628 - O INFINITO É UMA CRIANÇA!

(Uma Viagem Espiritual com Krishna Menino)


No meio da madrugada silenciosa da grande metrópole de concreto, percebo um som sutil preenchendo o ambiente do apartamento. Parece um tilintar metálico (como aquele causado pelo balanço de pequenas pulseiras ou cordões com pequenos sinetes).

Fecho os olhos e me sento no sofá da sala, prestando atenção àquele som.

Então, mesmo sem ver, sei que há uma criança pequena andando aqui no duplo extrafísico da sala. Sinto o seu sorriso, sua leveza e, por intuição, vou pressentindo quem ele é.

É um menino, e ele corre pelo apartamento todo, com aqueles passinhos de criança sapeca. Não vejo, mas, de alguma forma espiritual, ele deixa marcas energéticas azuladas por onde passa correndo.

Entro no clima extrafísico de sua presença, e quando nota que eu o vejo claramente, em minha tela mental frontal (1), ele abre um sorriso daqueles.

Mais uma vez eu sou visitado por Krishna em forma de menino azulado. Mais uma vez ele me dá esse presente de vê-lo de pertinho e de sorrir para mim (2).

A essa altura, entro num estado alterado de consciência e sou tomado por uma alegria serena e terna, como se uma parte espiritual secreta, dentro de mim mesmo, estivesse preparada para um momento desses. Meu coração se torna puro contentamento pacífico...


Ele nada me diz, mas eu sei que sua presença aqui não é à toa. Há algo a fazer, e eu estou pronto, para aquilo que ele determinar.

Rindo gostosamente, ele corre para o quarto de dormir. De lá, telepaticamente ele me diz: “Vem, minha criança! Deite o seu corpo no leito, de coração aberto, respiração tranqüila e mente limpa. É hora da viagem espiritual.”

Sigo para o quarto rindo também. Ele, plasmado espiritualmente em forma de criança, me chama de minha criança, e eu adoro isso, me sinto bem e seguro, como uma criança pequena se sente na presença segura do pai. Na verdade, diante dele eu sou criança mesmo.

Em sua presença, sou menino, totalmente entregue, de corpo e espírito.

Deito a carcaça física no leito, em decúbito dorsal, contente e suave, sereno e amoroso, lúcido e confiante. A mente está aberta, as emoções estão plácidas, e o corpo está sem tensão.

Fico quietinho esperando, de alguma forma rindo por dentro, ao lembrar que eu sou a criança ali. Mesmo de olhos fechados, percebo clarões azulados e dourados dentro do quarto.

Então, ele surge novamente, em pé, do lado esquerdo da cama. E dá mais uma risada gostosa daquelas... A seguir, ele encosta a palma de sua mãozinha esquerda em minha testa, e diz em minha mente claramente:



“Menino, daqui a pouco você irá decolar espiritualmente, rumo à casa das estrelas. A luz em seu coração é o seu passaporte para as esferas extrafísicas evoluídas. Entretanto, eu quero que antes você registre um recado para os viajantes espirituais de todos os lugares e condições. É um recado simples, mas que contém a sabedoria do eterno inserida nele.

Como uma forma de elevação espiritual e de proteção nesses dias tão turbulentos da humanidade, cheia de si, mas vazia de espírito e verdade, ensine-lhes a seguinte prática:

- Ao deitar o corpo no leito, que o viajante espiritual visualize minha mãozinha encostada em sua testa. Que ele imagine a parte interna da palma totalmente azulada, e carregue essa imagem mental para dentro de seu sono, pacificamente.

Se desejar, também pode visualizar o mantra OM dourado (3) no centro de minha mão encostada na testa. Isso acalma a mente e propicia uma elevação do nível de energia espiritual. Também protege da agitação do próprio burburinho mental e liga o viajante às vibrações superiores, onde minha equipe espiritual aportará a assistência necessária ao bom andamento dos vôos para fora da carne.

Isso é direcionado para todos os viajantes espirituais modestos e generosos, como uma forma de ajudá-los em seus trabalhos e estudos. E se faz necessário devido aos pesados climas de belicosidade e arrogância dos homens da Terra, esquecidos de sua natureza espiritual e entregues à sanha dos desejos materiais exacerbados. Tais climas formam intensas barreiras de formas mentais densas entre o plano material e os planos extafísicos, e isso dificulta o acesso aos níveis superiores, além de impregnar o cérebro físico com imagens caóticas.

