1710 - EM BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO - 2ª Parte*

 
 
1710 em busca do autoconhecimento 2 parte
 
EM BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO – 2ª Parte*
Entrevista publicada na Revista Espiritismo & Ciência – Número 33 – Páginas 28-33; Ano de 2005 - Mythos Editora.

Leia a segunda parte da entrevista com Wagner Borges a respeito do autoconhecimento, propondo o caminho do raciocínio não dogmático e com liberdade de pensamento.

- Qual a contribuição dada pelo Espiritismo no campo do esclarecimento e auxílio ao autoconhecimento?
 
Wagner Borges - O grande mérito do Espiritismo, na minha opinião como um estudioso de diversos tipos de segmentos, foi ter arrombado o segredo e trazido para um nível popular aquilo que antes era só dos iniciados.
O Espiritismo permitiu à população conhecer a reencarnação e a vida após a morte. Se ele não tivesse surgido como uma doutrina aberta, pública, esses conhecimentos até hoje seriam esotéricos, fechados dentro de grupos, que também são muito bons; porém, a população somente teria acesso por processos iniciáticos. Então, nesse caso, o Espiritismo trouxe a abertura de informações.
Uma outra coisa boa é que quem segue o Espiritismo não precisa passar por nenhum grau iniciático para galgar as informações; tudo está em aberto. Se as pessoas quiserem percorrer esse caminho, poderão crescer muito; esse é o grande aporte do Espiritismo.
Não podemos esquecer também que, para as mulheres, existe a mesma possibilidade de estudo que para os homens, o que mostra o caráter aberto do Espiritismo.
Só precisamos ficar bem atentos ao seguinte ponto: Como no Brasil o Espiritismo se propagou muito, o movimento espírita nem sempre tem ido ao encontro do trabalho de Allan Kardec. Ele nos deixou ideias que precisam estar em constante construção (como o crescimento de um prédio). Os alicerces e fundamentos foram fincados por Kardec, para que esse prédio fosse sendo construído sempre. Mas parece que, em certos pontos, parou no segundo ou terceiro andar e não se consegue sair dali.
Isso não é uma crítica ao Espiritismo, mas ao movimento espírita brasileiro, que o deixou muito preso ao Evangelho. Que me desculpem se eu fizer uma brincadeira, mas se diz nos bastidores que não é mais o Evangelho Segundo o Espiritismo, é o “Espiritismo Segundo o Evangelho”.
Estou dizendo isso porque, em alguns lugares, presenciei o cancelamento de reuniões de desobsessão, que foram substituídas por evangelização. A sessão mediúnica numa casa é uma coisa básica: os espíritos precisam da manifestação; caso contrário, não é uma sessão espírita.
Não são todos os grupos, mas existem alguns que encamparam o Evangelho de tal maneira que se esqueceram dos próprios espíritos. Não é um contrassenso um católico gostar mais da missa do que de Jesus? Da mesma forma, é um contrassenso um espírita gostar mais do Evangelho que dos espíritos. Desse modo, deixa de ser Espiritismo para ser evangelismo.
 Na obra do Kardec, o primeiro livro é O Livro dos Espíritos. No Brasil, o Evangelho pegou mais porque o brasileiro tem essa tendência.
O que eu quero dizer é que precisamos injetar um pouco mais de esclarecimento. Não tenho nada contra o Evangelho, que é maravilhoso, mas só evangelizar não significa esclarecer.
Vou dar o meu exemplo, para ficar mais claro. Quando era jovem, eu chegava aos centros espíritas porque eu tinha minhas saídas do corpo, e aí ouvia: “Ah, meu filho, você precisa ler o Evangelho”. Ora, no Evangelho não tem nada esclarecendo as saídas do corpo, e não me ajudou em nada. Como se quisessem me dizer que, com a leitura do Evangelho, as saídas do corpo cessariam. Um médium, para ser esclarecido, tem de ler O Livro dos Médiuns, além de outros livros de Kardec, incluindo livros de outras fontes.
Sou um grande admirador do trabalho de Allan Kardec e, por isso, me sinto à vontade para fazer essas colocações que, como eu disse anteriormente, não são sobre o Espiritismo.
Precisamos nos libertar do dogmatismo religioso, pois é ele que nos leva ao conservadorismo, como já ocorreu antes com outros segmentos religiosos e doutrinários.
Para finalizar, quando me referi ao Evangelho, não fiz críticas a Jesus, porque ele é fantástico. Porém, quero lembrar que, além dele, temos Krishna, Buda, Maomé e outros, que não podem ser esquecidos.
 
- Costumamos compreender bem mais as necessidades ligadas aos nossos cinco sentidos. Porém, muitas vezes, a intuição é pouco observada ou percebida. Poderia nos falar um pouco sobre esse assunto e até exemplificar com alguma experiência pessoal?
 
Wagner Borges - Inicialmente, precisamos separar a intuição anímica ou pessoal de uma inspiração vinda do mentor espiritual. A intuição anímica é uma capacidade que até os animais possuem; no nosso caso, enquanto espíritos que somos, também a possuímos, e é algo independente do auxílio espiritual do mentor.
Já na inspiração, ocorre a interferência mediúnica, um processo bastante sutil que, na verdade pode até ser confundido como uma ideia inteiramente da própria pessoa.
Independentemente da origem de uma ideia – se ela veio de dentro ou de fora – precisamos aprender a percebê-la, pois, com essa percepção, podemos mudar situações e acontecimentos de acordo com o que ela esteja nos apresentando.
Existem situações em que afirmamos: “Puxa, segui a minha intuição e quebrei a cara”. Normalmente, essa não era, na verdade, uma intuição. Quando ficamos um mês pensando em como vamos resolver um assunto, ele pode ter se tornado uma questão revestida pela razão, pelo intelecto.
Costumo brincar com isso dizendo que o pensamento “vai no varejo”, e a intuição “vai no atacado”, porque é em bloco que se processa a ideia.
Conforme podemos perceber, a intuição percorre um caminho que sempre irá beneficiar o seu progresso, mas se revestirmos de razão e pensamento, distorceremos a intuição e, às vezes, até a culparemos caso alguma coisa tenha dado errado.
A intuição sempre está certa; é o pensamento que estraga tudo. Interpretar a intuição é o que gera a distorção. O que se deve fazer é ouvir a intuição com o coração aberto, para que, ao recebê-la, a pessoa possa saber que é aquilo.
 
