1199 - UM ANJO COM CARA DE GENTE

Quando eu levantei-me das cinzas de meus infortúnios, você estava lá me esperando com a mão estendida.
Não me recriminou, apenas estendeu-me a mão e sorriu.
E eu senti o toque de um Amor incondicional.
O tempo passou e recuperei-me.
Descobri novos rumos e caminhei...
Foi duro, mas verguei meu ego e aprendi o valor de um sorriso.
Acho que você já sabe, mas seu sorriso silencioso e seu abraço na hora providencial arrebataram-me do fundo do poço.
Nos piores momentos de minha recuperação, era de você que eu me lembrava.
Eu era inconsequente e injusto com todos, mas um anjo velava por mim.
Eu não sabia que os anjos eram dotados de tanta paciência e nem que tinham cara de gente. Imaginava-os lá no Céu e distantes de caras como eu.
Mas o descobri com a mão estendida para mim no meu buraco dolorido e trevoso.
Sabe?... Sei que você não gosta de ser chamado de anjo.
Mas, para mim, você tem asas brilhantes, apenas disfarçou-as de mãos estendidas. Inclusive, sei que você diminuiu sua própria luz para não brilhar tanto nem machucar caras obscuros como eu.
Você tem cara de gente, mas seu sorriso não é daqui.
E esse brilho em seus olhos revela tanta coisa...
Algo me diz que você é um anjo solar que baixou na cova de um homem trevoso e injusto. Cara, sem a sua mão estendida, onde eu estaria agora?
Gostaria que o mundo soubesse que caras trevosos também são amados.
Que os anjos visitam as covas trevosas e transformam infelizes recalcitrantes em seres trabalhadores.
Que além do ego e da dor, pontificam seres solares cheios de presentes em forma de luz e sorrisos silenciosos.
Que o Amor é capaz de transformar qualquer coisa.
Que uma mão estendida na hora certa representa muito, e que os olhos brilhantes ensinam mais do que milhões de livros.
Que alguém é capaz de sair da cova de suas dores e tocar a vida em frente...
Além do orgulho que enterra suas melhores chances.
Eu fui visitado por um anjo com cara de gente e saí da cova do ego.
Ele ensinou-me a brilhar em meio às experiências de vida.
Ele ensinou-me a voar, além dos sonhos...
Ele me amou, e eu aprendi o valor do Amor incondicional.
Ele voou e levou-me junto, além das covas, rumo ao Sol.
Dizem que os benfeitores espirituais são apenas pessoas extrafísicas.
Mas, para mim, são anjos com cara de gente e moram no Sol.
E um deles continua sorrindo para mim...
 
- Anônimo -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 24 de novembro de 2000.)

Texto <1199><12/09/2012>

1199 - TUA ALMA

 
- Por Huberto Rohden* -
 
Tua alma é uma luz - não a extingas...
Tua alma é uma harpa - não a destemperes...
Tua alma é um espelho - não o embaces...
Tua alma é uma flor - não a deixes murchar...
Tua alma é uma fonte - não lhe turves as águas...
Tua alma é um santuário - não o profanes...
Tua alma é um poema - não lhe roubes a poesia...
Tua alma é uma virgem - respeita-lhe a pureza...
Tua alma é um mistério - silencia-lhe os segredos...
Tua alma é um arco-íris - contempla-lhe os primores...
Tua alma é livre - não a escravizes...
Tua alma é um sopro de Deus - defende-lhe a vida divina...
 
* * *
 
Se tudo isto é tua alma, homem, por que não fazes a tua vida à imagem e semelhança de tua alma?...
Não foi o corpo que produziu a alma - é a alma que produz o corpo...
É a alma espiritual que arquiteta o edifício material de teu ser...
É a alma que forma as carnes, que difunde o sangue, que arma os ossos, que distende os nervos, que desdobra a pele - que confere vida ao organismo inerte!...
É a alma o princípio ativo que domina o elemento passivo......
É a alma que pensa e quer, que sente e ama, que imagina e recorda...
É a alma que de maravilhas de ciência e arte inundou a face da terra...
É a alma que num cosmos de ordem transforma o caos da matéria...
É a alma que sobrevive imortal ao corpo mortal...
É a alma que para uma vida nova ressuscita o corpo desfeito...
Se tudo isto faz a alma, meu amigo, por que dás ao corpo as 24 horas do dia - e nenhuma hora à alma?
Por que não lhe dás, em carinhosa solicitude, ao menos uma hora por dia?
Por que não a enriqueces, quando pobre?
Por que não a curas, quando enferma?
Por que não a libertas, quando escrava?
Por que não a robusteces, quando fraca?
Por que não a alimentas, quando faminta?
Por que não lhe dás de beber, quando sequiosa?
Por que não lhe dás um banho solar quando saudosa da luz?
Por que não a fazes respirar na atmosfera divina, quando desejosa de Deus?
Tem caridade com tua alma, homem - porque tua alma é tua vida...
Tua alma és tu mesmo...
 
(Texto extraído do excelente livro "De Alma Para Alma" - Huberto Rohden - Editora Martin Claret.)
 
- Nota:
* Sobre Huberto Rohden, favor ver sua coluna no site do IPPB, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&;;view=article&id=6571&Itemid=182
 

Texto <1199><12/09/2012>

1198 - DESPERTA!

