815 - MARCAS DE EXPRESSÃO

- Por Maurício Santini -

Eu, tirar minhas marcas de expressão?
Qual o por quê de extraí-las, se foram elas que me deram expressão?
Limpar da minha vida as tristezas que fizeram traços na minha testa. Não. Prefiro aprender com a minha fronte.
Varrer do canto dos olhos os sorrisos que eu dei, as alegrias que eu tive?
É uma forma estúpida de estética, como se eu fosse alisar minhas experiências, as que eu vivi com muito custo e honra, apesar de algumas dores.
Esticar minha cara contra a natureza? Embonecar-me como um brinquedo em série? Nada disso traz a verdade. Se daqui a pouco a minha papada estiver mole é porque cantei muito, falei do meu amor pelos quatro cantos do mundo e por todos os cantos da boca. E se há cabelos brancos, é eu comecei a acender melhor minhas idéias.
Se hoje eu não corro e me canso com mais facilidade, é porque tenho a vivência de saber que muitos passos que damos são dados em falso, trôpegos até. Quantas vezes eu escorreguei pelas ciladas do destino? Quantos buracos, quantos caminhos errantes, quantas bifurcações...
Minhas pernas seguem mais lentas, todavia precavidas dos acidentes de percurso. Quando vejo uma pedra, não mais a chuto, deixo que ela fique em seu lugar. Meus braços não querem tantos músculos definidos e, sim, a definição de um abraço afetuoso.
Agora solto mais minha barriga. Já quase não tenho mais medo. Já não reteso tanto minhas emoções e nem as guardo no armário embutido do abdômen. A barriga era mais dura, eu era mais duro e a vida, para mim, era mais dura. Sentia com o estômago. Apaixonava-me com o fígado, sofria muito pelo intestino. Para que uma barriga de tanquinho e um ralo de esgotos na cabeça? Não posso dizer que nunca mais tive emoções tão indigestas. A diferença é que o alimento que vem dos outros me faz menos mal e a minha digestão é mais segura e confiante.
Apenas ando, caminho com as árvores, abraço-as, dou nome a elas. Olho para o céu, hoje, olho para o céu e procuro as estrelas mais próximas, busco as distantes, apesar de não enxergá-las com os olhos. Com meus pés piso a terra - seca ou molhada, tanto faz -, e sinto sua pele. Parece incrível sentir o coração do Planeta com os pés. As flores são vistas, outrora desprezadas. As plantas dormem ao meu lado. Falo com os bichos e escuto suas frases. Antes minha surdez era mais jovem. Posso dizer que, agora, minha voz, mais grave e mais fraca, é capaz de dizer que ama com muito mais firmeza e verdade. E, como ela já disse: não sou eu quem faz os anos, os anos é que me fazem.

São Paulo, 14 de setembro de 2007.

Nota de Wagner Borges: Mauricio Santini é jornalista, escritor, poeta e espiritualista. É meu amigo há muitos anos, e sempre me emociono com os seus textos brilhantes e cheios daquele algo a mais que só os grandes escritores e poetas possuem.
Para ver outros textos dele, é só entrar em sua coluna na revista on line de nosso site - www.ippb.org.br.

