850 - O PRESENTE DA PRESENÇA

- Por Wagner Borges –

Eterna Presença*,
Recebo, com gratidão, este dia, com sua luz e seu aprendizado.
Nos tempos antigos, eu não sabia reconhecer o dom da vida.
Mas aprendi a valorizar o presente.
Aprendi que cada dia é um novo recomeço.
Cada dia tem sua lição e seu propósito.
Para cada aurora, uma nova canção.
Para cada crepúsculo, uma nova reflexão.
Para cada noite, o repouso e a renovação das forças.
E mais: em cada noite, no sono do corpo, uma viagem da alma...
Para além dos sentidos, outros mundos, sutis...
Neles, outros amigos e outras grandezas.
E eu a agradeço, terna Presença, por todos esses presentes.
Pelas pessoas queridas e pelos amigos verdadeiros, presentes de cada dia.
Com gratidão, recebo este dia como mais um presente.
Por tudo que amo.
Pelos seres queridos.
Pelos amigos.
Pelos avós e pais.
Pelos filhos.
Pela vida.
Que este dia, com suas lições e chamados, seja auspicioso!
Eterna (e terna) Presença, valeu!

P.S.: Escrevi essas linhas maravilhado com o lindo sábado ensolarado da capital paulista, enquanto preparava o material para dois eventos que seriam realizados na parte da tarde na cidade: primeiro, uma palestra sobre as experiências fora do corpo, para cerca de 250 pessoas, no encontro do programa de TV Dimensões – no bairro do Ibirapuera -, apresentado pela minha amiga Rosana Beni. E, depois, um curso sobre chacras e mantras, no fim da tarde, no IPPB – no Bairro do Ipiranga -, para outra turma, com 70 pessoas.
Agradecido ao Alto pela oportunidade de levar esclarecimentos espirituais às pessoas e contente pelo lindo dia, escrevi essas linhas de coração, encantado com a bênção da vida.

Paz e Luz**.

São Paulo, 26 de abril de 2008.

- Notas:
* A Presença – metáfora celta para o Todo que está em tudo.
Quando os antigos iniciados celtas admiravam os momentos mágicos do alvorecer e do crepúsculo, costumavam dizer: "Isso é um assombro!"
E assim era para todas as coisas consideradas como manifestações grandiosas da Natureza e do ser humano.
Ver o brilho dos olhos da pessoa amada, a beleza plácida da lua, a alegria do sorriso do filho, ou o desabrochar de uma flor eram eventos maravilhosos.
Então, eles ousavam escutar os espíritos das brumas, que lhes ensinaram a valorizar o Dom da vida e a perceber a pulsação de uma PRESENÇA em tudo.
A partir daí, eles passaram a referir-se ao TODO QUE ESTÁ EM TUDO como a PRESENÇA que anima a Natureza e os seres.
Se a luz da vida era um assombro de grandiosidade, maior ainda era a maravilha da PRESENÇA que gerava essa grandiosidade.
Perceber essa PRESENÇA em tudo era um assombro!
E saber que o sol, a lua, o ser amado, os filhos, as flores e a Natureza eram expressões maravilhosas dessa totalidade, levava os iniciados daquele contexto antigo da Europa a dizerem: "Que assombro!"
Hoje, inspirado pelos amigos invisíveis celtas, deixo registrado aqui nesses escritos o "terno assombro" que sinto ao meditar na PRESENÇA que está em tudo.
E lembro-me dos ensinamentos herméticos inspirados no sábio estelar Hermes Trismegisto, que dizia no antigo Egito: "O TODO está em tudo! O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração."
O TODO ou A PRESENÇA, tanto faz o nome que se dê.
O que importa mesmo é a grandiosidade de se meditar nisso; essa mesma grandiosidade de pensar nos zilhões de sóis e nas miríades de seres espalhados pela vastidão interdimensional do Multiverso, e de se maravilhar ao se perceber como uma pequena partícula energética consciente e integrante dessa totalidade, e poder dizer de coração: "Caramba, que assombro!"
** Enquanto preparava o envio desse texto, lembrei-me de um texto antigo, onde ousei escrever uma carta para o Buda. Talvez sua leitura possa contribuir com alguma atmosfera boa para os leitores. Sim, talvez possa suscitar reflexões melhores, além daquelas propagadas pela mídia sobre as tragédias e violências que teimam em espetar o vazio existencial da humanidade.

