1082 - SER FEITO E SER DEIXADO...

- Por Frank -
 
No centro do meu mundo interno, percebo o planeta se mexendo, mas não temo, pois não tenho medo; sei que minha casa tem vida e tudo se move, tudo se finda... Só a alma permanece viva, envolvida na minha consciência ativa, que se fortalece, se renova e segue...
A minha consciência não depende da matéria dessa dimensão, mas, se nesse momento, ela se reveste com essa terra, é para que eu possa aprender algo com ela. Já que não sei o que dizer, nem interpretar o que estou escutando, respiro e sinto, pois, apesar de ser pequeno e vulnerável, apesar de possuir um corpo sensível, delicado e fácil de ser destruído, sei que quem eu sou é feito de uma energia muito mais resistente, que é o próprio Amor latente do Criador Universal. 
Mesmo assim, mesmo tendo consciência de quem eu sou, em meio às ondas que varrem tudo, sinto no peito o impacto do temor que contagia quem se precipita em afirmar que nada há... E, se a terra treme, e o vulcão explode e leva daqui toda essa gente (e isso nos comove, é verdade), esses acontecimentos servem também de alerta, pois, toda vez que a tragédia se manifesta, a explicação que todos querem não reside em quem vai e, sim, em quem fica e continua destruindo, em lugar de seguir reconstruindo um novo tempo que se inicia.
Quem se vai, vai... Seja qual for o motivo, seja qual for a razão; mas, quem fica não pode ficar catando grão de explicação; afinal, é preciso erguer as mangas da camisa da teoria e pôr em prática toda aquela espiritualidade - que não serve para nada se não tornar-se ação.
"Quer Luz, seja Luz", já diziam os sábios. Por isso, em meio ao vício de continuar assistindo às cenas da desgraça alheia se repetindo, continue a sua vida, mais alerta e mais atento com o planeta que nos recebeu que, nada mais é do que também um SER vivendo...
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: http://cronicasdofrank.blogspot.com

Texto <1082><01/04/2011>

1081 - A MENSAGEM DO ANCIÃO

(Nas Telas do Infinito com Jesus)
 
