632 - A VOZ DO SILÊNCIO

- por Leni W. Saviscki -

(Texto Publicado originalmente no Jornal de Umbanda Sagrada* – Número 63 – Julho de 2005)


- Pelo espírito Vovó Benta -


O atendimento da noite agora se encerrava naquele terreiro de Umbanda. Alguns dos pretos velhos que haviam trabalhado se desligavam de seus aparelhos, não sem antes equilibrá-los com energias edificantes e benfazejas.

632 - A TÉCNICA DE PROJEÇÃO DE FRANCISCO V. LORENZ

- Por Wagner Borges -


Francisco Valdomiro Lorenz foi um grande espiritualista brasileiro, divulgador do Esperanto e autor de várias obras esotéricas importantes como: “O Filho de Zanoni”, “Raios de Luz Espirituais” e o excelente “Lições Práticas de Ocultismo Utilitário” (Editora Pensamento), que contém um ótimo capítulo sobre a projeção, intitulado: “A Projeção do Corpo Astral a Distância”. Deste capítulo, extraímos alguns trechos para melhor análise do leitor:

631 - O TAO, A GRANDEZA DAS GRANDEZAS

(Viajando Espiritualmente no Coração-Lírio Branco)



O Céu é magnífico, flexível e grandioso.
A Terra é compacta, firme e linda.
O ser humano é filho do Céu e da Terra.
Ou seja, é grandioso e lindo, verdadeira maravilha da natureza em equilíbrio.
A riqueza de todos os seres é o Chi*.
O ouro da natureza se espalha pelo ar e faz a vida acontecer de formas variadas.
Quem harmoniza o Chi em si mesmo é detentor de grande riqueza.
O ouro brilha em seu sangue e em seus ossos.
É isso que os sábios chamam de “o ouro circulando pelo templo secreto”.

* * *

630 - PERFUME DA ALMA

- Por Wagner Borges -


O espiritualista consciente exala o perfume sutil da espiritualidade.

Por intermédio das fibras energéticas de sua aura, os espíritos luminosos veiculam as essências espirituais que inspiram e galvanizam a alma dos homens para o Bem.

Muitas pessoas passam por seu perímetro vital, mas são bem poucas as que percebem o perfume sutil e o “Brilho-OM” de seus chacras.

Outras perguntam de onde vem o seu carisma (1) e qual é a fonte de tanta energia. Ele apenas sorri e diz que Krishna é seu amigo.

Algumas se aproximam querendo sua força vital. Ele continua sorrindo e diz que Jesus também é seu amigo.

Outras buscam-no querendo suprir várias carências emocionais. Ele evita isso contando certas piadas e desmistificando os conceitos místicos fantasiosos (2).

O espiritualista consciente trabalha, energiza, galvaniza, espiritualiza e ri bastante...

Se perguntarem a ele qual é o motivo do perfume sutil fluir por sua aura, ele responderá: “É porque Krishna e Jesus são os fiadores de meu serviço; e também porque os espíritos luminosos plantaram as flores do Bem em meu coração”.


OM TAT SAT! (3)


(Texto extraído do livro “Viagem Espiritual III” – Wagner Borges – Editora Universalista – 1998).

1. “Há pouco, uma aluna perguntou-me por que há pessoas com tanto carisma? A resposta é clara: carisma é energia. Quem vibra com o que faz irradia uma energia que impulsiona os outros na direção dos mesmos interesses e afinidades. A energia reflete o que pensamos, sentimos e fazemos uns com os outros. E a qualidade das nossas energias depende da qualidade de nossas manifestações (internas e externas) na vida. Logo, o carisma é sempre bom se há amor e alegria naquilo que se faz.” (Trecho extraído do livro “Viagem Espiritual III”).

2. Sobre a diferença entre o místico sadio e o pessoal que viaja na maionese mística (misticóides ou esquisotéricos), ver o texto “Ponderações Conscienciais” na minha coluna da revista on line do site do IPPB (postado em fevereiro de 2004). Inclusive, esse texto foi publicado na revista “Espiritismo e Ciência”, com uma repercussão muito legal por parte dos leitores.