CARTA AO BUDA

- Por Wagner Borges -

Buda, meu amigo!
Há 2500 anos que você observa pacientemente esse jogo de viver dos homens da Terra.
Sua compaixão é infinita e seu trabalho sutil não é percebido pela agitação do mundo.
Você é só amor! Contudo, não consigo percebê-lo nos rituais religiosos e nos homens vestidos com roupas alaranjadas que dizem falar em seu nome.
Sabe onde eu acho que você está? No coração das pessoas aflitas que estão submetidos à roda de samsara* e aos tormentos de Maya**.
Estão adorando-o em um paraíso budista, mas acho que você está bem no meio das trevas do mundo, operando sutilmente a favor dos desvalidos de todos os lugares e religiões.
Há muitos caras entoando mantras verbalmente e evocando-o em meio à bruma dos incensos. Mas, você é só silêncio e clareza.
Cara, você é um oceano de compaixão!
Por aqui, nessa zona urbana, têm caras despejando balas dentro da firma, no cinema e na lanchonete. Ah, também têm milhões de pessoas passando fome e um monte de guerras acontecendo em várias regiões. Fora um monte de religiosos gritando nos templos e nas ruas que a religião deles é melhor do que a dos outros.
Sabe, eu poderia estar aqui revoltado e dizendo que esse mundo não presta e que a humanidade não tem salvação. Também poderia estar aqui me achando um escolhido espiritual e esperando algum poder superior ou extraterrestre resgatar-me para longe dessa zona toda. Poderia estar levando minha covardia e o meu imenso ego para outro planeta. Porém, sozinho aqui no meio da madrugada, só consigo lembrar-me de você e de sua serenidade. Sinto sua compaixão envolvendo a alma do mundo.
Os homens gritam isso ou aquilo, cada um com suas ilusões e seus egos entupidos de arrogância e egoísmo.

