por jovens, sejam sinônimos de desequilíbrio. Mas naquele caso, era.
Certa noite, já de madrugada, me vi projetado fora do corpo* na porta do bar e logo percebi o que estava ocorrendo. Próximo à entrada havia um grupo de espíritos, alguns desencarnados e outros temporariamente projetados fora do corpo, como eu. Fui me aproximando e, então, vi um espírito, com a aparência de uns vinte e cinco anos, que me chamou a atenção. Ele tinha barba e óculos.
Talvez inspirado por algum dos meus amparadores espirituais**, cheguei perto dele.
Quando ele me viu, fui logo reclamando:
- Você é um espírito obsessor!*** Está me perturbando!
Ele continuou na dele, sem dizer nada, apenas me encarando. Então continuei:
- Por que você faz isso? Por que está fazendo a turma beber até “encher a cara”?
Para meu espanto, ele me respondeu com a maior naturalidade:
- Pare de ser hipócrita! Não sou eu que faço o pessoal beber e fumar! Eles bebem e fumam porque querem, eu apenas “curto” junto... dou uma forcinha!
Foi aí que “caiu a ficha” e percebi o quanto eu estava sendo infantil. É claro que todos somos responsáveis pelos nossos atos, não podemos responsabilizar os outros por isso. Temos que parar com esse “papo” de espírito obsessor. Então perguntei:
- E como você faz isso?
- É simples! Quando alguém fuma, por exemplo, chego bem pertinho da pessoa, quase abraçando-a, e aspiro a fumaça ao mesmo tempo.
Enquanto explicava, foi demonstrando. A impressão que tive, quando ele aspirou a fumaça, é que o perispírito**** dele se justapôs ao de um jovem que tragava um cigarro naquele momento, quase que “colando” nele.
Após esta curta conversa, voltei ao corpo físico e despertei. Rememorei bem o que ocorreu para não esquecer mais e, após uma prece de agradecimento pela lição recebida, adormeci.
Dias após este fato, parei de freqüentar este bar. Ele mudou muito, não está como antes, mas a lição que aprendi me marcou profundamente.
Quantas vezes, numa atitude imatura, culpamos os outros pelos nossos fracassos? Quantos de nós não criamos obsessores imaginários para os responsabilizarmos por nossos vícios?
Quando se fala em obsessor, logo vem à mente a imagem de um ser diabólico, malvado. Aquele espírito, que não era exatamente um obsessor, mas um co-participante dos desequilíbrios alheios, era muito inteligente e culto. Um artista e intelectual, só que desencarnado.
Precisamos nos libertar dos preconceitos e perceber que um espírito só pode nos induzir com sucesso a fazermos algo se dermos abertura mental, ou seja, se o “mal” já existe dentro de nós. Só assim amadureceremos e assumiremos a direção do barco da nossa vida, não permitindo que ele se afunde nos momentos de tempestade.

(Texto publicado na Revista Cristã de Espiritismo – Número 56 – abril de 2008 - editada pela Vivência Editorial e publicada pela Editora Minuano.)     


Notas:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo. Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
** Amparadores espirituais – entidades extrafísicas e positivas que ajudam o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentores extrafísicos; mestres extrafísicos; companheiros espirituais; protetores astrais; auxiliares invisíveis; guardiões astrais; guias espirituais; benfeitores espirituais.
*** Obsessor – entidade extrafísica negativa.
**** Perispírito – Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França - veículo de manifestação pelo qual a consciência se manifesta no plano extrafísico.
Sinonímias: - Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
- Corpo astral - do Latim "Astrum": "Estrelado" - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
 - Psicossoma – do Grego: "Psique": "Alma"; e "Soma": "Corpo" - significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, que atualmente é mais usada pelos estudantes de Projeciologia).
- Corpo de luz - Ocultismo.

Texto <856><07/06/2008>