836 - CANTANDO COM O ETERNO NO OLHAR DE UM RISHI II

Amigo, o vento da esperança levou meu pensamento para além do mundo.
E eu vi a luz do seu olhar em meio às estrelas.
No silêncio do espírito, suspenso entre planos, eu me lembrei do meu tempo de criança. Vi o garoto de outrora correndo e brincando pela rua.
Também vi meus pais jovens, meus irmãos pequenos e alguns amigos de infância.
Ah, quantas coisas rolaram ao longo dos anos... Sonhos e vidas deslizando pela esteira do tempo, submetidos às imensas engrenagens cármicas** que regulam a vida dos homens no infinito.
Vi os rostos de tanta gente conhecida, que hoje não sei onde está, nesse lindo planeta azulado, provavelmente vivendo suas vidas por aí...
E outros que já não estão mais neste plano de existência, pois voaram para fora do corpo e foram morar nas estrelas.
Então, percebi que via os rostos e as lembranças refletidas no seu olhar sereno.
Percebi que a luz e o amor desse olhar refletiam no meu próprio olhar, fazendo-o brilhar também e emanando lindas energias espirituais para todos eles.
Sabe, pensei em muitos lances da vida, grandes e pequenos, nas emoções pesadas que destroem o equilíbrio, e no amor que constrói ligações espirituais maravilhosas.
Pensei na vida de todos os homens da Terra, com seus encontros e desencontros, seus sucessos e seus fracassos, suas dores e suas luzes, rodando com o planeta em torno do sol e fazendo parte – mesmo sem prestar atenção – da imensidão da vida universal.
E aí, vi miríades de rostos, de todas as raças, e a imagem da Terra, linda e azulada, também  refletidas na luz do seu olhar pacífico.
E senti um grande amor por eles e por Ela, a Mãe Terra.
Compreendi, meu amigo, que, desde o garoto que fui um dia, até o homem feito que  hoje sou, sempre estive dentro do seu olhar.
Sim, o tempo passa, mas o amor fica e faz o brilho da aurora surgir no olhar de alguém.
Ontem, hoje, amanhã e sempre... É o amor que faz tudo valer a pena!
É ele que atravessa os eons e eons de tempo e brilha perenemente.
O amor é o que permanece. É a grandeza das grandezas.
É o que fez o meu pensamento voar até o seu olhar, por entre os planos, no silêncio do espírito, que só o coração compreende.
Meu amigo, muito obrigado por você amar e ajudar invisivelmente à humanidade.
Obrigado por você ter me dado a chance de ver tanto amor brotando de seu olhar.
Obrigado por ter me olhado desde criança; por me olhar hoje; e pelos olhares que virão amanhã e depois, na eternidade da vida, na Terra e além...
Obrigado por você ser essa luz serena e generosa, trabalhando anonimamente a favor de todos os seres.
Enquanto o mundo turbilhona em seu movimento contínuo pelo espaço, e a humanidade se agita dentro dele, presa de emoções estranhas, ver o seu olhar é como encontrar um oásis silencioso em meio aos campos secos e barulhentos dos dramas humanos.
Voar em pensamento e encontrar o seu olhar amoroso é um presente!
Obrigado, querido rishi***.
 
 
P.S.:
Os rishis trabalham em silêncio em prol dos homens de todos os lugares.
Não pedem nenhuma adoração a eles, pois sabem que o verdadeiro poder vem de Brahman****.
Não se importam com nomes, datas ou lugares, pois vêem o Supremo em tudo.
Nada julgam nem falam à mente dos homens.
Sua linguagem é a do coração, de espírito a espírito.
E o olhar deles tem o brilho do amor incondicional.
Refletidos ali, os homens e a Terra, na mesma luz.
No silêncio do espírito, por entre os planos, eles olham serenamente...
E abençoam a todos.
 
(Essas linhas são dedicadas, com admiração profunda, àquelas almas livres, tranqüilas e magnânimas, que, como a primavera, fazem bem a todos. Aquelas consciências maiores, anônimas e serenas, que abraçam a humanidade em silêncio, e que inspiram as canções, de alma para alma, abrindo corações e portais luminosos na senda do amor incondicional. Ah, essas almas livres, que ajudam invisivelmente os homens na longa travessia das existências seriadas na carne; e elas fazem isso somente por sua própria natureza bondosa, sem jamais esperar qualquer reconhecimento. Nem exaltação ou devoção de ninguém. O que as move é o amor. Sim, aquele amor que não se explica, só se sente, só se sente, só se sente...)
 