Todos acham que estão absolutamente certos, mesmo navegando pelos mares da relatividade.
No entanto, você trabalha quieto, meu amigo. Silenciosa serenidade e imenso amor em resposta à dor do mundo.
Eu poderia reclamar disso ou daquilo, mas, aí lembro-me de você e meu coração fica cheio de compaixão. Ele entrega-se totalmente a você e sinto-me desarmado de qualquer pensamento medíocre.
Cara, escrevendo essas linhas e ligado em sua sintonia invisível, percebo minha aura toda dourada e uma onda de luz pacífica aqui no meu ambiente.
Olho pela janela da sala e vejo vários prédios. Em todos eles, está essa luz pacífica.
Por que será que os homens não percebem essa luz silenciosa cheia de bálsamos invisíveis?
À primeira vista, parece que eles padecem de uma profunda cegueira consciencial. Mas, acho que é porque o coração deles está fechado. É por causa disso que suas mentes estão sempre cheias de confusão.
Você os conhece bem melhor do que eu. Acompanha a trajetória dessa humanidade há muito tempo, não é mesmo? E mesmo assim, ainda insiste nessas ondas de compaixão a favor deles.
Meu amigo, nasci e cresci no Rio. Hoje, moro em São Paulo. Ou seja, sempre vivi em grandes centros urbanos e em meio ao caos e violência das cidades.
Muitos de meus amigos tombaram sob a ação de drogas e outros foram atropelados pela violência. E além disso, também vi muitos companheiros de ideais espiritualistas serem apanhados nas redes da arrogância. Outros, revoltaram-se contra a própria Espiritualidade e entregaram-se covardemente ao vazio consciencial de só comer, beber, dormir e copular até morrer, sem pensar em qualquer coisa a mais do que sua vida egoísta. Outros, ainda, passaram para o lado das trevas conscienciais e trabalham contra a própria humanidade.
Eu poderia estar revoltado e chorando as perdas de pessoas queridas. Mas, sei que elas não morrem nunca! Daí, lembro-me de você e meus olhos ficam dourados. O coração entrega-se incondicionalmente e lágrimas douradas rolam pelo meu rosto.
Cara, são lágrimas de compaixão, não de revolta ou de dor. Elas são filhas do seu silêncio e não estão carregadas de emocionalismo barato. Elas estão cheias de amor.
Aqui e agora, sou médium desse seu silêncio amoroso e sinto que essas lágrimas de luz lavam o mundo.
Certa vez, um amparador extrafísico disse-me que o silêncio canta e encanta. Agora entendo isso perfeitamente. Não era do silêncio dessa dimensão que ele falava. Era sobre o silêncio da serenidade que ama sem alarde, sem dramas, sem chantagens, sem reconhecimento, sem patologias psíquicas arraigadas e sem medo.
Meu amigo, seu silêncio encantou meu coração. Sua canção pacífica possuiu-me por completo. Meu coração é seu!
Sei que essas linhas escritas são médiuns e transmitirão mundo afora seu abraço silencioso.
Meu amigo, você é pura compaixão, nem oriental ou ocidental, apenas compaixão incondicional.
Sua simplicidade nada tem a ver com o formalismo e a política das doutrinas fundadas em seu nome. Seu templo é o mundo e tudo o que está vivo é seu irmão.
Sua ação é sem ego e que motivo o seu amor incondicional precisaria para amar?
Olhe, não sei se sou o cara mais adequado para falar de você. Não sigo nenhuma religião estabelecida e não gosto de limitar meu raciocínio a nenhuma linha em particular, embora procure aprender o melhor de cada uma livremente.
Acho Jesus, Krishna e você um arraso!
Como não faço nenhum campeonato de mestres para ver quem é o melhor e nem fico gritando a favor de doutrina alguma, reservo-me o direito de achar que vocês três são maravilhosos.
Estou escrevendo essa carta agora, mas sei que você já a tinha lido bem antes, no lótus do meu coração espiritual.
Bilhões de seres humanos sofrendo dores atrozes, do corpo e da alma, e uma onda silenciosa invadindo a tudo...
Bilhões de seres nascendo, vivendo, morrendo, vivendo, renascendo, trancendendo e vivendo... e uma profunda compaixão trabalhando nos bastidores invisíveis...
Confusão e violência grassando no mundo... e lágrimas de luz lavando bilhões de corações sutilmente...
Tiros, bombas, traições, aflições, dores... e um oceano de serenidade banhando corações trancados.
Cara, as pessoas não acreditarão que eu escrevi essa carta para você e que foi o seu abraço silencioso que me fez escrevê-la. Elas estarão preocupadas se o texto é budista, espiritualista, universalista ou algum outro rótulo que elas arranjem para classificar a espiritualidade alheia. Elas ficarão questionando se essas linhas foram escritas por inspiração, canalização ou por intermédio de algum mecanismo anímico ou mediúnico. Quantas perceberão a mensagem de amor incondicional inserida nessas linhas? Quantas perceberão que o amor não tem rótulo e nem doutrina? Quantas sentirão seu abraço invisível? Quantas perceberão o SERENÃO que você é? Quantas delas perceberão você, Jesus, Krishna e outros luminares abraçando o mundo em silêncio operante?
Durante esses escritos chamei-o de cara e de meu amigo. Talvez algum budista mais ortodoxo fique bravo comigo por isso. Mas, você é o Buda, o Iluminado. E abraçou-me como irmão e amigo. Não notei nenhum ego nisso, só simplicidade e fraternismo consciente. Como eu poderia tratá-lo sem intimidade depois que você possuiu meu coração e encheu meus olhos de lágrimas douradas de fraternidade?
Ao final desses escritos, só posso dizer-lhe com o coração alegre:
MUITO OBRIGADO, QUERIDO!

(Texto extraído do livro "Falando de Espiritualidade" – Wagner Borges – Editora Pensamento – 2002).

- Notas:
* Roda de Samsara - do sânscrito - roda reencarnatória compulsória.
** Maya - do sânscrito - ilusão.

Texto <850><13/05/2008>

849 - OITO PÉROLAS DO ENSINAMENTO DE SHANKARA

1. O Atman (1) é autoluminoso, porque não necessita de sol e nem de luz nenhuma. Sua luminosidade é o conhecimento e manifesta-se igualmente através de todos os objetos. Sua luz não é o oposto da escuridão. Porém, até mesmo o sol, como todos os corpos incandescentes, depende de certas combinações para iluminar-se, e, ainda que combata a escuridão, nunca chega a eliminá-la por completo.

2. É estranho que um indivíduo, sabendo muito bem que seu corpo lhe pertence como qualquer móvel, siga condicionado com a idéia de que é o corpo.