Texto <815><03/10/2007>

815 - UMA ORACÃO DA PRESENÇA VII

- Por Wagner Borges -

Que você reverencie seus pais e cuide bem de seus filhos.
Que você não permita que ser algum roube sua generosidade.
Que o paraíso não seja em algum lugar lá do céu, mas num cantinho secreto de seu coração.
Que você tenha a sabedoria de extrair lições de cada dificuldade.
Que você cuide bem de sua criança interior e se fortaleça em sua alegria.
Que o passar dos anos não lhe traga apenas rugas, mas muita maturidade e equilíbrio.
Que você não se perca em emoções medíocres e seja capaz de enfrentar as coisas estranhas, suas e dos outros, com grande ânimo e muita luz no coração.
Que nada nem ninguém seja capaz de drenar suas energias ou fazê-lo acreditar que a consciência se extingue na morte e que não vale a pena lutar pelo que é sadio e justo.
Que a luz da imortalidade brilhe em seus olhos, não por crença cega, mas por lucidez.
Que você saiba que os seus amores que já partiram são bem cuidados na vida extrafísica.
Que você se lembre deles, com carinho e encanto, e que isso conforte sua saudade e o faça viver melhor, em memória deles, que, lá do céu, torcem por você.
Que você não humilhe o mais fraco nem fale mal dos outros, pois nunca se sabe da verdadeira dor que viaja dentro de alguém ou da prova que a pressiona por dentro.
Que você escute boa música, com enlevo e revelação, e que isso alegre seu coração.
Que você se encante com poemas inspirados e veja neles a letra do Ancião dos dias.
Que você sinta a Presença** que está em tudo, em cada respiração.
Que haja graça em seu viver e que você agradeça ao Todo, só por existir.
Que você se emocione, cada vez mais, com a simplicidade da vida, e saiba apreciar a claridade e a beleza do dia e a suavidade de uma noite enluarada.
Que você ainda se emocione vendo o momento da aurora ou do entardecer, quando a festa da luz acontece no firmamento e encanta o coração. 
Que a visão do céu noturno, coalhado de estrelas, expanda sua consciência.
Que você se admire com a natureza da Mãe Terra e a reverencie.
Que seus pensamentos voem nas asas da prece e abençoem e levem luz a todos.
Que seus sentimentos sejam lindos e suas energias maravilhosas.
Que você seja feliz, dentro ou fora do corpo.
Que haja luz, muita luz, em sua vida, por obra e graça da Presença que está em tudo.
Que assim seja, por você e por todos.
Pela vida.
Pela Presença.

Paz e Luz.
Curitiba, 10 de setembro de 2007.

Notas:
* As duas primeiras Orações da Presença estão postadas em minha coluna da revista on line do site do IPPB, no seguinte endereço específico: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=4680  - As outras partes - terceira, quarta, quinta e sexta - estão postadas na seção de textos periódicos do site. São os textos 723, 767, 773 e 783 - www.ippb.org.br  
** A Presença - metáfora celta para o Todo que está em tudo.


Texto <815><03/10/2007>

814 - O QUE OS OUTROS DIZEM, O QUE OS OUTROS PENSAM...

Conta-se a história de um monge em viagem que, cansado, repousou sob uma árvore. Não tendo travesseiro, arrumou alguns tijolos e neles descansou a cabeça. Algumas mulheres transitavam pelo caminho, indo apanhar água no rio. Vendo o monge de repouso, disseram entre si:

- Esse jovem tornou-se monge e ainda não consegue passar sem travesseiro; usa tijolos em seu lugar!

Prosseguiram em seu caminho e o monge pensou: "Tem razão de criticar-me". Pondo de lado os tijolos, descansou a cabeça na terra. Logo depois, as mulheres voltaram e viram que os tijolos haviam sido postos de lado. Então exclamaram com desdém:

- Que belo tipo de monge! Ofendeu-se quando dissemos que usava travesseiro. Veja, agora: pôs fora o travesseiro!

O monge refletiu: "Se uso travesseiro, criticam-me. Se deixo de usá-lo, também não lhes agrado. Impossível satisfazê-las. Deixe-me, pois agradar apenas a Deus".

- Texto extraído do livro "O Sermão da Montanha Segundo O Vedanta" - Swami Prabhavananda - Editora Pensamento. 


Texto <814><29/09/2007>

814 - NAS ASAS DO IRMÃO TEMPO...

(Falando de Iniciação e Universalismo)

