807 - SONHO E VIDA
O lago plácido refletia o luar de prata, enquanto o homem apaixonado se enamorava de Selene.
A brisa leve e perfumada derrubou pequenina folha sobre a superfície tranqüila das águas, arrebentando o cromo poético.
*
Enquanto o deserto abrasador se alongava, o viajante cansado se ajoelhou emocionado e feliz; mas estava diante da miragem de um oásis verdejante..
*
Deitou-se o caminhante na praia imensa e, sedento, não podia sorver uma baga do líquido precioso do mar salgado.
*
Cultivando o corpo que ia morrer descuidava-se de si mesmo, que seguiria por toda a Eternidade.
*
Sentia fome e possuía grãos. Impaciente, cozeu-os todos e se alimentou com fartura. Porque não tivesse usado a previdência, depois pereceu esfaimado.
*
Comovido, o artista demorava estudando fotos da natureza, enquanto, em derredor, havia uma festa natural no jardim, no pomar, na floresta, que ele nunca tinha tempo de contemplar.
*
O orador infundia entusiasmo nos ouvintes, decantando a beleza e a glória do sofrimento, que ele ainda não tivera ocasião de experimentar.
*
O mundo é rico de fantasias, fantasistas e fantasmas...
A realidade sorrateira, porém, chega e põe um ponto final, doloroso, na ilusão.
Feliz é aquele que, ante o licor não se embriaga, nem diante da imaginação enlouquece.
Viver o programa da realidade com beleza é a conquista mais auspiciosa, pela qual deve lutar, quem planeja possuir a paz.
- Eros - *
- Recebido espiritualmente por Divaldo Pereira Franco.
(Texto extraído do excelente livro "Em Algum Lugar No Futuro" - Leal Editora).
Nota:
* Eros: Benfeitora espiritual que adotou o pseudônimo de Eros - palavra grega que significa "amor" -, para manter-se no anonimato.
Texto <807><30/08/2007>
807 - NA HORA DA LUZ DO CORAÇÃO
- Por Wagner Borges -
Amigo(a), há uma hora para tudo!
Quando Jesus proferiu o sermão da montanha, num de seus momentos mais inspirados, muitas cadeias invisíveis foram quebradas e hordas de espíritos infelizes foram arrebatadas para os planos celestiais.
No momento em que eclodiu a luz no coração do homem Sidarta, transformando-
E, quando Ramakrishna entrava em samadhi e ria igual criança arteira, muitos outros corações eram tocados pelo vento da esperança.
Há uma hora para tudo!
Então, que em seus momentos de prece e de meditação, você também quebre correntes invisíveis, suas e dos outros.
Que seu coração se ilumine e emane ondas pacíficas, para que as entidades famintas, perto ou longe de você e de seus familiares, também se iluminem.
Que você ria igual criança arteira, no vento da esperança...
Que, por onde você for, seja com quem for, sua alegria e sua bondade levem alento aos sem alento, por obra e graça de Deus.
Amigo(a), há uma hora para tudo!
Então, que seja hora de você sentir, em seu coração, a PRESENÇA* que está em tudo.
P.S.: No alto da montanha, o amor de Jesus.
Embaixo da árvore Bô, a sabedoria do Buda.
No caminho das árvores, a alegria de Ramakrishna.
Que, só de lembrar deles, isso inspire sua jornada.
Que você siga em frente, sem se deter, até alcançar a meta!
Que você seja feliz, só por existir.
São Paulo, 22 de agosto de 2007.
Notas:
* A Presença - metáfora celta para o Todo que está em tudo.
* Samadhi - do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.
* Para enriquecer esses escritos, sugiro aos leitores a leitura de outros três textos correlacionados: um sobre Jesus no alto da montanha; outro sobre o Buda embaixo da árvore Bô, no momento de sua iluminação; e outro que fala de Ramakrishna no caminho das árvores. Seguem-se na seqüência os endereços específicos de cada um dos textos - postados pelo site do IPPB - www.ippb.org.br.