3. Sou, em verdade, Brahman (2), sendo equânime e imperturbável. Minha natureza é existência, conhecimento e bem-aventurança – Sat-Chit-Ananda (3). Não sou o corpo, em nenhuma forma, seja densa, sutil ou causal. A isso os sábios chamam o verdadeiro conhecimento.

4. O fogo do conhecimento, que foi aceso pelo discernimento, queima, até a raiz, os efeitos de avidya (4).

5. Para aquele que foi mordido pela serpente da ignorância, o único remédio é o conhecimento de Brahman. De que podem lhe servir os Vedas, os mantras (5), as escrituras ou outros remédios?

6. Um ator pode vestir-se especialmente para uma representação, mas é sempre a mesma pessoa por baixo da roupa. Da mesma maneira, o perfeito conhecedor de Brahman sempre é Brahman, e nada mais.

7. A renúncia externa não tem muita eficácia. Abdicar do corpo ou do bastão e do pote de água, que são as insígnias de um monge, não significa liberação (moksha). Esta consiste na dissolução do nó do coração, a ignorância primária.

8. Se uma folha cai num rio ou numa encruzilhada, ou até mesmo num lugar santificado por Shiva, que bem ou mal pode causar à árvore? A destruição do corpo é como a queda da folha, flor ou fruto. Não afeta em nada o atman, que é nossa verdadeira natureza. Este sobrevive, como a árvore.

- Shankara (6) -

- Notas do sânscrito (por Wagner Borges):
1. Atman - o espírito; o ser imperecível; a centelha vital do divino; a essência espiritual.
2. Brahman - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
3. Sat-Chit-Ananda - Sat: "O Ser" - Chit: "Consciência" - Ananda: "Bem-Aventurança".
É um mantra muito utilizado pelos iogues. Significa que o atman (essência divina, espírito) está consciente e tem a nítida percepção cósmica de que está completamente permeado pela onipresença de Brahman no centro do coração espiritual.
4. Avydia – ignorância.
5. Mantra – palavra oriunda de Manas: Mente; e Tra: Controle. – Literalmente, significa "Controle da mente".
Determinadas palavras evocam uma atmosfera superior que facilita a concentração da mente e a entrada em estados alterados de consciência. Os mantras são palavras dotadas de particular vibração espiritual, sintonizadas com padrões vibracionais elevados. São análogos às palavras-senhas iniciáticas que ligam os iniciados aos planos superiores.
Pode-se dizer que os mantras são as palavras de poder evocativas de energias superiores. Como as palavras são apenas a exteriorização dos pensamentos revestidos de ondas sonoras, pode-se dizer também que os mantras são expressões da própria mente sintonizada em outros planos de manifestação.
6. Shankara: sábio hindu do século 9 d.C. - Autor de um livro clássico do Hinduísmo: "Viveka Chuda Mani". Também é um dos epítetos do deus Shiva, um dos aspectos da trimurti hinduísta: Brahma – O Criador; Vishnu – O Preservador; e Shiva – O Transformador.
Logo, Shankara é considerado como um dos avatares de Shiva.
Obs.: A tradução literal de Shankara é "Aquele que dispensa bênçãos" – "dispensador de bênçãos"; ou seja, Shiva e, por extensão, os seus avatares.

Texto <849><09/05/2008>

849 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NO COLO DO RABI

(Depoimento Espiritual de um Anônimo Servidor Espiritual de Jesus)

