446 - CHORO DE MORTE II

No funeral, nada de lágrimas.
O que passou, passou.
O que fica é a experiência,
E a vida que chama.

* * *

446 - BEM VIVO MESMO

Oi, mãe!

O acidente que me levou embora ocorreu na hora certa do meu destino. Havia soado as doze badaladas da meia-noite no relógio do meu Carma (1). E eu não morri, apenas me fui no meu destino espiritual. O acidente não me matou, só me soltou da carcaça física que me segurava por aí. Não vou dizer que foi fácil somente para te consolar e te poupar, porque, na verdade, não foi. Sair do corpo abruptamente é sempre uma experiência forte para o espírito e muitos chegam a ficar aparvalhados durante muitos meses após a passagem violenta, não obstante a assistência maravilhosa que os nossos amigos espirituais dão na difícil adaptação extrafísica.

Mãe, não vou te mentir: os primeiros tempos aqui foram bastante difíceis. Na realidade, fiquei puto (2) da vida de ter morrido desse jeito, longe dos meus afetos e enlatado como uma sardinha dentro do carro batido, na escuridão da noite.
Tive toda a assistência espiritual na hora do meu desprendimento do corpo físico e não senti dor. Contudo, não posso negar, tomei um susto enorme e fiquei meio traumatizado, tremendo igual vara verde na ventania. Lembrei de ti e tremi mais ainda pensando no sofrimento que passarias quando soubesse que o teu querido filho havia sido amassado num estúpido acidente de carro. Fiquei muito aflito e sei que o teu coração sentiu a minha aflição de alguma maneira, pois parece que o coração das mães é dotado de um sexto sentido especial que as leva a sentir os filhos onde quer que eles estejam.

445 - HOMENS DE CHICO

Raia o sol (1), a flor dos Chicos no Brasil!
Estes chi´s abençoados que varrem os males do país!
O Chico da selva e da mata.
O olheiro que escuta a floresta.
O guardião e o gnomo de Deus.
O pai e o filho da Mãe-Terra!
O manso Chico que empresta suas mãos às súplicas.
O quase cego que enxerga quase tudo!
O ignóbil mais que letrado.
O escriba do além.
O carteiro e o poeta divino!
Tantos Chicos que até me lembro de Assis.
Mais um "Chi" (2) que assim a Luz se fez!
Curumim de mim, Kuthumi de nós.
Que dorme no dorso dos bichos e anda nas corcovas das montanhas.
Habita nas cavernas onde soam os tambores xamânicos do peito.
Amanhã, quero nascer Chico!
Ser um homem de Chico que absorve o fluxo da paz no mundo!
Um Chico das águas de cima com as águas de baixo, numa pororoca abençoada!
Que jamais derrama o sangue num cálice de sombras.
E bebe do Graal, o vinho de Sananda (3).

- Mauricio Santini –
São Paulo, 01 de junho de 2003.

Mauricio Santini é jornalista, escritor, poeta e espiritualista. É meu amigo há muitos anos, e sempre me emociono com os seus textos brilhantes e cheios de daquele algo a mais que só os grandes escritores e poetas possuem. Para ver outros textos dele, basta entrar em sua coluna na revista on line de nosso site (www.ippb.org.br)

1. Alusão à canção "O Ciúme", de Caetano Veloso.
2. Chi (do chinês): Força vital, Energia.
3. O vinho de Sananda (Jesus) é suave e a safra, atemporal.

Texto <445><18/07/2003>

445 - VIAJANDO NO AMPLEXO DA ALMA

Enquanto eu escolhia alguns escritos de um filósofo brasileiro (desencarnado há mais de vinte anos) que muito admiro para compartilhá-los com um grupo de estudos, ele apareceu e disse-me mentalmente o seguinte:

"Amigo, O Grande Imanente Invisível o saúda!

De coração a coração, receba o amplexo dos amigos invisíveis.

Enquanto você compulsava as páginas do livro no qual coloquei muito de meu coração, eu o observava e sorria. É que esse livro não é meu, mas do meu coração, Himalaia eterno, templo dos homens livres das peias de Maya (1).

E alguém é dono do próprio coração?

Nesse instante, que tal você mesmo escutar a divina canção que o seu coração compôs em homenagem aos homens crísticos que no silêncio do amor espalham as sementes do despertar em todos os seres?

Vamos vibrar juntos, de coração a coração, como pequenas expressões do Deus vivo em nós. Vamos pintar os sepulcros caiados de Maya com as cores do coração desperto, esse Himalaia gigantesco dentro de nós mesmos, onde escalamos as escarpas dos sentimentos que animam nossos passos na senda do Eterno.

Irmão, é hora de escutar os acordes secretos da alma e compartilhar a melodia do Grande Concertista Cósmico com os seus irmãos de alma e estudo espiritual.

Que o suave amplexo do TODO seja sentido como a inspiração que a tudo anima."

444 - UMA VIAGEM ESPIRITUAL NUM RAIO DE CRISTAL

(Transcrição na íntegra do programa "Viagem Espiritual", do dia 19 de dezembro de 2000 – Rádio Mundial de São Paulo – 95,7 FM)

Ontem, durante uma experiência fora do corpo, eu encontrei um amigo extrafísico e conversamos sobre muitas coisas, pois fazia tempo que eu não o via. Ele é meu conhecido de muitas vidas e passou-me alguns toques espirituais interessantes, algumas coisas bem ponderadas.