516 - KRISHNA, O GHANSHAYAM

Salve, Ó Radiante!

As galáxias rodopiam no brilho dos teus olhos. Miríades de seres vivem de tua luz, mas não te percebem. Mas aqui, no centro do olho espiritual, percebo tua doce presença alegremente.

O teu perfume espiritual inunda minhas energias. Sob o teu comando, um terno fluxo de luz ascende da base de minha coluna até o chacra coronário. Minha coluna vertebral se transforma num suave rio de luz que flui placidamente num jorro de energia-lucidez bem no centro de minha consciência.

Então, percebo tua voz sutil dizendo:

"Meu querido amigo, tu fazes parte de mim. Tua luz nasce no Meu amor.

Reflita: apenas uma ínfima parte do meu poder sustenta inumeráveis mundos e seres. Esse mesmo poder transcendental é o sustentador e renovador de tuas energias na crosta do mundo. Tua vida, teu trabalho e teus rumos são meus!
Em qualquer tempo, estamos ligados por profunda ternura.

Em nenhum momento teu caminhar é solitário. Se preencho universos inteiros, como poderia estar fora do teu coração? Se abraço até mesmo os corações endurecidos nas trevas de seus egos, como poderia esquecer dos meus trabalhadores da luz?

Continue disparando suas setas de luz na crosta do mundo. Aja em meu nome, pois tua luz é minha luz! E meu amor é seu sustentáculo em todos os mundos.”

Então, mergulhado na luz de Krishna, vejo uma estrela pairando sobre minha cabeça. Dela emanam suaves vibrações de proteção e muitas inspirações, que posteriormente se transformarão em novos textos, canções e poemas sobre temas espirituais. Mas o principal é uma alegria serena que viaja aqui no peito, filha do contentamento de ser útil e de servir espiritualmente no mundo sob os auspícios de Krishna e de um monte de amparadores legais, que sempre ajudam a todos de forma incondicional.

Penso na humanidade e me sinto agradecido demais pelas oportunidades de crescimento espiritual e humano. E vou seguindo pelo mundo dos homens, em meio a muitas deficiências, aos trancos e barrancos, tentando cumprir o dharma* que Krishna me incumbiu: projetar as luzes espirituais na crosta do mundo, e ser feliz!

OM GHANSHAYAM!**


- Wagner Borges -
São Paulo, 28 de abril de 2004.

* Dharma (do sânscrito): Dever, Missão, Trabalho, Mérito, Programação existencial.

** GHANSHAYAM (do sânscrito): "O Sempre Jovem"; É um dos epítetos de Krishna. É também um maravilhoso mantra a ser vibrado espiritualmente nos chacras. Inclusive, como adendo a essa prática de repetição do mantra mentalmente dentro do espaço interdimensional dos chacras (chamada na Índia de Japa-mantra), reproduzo na seqüência um ensinamento pertinente a isso.

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JAPA-MANTRA
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A repetição do mantra e a meditação em seu sentido é o caminho.

Por que deve haver repetição?

Segundo a Teoria de Samskâras (impressões no estofo mental que produz hábitos): as impressões residem na mente, e estes se tornam cada vez mais latentes e logo que têm o estímulo conveniente se manifestam. A vibração molecular nunca cessa. Esta repetição é o maior estímulo que pode ser dado aos Samskâras espirituais.

A primeira manifestação desta repetição do mantra, pensando em seu significado, é que o poder introspectivo será manifestado cada vez mais e todos os obstáculos mentais começarão a desaparecer.

Certas experiências psíquicas particulares se apresentam. Esses vislumbres fortificam a mente e fazem o estudante perseverar. Desaparecem quando são esperados.

Certos dias, ao praticardes, a mente ficará calma, concentrar-se-á facilmente e notareis progressos. Repentinamente o progresso cessará um dia e vos encontrareis, por assim dizer, encalhado. Perseverai. Todo progresso se realiza por meio desta elevação e queda.