Ele veio descendo pelo céu cinzento e pesado.
Parecia uma bola de luz varando as nuvens e riscando luminosamente o firmamento escuro.
Quando desceu até o tugúrio, onde eu me encontrava, vi que era um homem dentro daquela luz.
Ele se aproximou sorrindo e eu pude vê-lo de frente.
Sua figura era imponente, como a dos grandes reis, mas, ao mesmo tempo, era simples.
Os seus cabelos balançavam ao vento e sua barba brilhava como ouro.
No entanto, o que mais me impressionou foi a doçura do seu olhar.
Pelos seus grandes olhos castanhos – da cor do mel – irradiava um amor que não sei explicar.
Impressionado, caí de joelhos em frente a Ele e baixei os olhos, com vergonha de que minhas mazelas de dentro fossem vistas.
Então, Ele me disse: "Ergue-te e não temas mais. É hora de tua liberdade!"
Porém, eu não conseguia me erguer, tal era o meu grau de estupefação diante do olhar d'Ele.
Além disso, eu tremia igual vara verde ao sabor do vento, pois, em meio à magnitude do que eu sentia em meu coração, também havia um grande medo de Ele ver a escuridão que habitava em mim.
Eu tremia com as emoções desencontradas.
E Ele, em sua generosidade, chegou mais perto e me pegou no colo, como se eu fosse seu filho pequeno. Tímido, atrevi-me a perguntar-lhe: "O Senhor é o filho de Deus?"
Ele abriu um largo sorriso e me disse: "Sim, eu sou o filho de Deus, e tu também! E todos os seres... Já é passada a hora do teu retorno ao lar. Vem comigo, pois há amigos queridos te esperando para o grande recomeço. Amigo, o teu céu não será mais cinzento. Eu te levarei para a casa do Pai Celestial, onde há muitas moradas."
E Ele me levou, sem nada perguntar. E, em nenhum instante eu notei qualquer julgamento da parte dele. O que senti foi o seu amor incondicional.
Ele, o amigo dos homens, que me carregou no colo, como seu filho, de volta para casa.
Ele, dos grandes olhos cor de mel e do sorriso generoso.
Ele, Jesus, o Rei dos reis!

(Texto recebido espiritualmente por Wagner Borges - Jundiaí, 22 de abril de 2008).

P.S.:
Esses escritos são a transcrição do que um espírito me relatou sobre o momento do seu resgate espiritual do plano astral denso, há muito tempo. Desde então, ele se ligou às vibrações espirituais de Jesus e passou a integrar um grupo de mentores extrafísicos que presta ajuda nessas regiões trevosas do astral inferior (umbral espiritual).
O seu relato é emocionante e me passou uma energia muito boa. E, agora, ao repassá-lo, espero que essa energia legal viaje junto com esses escritos, para outros corações, por esse mundão de Deus...
Esclareço, ainda, que não sou cristão nem sigo nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra.
O fato de repassar informações espirituais em aberto (seja pelas saídas do corpo ou pela mediunidade desenvolvida), não me torna ligado a movimento algum da Terra. Só demonstra a ligação com o plano espiritual, origem comum de todos.
E me sinto muito grato ao Alto por estar realizando esse trabalho de forma livre, sem ser mestre de nada e nem guru de ninguém, sendo apenas eu mesmo, ser humano com qualidades e defeitos, com o coração alegre e muito brilho nos olhos e na vida.

- Nota:
* Rabi – mestre.

Texto <849><09/05/2008>

848 - VIAGEM AO ESPAÇO INTERIOR

- Por Darshan Singh* -

Desde tempos imemoriais, os santos e os profetas nos estão dizendo que, assim como temos mundos e universos externos, também temos mundos e universos internos. Falam-nos das viagens por estes mundos interiores, e as escrituras de todas as grandes religiões fazem referências a essas viagens místicas, cujo propósito ultérrimo é a comunhão da alma com o seu Criador.
É um fato que esta verdade é a alma das tradições esotéricas e religiosas, que nos têm chegado desde os tempos mais remotos. Essas tradições não só afirmam que o homem é uma entidade espiritual, uma entidade que sobrevive à morte física, senão que essa entidade ou alma pode elevar-se sobre o corpo - ainda enquanto vivo - e penetrar à vontade nos reinos existentes mais além deste mundo físico. Pode ser que para a Ciência a viagem ao espaço externo seja uma nova concepção, porém a viagem ao espaço interior tem sido parte integral do misticismo desde o alvorecer da história.

- Nota:
* Darshan Singh (1921-) é mestre iogue do Surat Shabda Yoga (Índia). Este texto é uma ótima síntese sobre a importância da projeção consciente e foi extraído do opúsculo "O Desafio do Espaço Interior".

