626 - UMA LEMBRANÇA SUTIL

- por Márcio Prado -


Choro por momentos, sem saber por quê! Um aperto no coração, uma saudade suave, profunda, desafia a eternidade.

Será possível? Poderia o ser amar através das eras, resistindo às reencarnações, um sentimento tão antigo e vivo como a própria eternidade?

E, no entanto, cada face, cada gesto, podem trazê-lo de volta, e aí temos a falsa idéia de sermos volúveis, apaixonamo-nos por todo olhar e não sabemos por quê!

Sentimos não pertencer a lugar algum, a nenhum coração, que, por um motivo ou outro tenhamos cativado.

Poderíamos saber onde se encontra? Ou, talvez, sabermos à distância, quem sabe, em outro país, outro plano, outra galáxia... quantos séculos nos separam?

Mas não há dor, não há tristeza ou sofrimento, porque, de alguma maneira, sabemos que os caminhos devem ser trilhados e, na imensidão da eternidade, eles podem separar-se um pouco. Então, continuamos caminhando, e a única lembrança talvez seja a certeza de sua existência, algo marcado em nossa alma, de forma indelével, que nem muitas eras poderão apagar.

Não me lembro de nomes nem aparências; na verdade, é uma certeza tão incerta, quase inexplicável.

Talvez seja isso: cada olhar pelo qual nos apaixonamos, cada ser que cruzamos em nossos caminhos, sejam apenas links, portais que nos transportem até esse ser angélico, que permite, por breves momentos, uma ligação, um contato, um encontro de almas, nesses sutis emaranhados energéticos que cruzam as galáxias e a própria eternidade. E aí ficamos em êxtase.

Por instantes, nossas almas se abrem, nossas consciências se tocam e todo o resto fica pequeno e distante. No silêncio interior, num cantinho iluminado do coração,

choramos como crianças, e as lágrimas, como belos cristais, enfeitam nossos corações e nos tornam ainda mais belos.


P.S.: Peço aos leitores que não confundam o que foi escrito com o que chamam popularmente de “almas gêmeas”. Pelo contrário, esses escritos tratam de algo superior, sem comparação. Nem sei explicar direito o que é. São sentimentos tão sutis, que podem passar desapercebidos por toda uma vida!


São Caetano do Sul, 28 de maio de 2005.

Nota de Wagner Borges: Márcio é rosacruz e participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.

Texto <626><20/07/2005>

626 - CANÇÃO DA LIBERTAÇÃO

(O Chamado de Shiva, O Supremo Transmutador*)


Lá vem Ele, o Senhor das Transformações...
Lá vem Ele... Shiva!
O Senhor dos iogues...
O Senhor das energias...

CANÇÃO DA LIBERTAÇÃO


(O Chamado de Shiva, O Supremo Transmutador*)


Lá vem Ele, o Senhor das Transformações...
Lá vem Ele... Shiva!
O Senhor dos iogues...
O Senhor das energias...

Quando Ele balança sua cabeça, para ver em todas as direções, Dos seus cabelos molhados se desprendem milhares de gotinhas luminosas, Que entram pela terra, principalmente no solo dos cemitérios, E no espaço dos crematórios...

E suas gotinhas vão limpando a terra,
Lavando os elementos subterrâneos...
E soltando os espíritos cativos, presos à Terra.

Ele é o rompedor das ligações vitais,
O Supremo transmutador...

Ele anda pelos cemitérios sepultando as vaidades humanas E libertando os espíritos...

Ele é a chama que consome os cadáveres na cremação, E desprende os espíritos, de volta para casa, no Eterno...

Lá vai Ele, O Supremo Destruidor da ignorância...
Lá vai Ele...

Os seus olhos são semelhantes a dois sóis, Mas, é o terceiro olho que brilha mais.
É o terceiro olho, o portal para outras realidades...

A Canção de Shiva é a canção da liberdade e da imortalidade!

Lá vai Ele, soltando os espíritos...
Lá vai Ele, despertando-os para outras realidades, Além da carne, na luz da imortalidade.

Lá vai Ele, Om Namah Shivaya!
Lá vai Ele...

P.S.: Essa canção me foi passada espiritualmente por um dos amparadores extrafísicos do grupo dos Iniciados, durante um trabalho de ativação de chacras e de irradiação de energias, realizado com os 140 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.

Agradeço a minha amiga Elza, por ter gravado o momento e depois ter disponibilizado o seu tempo para transcrevê-la.



- Wagner Borges –

São Paulo, 29 de junho de 2005.



- Nota:

* Para melhor compreensão do leitor sobre Shiva e o mantra Om Namah Shivaya, deixo na seqüência um texto esclarecedor (já postado pelo site há alguns anos):





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SHIVA, O TRANSMUTADOR INTERDIMENSIONAL
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Dizem que o Sr. Shiva* é o senhor dos crematórios (e dos cemitérios).

