380 - CANTO DO BODHISATTVA

Certa vez, Avalokitesvara, o Bodhisattva da compaixão andava pelos prados verdejantes do coração espiritual de um homem justo. Em dado instante, ele sentou-se embaixo de uma árvore frondosa, filha do amor que havia possuído aquele homem.
Então, o senhor da compaixão cantou o mantra da libertação: "Om Mani Padme Hum"... "Om Mani Padme Hum"... Om Mani Padme Hum"...**

Acima, bem no meio do alto da cabeça do homem, brilhou o sol da consciência serena e desperta.

Por ali, como se o seu chacra da coroa se transformasse num alto falante interdimensional, ecoou as vibrações do Avalokitesvara para as dez direções e para todos os seres.

Por todos os lugares onde chegava a vibração do mantra, correntes se partiram e muitas almas foram libertadas da prisão do ódio em si mesmas.

Por onde o mantra chegava, essas almas escutavam o som do perdão e das correntes se partindo por obra e graça do amor incondicional, que a ninguém jamais condena e a tudo compreende.

O Boddhisattva cantou no coração de um homem justo, e as dez direções estremeceram com as ondas vertidas pela compaixão serena e silenciosa.

E até hoje é assim...

No coração dos justos habita o Boddhisattva da compaixão.

Ele inspira, canta e abraça os homens sofredores das dez direções.

No mundo ninguém ouve a sua canção, mas ele continua partindo as correntes da dor silenciosamente.

"Om Mani Padme Hum"... "Om Mani Padme Hum"... "Om Mani Padme Hum"...

Sentado embaixo da árvore nos prados verdejantes do coração espiritual, o Boddhisattva emana o mantra da jóia no lótus.

Ele tem um grande sonho:

"Libertar a alma da humanidade do jugo do egoísmo, e sentar embaixo de todas as árvores e dizer: Sejam felizes!"


Paz e Luz.



- Wagner Borges -
São Paulo, 23 de agosto de 2002.


PS: Esses escritos foram realizados de improviso no quadro de aula do IPPB logo após uma prática espiritual com as 200 pessoas presentes na palestra pública. Enquanto o lance rolava, percebi um dos amparadores que prestava assistência espiritual por ali. Ele olhou-me e sorriu. E pelo seu olhar brilhante veio a inspiração para esses escritos. Horas antes, ele havia aparecido em meu apartamento e sugerido um trabalho com as vibrações do mantra Om Mani Padme Hum para cura espiritual. ***

* Bodhisattvas (do sânscrito): São aqueles seres bondosos que estão perto de tornarem-se Budas (Iluminados). Para facilitar a explicação, podemos dizer que eles são canais espirituais (avatares) conscientes do amor de todos os Budas.

** Om Mani Padme Hum (do sânscrito): Sua tradução literal é: "Salve a jóia no lótus". Esse é um mantra de evocação do bodhisattva da compaixão entre os budistas tibetanos e chineses. Om é a vibração do TODO. Mani é a "Jóia espiritual que mora no coração", ou seja, é o próprio espírito, a essência divina. Lótus é o chacra cardíaco que envolve energeticamente essa jóia sutil. Hum é a vibração dessa compaixão do TODO vertendo a luz pelo chacra cardíaco a favor de todos os seres.

Esse mantra é mais conhecido como o "mantra da compaixão". É um dos mantras mais poderosos que conheço. Pode ser concentrado mentalmente dentro do peito (como se a voz mental estivesse reverberando ali dentro) ou dentro de qualquer um dos chacras que a pessoa desejar ativar. No entanto, o melhor lugar para ele é realmente o chacra cardíaco, pois o que chega ali é distribuído para todo o corpo (pela circulação do sangue comandada pelo coração) e também chega a todos os outros chacras do corpo energético.

O chacra frontal (testa) também é excelente para essa prática do mantra, pois o que chega nele é distribuído ao longo da coluna pelos nádis (condutos sutis de transporte energético pelo sistema) e comunicado a todos os outros chacras abaixo dele. Esse é o motivo pelo qual vários mestres-yogues sempre aconselham aos seus discípulos a iniciar alguma prática bioenergética por ele.