3. Om Tat Sat (do sânscrito): tríplice designação de Brahman, O Supremo, O Todo que está em tudo; mantra de origem vedantina de poderosa vibração nos chacras.

Texto <630><06/08/2005>

630 - BONS E MAUS

Somos deuses vivendo uma experiência em corpo animal.
No meio, o homem em aprendizado.

Somos corpos animais vivenciando sua fusão divina.
No meio, o espírito evoluindo.

Não estamos no paraíso, nem no inferno.
No meio, a Terra em transição.

Não somos anjos, mas também não somos demônios.
No meio, um Deus que não sabia que era Deus.

Não somos nem tolos espirituais, nem maduros o suficiente.
No meio, um Deus menino.

Temos bons e maus momentos.
No meio, alguém que tenta acertar mais que errar.

Acessamos o samadhi, (1) e caímos na mediocridade.
No meio, alguém maior a cada tentativa.

Temos um chakra básico, e um chakra coronário.
No meio do caminho, um coração.

Nem bons, nem maus.
Apenas o que está no caminho: seres humanos - ou quase humanos.
Com altos e baixos, brigas e iluminações, rancores e perdões, amores e desilusões.
Sem rótulos, sem definição, sem um enquadramento padrão.

Capazes de grandes atos, e de explosões inexplicáveis.
Talvez seres oníricos consciencialmente, com potencial para pequenos momentos de lucidez, e uma compreensível incapacidade de manter um padrão elevado.

Talvez adolescentes espirituais, que até ajudam numa ou noutra tarefa, e, às vezes, se portam como adultos. Mas que, às vezes, são pegos brincando de carrinho, e não conseguem raciocinar diante de certos estímulos sensoriais.

Somos o chakra cardíaco da consciência.
Somos o meio do caminho.
Uma boca para a Terra, uma boca para o Cosmos.
Somos uma aura que mistura Kundalini e Fohat, temperando com o prana do
centro do peito. (2)
Somos o sexo e a transcendência JUNTOS.
Somos Cristo e Lúcifer.
Somos os opostos, e os complementares.
Não somos o sonho, nem a total lucidez.
Não somos mais tão ruins, mas também não tornamos nosso amor e bondade em um estado de consciência.

E a roda de samsara (3) gira. E gira a roda da fortuna.
Tire uma foto, e vocë estará em cima. Tire outra foto, e estará embaixo. Entretanto, ela apenas gira, sem se importar com as classificações.
Em volta de um mesmo eixo, ponto e círculo, lingan e yoni. (4)

O "1" e o "0", Yin e Yang, 10, Yod.
E a roda mais humana, a que o leva ao céu e ao inferno, é também o número de Deus.
O homem que não se sabia Deus.
Ou o Deus que não quer apenas criar o Sol, se fundir com o Sol, conhecer o Sol - mas simplesmente poder, em um momento humano, contemplar a própria criação.
Sobe a roda, desce a roda.

Vêm os anjos e assediadores, vêm o divino e o demoníaco, telúrico e cósmico, mentor e obsessor.
Até todos irem embora e enxergarmos apenas um labirinto de espelhos.
Somos o erro e o amparo. O certo e o errado. O sagrado e o profano. O bem e o mal. O alto e o baixo.

E no meio do caminho, tentando acertar mais do que errar, estamos, simplesmente...
Nós.


- Lázaro Freire – (Que entre erros e acertos, tenta pelo menos acertar um pouco mais, e não cometer os erros antigos. O que nem sempre consegue.)

São Paulo – 10 de dezembro de 2002.

1.Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência; Consciência cósmica.
2.Prana, Kundalini e Fohat são os três aspectos da energia manifestada no plano físico.
3.Roda de Samsara (do sânscrito): A roda compulsória da reencarnação.
4.Lingam e Yoni (do sânscrito): Representações polarizadas da divindade em seus aspectos masculino (lingam, um dos símbolos do deus Shiva) e feminino (Yoni, um dos símbolos da Mãe Divina)

Texto <630><06/08/2005>