 
Paz e Luz.
 
Jundiaí, 26 de fevereiro de 2008.
- Notas:
* A primeira parte desse texto foi postada recentemente – texto 827 – e pode ser acessada no site do IPPB, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5532.   
** Cármicas – do sânscrito Karma: ação, causa - toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal os hindus chamaram carma. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de conseqüências cármicas.
*** Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres realizados na consciência cósmica; mentores dos Upanishads - a parte final dos Vedas, síntese da sabedoria espiritual da velha Índia.
**** Brahman – do sânscrito – O Supremo, O Absoluto, O Eterno, O Grande Arquiteto Do Universo, O Grande Espírito, Deus, O Todo que está em tudo.

Texto <836><10/03/2008>

835 - O TERCEIRO LADO DA MOEDA

- Por Frank -
 
- Cara ou coroa? - diz ele.
 
- Não há outra alternativa? - pergunto. - Por que precisa ser preto e branco? Por que tenho que escolher um lado imposto? Por que questionar é tão perigoso?
 
- Sou seu amigo, você precisa acreditar no que eu digo!
- Sou seu pastor, não seja a ovelha negra!
- Sou seu pai, sei o que é melhor para você!
- Sou sua mulher, esse é o melhor caminho para o nosso amor!
 
Será?
Tenho dúvidas, mas esse questionamento não é típico de pessoas que ficam eternamente na ponte. Sei qual é o meu lado: lado algum!
Já comprei briga por motivos banais e perdi amigos que eram irmãos.
Já acreditei em tudo o que me disseram e perdi irmãos que eram amigos.
Hoje não acredito em tudo, nem considero que seja mentira.
Dou a tudo que ouço e leio o benefício da dúvida.
Meu coração filtra o que julga ser verdade, minha mente descarta o que julga ser bobagem, e assim sigo o caminho do terceiro lado da moeda.
Como disse uma amiga, às vezes, questionar demais pode ser uma doença, um descontrole; mas, como disse também outro amigo, questionar ajuda a tornar o filtro do bom senso cada vez mais apurado.
Fico com a opinião dos dois e com a minha experiência, que me diz: questione sempre que necessário e acredite, mas nunca cegamente, pois as verdades de hoje podem ser parte daquelas bobagens que sempre deixamos para trás.
 
São Paulo, 14 de fevereiro de 2008.
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com

Texto <835><06/03/2008>

835 - REFLEXÕES SOBRE A PROJEÇÃO DA CONSCIÊNCIA

- Por Wagner Borges -
 
Daqui a pouco, sairei para dar um curso e, enquanto isso, escuto uma música suave.
Para poder dar um bom curso, faço um trabalho de energia comigo mesmo, para ficar com a intuição afiada, a inspiração limpa, as idéias claras, os sentimentos amigos e as energias equilibradas. Não por vaidade ou arrogância por ser o professor, mas porque preciso estar em boas condições para veicular idéias, energias e sentimentos bons, tanto meus como dos amparadores**, para os alunos e para a humanidade toda.
Eu estava refletindo no sentimento, no amor pelas idéias e tudo que remonta à espiritualidade. Um sentimento bem grande, não só pelas idéias, mas também pelas pessoas, porque não adianta ser apaixonado por uma idéia e não pela humanidade. O ideal é ter um amor tão grande que envolva a tudo e a todos!
O amor pulsando no chacra cardíaco, com discernimento, alegria e inteligência, só tem como motivo ele próprio, não há como explicá-lo. Este amor move a maioria dos processos inteligentes e conscientes da espiritualidade. Não há alternativa para o amor, a não ser amar. E não aquele amor convencional, mas um amor mais tranqüilo, mais sereno e equilibrado, contudo, não menos intenso.
Daqui a pouco, encontrarei uma turma de alunos fazendo o curso de projeção, muitas vezes, em busca de um fenômeno projetivo. Na verdade, para mim, como professor, não é muito importante se eles terão uma experiência consciente ou não. Mais importante é despertar neles um sentimento maior pelas pessoas e por tudo; revestir os fenômenos projetivos, bioenergéticos e espirituais com uma boa dose de espiritualidade e maturidade, isto é, uma noção espiritual maior das coisas; desenvolver nos alunos o universalismo, a cosmoética*** e a certeza da imortalidade; fazê-los compreender o respeito que se deve ter pelas leis de causa e efeito que comandam toda a natureza; fazê-los perceber que só o fato de estudar algo positivo, já melhora a consciência e que qualquer esforço positivo vale a pena.
Algumas pessoas buscam a projeção e o estudo de chacras**** com uma leviandade, egoísmo e frieza impressionantes, tanto alunos, como pesquisadores que trabalham com fenômenos parapsíquicos, sem sentimento pelo que fazem ou pela humanidade. Alguns estão apegados à própria pesquisa, outros ao próprio ego. São raros aqueles que vão a um curso ou palestra, sejam professores ou alunos, imbuídos de uma consciência maior, maturidade, serenidade e amor real.
Refletindo sobre isso, tento levar o melhor que posso às pessoas, respeitando o limite e grau de consciência de cada uma e pretendendo, sem dúvida, enchê-las de alegria, compaixão, espiritualidade, abertura mental e tudo de bom em relação à evolução.
Em resumo, é o que o sábio mentor Ramatís me ensinou: tentar portar, dentro do coração, da mente, da alma e do corpo, paz e luz; tentar veicular coisas boas, sabendo que nenhum de nós é perfeito, mas que, também, muitos de nós já têm qualidades desenvolvidas e todos temos potenciais incríveis a desenvolver. Vamos seguir em frente, na direção de valores maiores, expandindo nossos conceitos, emoções e pensamentos no sentido de magnitude.
Isto é apenas uma reflexão para qualquer estudante de qualquer tema parapsíquico ou espiritual. Sem amor, nenhum de nós segue. E amor não se refere a emoções conturbadas, mas, a amor sereno, intenso, que move você, eu e a todos de maneira oculta e invisível.
Paz e Luz.
 