Que os viajantes espirituais imbuídos de objetivos generosos e lúcidos experimentem esse recurso que aqui estou revelando. E que eles encontrem os meus trabalhadores espirituais, no clima extrafísico adequado, para esclarecimentos justos e atividades benfeitoras no infinito.

Narananda (4), decole espiritualmente e vá até eles para mais esclarecimentos. E depois, volte contente e escreva esse meu recado. Essa é a tarefa que lhe dou na noite de hoje.

Antes de partir, deixo-lhe um presente. É uma chave espiritual para abertura do divino potencial dos chacras.

Medite nesse ensinamento secreto dos sábios e veja o que sente no coração:

‘O INFINITO É UMA CRIANÇA!’

E agora, menino, saia do corpo contente e rindo. Vá cumprir sua tarefa espiritual.

Eu ainda tenho que tocar muitas testas invisivelmente na noite de hoje.”



Embalado na sua ternura, lentamente vou perdendo a sensação do peso do corpo e começo a flutuar por sobre ele... vou rindo por dentro e pensando: “O Infinito é uma criança.”



P.S.:
Felizmente, ao despertar a carcaça física na volta, lembrei-me de tudo e registrei esses escritos rapidamente, como se o tempo não houvesse passado e tudo estivesse acontecendo agora mesmo.
É, o Infinito é uma criança mesmo!
Om Maharaj! (5)



- Wagner Borges, menino com qualidades e defeitos, espiritualista, 43 anos de “encadernação”, carioca radicado em São Paulo, pai das estrelinhas Helena e Maria Luz, e que, às vezes, consegue pegar uma caroninha nas vibrações de Krishna, o Infinito em forma de criança.
São Paulo, 26 de julho de 2005.



- Notas:

1. Tela mental frontal: espaço virtual na mente, onde surgem imagens mentais ou extrafísicas; parte interna do chacra frontal, onde surgem as manifestações da clarividência.

2. Não interessa a forma do espírito superior que se manifesta, seja ele Buda, Jesus, ou apenas um ser de luz em forma de criança azulada representando Krishna. O que importa é a qualidade da manifestação e as idéias sugeridas. Pouco importa a forma pela qual o Eterno se apresenta, pois valem mais o amor e a serenidade contidos em sua manifestação. E isso fica sempre evidenciado pelo nível das idéias, sentimentos e energias apresentadas.

3. OM (do sânscrito): a vibração do TODO que está em tudo, o verbo divino, o som da criação.

4. Narananda (do sânscrito): “Nara": "Homem" - "Ananda": "Bem-Aventurança". Logo, significa "homem de bem" ou "homem que porta a bem-aventurança de Krishna". Também é um epíteto de Arjuna, o discípulo-arqueiro de Krishna.

5. Om Maharaj (do sânscrito): “Grande Rei”. É um dos mantras evocativos de Krishna.

6. Enquanto digitava esses escritos, lembrei-me de um belo poema do poeta brasileiro Amado Nervo. Segue-se o mesmo logo abaixo.





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A ALMA É A ESSÊNCIA DE TUDO
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Nada está longe de ti.
Às distâncias!
Que valem as distâncias?
Bem sabes que as distâncias existem
Somente para o teu corpo.
A tua alma se acha perto de todas as coisas.
Melhor ainda: tua alma
Está na essência de todas as coisas.
Fora de teu corpo, nem a luz,
Com a sua velocidade de trezentos mil
Quilômetros por segundo,
Igualaria ao vôo do teu pensamento.
Se bem olhares, tudo virá ao teu alcance.
Não há estrela a que não possa chamar tua.
Move teu pensamento com liberdade absoluta.
Acostuma-o aos altos vôos progressivos.
Tenta o recorde de altura...
Deixa que ele vá e venha através do universo.
Cada dia, assim, melhor verás
A aparência mentirosa de tua jaula.
Com a noção de tua liberdade imácula,
Aumentar-se-te-ão as ânsias
De posses eternas.
E há, por certo, uma posse que se te oferece
A cada instante e que não tem limites:
- A posse de Deus!
Aceita-a.