Texto <848><29/04/2008>

848 - AMPARADORES EXTRAFÍSICOS II

- Por Wagner Borges -

Em relação aos amparadores extrafísicos (1), as pessoas assumem as posturas mais variadas: há aquelas que são fanáticas por "guias espirituais" e não são capazes de fazer algo sozinhas. Se não sentem a presença do amigo extrafísico junto de si, perdem a confiança e se desestruturam perante as tarefas espirituais que lhes foram confiadas.
Essas pessoas se esquecem de dois fatores importantes:
1. O amparador tem o corpo espiritual bem sutil e, por isso, embora esteja presente no ambiente, sua presença pode ser imperceptível para o encarnado.
2. Assim como o amparador é um espírito, a pessoa encarnada também é, e traz dentro de si um potencial anímico e espiritual maravilhoso.
Por outro lado, há pessoas que não admitem a influência de seres extrafísicos em suas atividades. Abominam o auxílio extrafísico e renegam qualquer contato espiritual. Esquecem-se de que na atividade espiritual não há "trabalho solo", pois o próprio termo "espiritual" é derivado de espírito.
Baseado na experiência de muitos anos no estudo da projeção consciente, bem como da mediunidade e das várias capacidades parapsíquicas do ser humano, posso afirmar ao amigo leitor o seguinte: "NÃO HÁ TRABALHO SOLITÁRIO NA CAMINHADA ESPIRITUAL, POIS OS ESPÍRITOS ESTÃO PRESENTES EM TODAS AS ATIVIDADES HUMANAS, PRINCIPALMENTE AS QUE TENHAM CONOTAÇÃO ESPIRITUAL!"
Se os objetivos da pessoa são sadios, os amparadores se farão presentes, tentando ajudá-la invisivelmente de alguma maneira. Porém, se seus objetivos são de baixo nível, os obsessores extrafísicos estarão em seu encalço, atraídos pelas energias densas de seus anseios inferiores.
Muitas pessoas pensam que a influência dos amparadores espirituais é maior nos fenômenos mediúnicos. No entanto, isso não corresponde à realidade. A influência deles é muito maior nas experiências fora do corpo. Isso pode ser explicado da seguinte maneira: a mediunidade é um fenômeno intracorpóreo (2), onde o ser extrafísico se manifesta do plano extrafísico para o plano físico, por intermédio de uma pessoa encarnada sensível à sua influência – ou seja, um médium (3).
A projeção da consciência é um fenômeno extracorpóreo (4), onde o espírito encarnado se projeta para fora do seu corpo físico, isto é, manifesta-se extracorporeamente do plano físico para o plano extrafísico.
Obviamente que isso evidencia o seguinte: os espíritos vivem no plano extrafísico (onde o projetor se manifesta), pois é seu habitat; é onde se manifestam após o descarte (morte, desencarnação) do seu corpo denso. Pois é justamente aí que o projetor consciente vai se manifestar durante o sono de seu corpo físico, isto é, no meio dos espíritos!
Mesmo que o projetor não os perceba, devido às suas energias demasiado sutis, eles estão lá, observando e conduzindo-o sutilmente. Praticamente não há "projeção solo", já que de planos sutis os amparadores estarão monitorando o projetor por onde quer que ele se manifeste.
Baseado nisso, muita gente pode achar que ao sair do corpo vai dar de frente com uma multidão de espíritos. Contudo, a realidade não é essa. Se a projeção ocorre no meio-ambiente terrestre, a possibilidade do projetor se encontrar com espíritos é muito relativa. Por exemplo, se o projetor se encontra projetado na rua em que mora, durante a madrugada, é bem provável que não veja ninguém na rua, seja encarnado ou desencarnado. Obviamente que isso não é regra geral, pois a projeção varia de projetor para projetor e de experiência em experiência. Mas, na maioria das vezes é assim que acontece.
Se o projetor se encontra projetado em algum ambiente onde haja aglomeração de pessoas, é muito provável que veja junto a elas várias entidades extrafísicas.
Se são amparadores ou obsessores, isso depende da situação, do ambiente, das pessoas e das energias ali presentes. Naturalmente que até isto é também relativo. Mas, qualquer projetor veterano ou qualquer clarividente ou médium experiente sabe, por experiência própria, que onde há pessoas, há espíritos.
Se o projetor se encontra projetado no plano extrafísico, é praticamente certo que veja ou sinta a presença de seres espirituais.
Se estiver no plano extrafísico atrasado, verá espíritos sofredores, de aspecto grosseiro e desagradável. Por outro lado, se estiver projetado em ambientes extrafísicos sutis, verá espíritos luminosos, amparadores de consciência, que lhe trarão conhecimentos e energias maravilhosas.
Os aspirantes a projetores conscientes devem ter em mente o seguinte: há uma grande diferença entre trabalhar "SOB OS AMPARADORES" (isto é, calçado na competência deles e não na própria), e trabalhar "COM OS AMPARADORES" (isto é, buscando a autonomia espiritual, mas trabalhando em equipe com eles, funcionando em conjunto na direção de objetivos sadios).