Um livro excelente sobre isso é o do pesquisador-yogue japonês Hiroshi Motoyama: "Teoria dos Chacras" (Editora Pensamento)

Eis alguns cds maravilhosos que contém esse mantra:


- Laíze (participação de Aurio Corrá nos teclados e arranjos); Cd. "OM"; Gravadora Alquimusic; Serie: ANM - 0015. A segunda música desse disco é um canto de amor e faz um bem enorme ao chacra cardíaco. É amor em forma de ondas sonoras.

- Cd. "Tibetan Incantations - The Meditative Sound of Buddhist Chants"; Gravadora Music Club; Série: 50050. A segunda música desse disco é de uma profunda alegria e melhora o humor do ouvinte. É alegria em forma de ondas sonoras.A terceira música é o Om Mani Padme Hum cantado à capela pelos monges tibetanos. Esse disco tem 74 minutos de música.

- Cd. "Six-Word Mantra of Avalokitesvara - The avalokitesvara Bodhisattva Dharma Door Vol. ll"; Gravadora Wind records; Série: TCD - 2109. Esse cd foi feito por músicos chineses e direcionado para cura de orgãos internos pelo mantra Om Mani Padme Hum. Entretanto, como a pronúncia é chinesa, o mantra fica assim: Om Mani Pa Me Hung. Seu efeito é bem forte. Nesse trabalho, o lance é mais de energia do que de amor. É vitalidade em ondas sonoras.

- Beijing Central Juvenile Chorus; Cd. "Wingsong of The Lotus World"; Gravadora Wind records; Série: TCD - 2152. Esse disco é cantado por um coro juvenil chinês. Aqui o Avalokitesvara (representado pelos chineses na figura da Deusa da compaixão "Kuan-Yin"), criador do Om Mani Padme Hum, é reverenciado em um belo canto que encanta o coração do ouvinte sensível. Esse disco é paz em ondas sonoras.

Obs. No Tibet, o Bodhisattva da compaixão é representado na figura de Avalokitesvara. Na China o Bodhisattva da compaixão é representado na figura da deusa Kuan-Yin (ou Kwan-Shi-Yin) No Japão ele é chamado Kannon. E na Mongólia o seu nome é Chenrezi.

*** Enquanto eu digitava esses escritos, lembrei-me de um texto que foi postado no nosso site em 1999. Sei lá por que, mas surgiu espontaneamente a vontade de postá-lo junto com esse texto atual.

Portanto, segue o mesmo logo abaixo:
continua

<Texto 380><31/10/2002>

380 - ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL EM UM VELÓRIO

Um amigo de longa data faleceu de enfarte fulminante, depois de dois dias de UTI, com aproximadamente 50 anos de idade. No velório, a mãe, a irmã, os amigos e parentes choravam desconsoladamente por não aceitar o fato
ocorrido. Cumprimentei os conhecidos, procurei um lugar para sentar, em um canto mais isolado e entrei em trabalho de auxílio.

ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL EM UM VELÓRIO
(Texto postado originalmente para o grupo de estudos do IPPB)


Um amigo de longa data faleceu de enfarte fulminante, depois de dois dias de UTI, com aproximadamente 50 anos de idade. No velório, a mãe, a irmã, os amigos e parentes choravam desconsoladamente por não aceitar o fato
ocorrido. Cumprimentei os conhecidos, procurei um lugar para sentar, em um canto mais isolado e entrei em trabalho de auxílio.

Na verdade comecei antes de chegar no cemitério, fazendo exercícios para circular a energia e
aproveitei o belo dia de sol para me carregar de prana*, pois sabia que teria muito o que doar.
Sentada, entrei em sintonia com o plano espiritual maior, saudando as equipes que trabalham nesta atividade e me coloquei a disposição para
ajudá-los. Dentro de instantes, parecia que eu havia me projetado e me posicionado ao lado do cadáver.

Percebi o meu amigo ali e o quanto seu
padrão vibratório estava desequilibrado. Então, apliquei-lhe alguns passes e comecei a trabalhar o desligamento dos filamentos dos chacras que ligavam-no ainda com a sua mãe e vice-versa.

