708 - OS CAMINHOS QUE LEVAM A BUDA

Buda, o conhecimento em si, via seus discípulos sob a luz espiritual. Compreendia sempre seus caminhos pessoais dentro do caminho do meio. Mas os discípulos não se entendiam entre si. Um criticava o outro, um queria conduzir o outro. E o conhecimento vivo se perdia.

Foi quando Buda resolveu trazer uma lição para a luz da experiência, já que os discípulos disputavam sob qual forma o auto-conhecimento era mais importante, mais verdadeiro.

Pediu a todos que fizessem silêncio e trouxe uma criança.

E deixou que a criança brincasse, escolhendo entre instrumentos de meditação, livros, pessoas e o próprio jardim que cercava o monastério. A criança brincou com tudo que estava à mão, algumas vezes com mais interesse, outras com menos, depois foi brincar no jardim e com sua própria imaginação criou outros instrumentos de ser ela mesma.

Os discípulos então entenderam que todos eram necessários e pararam de criticar e julgar uns aos outros. Pois, o trabalho era imenso e com a discussão inútil muito havia ficado por fazer, e toda encarnação precisa ser bem aproveitada.

Essa é a "história" que um amparador acaba de me passar para ilustrar ao grupo que o conhecimento tem muitos meios de ser alcançado, mas todos, todos os caminhos são importantes igualmente.



Paz e Luz.

- Monica Allan -
(Um espírito livre que busca o conhecimento e compreende que no caminho do meio se fundem muitos caminhos, assim como são as línguas e as linguagens da comunicação divina).


São Paulo, 28 de abril de 2006.


Texto <708><30/06/2006>

707 - SAVITRI - A LUZ DO ETERNO EM NÓS MESMOS

O Eterno que habita em nossos corações, saúda o Eterno que mora em seus corações, pois Ele é o mesmo!
Há uma mesma Luz em todos nós.
Ela brilha mais do que bilhões de sóis juntos.
Não pode ser percebida pelos sentidos convencionais, mas pode ser sentida nas dobras secretas do espírito, na casa do
coração, o templo real do Divino.
Ela não apresenta tamanho ou forma que possa ser enquadrada pelos parâmetros humanos; é sutil, pura essência espiritual.

Muitos a simbolizaram como uma semente espiritual, ou um ponto luminoso, ou mesmo uma pérola sutil.
Todavia, que forma poderá simbolizar o Amor Universal que mora dentro dessa Luz?
Os olhos não podem vê-la nem os dedos podem tocá-la; no entanto, Ela é o brilho secreto do olhar e a causa que anima o movimento.
Ela é intensa, mas não ofusca.
Ela é poderosa, mas é serena.
É Dela que os rishis de outrora falavam.
Ela é a inspiração dos poetas do espírito e das canções dos Gandharvas.
Ah, essa Centelha Eterna em nós!
É fogo estelar que crepita dentro de nossos corações.
Não tem raça, sexo ou idade, apenas entra e sai dos corpos perecíveis.
Ah, essa Luz que somos todos nós!
Ah, esse Amor dentro dela, que nos faz escrever, mesmo que bem poucos compreendam o porquê, mesmo que as palavras não expressem bem o que toca no coração...
Esse Eterno em nós saúda o Eterno em cada um de vocês, pois Ele é o mesmo!
Não importam nomes e formas transitórias... importa apenas ter consciência do fogo estelar crepitando em si mesmo.
É a Luz! Dentro Dela, o Amor!
Tudo em nós e Brahman em tudo!
E, nas linhas desses escritos, o toque fraterno dos companheiros espirituais, eternos, como todos vocês!


Paz e Luz.

- Os Amigos de Ramakrishna -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 31 de maio de 2006.)

Nota de Wagner Borges:

Esses escritos foram recebidos um pouco antes do início da segunda aula do curso de autodefesa psíquica (desobsessão), realizada no “Grupo Espírita Dever, Amor e Disciplina” (situado no bairro de Santana, zona norte da cidade de São Paulo). Enquanto eu aguardava a turma chegar (cerca de 130 pessoas), sentei-me e fiquei relaxado, escutando um CD do músico austríaco Gandalf no aparelho de som do Centro. Em dado momento, percebi a presença de vários amparadores do grupo extrafísico dos Amigos de Ramakrishna dando suporte espiritual para as atividades da noite. E, ali mesmo, no salão do Centro, um deles me passou esses escritos como uma saudação para a turma de estudantes presentes.
Mais um detalhe: durante a aula, por diversas vezes tive que tocar no tema da sobrevivência da consciência para além da carne, bem mais do que havia previsto, por causa das perguntas do pessoal e por causa de um monte de espíritos desencarnados apegados que estavam ali para ouvir os devidos esclarecimentos a respeito.
Então, compreendi o motivo do recado desses escritos dos amparadores naquele contexto. Como o mesmo poderá ser útil para a reflexão de outros estudantes dos temas espirituais, estou disponibilizando-o em aberto para todos.
E, antes que eu me esqueça: mais uma vez agradeço a essa turma de amigos extrafísicos tão legal e com a qual aprendo muito.