Aqueles que são médiuns da Luz são trabalhadores do Céu, que criou a Terra; são como alto-falantes do Eterno, por onde as vozes dos espíritos alertam os homens.
Muitas vezes, o Alto envia seus emissários, que trazem boas novas do Céu entre os homens. Em determinadas épocas, eles se manifestam no plano físico; em outras, operam invisivelmente, sem que a humanidade note a sua presença.
E, hoje, eu quero contar uma história sobre Jesus. E era o meu avô, o Ancião, que me contava essa história. E ele me contou isto muitas vezes; e eu, que era criança, não entendia direito, mas guardei as palavras dele no meu coração.
O meu avô era um sábio, tranquilo e humilde. Homem de poucas posses, nunca teve status e trabalhou a vida inteira. Nunca ouvi qualquer reclamação dele para com qualquer outra pessoa. Nunca o vi irritado. Para todos, sempre tinha um palavra de conforto e de apoio; e ele sempre rezava quietinho no seu canto. Ele ligava o seu coração ao Coração de Jesus...
Ele curou muitas pessoas e também libertou muitos espíritos presos, em muitas ocasiões. E me contou as histórias de Jesus, e me disse que quem as contava para ele, por sua vez, eram os anjos, que desciam numa coluna de luz em sua morada.
E esses anjos projetavam imagens da época de Jesus na Terra, e diziam para ele que essas imagens estavam gravadas na aura do planeta, disponíveis para todos que tivessem o coração aberto.
E nessas imagens, o meu avô via Jesus conversando com seus discípulos e com as pessoas da população simples. Ele viu a decida de Jesus à Terra, que foi como um raio cortando os diversos planos e descendo no orbe.
Desde o momento de sua descida, havia uma Coluna de Luz sobre Ele, que entrava sobre sua cabeça e ia até os seus pés. Uma proteção divina constante. Mesmo encarnado num corpo da Terra, Ele estava ligado ao Céu, e sua encarnação não era uma descida comum. Assim como outros instrutores espirituais ao longo da história, Ele também desceu numa missão especial.
E Ele foi crescendo em Glória e Luz e, desde pequeno, manifestava diversos poderes incompreensíveis até para os seus pais. E Ele descobriu que teria que manter esses poderes sob controle, para não assustar as pessoas.
E Ele foi crescendo... E a Coluna de Luz sobre Ele, todo o tempo.
E, sim, Ele levitou sobre as águas. Não é um mito. Porque Ele podia flutuar, e sabia como fazer para vencer as leis da gravitação. Mas Ele não costumava fazer isso, porque jamais ficaria acima de seus semelhantes. Por isso, ele mantinha suas capacidades sob um certo controle, pois Ele não queria manifestações externas desse poder. Ele queria a transformação das consciências e a transmutação dos corações.
E o meu avô me contou que também O viu conversando com as pessoas simples e com os discípulos, e que eles não entendiam metade do que Ele falava, porque eles cometiam o erro de tentar escutá-Lo com a mente. Mas Ele usava da linguagem do Espírito, que só é compreendida pelos corações.
E os poucos que compreenderam sua mensagem, dentro do coração, tiveram o Amor como a aurora que surgiu em meio às trevas de suas limitações. Suas palavras calaram fundo, porque falavam diretamente ao Espírito.
E Ele caminhou pela Terra até o momento final de seu trabalho... E Ele sabia que os fracos do caminho não eram aqueles que caíam sobre o poder da espada ou do governo do mundo. Os fracos eram aqueles que, supostamente, detinham o poder do mundo - os arrogantes, os que se achavam muito fortes.
Ele sabia que sempre haverá um amanhã e que, aquele que planta, com certeza colherá...
Ao ver alguém caído sob o peso da violência, Ele não se abalava; mas Ele tinha grande compaixão por quem praticava a violência, porque ali Ele via o verdadeiro doente.
Ele via dentro dos corações aquilo que ninguém via. E Ele se admirava muito da aurora e do crepúsculo, momentos mágicos.
E, então, Ele se foi... Para o Céu de onde veio, deixando a sua mensagem e, ao mesmo tempo, arrebatando muitos espíritos em sua ascensão.
E o meu avô me contou tudo isso, que ele via, espiritualmente, mostrado pelos anjos. E ele sempre reafirmava que, apesar de todo seu poder, Jesus jamais pairaria acima dos seus semelhantes, porque Ele os considerava como irmãos, como iguais diante de Deus.
E o meu avô, no devido tempo, também se foi... E eu cresci, formei a minha família e também me tornei avô, no tempo certo das coisas.
Pois, assim como as estações passam, e a fruta verde finalmente amadurece, as folhas verdinhas também caem, em seu tempo. E também é assim na vida do homem da Terra... E eu também tive o meu tempo, onde as folhas verdes de minha vida física foram secando com a idade.
E eu tentei contar para os meus netos a mesma história que o meu avô me contava, mas o tempo era outro e eles não ouviam. E, no momento certo, eu também fui... E encontrei o meu avô, rejuvenescido - e eu, também, rejuvenescido.
E nós contamos muitas histórias, um para o outro, e o meu avô me disse que estava na hora dele ir para outro lugar e que ele me deixaria no posto dele. Então, os anjos que se comunicavam com ele, passaram a se comunicar comigo, e eu comecei a ver as mesmas imagens de Jesus. E eles me orientaram a descer entre os homens de boa vontade, para recontar a mesma história. E pela graça de Deus, isto agora é possível.
Porque Deus coloca mensageiros e médiuns na Terra, que são alto-falantes do Eterno, para que as vozes dos antigos não se percam em sua sabedoria. Para que elas possam ser veiculadas no mundo moderno, tão carente de histórias que falem ao coração.
E, hoje, nós podemos estar juntos numa comunhão de corações que intercambiam luzes e sentimentos, que viajam para outros corações, de todos os planos...
E, se vocês me permitem dizer, embora os anos passem, todos vocês são crianças diante da sabedoria do Eterno. E criança faz muita birra- tem muita teimosia -, mas, sempre haverá um amanhã... E nenhuma birra, nenhuma teimosia, nenhuma espécie de arrogância irão dominar o amanhã de vocês.
Numa outra ocasião especial, eu virei aqui novamente. Se for possível a vocês guardarem um lugar para mim, eu me sentarei junto. Se vocês reservarem um banquinho de madeira, para que eu me sente como fazia, outrora, eu lhes contarei outras histórias, porque o meu avô também falava do Buda. Dizia que Ele era capaz de acalmar as tempestades e as ventanias, e poucos sabem disso. E falava também de Sócrates, Pitágoras, Krishna e outros instrutores.
Há muitas histórias, e mesmo aquelas que o meu avô não me contou, hoje os anjos me contam e me mostram, nas telas do passado, esses acontecimentos maravilhosos, que servem de referência para novas inspirações nos dias de hoje.
Numa próxima ocasião, se Deus assim permitir e vocês guardarem o meu lugar, eu retornarei. Ah, hoje eu também sou conhecido como o meu avô era conhecido: eu sou apenas mais um Ancião.
 