Dentro de poucos minutos, eu já podia sentir o quanto meu amigo estava perturbado e revoltado com sua separação do corpo físico. Eu podia ver e
sentir seus últimos momentos, recebendo as descargas de choques elétricos no trabalho dos médicos e enfermeiros, tentando ressuscitá-lo. Passei a emanar meus pensamentos diretamente para ele. Chamei-o pelo nome, me identifiquei,
o abracei e pedi que prestasse atenção no que eu tinha para lhe falar.

Ele concordou. Falei sobre a continuidade da vida, sobre a eternidade da alma, sobre a importância e a necessidade dele entender e aceitar o que havia se
passado. Sabia que seus últimos anos estavam sendo bem difíceis em termos sentimentais, profissionais e financeiros, e que tudo isso junto com o quadro depressivo em que ele se encontrava, contribuiu para este enfarte.

Falei um pouco disso com muito cuidado. Ele me perguntou o que aconteceria agora e respondi que deveria seguir com as pessoas que estavam lhe
oferecendo ajuda (percebia a presença dos socorristas extrafísicos e de um parente, um homem de mais idade) e que sua mãe ficaria bem.
Praticamente no mesmo instante, a sua mãe, uma pessoa idosa, começou a chorar alto, a repetir o nome dele e a dizer uma série de frases em
desespero. Voltei a mim de súbito e dirigi minha atenção para ela.

Apliquei-lhe passes mentalmente por alguns instantes, até perceber que ela se acalmou. Senti-me enfraquecida. Sai da sala do velório e logo adiante avistei uma árvore. Fui direto em sua direção e discretamente comecei a abraçá-la, olhando para o sol, a fim de recarregar minha energia.

Nisso chegaram os homens do cemitério pedindo para fechar o caixão. Me adiantei
para junto da mãe dele, como não tinha visto nenhum padre, nem reverendo nem
ninguém de carreira semelhante, me ofereci para fazer uma prece.

A família aceitou. Aproveitei a oportunidade para pedir a todos que mentalizassem nosso amigo sorridente e brincalhão como ele sempre se apresentava. Enquanto isso, falei algo sobre a continuidade da vida após a morte e a importância
da nossa prece para ajudá-lo a seguir em paz. Fecharam o caixão e novas crises de choro se seguiram.

Daí é que fui perceber a presença de espíritos das sombras se afastando, bravos comigo, dizendo que ele teve o que merecia.

Continuei entoando mentalmente mantras e vibrações, mas agora direcionadas para eles. O ambiente ficou melhor. Quando abri os olhos praticamente todo mundo já havia saído em direção ao túmulo.

Senti orientação para ficar junto da mãe dele. Quando consegui alcançá-la, percebi o quanto ela estava fraca e pronta para cair a qualquer instante,
devido ao choque emocional que estava passando. Ela aceitou a proposta de sentar-se em um banco que permitia dar vista a todo o campo verde do
cemitério e ao mesmo tempo poderia acompanhar o trabalho que iria ser feito.

Posicionei minhas mãos na direção do peito e das costas dela, nas aberturas dos chacras cardíacos, de frente e de trás, e em silêncio entoei mantras
("Viveka Chuda Mani" ** e "Deus é paz, Deus é Amor, Deus é luz").

Ela foi se acalmando devagarinho e recebi intuição de conversar com ela, valorizando seu trabalho como mãe dedicada, que procurou dar bons conselhos, os quais poucos foram ouvidos e seguidos por ele. Imediatamente ela se virou para mim e começou a desabafar contando o quanto estava sendo difícil para ela essas últimas semanas, pois ele brigava com ela constantemente e também com a "própria sombra".

Lembrei-me do que disseram os espíritos das sombras e entendi melhor o quadro que se passava. Conversamos mais um pouco no sentido de ajudá-la a ficar com a consciência tranqüila. Deu certo! Em um
determinado momento ela comentou que o cadáver do marido estava enterrado no mesmo lugar. Aquele senhor que eu percebi do lado dele podia ser então seu pai.

