515 - ESPIRITUALISTA

O espiritualista consciente é riquíssimo, pois sabe que nada lhe pertence.
Não teme a morte, pois tem certeza da própria imortalidade.
É dotado de altíssimo bom humor e o sorriso é seu parceiro constante.
Sua aura está repleta de cores maravilhosas, fruto de seu discernimento e compaixão.

514 - GRANDES HOMENS

Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei... O homem inteligente?
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso?
Há também poderosos mesquinhos...
Não basta qualquer forma de religião.
Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e certo espírito religioso e nem por isso serem grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a necessária liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não corram com essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada com um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial, mas não exibe gênio...
É poderoso, mas não ostenta poder...
Socorre a todos, sem precipitação...
É puro, mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado, mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados, com leveza e sem gemido...
Domina, mas sem insolência... É humilde, mas sem servilismo...
Fala às grandes distâncias, mas sem gritar...
Ama, sem se oferecer...
Faz bem a todos, antes que se perceba...
O grande homem "não quebra cana fendida, nem apaga a mecha fumegante, nem se ouve o seu clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos sem esmagar ninguém...
Abre largos espaços, sem arrombar portas...
Entra no coração humano, sem se saber como...
Tudo isto faz o grande homem, porque é como o sol, esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...
Assim é, e assim age o homem verdadeiramente grande, porque é instrumento nas mãos de Deus...
Desse Deus de infinita potência e de supremo amor...
Desse Deus, cuja força governa a imensidade do cosmos - e cuja paciência tolera as fraquezas do homem...
O grande homem é, mais do que ninguém, imagem e semelhança de Deus.


- Huberto Rohden -

- Nota de Wagner Borges:

Huberto Rohden (1893-1981) foi professor, filósofo, conferencista e escritor com mais de 65 obras sobre Ciência, Filosofia e Religião, entre os quais vários foram traduzidos em outras línguas, inclusive o Esperanto e até mesmo em Braille, para institutos de cegos.
Maiores informações sobre o seu trabalho e seus livros podem ser conseguidas no site da Editora Martin Claret:
www.martinclaret.com.br/huberto.htm

Texto <514><23/04/2004>

514 - LIGAÇÕES - ALGUNS TOQUES DE UM BANDO DE ESPÍRITOS BACANAS

Quem me dera ter a estrela como guia.
O sol já se levanta no horizonte e eu estou aqui pensando como é bom ser livre, pôr o pé na estrada e sentir o vento batendo no rosto.
Seguir o caminho da natureza e achar a mais linda poesia nas flores silvestres.

* * *

Ah! Meu amigo, não é tão cedo que os materialistas vão dar o braço a torcer.
Há muita gente torcendo as coisas na Terra por pura falta de espiritualidade na cara e no coração.

* * *

Há muitos caras de terno fazendo besteiras de montão.
São puro lixo, mas estão perfumados e são bajulados a todo instante.
São aves de rapina rasgando a pele da nação.
Faturam a grana do champanhe manipulando os esquemas financeiros viciados.
Esses caras estão cagando (1) na política e nas finanças do país, pois sabem que a impunidade é a campeã por aí!
Acham-se muito espertos, mas tem uma coisa que eles ainda não sacaram:
A morte vem galopando por aí, e uma hora dessas vai atropelar essa corja toda, jogando-os na lama da amargura espiritual.
E tem mais uma coisa: Ela não gosta de champanhe!


- Cia. do Amor - A Turma dos Poetas em Flor (2).
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 14 de março de 1997.)

- Notas de Wagner Borges:

1. Não costumo alterar o jeito dos espíritos se expressarem, como muitos médiuns presos a parâmetros doutrinários bolorentos fazem. Os espíritos são apenas pessoas sem o corpo denso, não são “luzinhas inefáveis” que só ficam falando de maneira formal ou religiosa para agradar o convencionalismo do mundo dos homens. Nada disso! Muitos deles usam até gírias e contam piadas.
São gente, igual a gente mesmo. Não tem asas nem são divindades. Do mesmo jeito que acontece com a gente aqui na Terra, possuem qualidades e defeitos, pois a morte não muda ninguém por dentro, só joga a pessoas para outros planos de manifestação.
No caso dos espíritos da Cia do Amor isso fica mais do que evidente. E é por isso que muita gente gosta deles e sua seção é uma das mais visitadas em nosso site. Eles falam a verdade na lata! E apontam toques sérios em meio ao jeito sacana e ferino de passar os textos.
Já no meu caso, como não sigo nenhuma cartilha doutrinária de alguma área espiritual em particular, sinto-me honrado de receber o material dessa turma e repassá-lo para outros. E fico contente de manter a mente e o coração livres de presilhas doutrinárias criadas pelos homens da Terra para reprimirem a alegria e o gozo das pessoas dentro dos estudos espirituais. Aliás, se não for para ser feliz e rir, aqui e agora, de que adiantaria estudar temas espirituais? Por isso passo o que eles enviam, sem edição, como é do jeito deles, como é a vida além, sem muita onda celestial, mas cheia de gente igual a gente.
A vida continua, “Lá e Aqui”, “Aqui e Lá”, cheia de gente, na carne e fora dela, todo mundo muito vivo!