Notas das expressões do sânscrito no texto:

* Savitri: Raio solar ou feixe destes raios; célebre hino de Visvamitra em homenagem ao sol. Sobrenome de Uma ou Parvati, a Mãe Divina, esposa de Shiva; nome próprio da mulher de Satyavan no épico “O Mahabaratha”; e também nome de um épico escrito pelo sábio Sri Aurobindo.

* Rishis: sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.

* Gandharvas: cantores celestes, devas (divindades) da música, anjos da música. Nos Vedas, essas divindades revelam aos mortais os arcanos espirituais do Céu e da Terra.

* Brahman: O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.

* Os Amigos de Ramakrishna: são um grupo de amparadores extrafísicos ligados aos ensinamentos universalistas de Paramahamsa Ramakrishna. Na verdade, são meus amigos de outras vidas e, de vez em quando, aparecem para matar a saudade e dar uns toques espirituais legais.
Certa vez, um deles me disse: "Sair do corpo é fácil. Difícil é ficar em paz, dentro ou fora do corpo."
Eles também me ensinaram essa verdade: "Dias ruins não são aqueles de tempestade, que até limpam a atmosfera de fora, mas aqueles dias em que permitimos as pesadas nuvens da mediocridade toldando o céu do coração, dentro de nós mesmos".
Agradeço a esse grupo de amigos pela amizade e pelos toques conscienciais pertinentes, que sempre me ensinam muito.
- Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

* O CD do Gandalf que eu estava ouvindo é o maravilhoso “Sacred River” (importado – gravadora Real Music – www.realmusic.com), seu mais recente lançamento na Europa e na América. É um trabalho excelente para práticas meditativas, massagem, aplicação de Rei Ki, cura prânica, passes, práticas projetivas, e descanso da mente. As músicas “Flow, Water, Flow” e “Where the River Joins the Ocean” (nona e décima do disco, respectivamente) são altamente inspiradas.

* Para melhor compreensão dos leitores em relação a expressão Savitri (muitas vezes usada por iogues e estudantes espirituais como mantra), reproduzo na seqüência um texto antigo exatamente sobre esse tema.

SAVITRI (1)

Se seus olhos brilharem como o Sol, as portas do templo da sabedoria se abrirão para você. Esse é o segredo da grande iniciação do discernimento, da compaixão e da energia. Isso possibilita grande alegria no serviço espiritual e torna o espírito flexível; limpa as manchas do apego e acende as melhores possibilidades da consciência presente.
Verta Luz pelos olhos, e que eles sejam como estrelas do Senhor, brilhando nas trilhas da humanidade.
Faça seu caminhar diário com o Sol como companheiro de seus olhos (2).

OM A TODOS!


- Os Iniciados (3) -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Viagem Espiritual III” – Ed. Universalista – 1998).


Notas:

1. Savitri (do sânscrito): Raio solar ou feixe destes raios; célebre hino de Visvamitra em homenagem ao sol. Sobrenome de Uma ou Parvati, a Mãe Divina, esposa de Shiva; nome próprio da mulher de Satyavan no épico “O Mahabaratha”; e também nome de um épico escrito pelo sábio Sri Aurobindo.

2. Sugiro ao leitor uma pequena prática: de olhos fechados, concentre-se mentalmente numa forte luz branca dentro da testa (chacra frontal). Ao mesmo tempo, pense firmemente no nome de SAVITRI. Faça isso por alguns minutos e sinta uma agradável sensação de pacificação emocional.

3. Os Iniciados: Grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. O grupo é composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos. Eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são "iniciados" em fazer o bem sem olhar a quem.

Obs.: Ao passar esses escritos a limpo, lembrei-me da sabedoria do mestre hindu Sry Aurobindo, com o seu belo poema místico “Savitri”. Para deleite do leitor sensível as coisas do espírito (certamente, de boa índole e ciente de que ninguém de fora poderá saber o que rola em seu coração), deixo na seqüência alguns de seus versos inspirados.