O enterro já havia acontecido e várias pessoas tinham ido embora. Olhei no relógio de uma pessoa e lembrei que eu tinha que voltar correndo para o meu
serviço, pois já estava ausente por mais de duas horas. Foi então que percebi um rapaz, muito amigo dele e bem conhecido meu, parado diante do
túmulo, com o olhar longe. Fui até ele e o abracei. Ele me perguntou se nosso amigo estaria gostando deste lugar, pois a vista era bem bonita.

Chamei-o pelo nome e falei carinhosamente que o nosso amigo não estava lá, que lá debaixo da terra só estavam músculos, ossos e um turbilhão de células se desagregando. Disse-lhe que o nosso amigo estava agora em um lugar melhor, porque a "barra por aqui" estava muito pesada para ele. Na conversa, percebi uma mistura de sentimentos de arrependimento com solidão. Mentalizei
banho de cores nele enquanto o abraçava. A filha dele se aproximou e deixei os dois sozinhos. Recebi orientação de que meu trabalho ali havia se
encerrado.

Fui até o lugar onde havia estacionado o carro, providencialmente junto de árvores frondosas. Encontrei um cantinho e passei então a fazer um bom banho de limpeza com as energias das árvores e do sol. Agradeci pela oportunidade de auxílio e aprendizado que me foi dada, e no caminho de volta para o serviço senti-me faminta e sedenta, e percebi que eram quase três horas da tarde e que eu ainda não havia almoçado. Neste ínterim, recebi instruções de relatar por escrito o que havia vivenciado. Aqui está!


- Por Íris Poffo -

* Prana (do sânscrito): "Sopro Vital"; "Energia".

** Viveka Chuda Mani (do sânscrito): Viveka Chuda Mani (do sânscrito): Nome
do célebre livro de Shankara (século 9 D.C.). Sua tradução literal é:
Viveka: "discernimento"; Chuda: "Suprema"; Mani: "Jóia". A Suprema Jóia do
Discernimento!

Ou, como a palavra Mani siginifica também a jóia oculta no coração (o atman,
a essência espiritual imperecível), pode-se traduzí-lo assim: O
Discernimento Supremo que mora na Jóia do coração espiritual.

Resumindo: trata-se de um poderoso mantra evocativo da atmosfera espiritual dos rishis (sábios) que inspiraram "Os Upanishads", o trabalho de Shankara e os elevados valores conscienciais do Vedanta.

Para melhor entendimento, ver o texto 369

Texto <380><31/10/2002>

379 - STARGATE CONSCIENCIAL

(Texto passado originalmente para o grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB)

1. Todo ser humano é um portal espiritual, um avatar,* apenas ainda não despertou para este fato. Somos um stargate** que permite a conversão interdimensional, a passagem de um meio para outro.

2. Todo ambiente onde é feito um trabalho pelo bem é um ambiente sagrado (expressão aqui colocada sem sentido religioso). A somatória das energias das pessoas fica vibrando nesse espaço e é usada pelos amparadores nos diversos processos de assistência extrafísica.

3. Se a minha casa, meu lar e o meu coração podem ser um "Himalaia", então para que ir até um lugar desses para se aproximar da luz que já mora dentro da própria consciência?

4. O lugar mais sagrado é o interior da sua própria consciência.

5. Muitos grupos de estudo e de assistência espiritual com irradiação de energia são montados com boas intenções, mas não funcionam porque a grande maioria das pessoas coloca o intelecto na frente do coração. E aí a coisa complica, pois a essência de tudo na atividade espiritual é o amor.

6. Você pode fazer meditação e mantras, mas se não vigiar seus pensamentos, isso não alterará quase nada suas energias e o seu nível de lucidez.

7. Quem tem segurança e firmeza no que faz não se importa com o que os outros falam a seu respeito.

8. Deixem de ser cegos e aprendam a enxergar melhor o que ocorre diante dos seus olhos!

9. Fiquem atentos com mensagens de correio eletrônico (e-mail) que geram raiva, revolta, melindres, inveja, ciúme e, portanto, formas-pensamento densas.