- O Ancião -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Jundiaí, 22 de junho de 2010.)
 
- Nota de Wagner Borges: Esses escritos são a transcrição de um lance psicofônico ocorrido durante uma reunião com o grupo de estudos do Espaço Origens, em Jundiaí. Enquanto eu conduzia uma prática espiritual com a turma, o Ancião acoplou mediunicamente comigo e projetou essas palavras aqui transcritas. Por sorte, alguém estava com um pequeno gravador e registrou o lance. E, agora, a mensagem dele está sendo disponibilizada em aberto para todos.
Espero que ele apareça novamente, pois deixou a todos os presentes com uma energia maravilhosa. E a sabedoria dele, então, nem se fala... E eu só tenho a agradecer a honra de um sábio assim me permitir ser seu canal interplanos e veicular os seus toques conscienciais tão legais e amigos.
 
Paz e Luz.

Texto <1081><30/03/2011>

1081 - PROJETO POEMA

- Por Mauricio Santini -
 
Mesmo que eu tenha o sólido e a carne mais densa,
Posso voar feito ave que gorjeia e pensa...
 
Mesmo que eu tenha a máscara e a pele tão presa,
Posso atravessar o quarto, a sala e o tampo da mesa.
 
Mesmo que eu tenha na vida o peso da farda,
Posso amanhecer no tempo que espera e nunca tarda.
 
Mesmo que eu possa andar pelos becos rasos do mundo,
Posso ter meus passos largos viajando em sono profundo.
 
Mesmo que eu possa passar as portas e vislumbrar janelas,
Posso sentir-me mais livre, apartado das mazelas.
 
E por mais que eu possa caminhar estreito em linha reta,
Tenho que seguir o espaço no ser que se projeta.
 
E por mais que eu tenha que me deslocar,
Posso deslizar tranquilo nas ondas do meu pensamento.
 
E por mais que eu possa olhar as ruas da minha cidade,
Posso admirar a terra no ápice da minha vontade.
 
E por mais que eu tenha que fincar assim meus pés no chão,
Tenho que voar mais solto nas asas da projeção!*
 
- Nota de Wagner Borges: O meu amigo Mauricio Santini me deu este belo poema de presente. Devido ao seu teor projetivo, resolvi dividi-lo com os leitores.
Obs.: para mais detalhes sobre os seus textos inspirados, favor ver a sua coluna na revista on line do site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=category&id=54&Itemid=88 
 
(Texto extraído do livro “Viagem Espiritual – Vol. 3” – Wagner Borges - Editora Universalista – 1998.)
 
- Nota do Texto:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.