SAVITRI
(A Certeza de Um Dia Espiritual)

- Versos do poema SAVITRI, de autoria de Sri Aurobindo -

O Absoluto, o Perfeito, o Só,
Evocou sua Força muda do Silêncio,
Onde ela repousa na quietude sem forma e sem feições,
Resguardando do Tempo, por seu sono imóvel,
A potência inefável de Sua solidão.

O Absoluto, o Perfeito, o Só,
Entrou com seu silêncio no espaço:
Ele modelou estas incontáveis pessoas de um único Si;
Ele que viveu sozinho em seu vasto, vive em todos;
O Espaço é Ele mesmo e o tempo é só Ele.

O Absoluto, o Perfeito, o Imune,
Aquele que está em nós como nosso Si secreto,
Assumiu nossa máscara de imperfeição;
Ele tornou Dele esta morada de carne,
Sua imagem moldou na medida humana
Para que à Sua Medida Divina pudéssemos subir;

Aí, uma figura de Ser Divino,
O Criador irá remoldar-nos e impor
Um plano de Divindade ao molde do mortal,
Erguendo nossas mentes finitas à Sua infinita,
Tocando o momento com eternidade.

Esta transfiguração é o tributo da Terra para com o Céu.
Uma dívida mútua prende o homem ao Supremo:
Temos de assumir Sua natureza, assim como ele assumiu a nossa;
Somos filhos de Deus e devemos mesmo ser como Ele:
Sua porção humana, temos de fazer-nos divinos.
Nossa vida é um paradoxo tendo Deus como chave.
A beatitude de uma miríade de miríades que são só UM*.

(Compilador dos versos: Rolf Gelewski, da Casa Sri Aurobindo no Brasil).


Nota de Wagner Borges:

Sry Aurobindo (Aurobindo Ghose - Índia, 1872-1950) foi um dos maiores mestres da Índia. O seu trabalho tornou-se conhecido como “O Yoga Integral”, porque, como ele dizia, “Toda vida é Yoga”. Para mais detalhes sobre os seus escritos inspirados, ver o excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti, e o site da Casa Aurobindo no Brasil: http://br.geocities.com/casa_sri_aurobindo/
- Mais uma nota: Não resisto e deixo na seqüência mais dois textos desse notável mestre hindu. Peço desculpas ao leitor pela extensão desses escritos, mas não é todo dia que se lê algo tão inspirado quanto os textos desse grande rish (sábio) Aurobindo, a quem admiro muito, de coração.





A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO

...Levanta teus olhos em direção ao Sol.
Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.
Observa à noite as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.
Olha lá Órion com sua espada e cinto brilhando como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil anos atrás, no começo da era Ariana, Sirius no seu esplendor, Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço.
Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece e contudo, são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.
Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.
Observa que além de Lyra, Ele está. E no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E então volta à terra e considera quem é este Ele. Ele está bem perto de ti.
Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão?
Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol.
Podes tu ouvi-lo nesse riso?
Não, Ele está ainda mais próximo de ti.
Ele está em ti, Ele é tu mesmo.
És tu quem ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etérico.
Foste tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.
Olha para cima, oh filho do Yoga antigo e não sejas mais medroso e cético; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.


- Sry Aurobindo -
(Texto extraído do livro "Sabedoria de Sry Aurobindo" - Editora Shakti).





É ISTO O FIM?

É isto o fim de tudo o que fomos,
E tudo o que fizemos ou sonhamos?
Um nome não lembrado e uma forma desfeita.
É isto o fim?

Um corpo apodrecendo sob a laje de pedra
Ou transformado em cinza pelo fogo.
Uma mente dissolvida, perdidos seus esquecidos pensamentos.
É isto o fim?

Nossas poucas horas que foram e não mais são,
Nossas paixões outrora tão elevadas,
Sendo zombadas pela terra tranqüila e a calma luz do sol.
É isto o fim?

Nossos anseios de elevação humana em direção a Deus
Passando para outros corações
Iludidos enquanto o mundo sorri para a morte e o inferno.
É isto o fim?

Caída está a harpa, ela jaz despedaçada e muda;
Está morto o invisível tocador?
Por que a árvore tombou onde o pássaro cantava,
Deve o canto também emudecer?

Aquele que na mente planejou e desejou e pensou,
Trabalhou para reformar o destino da Terra,
Aquele que no coração amou e suspirou e esperou,
Também chega ele ao fim?