A senda está fresca e clama pelos teus passos.
Não te demores mais.
Ascende a Luz do sol do coração...
Ao sol do topo da cabeça, na coroa dos mil raios*.
Saude o Sol do Samadhi** em ti mesmo.
A Luz te chama.
Desperta... E entra na senda.
Caminha sem esmorecer.
Avante, e não te detenhas até alcançar a meta.
Tu és o Espírito Eterno, a Centelha Divina.
Por isso, não faças por menos: Desperta!
Pois a Luz te chama.
 
(Esses escritos são dedicados a Paramahamsa Ramakrishna***.)
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
 
- Notas:
* Coroa dos mil raios - metáfora para o chacra coronário, chamado em sânscrito de “Sahashara”, o lótus das mil pétalas.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
  Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
** Samadhi - do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.
*** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
 

Texto <1198><04/09/2012>

1198 - HÁ ALGO A MAIS... UM AMOR. UMA LUZ – XXXV*

 
Olhe além dos limites do seu ego...
E veja quanta Luz.
Mesmo no escuro, veja!
Mas olhe com o coração.
 
Escute a música das esferas astrais...
E encante-se com a magnitude da tapeçaria sideral.
Mesmo na Terra, admire as estrelas.
Mas faça isso com seu coração.
 
Não seja traidor dos seus pensamentos...
Banque a transformação que quer ver no mundo – primeiro, em você mesmo
Mesmo sob a pressão do materialismo exacerbado, melhore sua consciência.
Mas não traia o seu coração.
 
Que o seu olhar seja generoso e lúcido...
E que o conhecimento não o torne arrogante.
Mesmo que ninguém entenda, faça o Bem - sem olhar a quem.
Mas que isso seja de coração, sem esperar reconhecimento algum.
 
Você é uma consciência espiritual...
E, no presente momento, está estagiando na Terra.
Mesmo revestido de corpo físico, reconheça sua essência espiritual real.
Mas assuma isso em seu coração – em Espírito e Verdade.
 
Ninguém morre!...
É só a consciência que se desprende e volta para casa.
E isso é “lá em cima”, na casa das estrelas.
Mas é só o seu coração que pode lhe dizer algo sobre isso.
 
Não espere a morte chegar para refletir em cima disso...
Porque você não sabe quando será o seu momento.
Assuma sua Luz – aqui e agora -, e atreva-se a ser feliz.
Mas compreenda isso – em seu coração.
 
Você não está aqui só para comer, beber, copular, dormir e morrer...
Também é seu o poder de pensar, sentir e agir de forma lúcida.
E você não está sozinho na jornada – porque um Grande Amor o acompanha.
Mas você só o sentirá em seu coração.
 
Diante das dores do mundo, trabalhe melhor.
E quando for acicatado pelo sofrimento, voe nas asas da prece.
Ah, não se lamente... Porque o fogo das estrelas também arde em você.
Mas, sobre essas coisas, é só o seu coração que sabe.
 
Que o Amor faça acontecer o brilho do amanhecer em seu olhar...
Que você encontre sentido e graça na vida – e em você mesmo.
Que você permita a Luz guiá-lo em sua jornada...
Mas, não esqueça: que isso tudo seja com todo seu coração.
 
P.S.:
Ah, eu não sei mais o que dizer...
Só sei sentir – e escrever que há algo mais...
Um Amor. Uma Luz. E só o Todo é que sabe a causa...
Mas foi escrito assim: de todo coração.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 23 de março de 2012.
 
- Nota:
*  Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência). 
 

Texto <1198><04/09/2012>

1198 - O VERDADEIRO CORAJOSO

 
- Por J. J. Benitez -
 
(Ao meu Pai)
 
Aonde reside a verdadeira coragem?
E o Ancião dos Dias atendeu minha súplica.
Tomando-me pela mão, conduziu-me aos campos de batalha.
- Que vês? - perguntou-me.
- Centenas de heróis que desprezam a morte - respondi. Homens corajosos, sem dúvida.
Mas o Ancião dos Dias negou com um gesto de cabeça.
Arrastando-me até o deserto, mostrou-me um sem fim de ermitãos.
- Que vês?
- Homens santos e corajosos, sem dúvida, que desprezam a vida.
Mas o Ancião dos Dias negou com um gesto de cabeça.
E, convidando-me a segui-lo, pôs diante de mim uma legião de monges, isolados do mundo por muros altos.
- Que vês? - interrogou-me pela terceira vez.
- Homens corajosos e abnegados, sem dúvida, que lutam consigo mesmos.
Negou outra vez e dirigiu-se ao leito de um moribundo.
- Que vês?
- Outro ser humano cansado de viver e que clama pela morte. Sem dúvida, um corajoso.
Mas o Ancião dos Dias sorriu com amargura.
E fui transportado até a beira de um precipício. Ali, um suicida acabava de escrever sua carta de despedida.
- Que vês?
- Um homem desesperado que renunciou à vida. A sua maneira, um homem corajoso, sem dúvida.
Mas o Ancião dos Dias tornou a negar firmemente.
Por último, abrindo a porta de uma humilde morada, apontou-me um pai de família consumido pelos conflitos, em perpétua batalha contra o infortúnio, mas, apesar de sua permanente e atroz monotonia, parecendo imune ao desalento.
- Que vês?
- Um homem acovardado...
E meu guia, outra vez desaprovando-me, exclamou:
- Novamente te equivocas. Este é o verdadeiro corajoso. Luta pela vida.
 
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – J. J. Benitez – Editora Mercuryo.)
 

Texto <1198><04/09/2012>