São Paulo, 30 de maio de 1998.
 
Notas:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
** Amparador extrafísico – entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
*** Cosmoética: Código de ética extrafísico; Moral Cósmica; Ética espiritual.
**** Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.  Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõe o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.

Texto <835><06/03/2008>

834 - SINOS DO DESPERTAR – ALEGRIA DO CORAÇÃO

(Quando a Luz do Buda Rende a Noite do Ego)

- Por Wagner Borges -

No meio da madrugada fria, escuto um som dentro do meu peito.
Parece o som do repicar de um sino. Toca dentro do meu coração.
E uma sensação de alegria serena chega junto, bem de mansinho.
Fico igual criança e penso em escrever uma canção.
Quietinho, saboreio o contentamento interno e a leveza de sentimentos.
Contudo, sinto algo mais. Há uma presença sutil aqui, também alegre.
Então, fecho os olhos da carne, "para ver melhor", em espírito.
Percebo o meu chacra frontal (1) aceso, cheio de luz branca fluorescente.
E aí, eu vejo quem é o visitante noturno. Ele está à minha direita e me saúda.
Trata-se de uma consciência espiritual legal, ligada às vibrações do Buda.
Ele traja a roupa alaranjada tradicional dos monges budistas tibetanos.
É risonho e está tocando um sininho típico das práticas espirituais de seu povo.
Ele balança o corpo sutil numa dança engraçada, junto com o repicar do sino.
Noto que há uma faixa de cor de vinho sobre sua roupa alaranjada.
Também observo que sua figura é diáfana e dá para ver através dele.
Vendo-o tocar alegremente o sininho, percebo que captei a alegria dele antes.
O meu chacra cardíaco (2) está acoplado com o dele, nas ondas espirituais...
E nada precisa ser dito, pois nos entendemos pela alegria, de coração a coração.
E é assim que escrevo, captando o recado dele, para repassá-lo no mundo.
Sob os auspícios da Luz, deixo o coração escrever, nas ondas espirituais...

* * *

"Há corações que se sentem solitários, mas isso é ilusão.
Como pode ser assim, se há um Buda em cada coração?
No entanto, é preciso despertá-lo. Para que ele ria junto.
Toque o sino, toque o sino, toque o sino...
Dance com a vida. Alegre-se. Amor não é emoção, é amor.
Você está sentado sob a árvore do mundo, carregada de agitação.
Como pode isso, se a luz do Buda é tão serena?
Ah, mas precisa despertá-lo. Toque o sino...
Para que a compaixão projete um campo de luz pacífica em torno de sua vida.
Para que você também desperte. Para que haja bênçãos a favor de todos.
Ninguém luta contra outros, a não ser consigo mesmo, sempre.
Violência é doença da mente. O Buda é a cura. Medite, por favor.
Observe melhor suas emoções. Pondere serenamente. Cure-se.
Mas é preciso despertar o Buda em você. Toque o sino...
Permita que o sol brilhe em seus olhos, mesmo nos dias de tempestade.
O ódio envenena a razão. O mau humor contamina os outros. Não deixe!
O amor e a alegria curam. Deixe o Buda lhe ensinar como.
Mas, antes, desperte-o. Talvez isso seja logo, se você rir mais. Toque o sino...
E não precisa de devoção alguma. Basta deixar a compaixão fluir por você.
Você é como um rio. O Buda é o oceano. Flua para Ele, naturalmente...
Então, encontre-o, em seu coração, para rir junto. Para o amor acontecer.
Sinta-se abençoado, por favor. O Buda não é uma religião, é o Buda!(3)
Assim como a água do mar está impregnada de sal, o Buda está cheio de luz.
E o seu perfume espiritual é o mesmo do amor. Por favor, medite.
Não se esqueça: ria mais. E dance com a vida. Cure-se. Pondere.
Torne-se Buda também. Para rir em todos os corações...
Toque o sino, toque o sino, toque o sino..."