- Amado Nervo -


Texto <628><03/08/2005>

629 - CINCO BADALADAS

- Por Frank -


O Brazuca foi para fora; foi buscar longe, o que não encontrou por aqui.

Queria uma vida melhor pra si e para seus familiares. Queria um futuro, uma chance, e embarcou no sonho do outro que fora para além da fronteira antes.

Foi o outro que disse que valia a pena imigrar e tentar ganhar a vida longe, além do mar.

Ele não era o único nem seria o ultimo.

Como tantos outros brazucas, trabalhava noite e dia, dia e noite, num país desconhecido, tentava falar aquela língua complicada, mas, desde cedo aprendera que o trabalho árduo era o idioma universal e não precisava ser traduzido, afinal, seja na América ou no Japão, todos os empregadores adoram trabalhar com brazucas, e dizem: "eles são leais e não reclamam".

Eles não reclamam, pois um bom brazuca valoriza o que tem. Sabe que, para chegar até ali, para estar em frente à pilha de louças para lavar ou servindo mesa, teve que atravessar um oceano a nado, enfrentou coiotes, driblou os oficiais da Imigração, e a cada dia marcava um gol na sua conta bancária, disputando a taça da casa própria, do negócio que abriria quando voltasse pro Brasil, da casa de barro dos pais, que se transformaria em castelo de concreto.

Cada prato era um tijolo; cada mesa era um pedaço do sonho.

Ele não foi o ultimo a sair do país em busca de uma chance, mas virou o único a ser deportado de volta para a casa das estrelas, ao som de cinco badaladas no templo dos seres ignorantes, que ainda não compreenderam a verdade: quando se mata um, mata-se todo mundo.


São Paulo, 26 de julho de 2005.

P.S.: Texto dedicado a Jean Charles de Menezes, brazuca que foi deportado para as estrelas na semana passada. O rapaz foi envolvido numa trapalhada da polícia de Londres, que o perseguiu e o matou, achando, equivocadamente, que ele era um terrorista.

Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br

Texto <629><29/07/2005>

629 - O TODO, INSPIRAÇÃO NAS VIAGENS ESPIRITUAIS

Antes de mais nada, saudações a todos os estudantes das experiências fora do corpo.

Este é um tema que merece muita atenção, lucidez e objetividade na abordagem. Trata-se de um estudo sobre uma das maiores aberturas que o espírito enredado na carne pode conseguir durante o seu estágio de aprendizado na Terra.

Por conseguinte, pode-se dizer que tal abertura propicia inúmeras possibilidades e cada estudante buscará aquilo que for de encontro às suas próprias características e tendências.

Por isso, os antigos mestres e hierofantes (1) espirituais sempre aconselhavam seus pupilos e aprendizes a buscarem objetivos elevados e aspirações sublimes. Dentro da disciplina aplicada no contexto iniciático de seus estudos, esses professores da consciência ensinavam seus pupilos a arte dos grandes vôos espirituais. Primavam pelos valores éticos e universalistas na abordagem das viagens espirituais para fora da matéria densa.

Além da postura responsável, eles também falavam de uma alegria e de um amor que surgem como estados de consciência dentro do coração, que serve sob os desígnios do Grande Anônimo. Falavam de uma luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos, pura essência divina animando cada ser, sutilmente na casa do coração, sede do espírito.

E quando eles falavam do “Todo que está em tudo”, os seus olhos brilhavam tanto...

Então, os seus pupilos notavam que os seus professores também eram pupilos de consciências mais vastas, sediadas algures, na imensidão interdimensional da vida.

E, acima de tudo, O Todo (2), O Supremo Hierofante de todos os seres.

Quantas vezes, naqueles momentos de inspiração profunda, os alunos perceberam que os seus mestres se colocavam durante uma instrução, sob o efeito de uma luz suprema que vertia sobre eles trazendo as inspirações celestes e sublimes. Nesses momentos, as lágrimas desciam sob efeito do amor operando as sutis transformações no coração e na mente.

E ali, no cerne das iniciações espirituais - muitas delas fora do corpo em grupo, - realizadas com os amparadores que davam assistência àqueles trabalhos, os alunos aprendiam a valorizar as aberturas de consciência e as possibilidades de descerrarem novos horizontes, sempre em nome da luz.

Essa mesma luz que brilha no coração.

Essa mesma luz que ama e sorri, que inspira as viagens espirituais profundas, e que sempre afirma, dentro do próprio ser, a sua imortalidade perene.