- Swami Vivekananda* -
(Texto extraído do Jornal "O Poder" – n. 1246 - Agosto/Setembro de 1998.)

- Nota:
Swami Vivekananda, (1862-1902), Discípulo-iogue de Paramahamsa Ramakrishna.

Texto <516><30/04/2004>

516 - MÃOS, SERVIDORAS DE DEUS

João caminha lentamente
Pelo centro da cidade.
Os prédios gigantescos não
Conversam com ele.
São frios e duros.
Mas ele ajudou a construí-los.
Há muitas décadas.
Agora, já idoso e desempregado,
Andando atrás de bicos,
O pobre homem sente levemente
Uma onda de tristeza em seu peito.
De manhã, o motorista do ônibus
Corre demais e a pobre velha cai.
João a ajuda.
Com suas mãos calejadas
De tanto mexer em concreto.
O vizinho doente não pode tomar banho.
João, humildemente, o ajuda.
A menina espancada pelo gigolô chora
Sozinha na rua. João a consola e lhe diz
Para olhar para o Sol e sorrir.
Aquele menino que passa agora
De carro importado e nem liga para João
É o mesmo que o pobre homem tirou-lhe
Uma arma da mão, quando se preparava
Para cometer seu primeiro assalto.
Tantas passagens, tantos rostos, tantas lágrimas...
Agora João está sentado em um banco de praça.
Está anoitecendo e sua respiração começa a ficar lenta,
Pesada e ritmada...
As estrelas parecem estar perto de sua face.
Seu corpo parece começar a ficar cada vez
Mais leve e suave...
Lembranças de sua infância,
Dos amigos, das brincadeiras...
Dos pais que já foram embora há décadas...
A primeira namorada...
A esposa querida que morreu por falta
De atendimento médico...
Ainda se levanta para pegar uma rosa
Do jardim do parque.
E a coloca junto ao coração.
Senta-se e um barulho estranho,
Em seu coração, canta suavemente.
Parece ter sido tirado de uma roupa pesada.
De repente uma mão cheirando a um perfume divinal
Acaricia sua face tão desgastada pelo tempo.
Observa e vê seu corpo ali,
No banco do parque.
Mas como vê a si próprio?
Uma voz sutil lhe diz:
“Vamos, amigo, venha usar as
Mãos que tanto trabalharam em prol dos outros,
Em um plano do Universo
Onde impera o Amor Verdadeiro.
Seu tempo na Terra acabou.
Vamos...”
Entrando numa espécie de sonolência gostosa,
Ele cai nos braços desse belo ser
Que lhe falava com tanto carinho.
Um cachorro vira-lata, faminto e cheio de doenças,
Aproxima-se e lambe a mão estirada
No pequeno banco do parque.
A mão daquele corpo que,
Por tantas décadas de existência física,
Ajudou a muitos e a si próprio.
A noite chega com todo seu vigor e beleza,
Levando aquela história para todos
Aqueles que quiserem trabalhar com as mãos do Amor.

- Washington da Silva -
São Paulo, 26 de abril de 2004.


Texto <516><30/04/2004>

516 - DE VOLTA À LUZ

Que saudade dá na hora em que lembramos de quando éramos felizes.

Quando corríamos juntos pelo jardim e olhávamos o sol. Éramos alegres e vivíamos o mais belo da vida.

Mas um dia a nuvem negra do desespero bateu em nossa porta e não víamos mais o sol. Perdemos nossas esperanças.

Restava-nos apenas o quarto gelado e sombrio, a falta de comida e as grades.

Naquele momento o pedaço de corda e a cadeira soaram como único remédio para o nosso sofrimento, para nossas dores.

Não sabíamos que a escuridão continuaria em nossos corações, agora sedentos de vingança e justiça.

Onde pensávamos encontrar a misericórdia ou pelo menos a explicação do porquê de pessoas tão cruéis, encontramos a nós mesmos, tão cruéis quanto eles.

Após tantos anos tentando fazer justiça nos esquecemos do sol.Esquecemo-nos do valor de um olhar carinhoso, do valor de um toque amigo em nossa face.