- Por que as pessoas não escutam a intuição?
 
Wagner Borges - Porque elas estão sempre com os sentidos voltados para fora, como já dizia o Buda. A maioria das pessoas está sempre mergulhada nos cinco sentidos, que trazem as informações de fora. Com isso, não há tempo de elas mergulharem num sexto ou sétimo sentido, que é onde vai “cair a ficha” da intuição.
Quando estamos voltados para os cinco sentidos, a intuição até aparece, mas a pessoa não a escuta porque o ruído sensorial desses sentidos a leva para fora, e ela não para – e, por isso, nada percebe. Uma pessoa, por exemplo, que passa o dia todo olhando para isso e aquilo e só fecha os olhos para dormir; ao fechar os olhos na tela mental, ficam milhões de ideias ou imagens “pululando” enquanto ela cai no sono.
Aí fica a sugestão: que tal tirar uns quinze minutos todo dia para fechar os olhos sem ser para dormir? E para que isso? Porque, após mais ou menos uns três meses, se essa pessoa se acostumar a fazer essa prática todos os dias, talvez “caia uma ficha”, uma intuição, nesses minutinhos em que se propôs a fazer uma “pausa interior”.
Essa é uma prática tão simples que pode ser feita até no chuveiro, após um dia de trabalho. São apenas quinze minutos de silêncio e olhos fechados, nos quais a pessoa se dedica a “baixar os e-mails” do plano espiritual.
O silêncio interior é fundamental na vida das pessoas; não dá para fechar os olhos só na hora de dormir. Quando nossa mente se acostuma, depois de um tempo aprende que é possível captar esse algo a mais que a vida nos proporciona, e que não percebemos apenas por falta de treino.
Outra importante observação a fazer, também relacionada à intuição, é que, ao sairmos do corpo físico durante o sono, muitas vezes conversamos com o mentor espiritual; porém, ao acordarmos, não nos lembramos de nada. Tudo o que acontece durante esses encontros fica registrado e, às vezes, surge no decorrer do dia na forma de intuição. Todos nós possuímos esse mecanismo.
O que é bom sempre deixar claro é que nenhum mentor diz o que a pessoa deve fazer, porque a vida carnal é uma experiência. Se ele nos dissesse o que fazer, equivaleria à situação em que o professor, no dia de uma prova, dá a cola ao aluno. Na verdade, ele nos auxilia dando ânimo e força para superar alguma dificuldade e, no máximo, uma pista a partir da qual podemos observar determinados pontos com mais profundidade. As dicas são para que se possa correr atrás da resolução daquela prova.
Ao longo de minha vida, tive muitas experiências intuitivas, tanto anímicas quanto mediúnicas, e que me fizeram mudar uma decisão na última hora. Quantas vezes já me aconteceu de lembrar, logo ao voltar para o corpo físico, que alguém me havia dito alguma coisa importante, mas absolutamente não conseguia saber o que era. Ao longo do dia, de repente, aquela lembrança vinha num estalo e, em muitas situações me afastou de problemas sérios.
Uma delas, por exemplo, ocorreu quando estava caminhando e fui desviado de entrar numa rua, virando inadvertidamente para outra; um minuto depois, escutei um tiroteio. Soube que morreram dois transeuntes.
Outro fato bastante interessante que também ocorreu comigo foi quando entrei num mercadinho para fazer compras sem que precisasse; de repente, me deu vontade de entrar no mercado, e não tive dúvida: entrei. O mais engraçado é que, depois, eu parecia um zumbi; estava totalmente aéreo, porque não tinha motivo para entrar lá. Como eu moro sozinho, estou acostumado a comer coisas como miojo; peguei alguns e mais umas coisinhas, mas não sabia o porquê de estar ali. Simplesmente segui a minha intuição. Fiquei no supermercado um bom tempo e só quando fui para a fila do caixa é que eu entendi o que estava fazendo lá. Uma senhora de bastante idade se aproximou de mim, muito magra, quase sem carga vital; com uma mancha escura acima do chacra no alto da cabeça – o coronário. O que queria me mostrar aquela situação? Em pouco tempo, aquela senhora iria desencarnar; sua vida estava se esgotando. Quando seu olhar cruzou com o meu, percebi nitidamente que havia sido levado àquele mercado pelos mentores extrafísicos, para que eles pudessem puxar minhas energias e energizá-la um pouco até o seu desencarne.
Nem eu nem ela sabíamos o que estava acontecendo. Somente o olhar dela dizia tudo e, de mim, saía ectoplasma, bocejos, lágrimas dos olhos, como numa sessão mediúnica. É claro que ninguém no supermercado percebeu; apenas eu e os amparadores espirituais. Um deles me fez um sinal, como se estivesse me agradecendo, e aí entendi que tanto eu quanto aquela senhora havíamos sido levados até lá, por eles, para essa tarefa. Não há nada que possamos intuir que Deus já não tenha intuído há muito tempo. Com isso, não há nada que seja original; o “direito autoral” é sempre do Criador.
Nossa vontade, porém, é soberana, anímica; quando decidimos algo, realmente sonos nós que decidimos.
 
- Sabemos que os espíritos mais elevados possuem uma energia mais pura e sutil. Sendo assim, se buscarmos a evolução espiritual pela lógica, deveremos sutilizar nosso campo energético. Como podemos atingir essa mudança?
 