Sim, essa mesma luz que faz o estudante espiritual voar sorrindo e tranqüilo, consciente de suas possibilidades, contente consigo mesmo, agradecido pela abertura e sonhando com O Todo, seu verdadeiro hierofante, a causa de sua vida, o Amor de seu amor, a Luz de sua luz, o Sol Criador de todos os sóis...

O Todo, sua inspiração nas viagens espirituais.


P.S.: "Enquanto o seu corpo físico dorme, você, em espírito, alça vôo para outros planos e realidades conscienciais. Ou seja, você dá uma volta em sua casa real, o plano extrafísico, seu lugar de origem antes desta vida atual. E aí, você encontra os seus afetos extrafísicos, amigos dessa e de outras jornadas, todos muito vivos, também em espírito. O resultado disso é uma profusão de abraços altamente energéticos, verdadeira festa da vida em outros planos de consciência. Essa é uma das riquezas das experiências fora do corpo: elas levam o espírito projetado para fora do corpo diretamente ao plano espiritual, sem intermediários, e lhe provam, cabalmente, a existência da consciência além da matéria. O resultado disso é óbvio: desaparece o medo da morte e seu terror, e fica no lugar uma grande alegria, por reconhecer-se como consciência imperecível e participante da existência cósmica. Agradeço aos amparadores extrafísicos do grupo dos Iniciados (3) pela inspiração e apoio nesses escritos projetivos.


- Wagner Borges -
São Paulo, 02 de julho de 2005.

1. Hierofantes: dentro do contexto das iniciações esotéricas da antigüidade, eram os mestres que testavam os neófitos nas provas iniciáticas.

2. O Todo: O Supremo, O Absoluto, O Grande Arquiteto Do Universo, O Amor Maior Que Gera a Vida, Deus, Brahman, A Primeira Luz, O Primeiro Amor, Aquele Que Está em Tudo, O Supremo Hierofante.

3. Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

Texto <629><29/07/2005>

627 - UM SONHO

- por Jon -

Essa noite eu tive um sonho.

Sonhei que havia morrido. Pelo menos para esta realidade densa.

Acordei em algum ponto do espaço, olhando para o planeta, cara a cara, como se ele fosse um organismo único.
Minha noção de espaço estava diferente, pois poderia olhar para o maior e o menor da mesma maneira.

Enquanto observava o planeta Terra, alguém invisível me dizia:

“Não se preocupe, agora você não precisa mais pensar sobre lá, você está livre” (esse livre tem um contexto diferente, não tem relação com livrar-se da roda de Samsara*, não sei explicar).

Havia outras pessoas ao meu lado.

Nós nos emocionamos ao olhar o planeta de fora, pois o conhecíamos de perto, sabíamos como era lá embaixo.

“Não se preocupe, não pense mais sobre isso, pois não faz mais parte de sua realidade”, continuava alguém, que transmitia grande tranqüilidade.

Eu me lembrei de ter reclamado várias vezes das pessoas e da dificuldade do convívio social, e percebi que, quando a mente está livre, qualquer hostilidade é eliminada, pelo mesmo motivo que um adulto sabe que não faz sentido discutir com uma criança.

Então, ali do espaço, livre do peso do corpo, eu fui invadido por um sentimento de compaixão. Fui invadido por uma vontade absurdamente incontrolável de descer novamente.

Eu queria descer de novo e fazer melhor.

Mesmo sabendo que iria esquecer tudo, mais uma vez...



São Paulo, 22 de julho de 2005.

- Nota de Wagner Borges: Jon é o pseudônimo do nosso colega Jonas, participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB**.


Nota do texto:

* Samsara (do sânscrito): no contexto budista e hinduísta, é a roda compulsória da reencarnação.

** Para enriquecer esses escritos inspirados do Jon, reproduzo na seqüência um outro texto dele (já postado pelo site há cerca de um ano).





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NA PARTIDA DO AVÔ, O DESPERTAR DE UM GAROTO
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- Por Jon -


Era uma vez um avô. Bem humorado, piadista, boa gente.

Uma pessoa com quem havia uma amizade incrível, afinidades mesmo.

O garoto gostava porque o "velho" entendia as suas piadas, e vice-versa.