- "Quando a Luz Fala da Luz no Alto da Montanha" - http://www.ippb.
- "Buda - A Luz Invisível Que abraça o Mundo" - http://www.ippb.
- "Viajando no Céu do Coração do Panchavati" - http://www.ippb.
806 - SETE PALMOS
- Por Frank -
Estavam todos em volta do corpo.
Minha mãe chorava; meu irmão, tão falante, calara-se.
Familiares e amigos, rostos ausentes e só agora presentes na morte.
Meu pai merecia, como despedida, muito mais do que essa festa de lamentações.
Todo esse choro em volta de um corpo oco, pois o que havia dentro já não estava mais por lá.
Quando alguém se vai, o corpo é nada mais do que algo parecido a uma foto sem foco, vaga lembrança de alguém que já não habita por aqui. A dor e a saudade são naturais no coração de quem fica, mas o apego ao cadáver é irracional, nesse luto que cega o coração com lágrimas amargas - e elas não reconhecem que o fim de mais um ciclo, dos muitos da vida, acabou de acontecer.
O funeral deveria ser uma celebração, onde familiares e amigos fazem a releitura do livro de uma vida que há pouco se acabou, e não um show de horrores, onde gritos, choros e lamentos celebram a nossa imaturidade em lidar com algo tão natural e certo na vida: a morte.
Sinto falta do meu velho, mas a última imagem que quero guardar no peito não é o tronco oco e caído que todos estão velando, mas sim a árvore que nos dava sombra, frutos e deixou em seus filhos a semente do seu amor e a continuidade da sua obra.
Prefiro me despedir enterrando os maus momentos e transformando os bons em flores, que não serão despejadas no caixão e sim jogadas para o alto - a sete palmos de altura -, nas asas do vento que suspira em meu ouvido: "sintonize amor e ele chegará ao lugar onde seu pai foi morar".
São Paulo, 27 de agosto de 2007.
Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.
Texto <806><29/08/2007>
806 - VIVEKA – O DISCERNIMENTO CONSCIENCIAL II
- Por Wagner Borges -
Tão certa quanto as estações do ano e a luz do coração, assim é a evolução do homem.
Assim como a pequena gota de orvalho desliza pela superfície das pétalas da flor de lótus para, finalmente, se soltar no espaço em direção ao solo, também o espírito rola pela superfície das pétalas da flor de lótus do coração do Todo, rumo ao infinito...
Isso é certo!
O Ser ruma para a Consciência Cósmica, mesmo sem perceber. Isso está no coração de cada criatura! E não há palavras que possam desvendar o grande mistério tecido pelo Supremo no cerne do espírito.
Levantar o véu da ignorância é preciso! Para descobrir o tesouro de luz que há no templo secreto do Ser. Para soltar-se conscientemente pelo infinito...
Há um discernimento que mora na jóia secreta do coração. É pura bem-aventuranç
Quando, pelo discernimento espiritual, o Ser percebe a jóia que é, dissolvem-se os nós das dúvidas e surge o som do supremo: OM!
Isso é certo!
Assim como é inevitável o encontro do Ser com a Consciência Cósmica. Tão certo quanto o amor do Divino que permeia tudo e todos.
No jardim do coração espiritual, brilha a jóia do discernimento supremo. Encontrá-la é preciso! Ou melhor, reencontrá-la e, assim, reencontrar-
E ser feliz... OM!
São Paulo, 18 de agosto de 2007.
Notas do sânscrito:
* Viveka - do sânscrito - discernimento espiritual.
* OM - do sânscrito - é a vibração do Todo que está em tudo; dentro do contexto hindu, é o mantra da criação, o verbo divino, a palavra de poder do Supremo.
* Brahman - do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
Obs.: A primeira parte desse texto está postada na seção de textos periódicos do site do IPPB - é o texto 776.
Texto <806><29/08/2007>
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