* * *

Diante dos toques do amigo espiritual, o que me resta dizer?
Que me sinto feliz só de ter captado seu recado?
Que estou honrado por ele ter compartilhado seu coração comigo?
Que ele continua aqui, tocando seu sino e dançando, feliz e sereno?
E que, daqui a pouco, vou encontrá-lo, fora do corpo, durante o sono?
E que voaremos, espiritualmente, por aí, nas asas da luz e no som do sino? (4)
Bom, é isso. Pois, quando o coração fala ao coração, não há mais nada a dizer.

Paz e Luz.

São Paulo, 30 de janeiro de 2008.

- Notas:
1. Chacra Frontal - é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise – pituitária – e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito ele é conhecido como "Ajna", o centro de comando.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõe o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
2. Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é "Anahata", o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.
Obs.: Dentro de algumas tradições orientais, como o Budismo Tibetano e algumas linhas do Hinduísmo, o som do repicar do sino representa um dos sons de ativação do chacra cardíaco e, conseqüentemente, da abertura do coração espiritual às ondas do amor universal.
3. Buda - do sânscrito - O Iluminado; Aquele que despertou! Palavra derivada de "Buddhi", que significa "Iluminação Pura" ou "Inteligência Pura". Ou seja, quem alcança o estado de Buddhi, torna-se um Buda, um ser iluminado e desperto.


Texto <834><03/03/2008>

834 - SOL DE AMOR – NAS MÃOS, NOS OLHOS E NO CORAÇÃO

- Por Wagner Borges -

É noite, amigo.
Mas não está escuro.
Há um sol aqui!
Bem no coração.

O poeta compreende.
Ele também é viajante...
Voa nas asas do amor.
E pega os versos no infinito.

Dá para ver longe...
Lá em cima, no Cruzeiro do Sul,
O rastro dos seus versos.
E um pedacinho do seu coração.

Mas quem vê é outro coração.
Aceso na noite, na forja do amor.
Como um sol secreto no meio do peito.
Que ilumina, mas não ofusca.

Ah, meu amigo, quem sente essa luz?
É noite, e está tudo tão claro!
Dá até para ver a tapeçaria sideral,
Dentro do próprio coração.

Sei que você compreende...
Pois essa luz também iluminou suas noites.
E fez você voar até o Cruzeiro do Sul,
Para pegar a elegia que vem de longe.

Sabe, eu sei o que você sentiu.
A luz me mostrou. Aqui mesmo.
Bem dentro do coração.
Onde o amor faz ver estrelas.

É noite, mas está tudo claro.
Por isso, escrevo. E você sabe por que.
Talvez o amor viaje junto com esses escritos...
E outros compreendam sua atmosfera sutil.

Sim, talvez outros voem até o Cruzeiro do Sul.
Certamente, em espírito. Deslizando na luz suave...
E, talvez vejam você e Pablo Neruda conversando,
Sobre a elegia que vem de longe...

Meu amigo, tudo está claro e sereno por aqui.
É noite, mas raiou a aurora dentro do meu coração.
E é amor demais para segurar a onda.
Por isso escrevo: para dar vazão a esse amor.

E você conhece muito bem essa praia.
Então, lembrei-me de você, para grafar essas linhas.
Escrevo com você nas mãos, nos olhos e no coração.
E pensando no Cruzeiro do Sul.

O amor que um dia mergulhou em seu coração,
Também mergulhou em mim.
E, agora, está tudo tão claro e calmo,
Nessa noite – que é manhã dentro do peito.

Com carinho e admiração, poetinha.

(Essas linhas são dedicadas a Vinicius de Moraes).

Paz e Luz.

São Paulo, 01 de março de 2008.



Texto <834><03/03/2008>