 - Por Wagner Borges -

Enquanto vôo de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde irei participar de um Seminário na Sociedade Espírita Ramatis, fecho os olhos e solto a mente nas asas do Irmão Tempo...
Na tela mental interna do chacra frontal - sede da clarividência e da intuição -, surgem imagens do antigo Oriente.
Vejo diversos grupos de iniciados espirituais estudando e trabalhando sob os auspícios do Alto.
Nas terras quentes do Egito de outrora, lugar de mistérios e alegorias iniciáticas, observo o trabalho firme dos hierofantes no trato com as verdades do espírito.
Brilhava ali o processo da alquimia interior, onde o homem ignorante de sua própria natureza, velho e enferrujado de egoísmo, era transformado, no cadinho da experiência, em um Ser dourado de amor, verdadeiro homem de ouro, renovado, renascido e feliz.
Ali morria o neófito - e seu medo do invisível - e renascia o discípulo, consciente e servidor da Luz Maior.
Brilhavam ali os ensinamentos estelares do mestre Thot, emissário celeste entre os homens. 
Ali os discípulos voavam para fora de seus corpos físicos, para estudar e aprender no duplo extrafísico dos templos, sob a guarda luminosa dos mestres.
Sim, foi ali que muitas sementes espirituais foram plantadas nos corações valorosos dos iniciados nas artes do espírito.
As energias do Alto fluíram sobre suas frontes e cingiram suas consciências na Luz.
Nos ventos do Irmão Tempo, a visão continua...
Vejo agora a velha Índia, terra do Ganges e das profundas realizações espirituais. No ar, as suaves vibrações dos sábios realizados na paz do espírito.
Nos templos, nas cavernas, nas florestas, e mesmo em alguns lugares de suas cidades, iogues e iniciados nas artes espirituais respiravam o prana e ativavam seus chacras.
Seus corações pulsavam em ressonância com as pulsações do coração do Supremo Amor. Eles sabiam que o Todo estava em tudo!
Em silêncio, eles meditavam e oravam, e viajavam espiritualmente pelos reinos da consciência cósmica.
Ali brilhavam os ensinamentos de Rama e Krishna.
Sim, foi ali que muitos discípulos despertaram consciencialmente e se encantaram com o Eterno que permeia tudo.
O Supremo tocou seus corações, e nada mais foi como antes.
Em seus olhos surgiu o brilho das estrelas e a certeza da imortalidade do espírito. Então, eles proclamaram: "Brahman está em tudo. Tudo é Ele! Tudo é Ele! Tudo é Ele!"
Levado pelo Irmão Tempo, continuo observando...
Vejo imagens da velha China, berço dos sábios taoístas.
Ali também estavam grupos de iniciados aprendendo as artes da manipulação do Chi, a força vital, e agradecendo a natureza.
No ar, as lindas vibrações dos sábios Lao-Tzé, Chuang-Tzú, Lie-Tzú, Lie-Tao, e tantos outros mestres realizados no Tao.
Em seus corações, a alegria de existir simplesmente.
Ali brilhava a sabedoria perene de Fo-Hi e do Imperador Amarelo.
Sim, foi ali que muitos discípulos foram tocados pelo Tao e vislumbraram outros horizontes além da Terra.
Serenos e alegres, eles proclamaram: "O poder não está no homem, vem do Tao. A sabedoria está em reconhecer isso e fluir pela existência com a jóia do discernimento no coração."
Tranqüilamente, o Irmão Tempo me devolve ao presente, pois o avião acaba de pousar no aeroporto Santos Dumont.
Abro os olhos e vejo às luzes do século 21.
E penso: "Provavelmente irei encontrar, no Seminário Ramatis, muitos desses iniciados de outrora, encarnados e desencarnados, carregando, dentro de seus corações, a síntese das iniciações espirituais e trabalhando e estudando sob a mesma inspiração que um dia os despertou.
Eles parecem brasileiros, mas são cidadãos do universo. Suas provas não são mais nos templos antigos do Oriente, nem nas cavernas do Himalaia, ou mesmo sob as sombras das pirâmides milenares.
Não, eles agora são testados nas lides do mundo moderno, o templo vivo da manifestação. Mas eles carregam a espiritualidade em seus corações e ainda escutam o chamado secreto do Alto.
Sim, eles ainda sonham com um mundo melhor e confiam nos ideais superiores que norteiam seus estudos e práticas espirituais. Eles sabem que são consciências imortais e trazem em si mesmos um tesouro de luz.
Mesmo em meio ao materialismo vigente, o caos urbano e a violência desenfreada, eles persistem na espiritualidade, pois sabem que ela é sua grande riqueza.
Sim, eu irei encontrá-los, daqui a pouco, como homens e mulheres do século 21, carregando, em seus corações, a atmosfera sutil dos iniciados de todos os tempos e linhas.
Sim, as antigas luzes do Oriente espiritual ainda brilham nos tempos modernos do Ocidente, dentro dos estudantes espiritualistas que persistem nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Sim, os ensinamentos de Thot, Rama, Krishna, Buda, Lao-Tzé e Kwan-Yin vivem neles, junto com os ensinamentos de Jesus e Allan Kardec, no mesmo grande coração.
Esse coração dos iniciados de todos os tempos e linhas, hoje reunidos na casa do mestre Ramatis.
Sim, eu irei encontrá-los, daqui a pouco. Parte deles está no Astral do ambiente; a outra parte, reencarnada, igual a mim.
Todos eles são alquimistas do espírito. Todos eles são da Luz!"