Wagner Borges - Se a nossa aura reflete o que pensamos e sentimos, é claro que pensamentos e sentimentos mais nobres já purificam e sutilizam a aura. Estamos aqui falando de energia.
Então, seguindo o que Jesus nos recomendou: “Orai e vigiai”; o orar não significa fazer todo dia dez salmos 23, ou rezar cinco Ave-Marias e cinco Pais-Nossos.
Precisamos entender o ato de orar como uma conexão com algo superior. E o que seria esse “algo superior”? Aí depende, porque, para um cristão, é Jesus; para um budista é o Buda; para um islâmico, é Maomé; para o chinês, é Lao-Tsé; e para o hindu é Krishna.
Cada uma dessas referências é superior e pode ser usada como melhor convier às pessoas. E quem não tem referência alguma? Pense no sol, no universo ou em algo grandioso da criação, para poder se ligar com algo maior.
Esse é um trabalho a ser feito e que levará muitas vidas, porque o pensamento e o sentimento não melhoram de repente. O “vigiai”, ao qual Jesus se referia, não é vigiar a vida alheia, e sim vigiar os próprios pensamentos e sentimentos; é autopoliciamento.
Em ralação a essa questão, estudando a sabedoria dos celtas, aprendi que, quando fazemos o policiamento mental, estamos fazendo a ronda, sozinhos. Por isso é tão difícil; porque dá trabalho policiar a própria mente.
Já que citei os celtas, é bom lembrar que Allan Kardec é um pseudônimo celta, passado pelos espíritos. Eles esclareceram ao próprio Kardec que, em vidas anteriores, ele foi um sacerdote druida, do povo celta, e que seu nome era Allan Kardec.
Muitos espíritas não sabem disso. O povo celta acreditava na vida após a morte e em reencarnação, e essa herança foi trazida pelo próprio Kardec, que se preparou antes no mundo celta para depois reencarnar na França, como organizador e codificador do Espiritismo.
 
- No que consiste o despertar consciencial?
 
Wagner Borges - Essa pergunta é meio difícil de responder, mas posso dizer o seguinte: o despertar de uma consciência é como o nascer do sol; não faz barulho algum. Não escutamos o som do nascer do sol, como também não conseguimos escutar o som do despertar de uma consciência.
Nesse plano físico, ninguém vai perceber um acontecimento desse tipo, mas em outros planos, vão perceber que a sua luz aumentou, é como uma supernova consciencial (um termo que certa vez um mentor espiritual usou para me explicar que uma consciência despertou, e não é mais aquela “coisinha”; é uma explosão de luz, um acontecimento magnífico).
Não há um valor no plano físico para mensurar o nível de despertar de um outro ser humano, porque os valores que cada um de nós tem são sempre relativos. Aqui na terra podemos observar que o que é valioso para uma cultura pode não ser tão importante para outra; o que é moral numa cultura, pode ser imoral em outra. De uma coisa podemos ter certeza: o despertar da consciência traz sempre a maturidade, e não é a maturidade relacionada à idade, mas sim a maturidade espiritual, aquela que não abafa a criança interior, porque ela é riso, é dança, é alegria.
Quem é maduro permite-se rir, cantar, ser artista e fluir na vida, sem travas nem repressões. O despertar começa a surgir principalmente na parte emocional. O equilíbrio emocional é fundamental para a conquista da serenidade. A serenidade, junto ao amor profundo, desperta o chacra do coração.
Não disse que era uma resposta difícil? O despertar do chacra do coração, por exemplo. Vou explicar e tentar passar o que aconteceu comigo mesmo; é um estado de consciência e de alegria perene. Nós nos tornamos uma pessoa alegre, mesmo que estejam rolando coisas difíceis em nossa vida. A predisposição é de alegria e independe de tragédias ou coisas boas que estejam acontecendo. É um estado íntimo que não se sabe de onde vem.
Parece que acessamos, como espíritos, um certo nível que não nos permite mais cair numa tristeza, mesmo que tudo em volta de nós possa motivar isso. Uma paz interior toma conta de nós. Talvez seja aquela à qual Jesus se referiu quando disse: “Minha paz não é desse mundo”.
A paz deste mundo em que vivemos é um intervalo entre guerras. Quando afirmamos que estamos em tempo de paz é porque não estamos em guerra.
Jesus falava da paz que vem de dentro, e aí fica a pergunta: Mas de onde vem isso? Não sabemos dizer; foi um véu que se desvaneceu, uma sombra que saiu do seu coração e que se tornou de ouro. É uma virada em nossa vida e não há treino para isso. Simplesmente acontece, após os esforços que vêm sendo feitos na vida. Quando esse sentimento se abre, você é possuído pelo próprio coração. Eu não estou falando de uma forma romântica ou piegas, não. Somos realmente possuídos por uma profundidade de coração. Ficamos generosos, não conseguimos mais acumular ódio.
Com a mágoa acontece a mesma coisa: ficamos aborrecidos naquele momento em que nos fazem algo, mas dali a pouco, já passou. Esse sentimento de despertar também tem a ver com nossa meta existencial, porque quando nos sentimos encaixados com nossa meta de existência, nós nos sentimos completos, plenos.
Por exemplo, eu me sinto muito completo porque eu trabalho naquilo que eu gosto e faço coisas que me realizam na parte espiritual. Não sou um missionário, mas sei que vim fazer isso; sou apenas um ser humano. Tenho defeitos, mas sei que também possuo essa coisa boa, que é passar para as pessoas certos conhecimentos, e isso me deixa feliz e pleno.
Cada pessoa – quando exerce o talento que veio realizar, independentemente de família, de estar casado ou solteiro – na China, no Brasil ou em qualquer lugar – sente que é ela mesma. O médico que veio para exercer a medicina só irá se realizar se for médico. Com um artista, a mesma coisa; um músico, um engenheiro. As pessoas vêm com talentos e são treinadas, talvez como espíritos, e se elas se desviarem desse talento, sofrem e não se encontram.
Há um desencontro dentro delas mesmas. A mesma coisa acontece num relacionamento afetivo. Às vezes, só para não termos de ficar sozinhos ou por medo, ocupamos o espaço vazio com alguma outra pessoa. Não é horrível? As pessoas encontram muitas formas para ocupar o espaço vazio de suas vidas e se desviar do que vieram fazer, mas nunca estarão plenas nem felizes enquanto adiarem.
 
- Muitas vezes, não é fácil encontrar respostas para nossas dúvidas existenciais, e precisamos de facilitadores, ou mesmo de ajuda terapêutica ou psicológica. Com sua vasta experiência como estudioso, pesquisador, escritor e facilitador das questões espirituais, quais são, na sua opinião, as práticas mais eficazes no processo de autoconhecimento espiritual?
 