10. Os amparadores muitas vezes não conseguem lhe acessar porque você se fecha de medo.

11. Quem trabalha com a Espiritualidade tem que agüentar pedradas das pessoas encarnadas e dos obsessores também. Alguém poderá dizer: "Não sou Jesus!" Mas, e daí? A opção de trabalho é a mesma: fazer o bem e ajudar aos outros. Então, cada vez que você tomar uma pedrada, levanta, desvia dela e segue fazendo o bem.

12. Ser agredido espiritualmente por um obsessor (assediador espiritual) porque está tentando crescer e desligar-se de climas ruins anteriores, ainda vai, mas deixar ele tirar sarro porque você está dando mole, não! Não "paguem este mico!"

13. Quando você não puder discernir algo pela clarividência, siga pelo sentimento do coração e lembre-se que a base para isso é a humildade!

14. O único sacrifício válido é aquele que queima o ego.

15. Você pode fazer exercícios para expandir a consciência e os chacras, mas se você não trabalhar seu ego e se não expandir o amor no coração, sairá perdendo para aquele que não fez nada disso, mas foi distribuir sopa para os pobres, este sim expandiu muito mais o seu coração.

16. É só o amor que nos leva...forever!


Paz e Luz.


- Wagner Borges -
São Paulo, 06 de novembro de 2001.

Esses escritos são a transcrição de um trecho de uma aula no grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB sobre responsabilidade e maturidade consciencial. Estou reproduzindo-o aqui porque poderá ser útil para a reflexão sadia de outros grupos e espiritualistas, da mesma forma que serviu para nossa própria reflexão e aprendizado.

* Avatar (do sânscrito): "Emissário divino"; "Canal espiritual da
divindade".
** Stargate (do inglês): Portal estelar.

Texto <379><28/10/2002>

379 - O VÔO DO PÁSSARO

(Exercício Xamânico de Visualização Criativa)

Para este exercício, não importa se você já tem um animal de poder, ou se não tem nenhum. Aqui você vai apenas usar o poder do pássaro, para voar numa jornada xamânica. Esse exercício foi recentemente usado em grupo, e os resultados foram muito bons; inclusive como um estimulador de posteriores projeções da consciência.

1. Sente-se confortavelmente sobre uma esteira ou almofada, encostando-se numa parede, se quiser. Caso a música ou o incenso costumem atrapalhar sua concentração, prendendo você no físico, não use.
Caso não atrapalhe e queira usar, procure usar sons ritmados de tambor.

2. De olhos fechados, comece a se transformar num pássaro. Respirando profundamente, sinta, lentamente, os braços se transformarem em longas asas, enquanto você perde peso e tamanho. Sinta que seu rosto se alonga num bico,
e que seus olhos se afastam para os lados da cabeça. Sem abrir os olhos, experimente "olhar" como os pássaros: deite a cabeça ligeiramente para um lado, com o bico para frente, e focalize o olho sobre a "asa" correspondente. Vire para o outro lado e experimente o outro olho, sobre a outra asa.

Procure ver as asas. Sinta que seu corpo todo se cobre de penas, estendendo-se numa longa cauda emplumada, e que seus pés se transformam em garras. Enquanto relaxa, examine várias vezes sua nova "vestimenta" e corrija o que achar preciso. Mova-se um pouco, o pescoço também, como um pássaro que alonga suas penas.

3. Ainda mantendo o corpo-pássaro aterrado, e relaxando cada vez mais, procure acessar a "memória de vôo" do pássaro. Lembre-se da forma como você, pássaro, costuma voar. Veja-se voando, para lembrar.

4. Visualize um imenso céu azul (ou estrelado, à noite) a sua frente. Fique observando-o até sentir vontade de voar. Procure ouvir o chamado dos irmãos pássaros. Certifique-se de estar vendo e vivenciando tudo a partir de seus próprios olhos, dentro de seu corpo-pássaro, e não como alguém que observa de fora. Quando estiver pronto, saia de uma vez, asas coladas ao corpo, bico apontando para cima, como uma flecha, em direção ao alto. Depois disso, voe à vontade, rápida ou lentamente, em vôos altos ou rasantes, para onde quiser.