2. A Cia. do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para maiores detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver o livro “Cia. do Amor – A Turma dos Poetas em Flor” (Edição independente - Wagner Borges), e sua coluna na revista on line do site do IPPB: www.ippb.org.br

Texto <514><23/04/2004>

513 - VIAJANDO NOS OLHOS-SATTVA

Olho pelas janelas de tua alma,
Os teus olhos,
E vejo o grande oceano de ananda (1)
Na consciência cósmica de Brahman (2).

Penso no Amor que te move
E que te faz vir aqui,
No centro de meu coração,
Inspirar a luz de minha vida.

Escuto tuas palavras no silêncio...
Sei que elas falam do amor incondicional.
Sei que é preciso grafar no mundo dos homens
As palavras espirituais desse amor.

Porém, meu amigo dos olhos-sattva (3),
Como registrar o teu olhar cheio de amor,
Nos olhos meus?
Esse olhar que viaja por entre os planos.

Esse mesmo olhar, que absorve as dores
De muitos, que nem sabem de ti,
E os transforma em amor
No silêncio...

Sabe, quando esses olhos entram nos meus,
Tudo muda!
E o que era dor, se transforma em festa,
Na forja da luz que chega.

E percebo que a vida é festa,
Quando se nota a alegria
Que viaja nos átomos vitais,
Cheios da luz de Brahman!

É festa... Quando respiro a vida
E sinto o prana (4) viajando alegremente
Pelos condutos sutis de meu espírito,
Filho do Espírito Supremo.

Não há chagas na pele do meu corpo espiritual.
Elas foram sanadas alegremente,
Quando teu olhar chegou aqui, tempos atrás,
E no silêncio, disse: “Viaje com alegria!”

Em teus olhos, eu vejo tanto!
Em teu amor, eu amo tanto!
Nesses momentos, com você aqui,
Sinto que é o amor que nos leva...

No entanto, como falar desse amor,
Que é só silêncio?
Como escrever sobre o que se sente,
Mas que não se vê com os olhos da carne?

Como levar aos meus irmãos de estudo
O amor silencioso de um olhar?
Como lhes dizer que a luz dos teus olhos
Está nesses escritos simples de coração?

É o teu olhar que olha por mim?
Ou sou eu que vejo em ti
O amor que ainda não tenho,
Mas com o qual sonho voar um dia?

Você é esse amor sereno?
Ou será que é o amor que faz o teu olhar?
Esse amor que está nos turbilhões galácticos,
E no silêncio interdimensional...

Esse amor, nem teu, nem meu,
Mas de todos os seres na casa de Brahman.
Esse amor, sem nome e sem forma,
De todas as formas...

No teu olhar, só serenidade.
Por onde eu capto a mensagem:
Lembrar aos homens da essência espiritual
Que mora neles mesmos.

E com isso, lembrar a mim mesmo,
De que é preciso crescer, amar, sorrir e seguir...
E deslizar com sabedoria nas ondas
Da luz imortal e silenciosa...

Meu amigo dos olhos-sattva,
O teu olhar chegou aqui, e a luz brilhou mais.
E os meus olhos brilharam com tua mensagem:
“Tudo é Brahman!”

No teu olhar, o amor.
Em teu silêncio, a serenidade.
Por tua inspiração, esses escritos.
E em tudo, Brahman!

PS: Esse amor, nem teu, nem meu, mas de todos.
Essa luz, nem tua, nem minha, mas da vida.
Esse Brahman, nem teu, nem meu, mas de todos.
Esses escritos, nem teus, nem meus, mas de Brahman!(5)

- Wagner Borges -
São Paulo, 23 de março de 2004, às 19h46min.

- Notas do sânscrito:

1. Ananda: Bem-Aventurança; Êxtase Espiritual.

2. Brahman: O Todo; O Supremo; O Absoluto; Deus; O Grande Arquiteto Do Universo.

3. Sattva: Equilíbrio; Pureza. É uma das três manifestações fenomênicas: Rajas (atividade, paixões), Tamas (inércia, passividade) e Sattva (equilíbrio).