Wagner Borges - Sem dúvida alguma é a meditação. Ela é fundamental porque funciona como autoterapia e é a mais profunda que existe, pois permite o encontro consigo mesmo.
Sinto muita pena do pessoal que pensa que meditação é algo oriental e não se permite fazer. A meditação é um mergulho dentro de si mesmo, no qual a pessoa pode se autoconhecer, estabilizar-se por dentro, sentir-se melhor.
O erro que muitos orientais cometeram foi o excesso, porque na meditação eles foram tão para dentro de si que esqueceram a vida de fora. Já os ocidentais ficam tão “para fora” de si, que se esquecem que têm um mundo dentro deles.
O ideal é sempre o equilíbrio. Quando meditamos, ficamos mais serenos, mais alinhados, e podemos enfrentar o mundo com um coração mais cheio de luz. Porém há pessoas que chegaram a um tal ponto que se sentem perdidas e precisam de apoio psicológico. Nesses casos, concordo que realmente precisa haver um acompanhamento, mas existe muita gente que está sendo “terapeutizada” em excesso e que poderia, por uma via espiritual, ter encontrado seu equilíbrio. Conheço tantos médiuns que estão com a mediunidade aflorada e tratando isso como distúrbio psicológico. Mas é, na verdade, mediunidade! Se estivessem cuidando de sua mediunidade, estariam bem e se sentindo plenos.
Também há o contrário acontecendo por aí, nos centros espíritas e outras casas em que as pessoas com distúrbios psicológicos estão sendo tratadas como médiuns. É preciso haver um bom senso para saber o que é mediunidade e o que é esquizofrenia. Logicamente, aquelas pessoas que já se encontraram consigo mesmas podem descobrir outras ferramentas e, através delas, evoluir. Não estou, de modo algum, tirando o valor de uma terapia. Cada caso é um caso.
 
- Notas:
* A primeira parte da entrevista foi postada como texto 1709.
 

Texto <1710><09/10/2019>
 

1709 - EM BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO - 1ª Parte*

 
 
1709 em busca do autoconhecimento 1 parte
 
EM BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO – 1ª Parte*
Entrevista publicada na Revista Espiritismo & Ciência – Número 31 – Páginas 26-30; Ano de 2005 - Mythos Editora.
 
Apresentamos a primeira parte da entrevista com Wagner Borges a respeito do abrangente tema do autoconhecimento, que propõe o caminho do raciocínio não dogmático e com liberdade de pensamento.
Wagner Borges é um destacado pesquisador de Projeciologia e Bioenergia, conferencista, escritor de diversos livros de cunho espiritual e fundador do IPPB (Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas), de São Paulo, com uma programação constante de palestras e cursos sobre inúmeras questões espirituais.
Segundo ele, atualmente, o assunto “saídas do corpo” ainda é visto com preconceito, mas no próprio Espiritismo, em O Livro dos Espíritos (no capítulo VIII), Kardec esclarece a “emancipação da alma”. E não só ele. Existe muita informação sobre isso nas obras de Gabriel Delanne, Léon Denis e Camile Flammarion, pensadores clássicos do Espiritismo do século 19.
O espírito André Luiz, em sua série psicografada pelo médium Chico Xavier, também nos dá algumas informações sobre as saídas do corpo**.
Na verdade, segundo Wagner, essa é uma realidade que está acoplada ao sono. A própria natureza obriga a todos nós, espíritos, a sair do corpo à noite, ao dormir. Isso acontece ao corpo astral (períspirito) porque ele precisa se recarregar de energia cósmica, numa espécie de nutrição. E ainda ressalta que faz parte do nosso autoconhecimento saber disso, porque os próprios egípcios já afirmavam que nós vivemos duas vidas – uma durante o dia e outra durante a noite.
 
- O que é o autoconhecimento?
Wagner Borges - Como dizia Sócrates: “Homem, conhece a ti mesmo”.
Essa é uma frase escrita no templo de Delfos, na Grécia, significando que não adianta conhecer algo fora, se você não se conhece por dentro.
Certa vez, chegou alguém para o Buda, e perguntou: “Qual o caminho para Deus?”
Ele respondeu: “Você conhece a si mesmo? Se não conhece, não terá condição de conhecer algo mais.”
Então, o “mergulho interior” é importante, porque o universo interno, além de vasto, precisa ser conhecido para poder ser propagado ao universo exterior... E essa propagação só acontece quando estamos equilibrados dentro de nós mesmos. E a chave para isso é o autoconhecimento. São as experiências do dia a dia, pois cada experiência nos ensina algo.
Nós precisamos saber tirar a lição do que foi passado no dia. Além disso, temos as experiências anteriores, porque somos espíritos e viemos de outros planos.
A grande dica é prestar atenção, durante o dia, no que acontece no “aqui e agora”. Falo isso porque muitos se perdem em lembranças do passado e autoculpas, que não resolvem nada; ou em outros casos, pela ânsia de viver no futuro e não conseguir ficar no hoje. Raras são as pessoas que estão realmente vivendo a existência atual.
Vou tomar como exemplo o dia de hoje. Aqui em São Paulo, tivemos um lindo dia de sol após vários dias frios. A primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar para a janela, e dizer: ”Meu Deus, que luz maravilhosa!”
Outra coisa muito importante a ser dita é que conhecimento não é sabedoria. Por mais que as pessoas estudem e tenham autoconhecimento, este sempre será um “trampolim” para que, um dia, seja possível chegar a algo maior, que é a sabedoria, na qual estão contidos o amor, a ética, a alegria e até o universalismo.
A história está repleta de exemplos de pessoas com muito conhecimento que fizeram besteiras enormes porque não havia sentimento. Mas também está repleta de indivíduos que eram muito bons e muito burros. Tinham bom coração, mas não tinham conhecimento.
Então, o que é que a lógica manda? Unir o conhecimento com sentimento elevado, ou seja, sentimento bom com conhecimento bom; os dois somados vão dar em algo, que é a sabedoria. E, ao estudar, o grande segredo é não ficar preso, porque o conhecimento não é para servir como prisão. Ele não foi feito para trancar, e sim para libertar.
Então, devemos aproveitar a chance dessa vida para estudar, porque temos uma abertura que não havia em outras, como na Idade Média, quando as pessoas davam a vida para ler um livro, corriam riscos de todo tipo com a Inquisição.
É bom lembrar essas coisas porque, hoje, com tanto livro e tanta informação, existem aqueles que não querem ler.
O autoconhecimento não está só neste plano. Aqui, nós aprendemos a realidade material e as vivências humanas. Ao nos deitarmos, como já dissera anteriormente, vamos para o lado de lá durante o sono. Começa um outro ciclo, que é para expandir a consciência e continuar aprofundando o conhecimento. Mesmo que na volta ao corpo o cérebro não lembre, porque pode travar a memória, o conhecimento fica gravado, gerando novas ideias e novas intuições, no dia seguinte.
Durante o sono é possível evoluir, e durante a vigília é possível também.
Ainda sobre essa questão, quero dizer que os mentores espirituais*** acompanham nossos estudos e até programam excursões, durante o nosso sono, aos temas de nosso interesse, levando-nos a universidades e templos espirituais. Para os artistas, por exemplo, há lugares só deles do lado de lá. A arte lá é ensinada independentemente de palheta ou pincel. Só há um detalhe: quando você é levado para lá, não pode se lembrar de nada na volta. Lembrará que esteve lá, mas não se recordará do que viu ou do que aprendeu; senão correrá o risco de perder o amor pela arte daqui, onde tudo parecerá opaco diante das cores vivas que lá existem.
Para os músicos, ocorre a mesma coisa. Isso acontece como uma proteção. As informações virão pela inspiração, não pela lembrança em sonho.
 