Texto <1081><30/03/2011>

1080 - FLORES E JOIAS SUTIS

Hamendras estava muito confuso. Seu mestre, Ram Gopal, havia partido para o mundo espiritual e, antes de sair do corpo, disse-lhe:
“Ensinei a você tudo o que eu sei. Não fique triste com a minha partida. Você bem sabe que o traço característico da existência terrestre é a impermanência.
Vivemos sob os auspícios da Mãe Terra apenas por um tempo, mas logo o Pai Espiritual requer nossa volta para o plano estelar.
Vim para a Terra, vivi a experiência humana, trabalhei as emoções, quebrei o ego e equilibrei-me na consciência serena. Agora, volto para a natureza extrafísica surfando nas ondas luminosas do Amor Supremo.
Quando se lembrar de minha passagem pela Terra, não faça cultos ou devoções místicas em minha homenagem. Vá até o jardim mais próximo e veja as flores desabrochando. Elas são minhas irmãs. Observando-as, transformará sua saudade em alegria.
Perceberá que também desabrochei na vida terrestre e espalhei entre os homens beleza, perfume e cores espirituais.
Por favor, sinta-se bem e siga seu caminho com discernimento, amor, alegria e paciência. Voarei agora para casa, pois o Senhor me espera em seu jardim espiritual.
Ah, não se esqueça do nosso ensinamento mais importante: sempre erga a mente além das ilusões dos sentidos e abra o coração em agradecimento ao Amor Maior que é a Luz de todos nós. Quando agradecemos com sinceridade, quebramos o ego e ficamos plenos de alegria transcendental.
Fique em paz, meu filho. Seja querida flor e desabroche as pétalas de luz do seu coração entre os homens.””
Hamendras tinha a clarividência* desenvolvida e viu o momento em que Ram Gopal desprendeu-se da carcaça física. A seguir, cremou o corpo de seu guru e foi meditar.
Sentia-se estranho, dividido. Parte dele queria desprender-se do corpo e seguir o mestre, mas parte dele sabia que tinha um tempo a cumprir na Terra.
Procurando equilibrar-se, lembrou-se de uma prática espiritual que o mestre lhe ensinara. Concentrou-se no chacra frontal** e encheu o centro interno da testa de suave luz.
A seguir, deslizou a consciência até o meio interno do peito e visualizou uma linda flor em botão. Suavemente, começou a desabrochá-la com pensamentos de paz e amor.
Camada por camada, as pétalas foram se abrindo...
Para a surpresa de Hamendras, surgiu, bem no centro da flor aberta, uma brilhante joia. Usando o coração como veículo, ela comunicou-se sutilmente com ele, pela via das percepções espirituais, e disse-lhe:
“Sou Ananda, a joia espiritual. Vejo que Ram Gopal ensinou-lhe muito bem. Mas ele era apenas seu mestre externo. Sua função era ensiná-lo como chegar até meu brilho.
Agora que me achou em seu próprio peito, cesse a busca externa e a tristeza.
Sempre estarei aqui. Quando quiser, é só fazer a flor abrir que surgirei bem no centro dela. E, seguindo as intuições que lhe darei, você será uma linda flor entre os homens. Eles não perceberão nosso brilho, mas espalharemos juntos a beleza, o perfume e as cores espirituais.
No devido tempo, iremos nos juntar a Ram Gopal nos belos jardins do Senhor, além das luzes da Terra. E aí, meu querido, brilharemos mais, e para sempre...””
Desse momento em diante, Hamendras iluminou-se e tornou-se o mestre das flores.
E quando alguém perguntava qual era a origem do brilho de seus olhos e de seu sorriso, ele apenas dizia: “É que mora uma joia dentro do meu coração e, também, porque um dia Ram Gopal ensinou-me a sempre agradecer ao Amor Maior e ser uma flor entre os homens.”
 
OM TAT SAT!***
 
- Wagner Borges –
(Texto extraído do livro “Falando de Espiritualidade” – Editora Pensamento – 2002.)
 
- Notas:
* Clarividência – do latim, clarus - claro; videre, ver – é a faculdade perceptiva que permite ao indivíduo adquirir informações acerca de objetos, eventos psíquicos, cenas e coisas, físicas ou extrafísicas, através da percepção parapsíquica de imagens ou quadros mentais.
** Chacra Frontal - é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise – pituitária - e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito ele é conhecido como “Ajna”, o centro de comando.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
  Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
*** Om Tat Sat - tríplice designação de Brahman. É um mantra evocativo dos três aspectos do divino na cosmogonia hinduísta: Brahma, Vishnu e Shiva. É muito usado por vedantistas - seguidores do Vedanta -, um dos seis principais sistemas filosóficos da Índia. Pode ser usado como um mantra ativador dos chacras e também pode ocasionar estados alterados de consciência profundos durante a meditação.