P.S.: Ramatis e queridos amigos espirituais da Fraternidade da Cruz e do Triângulo, muito obrigado pela chance de participar de mais uma jornada espiritualista na Terra.

Paz e Luz. 
Rio de Janeiro, 07 de setembro de 2007.

Notas:
* Sob forte emoção, li esses escritos para os 450 participantes do VI Seminário Ramatis, realizado no auditório da SER - Sociedade Espírita Ramatis - www.ramatis.org.br -, no Rio de Janeiro. Nem precisa dizer que muitos dos presentes sentiram grande ressonância com as idéias expostas nessas linhas e também foram tomados de grande emoção e enlevo espiritual.
* Esses escritos se correlacionam o texto "A Viagem dos Iniciados" - postado pelo site do IPPB como texto 450, no ano de 2003. O mesmo pode ser acessado no seguinte endereço específico: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=2496.
* Fraternidade da Cruz e do Triângulo - grande grupo de mentores espirituais que opera no Astral do Brasil, sempre de forma universalista. É coordenado pelo sábio mentor Ramatis. Esse grupo é co-irmão do grupo dos Iniciados.
* Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético; rodas de luz; vórtices energéticos.
* Chacra Frontal - centro energético situado na testa, bem no meio da glabela. Está ligado à glândula hipófise e têm estreita relação com os fenômenos de clarividência.
* Hierofantes - dentro das tradições herméticas de outrora, eram os mestres que testavam os neófitos - calouros - nos processos iniciáticos.
* Prana - do sânscrito - sopro vital; força vital; energia. 
* Thot - ou Toth - era o emissário celeste e escrivão dos deuses na antiga cosmologia egípcia; séculos depois, os gregos o personificaram na figura mítica de Hermes Trismegistro.
* Chi - do chinês - força vital, energia. Dentro dos ensinamentos taoístas, a força vital é polarizada na natureza das coisas em dois aspectos fenomênicos: o Yin e o Yang, as alternâncias do Chi, as polaridades da energia.
* Tao - do chinês - "O Caminho"; "a essência de tudo"; "O Todo". Na verdade, o TAO não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:

 

"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o TAO.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."

 

- Lao Tzé - in "Tao Te Ching" - China; Século VI a.C.

 


Texto <814><29/09/2007>

813 - DO LODO AO LÓTUS

- por Luciana Rocha -


Assim somos nós no processo da evolução.
Sementes, do lodo ao lótus.
Os chacras, com suas pétalas e suas cores,
Formam o nosso jardim da vida!
Ou melhor, a nossa "chácara florida".
Do Lodo ao Lótus é uma jornada,
Uma história de aspiração e vontade!
De saber que somos muito mais
Do que algo pequeno no fundo da terra,
Sim, algo expandido e belo.
Crescer não é negar o lodo,
Mas despertar a real vontade de percebê-lo,
E ir além...
É purificar-se, ser, sentir, fazer, amar, expressar,
Ver e perceber, contemplar, unir e expandir!
São Paulo, 03 de agosto de 2007.    

- Nota de Wagner Borges: Luciana Rocha é professora de Ioga. É minha amiga há anos e escreve textos muitos inspirados, como esse aqui, o qual ela autorizou a postagem em nosso site. Há outros textos dela na seção de convidados da revista on line de nosso site.

- Nota do Texto:
* Dentro das tradições hinduístas e iogues, os chacras são representados simbolicamente pelas figuras dos lótus - em sânscrito, "Kamala"; no contexto do Budismo Tibetano, "Padme" ou "Peme" -, que se enraízam no leito do lodo do pântano e se expandem para cima, para que suas flores fiquem acima da superfície da água, buscando a luz do sol. Da mesma forma, os chacras estão enraizados na área energética da coluna vertebral e se expandem para fora da pele, buscando a luz.


Texto <813><27/09/2007>