- De que forma o processo de autoconhecimento pode levar a uma reforma íntima, transformando e elevando um indivíduo a uma condição mais equilibrada?
Wagner Borges - Há um ditado que diz: “A ignorância sempre acaba onde começa o autoconhecimento. Ela tem um fim, mas o conhecimento jamais terá fim”. Essa frase é ótima porque já diz tudo.
Além disso, podemos pensar: Deus é muito esperto, não é? Porque colocou a vastidão cósmica junto conosco, que somos cheios de curiosidade para ficar perguntando: O que é isso? Aonde isso me leva? Ele não teve uma ótima ideia? Foi uma invenção e tanto, não acha?
E, também, há mais uma coisa: somos eternos. Já pensou se viéssemos sabendo tudo, e ainda, sendo eternos? Seria um tédio eterno. Não haveria mais nada a descobrir.
Então, esse é o grande lance da existência: não saber. Porque, assim, temos vontade de aprender, de estudar, de crescer, e quando tentamos conhecer algo, acabamos também conhecendo outras coisas periféricas, que vivem em torno daquela, que nem imaginávamos que existiam. A busca pelo conhecimento é própria do espírito.
Vamos pensar agora um pouco sobre a intenção?
Se a curiosidade leva ao conhecimento, dependendo da intenção da vontade de saber, ele levará o indivíduo à evolução. Estando dentro de parâmetros elevados, irá galgar degraus.
Temos também, além da evolução, uma outra questão importante: quanto maior o nível de conhecimento, maior o nível de responsabilidade.
Muitas pessoas que querem o conhecimento, querem também a liberdade que ele proporciona, e acabam não assumindo o preço da responsabilidade. Quem sabe mais, precisa regular suas atitudes diante daquilo que sabe. Para quem já tem um determinado conhecimento, não dá para fazer uma besteira e esquecê-la, sem nem pensar no assunto.
O autoquestionamento é o resultado do conhecimento daquilo que se faz ou se sente. E é dessa forma que vamos adquirindo bom senso, sem depender nem da crítica nem do elogio alheio. Nosso discernimento vai dizendo o que é certo e o que é errado.
Todos nós podemos escorregar no mesmo erro milhares de vezes, mas à medida que vamos experimentando, erramos menos.
Considero importante estudar de tudo na área espiritual; quanto mais galgarmos em conhecimento espiritual, mais subiremos na nossa escala evolutiva. O conhecimento espiritual transcende o acadêmico.
Das muitas coisas que estamos estudando, aqui e agora, só veremos algum efeito no lado de lá; ou seja, estamos fazendo um superinvestimento na vida carnal, já buscando a vida espiritual, e boa parte do que aqui estudamos vai se realizar lá.
 