Às vezes nos encontrávamos em grupos que faziam trabalhos dignos, e lá no íntimo percebíamos que algo dentro de nós mudava; Mesmo não querendo olhar para aquilo, no nosso interior percebíamos a mudança que acontecia em nosso ser, uma espécie de saudade de alguém que um dia já fomos, de sentimentos que um dia nos permitimos deixar de sentir.

Não sabíamos que aquele seria o caminho brilhante para vermos o sol que se abria dentro de nós novamente.

Aquelas pessoas emanavam ondas de amor e carinho, por pessoas que não conheciam, que nem mesmo viam.

Aquelas ondas de sentimento encontravam sintonia em nosso ser, despertando sentimentos adormecidos apagados na escuridão de nosso ódio.

Hoje, vemos novamente o sol.

Um dia tentaremos chegar mais perto dele, mas por enquanto já é o bastante ter por perto tantas pessoas brilhantes. Pessoas que iluminam e que não deixam seu ódio, sua raiva, sua tristeza predominarem em suas vidas, se tornando, assim, referência para os que se deixaram enganar pela ilusão de suas emoções densas.

Hoje vemos o sol, ou melhor, vemos vários sóis que iluminam, brilham, e irradiam pelo brilho de seus chacras, que portam a luz de seus sentimentos nobres.

Hoje conseguimos enxergar o sol!

Obrigado, e até mais.


(Recebido espiritualmente por Vanderlei Oliveira – São Paulo, 26 de setembro de 2003.)

- Nota de Vanderlei Oliveira (em 22 de abril de 2004):

Recebi esse texto no meio do trabalho, estava em uma reunião, com outros professores de Ioga, conversando e acertando pontos administrativos como os de qualquer empresa, e de repente, esse espírito apareceu e me tocou completamente, por sua dor e gratidão.

Guardei esse texto, pois achei que ele poderia gerar algum tipo de tristeza ou sintonia estranha nas pessoas. Mas hoje me deu muita vontade de postá-lo aqui.

Ficou um texto, em muitos pontos, de certa forma vago, pois enquanto essa entidade me passava mentalmente essas palavras, ela ia me mostrando imagens daquilo que havia passado junto com outras pessoas.

Uma consciência que teve uma vida como escravo negro, um dos primeiros, daqueles que foram capturados na África e depois levados, e que fora bastante maltratado, a ponto de gerar muita revolta, que descobriu no suicídio coletivo a única saída para tentar se libertar do sofrimento, e quando do lado de lá, ele e seus amigos viveram a intensidade de sua revolta e sua dor.

Ele apareceu e me passou esse texto como uma forma de gratidão, pois eles foram ajudados por grupos de assistência espiritual a reencontrar sentimentos luminosos dentro de si mesmos, novamente, aprendendo o perdão.

Esse caso mostra o quanto, mesmo com muitos defeitos, muitos tentam ainda se espelhar e pegar carona em nossas qualidades, mesmo que ainda com falhas, mas ao menos não predominantes.

Um grande abraço a todos.

Texto <516><30/04/2004>

515 - ANTIGO EGITO (DE HOJE)

Quando penso no Antigo Egito, a primeira imagem que me vem à mente é a de hoje. Estar aqui, agora, enfrentando os desafios diários da superação pessoal, em provas de ouro.

Avistando a geometria sagrada aplicada à nossa arquitetura, lendo sobre como a ciência está conhecendo a teoria do caos em seus princípios criativos, estudando em cursos e livros sobre Bioenergia e Cosmogonia, Física Quântica e um universo de possibilidades.

Tudo me fica claro na mente, somente algo me pressiona o peito numa pergunta: quando realmente compreenderemos o Amor?

515 - ALIADOS DO BEM

Olhe além dos limites físicos e veja a magnitude de um trabalho espiritual que envolve muitas dimensões de consciência.

Os amparadores estão agindo invisivelmente em todas as dimensões onde haja necessidade de esclarecimento e ajuda espiritual.