O imortal no mortal é seu Nome;
Aqui uma divindade artista
Em formas mais divinas, sempre se remodela,
Sem vontade de cessar.

Até que tudo seja feito, para o que as estrelas foram criadas,
Até que o coração descubra Deus
E a alma se conheça. E mesmo então
Não há nenhum fim.

(Texto extraído do belo livro "Sabedoria de Sri Aurobindo"; Editora Shakti).


Texto <707><28/06/2006>

707 - BRILHO

- por Wagner Borges -


O espírito que brilha nos olhos é o mesmo que brilha no sol.
Essa centelha espiritual lúcida,
Que mora na câmara secreta do coração,
É a mesma que dá brilho às estrelas.
É Brahman em todos nós.
É Krishna brilhando no ser.
É o ser brilhando em tudo.
A luz que brilha nos chacras é a mesma
Que permeia a vastidão sideral.
É luz serena, lúcida e amorosa.
É luz Om Tat Sat.


Notas do sânscrito:

* Chacras: centros de força; vórtices energéticos situados no corpo sutil.

* Om Tat Sat: tríplice designação de Brahman, O Supremo, O Absoluto, O Grande Arquiteto Do Universo. Como mantra, pode ser usado na concentração e ativação dos chacras.

Texto <707><28/06/2006>

706 - NO TOQUE DO ANJO, UMA NOVA VISÃO DE VIDA!

- Por Vanderlei Oliveira -


... E então, o anjo tocou minhas lágrimas com seus lábios.

Tocou meu mundo com a ponta de seus dedos.

Neste instante, tomei consciência do infinito.

Meus problemas tornaram-se apenas dificuldades e aprendizado.

Percebi a transitoriedade das coisas e a impermanência da vida na Terra.

As flores se tornaram mais belas e coloridas aos meus olhos.

Percebi que não sou o centro do universo.

Sou apenas um grão de areia numa esquina da via-láctea, dentro de um universo cheio de potencial e permeado de vida latente.

A dor cedeu à serenidade.

A tristeza deu lugar a uma enorme vontade de viver.

As brigas se transformaram em motivação para compreender melhor o mundo.

Um mundo onde todos, assim como eu, buscam, a cada ação, a felicidade.

Cada um de seu jeito, cada qual com seus defeitos e com suas virtudes.

Com suas esperanças e seus sonhos.

Uns pensando mais em si, e outros pensando também nos outros.

Descobri que somos como crianças brigando pelos mesmos brinquedos, agrupando-nos nos mesmos lugares.

Brincamos juntos, brigamos, dormimos e amamos juntos.

Procuramo-nos mutuamente e assim descobrimos o mundo e a nós mesmos.

Apenas crianças brincando de aprender, ralando o joelho, batendo a cabeça, e pedindo colo.

Tornei-me livre!

O anjo olhou-me, com olhos de pai-amigo-irmão, e nada disse.

Mas despertou em meu interior a vontade de duvidar do destino.

De desafiar tudo aquilo que aprendi a querer.

De transformar a vida em algo mais belo para nosso bem-viver, mesmo que por alguns anos apenas; mesmo que para meus filhos.

Senti o sabor do néctar da vida!

A simplicidade da compaixão tomou o lugar da complexidade das relações.

A tolerância e a paciência tornaram os erros menos agressivos ao meu ser.

E a gratidão a cada pessoa que conheci e que, de uma ou de outra forma, compartilharam seus sonhos, suas relações, suas alegrias e tristezas.

Tornaram-se parte daquilo que sou hoje, parte da minha história.

Como eu, crianças descobrindo a si próprias.

Estudantes da escola da vida.

E, então, minhas lágrimas deram lugar a uma nova vida, que se inicia nesse instante!



Jundiaí, 13 de dezembro de 2005.

Nota de Wagner Borges:

Vanderlei Oliveira é nosso amigo de muitos anos. É participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB e um dos organizadores de nosso site. É Instrutor de Ioga. Participa há vários anos em diversas linhas de Ioga, Hinduísmo, massagem ayurvédica e filosofia oriental, inclusive com aperfeiçoamento na Índia. É co-fundador das escolas Yoga Ashram em São Paulo. Ministra aulas de Ioga e atendimento em massagem ayurvédica em sua escola, no bairro da Vila Matilde, em São Paulo, e também na cidade de Jundiaí, no Espaço Origens. Jundiaí.