- Temos um corpo físico e um corpo extrafísico (períspirito****). Alimentar e cuidar do corpo físico, esquecendo a vida espiritual é, na verdade, viver pela metade. Qual seria, então, a sugestão que você nos dá para vivermos nossa vida sempre buscando a totalidade?
Wagner Borges - A sugestão é o equilíbrio. Nós temos aqui, na vida física, dois tipos de desequilíbrio: um é o do materialista, aquele que só pensa em comer, beber, dormir, copular e um dia morrer sem sequer raciocinar sobre outros parâmetros durante toda a sua vida. Esse tipo de pessoa nunca se perguntou: De onde eu vim? Para onde eu vou?
Há também o outro tipo de desequilíbrio: é o daquele sujeito que, apesar de estar voltado para o lado espiritual, não vive o lado material.
Está cheio de gente desequilibrada que conhecemos indo por esse caminho; negando o valor do corpo e da existência carnal. São aquelas pessoas que querem ser felizes do lado de lá, mas são infelizes do lado de cá.
O ponto certo entre essas duas formas de existência é o que eu já disse antes: o uso do bom senso. Nós estamos vivendo dentro de um corpo, mas não somos o corpo. Nós estamos no planeta Terra, mas não somos daqui.
Imaginemos que a Terra seja uma “penitenciária cósmica”, nosso corpo é a “cela” e a vida, a nossa “pena”. Conclusão: nós estamos dentro da cela, não somos a cela; porém precisamos varrer a cela, lavar, cuidar dela, para não entrar rato nem barata, senão a pena fica pior.
Nossa situação é essa. E dentro desse contexto, o da penitenciária, o que é que eu posso fazer? Eu posso ir à biblioteca, estudar, reunir-me com outros presos, fazer amizades ao invés de inimizades, o que faz com que a pena fique mais branda; e ainda vamos aprendendo o que temos de aprender, sempre sabendo que um dia vamos sair dali.
Tudo isso serve para ilustrar o que estamos fazendo na vida e como valorizar nossa experiência diária. Não podemos deixar que essa experiência nos hipnotize.
Na grande maioria, as pessoas, que trabalham durante o dia, à noite precisam arrumar um tempinho para a vida espiritual. Não podem viver hipnotizadas, como costuma acontecer. Há aquelas que chegam em casa e já vão direto ligar a televisão. É importante observar isso. Reservar pelo menos uma meia horinha para uma leitura saudável, que faz lembrar que não somos daqui. Bons livros espíritas e espiritualistas é o que não falta.
Uma outra coisa boa a fazer é meditar regularmente, porque isso ajuda a trazer auto equilíbrio, a combater o estresse e a deixar a pessoa centrada e equilibrada.
Às vezes, acontece um certo preconceito dentro do meio espírita quando se fala em meditação, porque se pensa em terapia oriental. Não é isso! Meditação é uma condição em que a mente permanece mais tranquila, sem aquele turbilhão de pensamentos que temos o tempo todo.
É também essencial que as pessoas participem de um grupo para trocar informação. Não apenas numa postura tipo “vampiro de grupo” - ou mesmo do famoso “papa-passe”, que é aquela pessoa que só vai tomar passe, não se questiona em nada, não quer melhorar, estudar, e só vive tomando passe.
Veja bem: as pessoas devem tomar seu passe, mas não deveriam ir a um grupo só por causa disso, e sim, para estudar a vida espiritual junto a outras pessoas, interagir com elas e aprender muitas coisas. Infelizmente muitos não fazem isso.
Existe também o “vampiro energético”. Esse é aquele tipo que vai à reunião só para ficar ouvindo o dirigente ou doutrinador ler trechos do Evangelho, mas que na verdade fica cochilando junto a parte da turma que está na plateia.
Eu não estou aumentando; podem observar o que acontece: é verdade o que eu estou falando, e é sério.
Se o sujeito é inteligente, não precisa que outro leia o Evangelho e o interprete para ele. Isso pode ser feito dentro de casa, sozinho, e aí ele mesmo interpreta, fecha os olhos, eleva o pensamento para o mentor dele poder ajudá-lo.
Logicamente, o mentor também o ajudará lá no grupo. Só que há um detalhe: você, normalmente, vai uma ou duas vezes ao grupo durante a semana, não é? E os outros dias?
Eu digo isso para incentivar as pessoas a terem autonomia e aprenderem a se virar sozinhas nessa parte espiritual, independentemente da casa ou grupo que frequentam.
Não podemos ser dependentes psíquicos de nenhuma instituição ou grupo. Sempre aconselho o pessoal que frequenta os cursos lá no IPPB a estudar comigo e, também, a conhecer outros lugares, para poder abrir a cabeça. Às vezes, o aluno volta depois de um tempo, e percebemos muitas mudanças. Quanto mais conseguirmos abrir a cabeça, mais teremos noção de conjunto.
Para quem gosta de raciocinar, recomendo sempre seguir o caminho que não o impeça de raciocinar e não imponha dogmas que possam bloquear o desenvolvimento e a liberdade de expressão. Quem gosta de raciocinar odeia a repressão da liberdade de pensamento.
Há muitas pessoas hoje fazendo “carreira solo”, como costumo dizer, porque não estão suportando mais fazer o trabalho em grupo. E, de acordo com o grau de raciocínio, não conseguem mesmo ficar presas a um parâmetro só. Isso não é porque elas sejam melhores do que ninguém, mas simplesmente porque não conseguem mais criar dependência. Elas já têm um raciocínio integrado e sabem que, mesmo em casa, se fecharem os olhos, elevarem os pensamentos e se comunicarem com o plano espiritual, de “espírito a espírito”, sem intermediário, conseguirão o resultado almejado.
É preciso dizer isso para as pessoas porque, depois de um certo tempo, essa autonomia é necessária; até mesmo porque elas são espíritos o tempo todo, e não só quando estão no grupo. Somos espíritos imortais, seja em casa, no trabalho ou no grupo. Em qualquer momento, um espírito pode acessar o Plano Espiritual, por pensamento, sentimento, prece, ou pode ativar os chacras e se sintonizar.
Não entendo como há pessoas que não entendem isso e ainda perguntam: “Mas não é perigoso?”
Perigosa é a ignorância que as pessoas adoram manter.
 
Fim da primeira parte.
 
- Notas:
* A segunda parte da entrevista será postada no próximo envio de texto (1710).
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
*** Mentores extrafísicos – entidades extrafísicas e positivas que ajudam o projetor nas suas experiências extracorpóreas; amparadores extrafísicos; auxiliares invisíveis; guias espirituais; benfeitores espirituais.
**** Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Sinonímias: Corpo astral - do latim, astrum - estrelado - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz – Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma, corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, atualmente mais usada pelos estudantes de Projeciologia.
 

Texto <1709><04/10/2019>
 

1708 - SONHOS E PROJEÇÃO EXTRAFÍSICA*

 
 
1708 sonhos e projecao extrafisica
 
SONHOS E PROJEÇÃO EXTRAFÍSICA*
- Por Melvin Morse -
 
O desconhecido sobre o outro lado da vida ainda desperta uma certa curiosidade e a resposta sobre o que nos espera após a morte ainda é uma incógnita para muitos.
Através de relatos com crianças que estiveram algum tempo do outro lado da vida e voltaram para esse mundo, o Dr. Melvin Morse descreve como as chamadas experiências de quase-morte (EQMs) influenciaram suas vidas.
A seguir, alguns relatos dessa pesquisa.
 