* * *

RECADO AO PROJETOR EXTRAFÍSICO E ESTUDANTE SADIO DO TEMA:

Tendo tudo isto em vista e visando uma melhor integração espiritual com os amparadores, pois eles podem ajudá-lo, não só no desenvolvimento de suas experiências extracorpóreas, mas também em seu crescimento humano e espiritual como um todo, observe três posturas suas em relação ao trabalho com eles (5):

1. HUMILDADE: não seja um projetor rebelde como vários projetores que conheço. Os amparadores nunca irão lhe sugerir alguma ação extrafísica que não esteja baseada no bom senso e na Cosmoética. Siga sua intuição, pois ela é o principal canal por onde eles lhe enviarão as instruções. Em outras vezes, eles se comunicarão pela telepatia. Em muitas ocasiões, você se sentirá conduzido sutilmente até ambientes e situações (físicas ou extrafísicas) programadas por eles.
Lembre-se: não seja dependente deles, busque sua autonomia espiritual. Você não é um garoto de recados espiritual ou uma "marionete espiritual" manipulado por seres invisíveis e inatingíveis. Porém, ser autônomo não significa ser rebelde e insensato.
Em se tratando de projeção consciente, os amparadores são os "craques do assunto". Por isso, seja modesto e preste muita atenção em seus ensinamentos. No momento eles vivem livres das travas de um corpo denso e por isso têm uma percepção mais abrangente das situações do que quem está encarnado. Eles têm visão larga em todos os sentidos e podem orientá-lo sempre para o melhor (6).

2. RESPEITO: tenha grande respeito por esses espíritos que sutilmente lhe ajudam. Eles merecem, pois se deslocam dos maravilhosos ambientes sutis do plano extrafísico para o denso ambiente terrestre com a finalidade de lhe ajudar a crescer.

3. CONSIDERAÇÃO: não crie mitos na sua relação com os amparadores. Eles não são anjos, semideuses ou potestades cósmicas. São somente seus amigos fiéis, companheiros de jornadas astrais (e também físicas). Estão sempre buscando o melhor para seu crescimento consciencial. Tanto que, em algumas projeções, eles lhe chamarão a atenção para suas falhas, da mesma forma que um professor admoesta seu aluno (7). Podem ser chamados apropriadamente de "professores da consciência". Tenha a maior consideração por eles: são seus reais guias de Viagem Espiritual.

Paz e Luz.

(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual Vol. II – Wagner Borges – Editora Universalista – 1995).

- Notas:
1. Os amparadores extrafísicos são os espíritos desencarnados, amigos do projetor, que o ajudam na projeção. São os chamados guias espirituais, benfeitores espirituais, protetores astrais, guardiões extrafísicos, mentores espirituais, mestres extrafísicos etc.
Durante toda a projeção, os amparadores estão presentes, assistindo e orientando o projetor, mesmo que ele não os perceba. Na maioria das vezes, eles ficam invisíveis e intangíveis ao projetor. A projeção em que o amparador ajuda o projetor a sair do corpo é denominada de "projeção assistida".
2. Intracorpóreo - de fora do corpo para dentro da sua aura (extrafísico/físico).
3. Médium – do latim – intermediário; agente interplanos.
4. Extracorpóreo - de dentro do corpo para fora de seu perímetro energético (físico/extrafísico).
5. Isso também é válido para os trabalhadores espiritualistas de uma maneira geral.
6. Favor não confundir humildade com servilismo ou falta de personalidade ou de opinião. Sob o rótulo de humildade, encontramos muitas vezes exemplos de demagogia religiosa ou política. A humildade a que me refiro é o somatório de simplicidade e modéstia, isto é, exatamente o contrário de ostentação e orgulho.
7. Isso pode ser chamado de "broncas astrais" ou de "admoestações extrafísicas". Confesso honestamente ao amigo leitor, e sem vergonha alguma disso, que em todos esses anos trabalhando como projetor consciente e médium, já levei muitas broncas dos espíritos e isso foi muito útil para meu crescimento espiritual.

Texto <848><29/04/2008>