5. Quando quiser voltar, "pouse" onde deixou o físico, entre em seu antigo corpo, e vá voltando a si, lentamente.

- Por Bene -

Wagner Borges: Bene é o apelido carinhoso do nosso amigo Benedicto
Cohen. Ele é participante da lista Voadores na Internet. * É tradutor de livros e pesquisa há muitos anos as projeções da consciência, o Xamanismo e os temas espirituais de forma universalista. Quando vi esse exercício fantástico postado por ele na lista Voadores, logo pedi sua autorização para postá-lo num dos textos enviados pelo nosso site. Daí, além de autorizar a reprodução dos escritos, ele também enviou-me uma pequena explicação de como desenvolveu essa visualização.
Para melhor entendimento do exercício, reproduzo o e-mail que ele enviou-me
com essa explicação logo abaixo:
"Bom, a técnica do vôo do pássaro, do jeito que está aí, foi desenvolvida
por mim mesmo, a partir de uma experiência relatada por Carlos Castaneda, em
seus encontros com D. Juan, onde ele vôa como um corvo. Eu mesmo desenvolvi
o processo de visualização, acrescentando detalhes para ajudar a pessoa a ir
relaxando e se sentir transformando-se gradualmente em pássaro.
Fizemos esse experimento num pequeno grupo, e o pessoal se envolveu bastante.
Caso queira postar no site do IPPB fique à vontade. Se quiser, pode dizer que preparei essa ´jornada xamânica´ com base nas experiências de Castaneda."

* A lista "Voadores" na Internet é uma das principais listas de discussão de temas espirituais e projetivos na Internet. Conta com milhares de participantes atualmente. O endereço do site da lista é
http://br.groups.yahoo.com/groups/voadores
O e-mail da lista é voadores@uol.com.br

Texto <379><28/10/2002>

379 - CHORO DE MORTE

O homem chora ao nascer, chora para viver e chora para morrer.
A família chora porque ele morreu, ele chora porque a família chora.
Na verdade, uma coisa é certa: Todos choram, não por amor, mas sim, por não
saberem que amor é sempre amor, independente de vida ou morte.

* * *

Para aquele que vai na morte, deve haver a luz da família que ama, para
guiá-lo nos caminhos além da vida.
Para aqueles que ficam na vida física, deve haver a lembrança sadia daquele
que amavam, para guiá-los com amor na vida que passa e para fortalecê-los no
carinho aos que ficaram, pois, um dia, estes também irão partir e esperarão
carinho igual no caminho que chama além da vida...

* * *

É choro que vai,
É choro que vem.
Mas não adianta chorar,
Pois a morte não poupa ninguém.

* * *

É sofrimento velho pelos mortos antigos.
É sofrimento novo pelos mortos modernos.
E ninguém quer dizer
Que para morrer só basta nascer.

* * *

Já pensou se não houvesse morte?
Os políticos sacanas não morreriam nunca!
Seus mandatos seriam eternos
E a vida seria um inferno!

* * *

Cemitério não é lugar de chorão,
É lugar de corpo e podridão.
Lá não tem nenhum familiar,
Só tem verme comendo caviar.

* * *

Cemitério não é lugar de visita.
É só lugar de partida,
Onde a passagem é só de ida
Para um lugar chamado de "vida".

* * *

Outro dia fui olhar o meu túmulo.
Dentro dele só havia o esqueleto.
Não me contive e caí na gargalhada,
Porque a morte é uma grande palhaçada!

* * *

Dizem que saudade não tem idade.
Isso é válido também do "lado de cá".
Outro dia tive saudade de escrever sobre a morte,
Procurei um médium e dei sorte...

* * *

Hoje, brinco de escrever coisas sérias
E espanco a morte com palavras.
Não sou morto, nem jovem , nem senhor.
Sou só um espírito cheio de bom-humor!


- Vidigal -
Cia do Amor - A turma dos Poetas em Flor.*

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; Caxias do Sul, 28 de novembro de 1992)


Texto <379><28/10/2002>