"EU PARECIA UMA FERIDA”
Daniel, com seis anos, foi atropelado por um carro enquanto andava de bicicleta e recebeu uma séria pancada na cabeça. Ficou em coma por duas semanas. Não se lembrava de quase nada do acidente ou dos momentos anteriores. Falou de quando retirou a bicicleta da garagem e foi para a estrada. Sua lembrança mais viva foi do que aconteceu após o atropelamento:
“Eu estava lá, de pé, vendo os médicos me colocando na ambulância, quando vi que estava fora do meu corpo**. Minha mãe chorava e todos tinham pressa. Quando cheguei ao hospital, vi os médicos colocando uns tubos em mim. Eu parecia uma ferida porque estava cheio de sangue e machucado. Entrei em um túnel que estava escuro. No final dele, havia uma luz brilhante. Eu não estava nem triste e nem feliz, mas queria chegar até aquela luz.
Quando cheguei, encontrei três homens. Um era muito alto e os outros dois baixos. Por trás deles, havia uma ponte de arco-íris que atravessava o céu. Eles eram bonitos, mas tive medo deles. De repente, eu voltei para o meu corpo. Olhei para os meus pés, e os homens estavam lá. Depois desapareceram, e eu voltei inteiro.”
Essa experiência fez com que Daniel passasse a acreditar na existência de outros mundos. Foi também um pouco assustador para ele, porque pensou que os homens fossem levá-lo para um lugar longe de seus pais. “Pareciam gentis”, Daniel comentou. “Mas eu não queria deixar o meu pai e a minha mãe.”
Como acontece frequentemente, as crianças conseguem resumir conceitos difíceis em algumas palavras inocentemente proferidas. Este foi o caso de uma criança que falou com a pesquisadora Elisabeth Kubler Ross sobre a morte e a natureza da alma.
Um menino de sete anos que pediu a mãe para desligar o oxigênio, para que ele pudesse finalmente dormir após uma batalha de três anos contra a leucemia. “Desligue o oxigênio, eu não preciso mais dele”, disse. “Chegou a minha hora.”
Ele tinha uma visão que antecedera a morte, de como era o céu. A visão revelou que seu avô estava aguardando por ele. A despeito da sua doença, ele ficou ansioso para ir para o céu. Quando lhe foi perguntado como era o céu em sua visão, ele tentou explicar da sua melhor forma: “É como se você entrasse através de uma outra passagem... você anda em direção a uma parede, para outra galáxia ou alguma coisa semelhante. É como andar dentro do cérebro. É como viver numa nuvem, e o seu espírito está lá, mas não no seu corpo. Você deixou o corpo. É realmente como se estivesse andando dentro da mente.”
A experiência desse menino representa a alma como sendo o local onde se unem os mundos material e espiritual, uma descrição perfeita realmente para uma alma que está enraizada no cérebro. Para ele, não havia a contradição em acreditar que o céu estava em sua mente e que ele pudesse deixar o corpo e encontrar o avô no céu.

 

"ESTOU VIVO"
Tenho uma outra história de um dos meus pacientes. Quando me pergunto sobre a natureza misteriosa da alma e da energia desconhecida que acende as nossas vidas, penso neste caso.
Aconteceu com um menino chamado Ben. Esse “menino” é agora um policial de quarenta e sete anos, mas quando tinha quatorze anos, desenvolveu um caso grave de febre reumática e ficou hospitalizado algumas semanas no hospital Infantil de Boston.
Sua situação continuou a piorar, até que um dia, começou a sentir fortes dores no peito. Elas pioraram cada vez mais, até que não conseguiu mais ignorá-las. Lembra-se de ter falado com a enfermeira e dizer que alguma coisa má estava acontecendo. Ele a viu sair da sala correndo para chamar o médico, e então aconteceu algo estranho. Ele podia segui-la. Flutuou atrás dela enquanto ela explicava a situação ao médico, e depois seguiu-os de volta ao quarto para olhar o seu corpo. Compreendeu que olhava para o próprio corpo, flutuando por cima da cena, como um observador descompromissado.
Olhou para baixo e viu que estava ligado ao seu corpo por um cordão de prata que partia de seu pé. Era a única conexão que parecia haver. Alguns segundos antes, sentia muitas dores. Agora, flutuava acima do corpo, sem dor, enquanto médicos e enfermeiras iniciavam a ressurreição cardíaca para salvar a sua vida.
Enquanto observava o que se passava embaixo, sentiu de repente como se tivesse havido um grande aumento na sua inteligência. Ficou consciente de dois seres de luz, um de cada lado, que ficaram com ele enquanto olhava pacificamente a cena frenética. Ele diz que a presença desses seres deu a ele uma sensação de paz, amor e compreensão. Não era como se “soubesse tudo”. Ben diz, agora: “Era mais como se de repente eu compreendesse que a vida é muito mais simples do que a maioria de nós pensa.”
Os médicos estavam perdendo Ben, ou pelo menos o seu corpo. Tinham tentado tudo o que sabiam e agora estavam introduzindo uma longa agulha em seu peito para injetar epinefrina no coração. Quando ele viu este procedimento de desespero, os seres de luz ao seu lado perguntaram-lhe se desejava permanecer na Terra ou ir com eles...
“Quero ficar”, disse, observando os médicos esperando que a epinefrina chegasse ao coração.
Os seres foram embora, e Ben viu os médicos desistirem e cobriram seu rosto com o lençol. Pôde ouvir as pessoas falando na antessala, consolando os médicos e enfermeiras que tinham acabado de perder o jovem paciente. Uma enfermeira residente permaneceu ao seu lado, chorando baixinho. Tinha trabalhado com ele na sua longa hospitalização, e passaram a se conhecer um ao outro muito bem.
De repente, os seres de luz reapareceram e disseram a ele que podia retornar ao corpo. Ben custou a acreditar. Pensou que estava morto, e parecia que estava. Agora os dois espíritos diziam a ele que podia retornar ao seu corpo (que tinha sido dado como morto pelos médicos).
Com o que pareceu um soluço, Ben estava de volta ao corpo. Puxou o lençol do rosto, arrancou a agulha do peito e gritou: “Estou vivo”.
Ao rememorar a história de Ben, conscientizo-me de como é superficial a nossa compreensão do lado espiritual. Pesquisamos muito sobre a fonte das experiências espirituais, mapeando o cérebro para descobrir onde estes fenômenos ocorrem. Na sua maior parte, esquecemos que não é tão importante saber como acontecem, mas o fato de que acontecem.
O grande psicólogo William James disse que as experiências místicas como as EQMs (Experiências de Quase-Morte) são tão pessoais que estão além das palavras.
Ele disse: “Elas são puras e simples, uma experiência de luz. E a fonte dessa luz pode permanecer para sempre um mistério".
 