4. Prana: Sopro vital; Força vital; Energia.

5. Para maior entendimento desses escritos que falam do mestre de olhos-sattva, reproduzo na seqüência um texto anterior que também fala dele. Já foi postado pelo site há quatro anos, e revela alguns pontos interessantes sobre um jornalista-ocultista, hoje desencarnado e morando no “andar de cima”. Inclusive, esse texto faz parte do livro “Falando de Vida Após a Morte”, que será lançado no próximo domingo, na Bienal do Livro. Segue o mesmo logo abaixo.
continua

Texto <513><20/04/2004>

512 - QUATRO CONDUÇÕES

O rapaz tinha 17 anos, mas poderia ter 25, 32 ou 52, pois já carregava no olhar o peso das decisões, o mundo nos ombros e o futuro na próxima opção. Devia estar na escola, aprendendo a ler sobre a história do mundo, mas estava ali naquela fila escrevendo a própria estória, esperando por uma chance de tudo mudar.

Numa época em que as opções são tomadas inspiradas em quem está do lado, o pai ausente e a mãe alcoólatra deixaram a estrada aberta para os amigos das esquinas da vida fácil lhe apresentarem o dinheiro rápido nos pequeno furtos, nos pequenos assaltos que levam o dinheiro do bolso para as lojas do shopping, para o mundo que um garoto de periferia não tem acesso se tiver a carteira vazia. Mundo do tênis de marca, do cinema e pipoca com gatinha; da aceitação e do triunfo.

Se ao menos o dinheiro durasse um pouco mais, ele sempre pensara preocupado, mas os amigos garantiam que assim que a carteira esvaziasse, haveria sempre um novo furto os esperando.

O que eles esqueceram de dizer é que toda mentira é revelada e todo ladrão um dia é pego, e enjaulado como um pássaro que tem suas asas cortadas e não pode mais voar por um tempo que vira eternidade.

Sempre ouvira falar da FEBEM, os garotos a chamavam de Escola, os jornais e a TV a chamavam de Inferno, e foi com lágrimas nos olhos que ele virou estatística junto com um bando de moleques que deveriam estar na rua jogando bola, e não queimando colchão e levando porrada em cativeiro.

Por isso, e porque dentro dele havia essa força que ergue campeões e inspira o mundo inteiro, ele decidira que não freqüentaria as aulas de pancada, muito menos as lições de desespero, e com paciência, muita paciência, ele aprenderia qualquer lição que aquele lugar lhe oferecesse e que o impedisse de retornar para o crime que certamente o traria para a FEBEM novamente.

Entre aulas de música e explicações do que era poesia, ele descobriu que as mesmas mãos que destroem, também constroem cadeiras, mesas, guarda-roupas. E guardou esperança.

Quando houve a primeira rebelião e surgiu a chance de escapar, ele decidiu ficar e esperar a eternidade passar. Usando a paciência que aprendera com a falta de liberdade, paciência que a cada dia recuperava suas asas que já não estavam mais cortadas e dentro de mais em pouco o faria voar novamente.

E ele voou, mas o céu virou obstáculo, e a liberdade tão esperada, quando enfim alcançada, tornou-se uma muralha que ele tentara escalar todos os dias em busca do homem que ele queria se tornar, mesmo embora o moleque que adorava a vida fácil, volta e meia, o atentasse nas ofertas generosas dos amigos e nas frustradas tentativas de arranjar um emprego.

Porém, mesmo depois de mil tentativas e mil portas fechadas, o nosso herói moderno continua usando o dinheiro da “breja” e das noitadas para pagar as quatro conduções que o levam todos os dias para o centro da cidade de São Paulo, para as filas de desempregados da rua Barão de Itapetininga, onde não só ele, mas centenas de outros garotos e adultos tentam vencer na vida da maneira mais difícil que existe: a maneira honesta.

Seu tênis de boca aberta, colado com super-bonder, e seus jeans surrados podem ser vistos essa manhã no centro de Sampa, comendo o hot-dog-almoço que vem com suco grátis. Ele está lá agora mesmo aguardando com ansiedade que a próxima fila lhe garanta um emprego, tanto quanto espera que a menininha do colégio que freqüenta à noite, algum dia lhe dê um beijo.


- Frank -
Londres, 15 de Fevereiro de 2004.

- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores, que atualmente mora em Londres. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site, e em nossa seção de textos projetivos e espiritualistas em meio aos diversos textos já enviados anteriormente.

Texto <512><16/04/2004>