Texto <1080><26/03/2011>

1080 - TROVAS DO ALÉM

1.Adoro a Terra, entretanto,
Vale mais no meu arquivo
Ser vivo depois de morto,
Que ser morto sendo vivo.
 
- Martins Coelho -
 
2.Boneca que sempre riste
De alma gelada e insincera,
Ah, Boneca, como é triste,
A solidão que te espera!
 
- Vivita Cartier -
 
3.O mundo aplaude a coroa
A quem vence a batalha a esmo;
Mas, no Além, o vencedor
É quem venceu a si mesmo.
 
- Antonio Azevedo -
 
4.Não há júbilo, a rigor,
Que se possa comparar
Ao do amor que encontra o amor,
Depois de muito esperar.
 
- Maciel Monteiro –
 
5.Há muita paixão que arrasa,
Qual fogueira bela e vã.
Hoje, brilho, chama e brasa;
E muita cinza amanhã.
 
- Marcelo Gama -
 
6.Rio morto, árvore peca,
De tudo vi no sertão.
No entanto, pior é a seca
Que lavra no coração.
 
- Virgílio Brandão -
 
7.Depois da morte é que a gente
Tem o amor que nos aperfeiçoa,
Amando quem nos esquece,
Nos braços de outra pessoa.
 
- Jovino Guedes -
 
8.Ateu, enfermo que sonha
Na ilusão em que persiste...
Um filho que tem vergonha
De dizer que o Pai existe.
 
- Alberto Ferreira -
 
9.Amor... Uma frase apenas...
Olhar terno que se afasta...
Um bilhetinho... Uma flor...
Para quem ama isso basta.
 
- Teotônio Freire -
 
10.Para quem serve e trabalha,
No esforço em quem se aprimora,
Calúnia não atrapalha,
Elogio não melhora.
 
- Lopes Filho -
 
11.Depois da morte é que vi
Quanto luxo, quanta guerra,
Que a vida guarda com jeito,
Em sete palmos de terra!
 
- José Albano -
 
12.Vai o berço, vem a cova:
Sai o prazer, surge a dor...
O tempo a tudo renova,
Mas amor é sempre amor...
 
- José Bartolota -
 
13.Matrimônios, se forçados –
Castelos de cinza e fumo;
Os braços entrelaçados,
Os corações noutro rumo...
 
- Roberto Correia -
 
14.No meu túmulo, reli:
"Meu amor, descansa em paz!"
No entanto, é junto de ti,
Que sempre me encontrarás.
 
- Lauro Pinheiro -
 
15.Depois da morte, a saudade
É um muro não sei de quê;
De um lado a pessoa enxerga,
Do outro ninguém vê.
 
- Da Costa e Silva -
 
16.Amor puro, além da morte,
Chama que não esmorece;
Largado, não abandona,
Esquecido, não esquece.
 
- Targélia Barreto -
 
17.Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!...
Nem flor, nem cinza, nem vela,
Nós todos estamos juntos.
 
- Cornélio Pires -
 
18.Não existe reconforto,
Que valha o ameno transporte,
De rever um amigo morto,
No instante de nossa morte...
 
- Colombina -
 
19.Assembleias, multidões!...
Não te iludas a caminho...
Na alcova do coração,
Cada um vive sozinho.
 
- Jônatas Batista -
 
20.Muitas paixões desregradas,
Que atormentam vida afora,
Começam com "não te esqueço",
E acabam com "vai-te embora".
 
- Anísio de Abreu -
 
21.Na Terra, amores violentos
São leiras de desenganos;
Sorrisos de alguns momentos,
Suplícios de muitos anos.
 
- Eugênio Savard -
 
22.“Que fazes de ouvidos moucos?”
- Perguntei à campa em trevas.
E ela disse: "Como, aos poucos,
O que ajuntaste e não levas."
 
- Juvenal Galeno -
 
(Essas trovas foram extraídas do livro "Trovadores do Além" (edição da FEB), passadas mediunicamente, por vários espíritos, através dos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier, em princípios da década de 1960).

Texto <1080><26/03/2011>