- Notas:
* Essa compilação foi feita por Wagner Borges e Leila Checchia, da equipe da Revista Vialuz, baseados no livro “Do Outro Lado da Vida”, do Dr. Melvin Morse - Editora Objetiva.
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
 

Texto <1708><27/09/2019>
 

 

1708 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR, UMA LUZ*

 
 
1708 ha algo mais um amor uma luz
 
 
HÁ ALGO MAIS... UM AMOR, UMA LUZ*
Conversando com um Escritor da Alma, nas Ondas da Música
 
Ainda agora, viajando nas ondas de uma linda canção, eu me lembrei de você.
Há tempos que não nos vemos, mas mesmo assim, eu sinto sua luz.
Quando os corações estão interligados, a sintonia espiritual se realiza.
É isso que acontece agora, enquanto a música me leva no bojo dos sentimentos...
Você sabe que, às vezes, eu olho e vejo algo mais... Um Amor e uma Luz.
Eu também vejo um olhar secreto que atravessa os planos da vida...
O mesmo olhar que você via em suas meditações e vivências.
Ele vela invisivelmente, enquanto o mundo gira em seu movimento incessante...
Ah, meu irmão, a serenidade e a doçura desse olhar derretem nosso coração.
Eu sei que há outros que também veem algo mais... a irmandade invisível.
Isso é tão difícil nesse mundo agitado, mesmo assim, é possível se soltar...
Para ir além dos sentidos comuns, lá onde os corações se encontram no infinito.
Você sempre foi discreto e respeitoso em relação à Espiritualidade Maior**.
Por isso, poucos conseguiram perceber sua verdadeira essência.
Há coisas que só são compreendidas de coração a coração.
O sábio Omar o fez compreender assim e tudo deu certo em sua jornada.
Por aqui, eu também vou tentando cumprir minha jornada e você sabe como é...
Entre trancos e barrancos, o trabalho vai seguindo (você sabe quem me ajuda).
Eu sei que você gostaria de ouvir a música*** que está tocando aqui em meu lar.
Aquela estrela prânica**** sempre está por aqui, assim como estava com você.
Como você mesmo dizia, “é coisa de escritor das coisas da alma!”
Então, é isso. Um olhar secreto, a estrela prânica, a música e algo mais...
Um Amor e uma Luz, ainda bem.
 
P.S.:
Eu sei de alguém que abençoa incondicionalmente.
Enquanto o mundo turbilhona vertiginosamente pelo espaço...
Um olhar sereno vela invisivelmente.
Eu estou aqui, como você também esteve antes...
Nas ondas do esclarecimento consciencial.
Nem toda assistência espiritual é ostensiva.
Às vezes, é só o coração que fala com o infinito*****.
E só outro coração compreende isso.
Porque há algo mais... Um Amor e uma Luz.
(Bendito o dia em que um olhar secreto nos fez irmãos espirituais.)
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 23 de setembro de 2019.
 
- Notas:
* Esses escritos serão inseridos no segundo volume do livro “Há Algo Mais... Um Amor, Uma Luz”, que estou revisando para publicação em breve. 
Obs.: O primeiro volume do livro está disponibilizado para download gratuito nesse link: https://ippb.org.br/blog/livro-ha-algo-mais-um-amor-uma-luz
** Há um texto no meu livro “Falando de Vida Após a Morte” (Editora Luz da Serra) em que falo sobre os contatos interplanos que tive com esse escritor da alma. O título do mesmo é “Reflexões de um Escritor da Alma” - páginas 205-209.
*** A música é a “Morning Prayer”, cantada pela vocalista malaia Imee Ooi. Então, para quem também quiser apreciar essa linda canção, deixo, na sequência, o seu link no YouTube.
**** Estrela Prânica - do sânscrito, prana - a força vital; a energia - no contexto iogue é a estrela espiritual, manifestação do plano divino.
Para melhor compreensão dos leitores sobre isso, ver o vídeo que fiz explicando o que é uma estrela prânica, nesse link:
Obs.: Também sugiro a leitura desses dois textos:
- Minha Amiga, Estrela Prânica – I:
- Minha Amiga, Estrela Prânica – II:
***** Ver o texto “Nem Luto Nem Dramas... Só Estrelas!”, nesse link:
https://ippb.org.br/textos/textos-do-mes/nem-luto-nem-dramas-so-estrelas
 

Texto <1708><27/09/2019>
 

1707 - O RECADO DA BRISA NOTURNA SERENA

 
 
1707 o recado da brisa noturna serena
 
O RECADO DA BRISA NOTURNA SERENA
 
“Amigo, você sabe de onde vem essa brisa noturna serena?...
Vem lá da Casa das Estrelas!
É brisa dos espíritos, seus amigos de Darma.
Eles estão orando nesse mesmo momento...
Estão pedindo ao Alto que abençoe a jornada desse livro...
Há algo mais... Um Amor, uma Luz.
Você sabe o que está em jogo...
Porque o Amor já disse tudo em seu coração.
Mais um esforço e tudo será realizado...
Você sabe o caminho, então prossiga, sempre em Nome do Alto.
Agradeça a todos os que estão lhe ajudando nessa tarefa.
Transformar a Espiritualidade em letrinhas não é fácil.
E muitas consciências extrafísicas estão conectadas com você nisso.
Você sabe: quando a Luz do Confortador desce sobre o homem, tudo muda.
Esse livro será o Confortador de muitas pessoas alquebradas espiritualmente.
A consciência cósmica está à frente... continue firme na semeadura do Bem.
Você sente o abraço sutil de Brahman nesse momento?
Isso é porque os seus amigos espirituais estão orando também por você...
Eles sabem que projetar setas de luz na crosta do mundo não é fácil.
Amigo, há algo mais... Um Amor, uma Luz.
E a Casa das estrelas chancela esse trabalho, com Paz e Luz.
Fique com Brahman.”
 
P.S.:
Emocionado, recebi ainda agora esse recado de um amigo extrafísico (que não quer nenhuma ostensividade quanto à sua personalidade) sobre o livro novo que estou revisando. E, junto, veio aquela onda de sentimentos elevados...
Ah, é uma honra estar aqui embaixo fazendo isso!
Eu só tenho a agradecer a quem me colocou aqui...
Brahman, Brahman, Brahman!*
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 12 de novembro de 2015.
 
- Nota:
* Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som a linda canção “People Get Ready”, na versão de Rod Stewart e Jeff Beck. Então, deixo na sequência três links do site do Youtube para quem quiser apreciar essa linda música.
Jeff Beck (guitarra) and Rod Stewart (vocal):
- “People Get Ready” (Clipe, 1995) -
- “People Get Ready” (Rod Stewart and Ronie Wood, Unplegged and Seated) -
- “People Get Ready” (Live) –

Texto <1707><25/09/2019>