E assim era. Boa companhia garantida em festinhas, casamentos, velórios e demais eventos diversos em família.

O garoto e o avô não perdoavam. Era piada o tempo todo.

Uma vez telefonaram. Havia um velório.

Dessa vez, ele faltou.

O garoto viu um cadáver, aproximou-se com tranqüilidade, tocou, parecia oco. E em poucos segundos, com tranqüilidade, voltou-se de costas, retirando-se.

Pensou: "Não há nada aqui. Ele não está aqui!"

Foi calmamente procurar um lugar para pensar.

Era uma certeza inabalável. Ele não estava ali. Não havia sua presença.

O garoto conhecia a pessoa. Como poderia se enganar?

Ele sabia.

Enquanto pensava, esperando o tempo passar, por acaso algumas lembranças boas e piadas surgiam como lembranças em sua mente.

Era quase impossível segurar o sorriso.

Tentava disfarçar um sorriso sereno, que, de leve, tentava brotar, afinal estava em um velório, não queria causar estranheza aos demais.

E assim, continuava "meditando".

Na época, ainda não havia sequer o conhecimento da palavra "espiritualidade". Não havia nenhuma orientação (pelo menos, não nessa vida), logo não havia nenhum condicionamento.

Era uma certeza íntima, inabalável, naquela época. Não haveria de ser diferente depois.

Não havia nenhuma lágrima. Mas os olhos brilhavam como nunca.

Todas as lembranças boas do avô surgiam em sua mente, ao mesmo tempo, como uma onda imensa de felicidade.

Que experiência "contraditória" a vida proporciona, ele pensou.

Justamente no velório de pessoa tão querida, brotar tamanha certeza, e talvez o maior sentimento de gratidão para com a Existência, que o garoto jamais havia conhecido antes.



São Paulo, 08 de outubro de 2004.


- Nota de Wagner Borges: Jon é o pseudônimo do nosso colega Jonas, participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.

Texto <627><25/07/2005>

627 - TÉCNICA DE VISUALIZAÇÃO IOGUE

- Por Wagner Borges -



Esta técnica veio por intuição, enquanto eu estudava o excelente livro “Concentração e Meditação” de Swami Sivananda. Seu princípio básico é o seguinte: o cérebro físico está cheio de condicionamentos tridimensionais, e estes, por sua vez, bloqueiam os potenciais espirituais que residem em estado latente no chacra frontal.

Sabendo disso, os antigos mestres iogues criaram várias técnicas de visualização, baseadas nas exóticas imagens de divindades hindus.

Um exemplo disso é a figura do deus Ganesha, filho do deus Shiva e da deusa Parvati, com corpo humano e cabeça de elefante. Ou então, a figura de Shiva com três olhos, ou a imagem aterrorizante da deusa Kali.

Segundo os mestres hindus, a visualização de imagens estranhas à mente consciente quebra os condicionamentos cerebrais e, ao mesmo tempo, ativa o potencial parapsíquico do paracérebro* que, por sua vez, acessa as vibrações sutis dos planos extrafísicos.

De alguma maneira, as imagens sugeridas funcionam como “senhas espirituais” para outras dimensões.

* * *

TÉCNICA:

• Sente-se confortavelmente e feche os olhos.

• Eleve a mente e manifeste silenciosamente “amor e consideração” para todos os seres.

• Concentre-se na parte interna dos olhos e visualize-os cheios de luz.

• A seguir, visualize à sua frente, a imagem viva de uma divindade hindu (Ganesha, Shiva, Vishnu etc.) de sua escolha.

• O rosto da entidade escolhida tem três olhos (o terceiro olho bem no meio, logo acima da raiz do nariz, na região que os iogues chamam de trikuti), e está em frente a você, fitando-o diretamente nos olhos.

• Permaneça encarando os três olhos por cerca de um minuto.

• A seguir, concentre-se logo acima da raiz de seu próprio nariz.

• Visualize que exatamente desse ponto emerge uma grande flor branca (como se seu terceiro olho fosse a própria flor desabrochando).

• Fique assim por alguns minutos e perceba uma maravilhosa paz mental estabilizar sua mente.


(Texto extraído do livro “Viagem Espiritual III” – Wagner Borges - Editora Universalista – 1998).

* Paracérebro: cérebro extrafísico; cérebro espiritual.

Texto <627><25/07/2005>