É o organizador do site do Portal Shama (sobre espiritualidade, Ioga, projeções da consciência, mediunidade e temas espirituais): www.shama.com.br

Para mais detalhes sobre o seu trabalho, favor ver a sua coluna na revista on line de nosso site – www.ippb.org.br

Texto <706><23/06/2006>

706 - NO DHARMA – SEGUINDO A LINHA ALTA

Meu irmão, tudo de bom!

Que bom vê-lo novamente, sempre no trabalho espiritual.

Você diz: “Faz tempo que não nos vemos, não é mesmo?”

Não! Você não me vê há tempos, mas eu vejo você sempre.

Isso é o normal, devido à densidade da matéria, mas o importante é a sintonia.

Ainda há pouco, você meditava sobre o dharma e os compromissos espirituais.

Pois veja, o dharma é uma linha interligando o homem aos planos mais altos.

Ou seja, é uma linha muito alta. Para segui-la, é preciso estar à altura...

Bem poucos conseguem isso. A maioria cai no caminho, sem a devida sintonia.

Outros, porque não notaram que os objetivos elevados estão acima de seus egos.

E, outros mais, por discórdias dentro deles mesmos ou por confusão sensorial.

Hoje, mais do que antes, é necessário lembrar-se do bordão dharmico:

“Levanta e não te detenhas, até alcançares a meta!

Isso é dharma, a linha alta, que leva várias vidas para subir.

Para compreender isso, é necessário olhar acima do temporário, para além...

Alguns seguem firme, outros só por um tempo, e alguns despencam mesmo.

O valor de cada um está intrínseco em suas próprias atitudes e pensamentos.

E só Brahman é que sabe o tempo de cada um. Só Ele sabe o que cada um é!

Aqueles que despencam, voltarão à frente, como deve ser...

Aqueles que permanecem, são o estímulo dos que fraquejam.

E manter a sintonia na linha alta não é fácil!

É mais fácil deixar-se levar pelas emoções e pelas circunstâncias das provas.

Por isso, só permanecem firmes na senda do dharma aqueles de espírito forte.

E esses, sempre são os que compreenderão os que despencarem da linha de luz.

E, mesmo incompreendidos por aqueles, ainda estenderão as mãos, sem mágoa.

E os chamarão de volta aos caminhos da luz, como deve ser...

E os receberão de braços abertos, pois quem segue o dharma, não julga, só ama.

E respeita o tempo de cada um, mas sem se envolver nas emoções alheias.

Quem trabalha firme, não tem tempo para ver os defeitos alheios!

Sempre agradeça a Brahman pela oportunidade do trabalho sadio.

Quem trabalha, sobe a linha e acha o Supremo dentro de si mesmo.

E exclama, contente: “Levanta e não te detenhas, até alcançar a meta!”



- Os Amigos de Ramakrishna –
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 30 de maio de 2006.)

Nota de Wagner Borges:

Os Amigos de Ramakrishna são um grupo de amparadores extrafísicos ligados aos ensinamentos universalistas de Paramahamsa Ramakrishna. Na verdade, são meus amigos de outras vidas e, de vez em quando, aparecem para matar a saudade e dar uns toques espirituais legais. Certa vez, um deles me disse: “Sair do corpo é fácil. Difícil é ficar em paz, dentro ou fora do corpo.” Eles também me ensinaram essa verdade: “Dias ruins não são aqueles de tempestade, que até limpam a atmosfera de fora, mas aqueles dias em que permitimos as pesadas nuvens da mediocridade toldando o céu do coração, dentro de nós mesmos”. Agradeço a esse grupo de amigos pela amizade e pelos toques conscienciais pertinentes, que sempre me ensinam muito.


Notas do sânscrito:

* Brahman: O Absoluto; O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Todos que está em tudo!

* Dharma: dever; trabalho; mérito; benção. Programação existencial; missão virtuosa; ação sadia; meta existencial elevada.

* Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje como um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

* O amparador extrafísico que me passou esses escritos é um amigo de longa data. Foi um dos primeiros espíritos que vi, sempre me protegendo e estimulando a consecução de atitudes sadias no seio do mundo. Ele se apresenta como um rapaz negro, jovem, bem sorridente. Porta uma atmosfera de firmeza e tranqüilidade.
Certa vez, ele me disse: “Mudam-se os rostos e os corpos, mas um espírito leal sempre pontificará e levará os ideais de luz em seu semblante. E, mais à frente na senda, se tornará igual a Ramakrishna, que levava o amor no semblante. E, na imensidão da vida universal, perceberá o semblante cósmico de Brahman em cada criatura.
Só Brahman é o fim da saudade do amor!”

Texto <706><23/06/2006>