Mas não é que Ele goste de cadáveres. É somente porque Ele é o TRANSFORMADOR DAS CONSCIÊNCIAS, o rompedor de cordões de prata, o transmutador interdimensional que leva as almas de volta para a casa espiritual.

E tem mais: Ele também é conhecido como o destruidor (dos egos). É por Sua ação (carma) que a arrogância dos homens é detonada. E é também por Seu amor, que a vida é renovada e os homens têm novas oportunidades de crescimento.

Ele anda por entre os restos mortais dos homens, mas porta a VIDA!

Ele rompe os cordões de prata, mas está cheio de compaixão.

Ele leva as almas para o plano espiritual, mas está sorrindo por entre as dimensões.

Ele é o Sr. Shiva, senhor da vida e da morte dos homens, e não é possível defini lo pelos limitados parâmetros humanos.

Só se sabe que Ele anda pelos crematórios e cemitérios "queimando e enterrando" as vaidades humanas e desprendendo as almas com Sua energia purificada.

Ele é o destruidor (de corpos) e purificador das almas.

Em suma, Ele é movimento interdimensional de todos os seres.


OM NAMAH SHIVAYA!



- Wagner Borges -



- Nota:

* Shiva (do sânscrito): no Hinduísmo, O Divino é representado em três aspectos fenomênicos em sua manifestação vital: Brahma (O Criador), Vishnu (O Preservador) e Shiva (O Transformador).

Normalmente Ele é traduzido como o Destruidor Divino, pois é por sua ação que ocorre a transformação dos elementos, energias e consciências. Aquilo que é criado e preservado, um dia morrerá, para poder renascer e seguir o fluxo evolutivo. No entanto, nada no universo morre realmente, só há mudança de plano e padrão vibracional. A energia não nasce e nem morre, só é transformada.

Shiva é o representante divino dessa transformação inexorável de todas as coisas. Ele também é conhecido como "NATARAJA", o Divino Dançarino. Ele dança na luz e faz a roda da existência mover-se no infinito. Por isso, Ele sempre é associado a eventos de transmutação interdimensional e consciencial.

O mantra dessa ação transformadora de Shiva é "OM NAMAH SHIVAYA".


Texto <626><20/07/2005>

625 - ORIENTAÇÃO ESPIRITUAL PARA QUEM USA COMPUTADORES EM CASA

O computador é apenas uma máquina, mas as idéias que são veiculadas através dele são vivas e portam vibrações compatíveis com o nível das mesmas. Pensamentos e emoções expressam-se energeticamente e podem impregnar as teclas e a tela do aparelho.

Principalmente para aqueles que participam de listas de discussão na Internet, onde é muito comum, independentemente do tema em questão, ocorrerem discussões acaloradas por causa de pontos de vista diferentes, é prudente ocasionalmente fazer uma limpeza energética no equipamento que usa. Tal procedimento evita o acúmulo de formas-pensamento densas aderidas à estrutura do mesmo.

O motivo pelo qual estou escrevendo isso é que normalmente faço uma limpeza energética no equipamento que uso, mas ultimamente, devido à correria de diversas atividades, não tenho feito.
1
Ainda agora, enquanto pesquisava alguns livros em frente ao computador ligado, fechei os olhos por alguns instantes e fiz uma pequena massagem com os dedos indicadores nas laterais do nariz.*

Espontaneamente, o meu chacra frontal ativou-se e houve um flash de luz branca na testa seguido de um forte formigamento no local (uma das sensações características de ativação do chacra frontal).

Pela tela mental interna da testa vi uma mão luminosa aplicar energias nas teclas do meu computador e em seguida retirar um tufo de energias escuras emaranhadas que estavam aderidas ali (parecia um emaranhado de linhas de costura escuras e úmidas). Imediatamente lembrei-me de alguns e-mails que recebi ontem contendo relatos de problemas no âmbito dos relacionamentos e também de algumas brigas que li numa das listas de discussão de que participo na Internet.

A seguir, vi completamente o amparador que estava ao lado do computador e observava-me com um sorriso simpático e um olhar divertido. Era um homem jovem, de cerca de uns 35 anos, alto e magro, cabelos encaracolados e vestido com uma bata branca (estilo grego).

Ele sugeriu-me escrever um pouco sobre essas energias densas que aderem ao computador justamente para alertar as pessoas sobre as cargas pesadas que elas permitem chegar em seus lares pela tela do equipamento, e que podem afetá-las de formas variadas*.

Penso o seguinte: principalmente em listas de discussão sobre temas espirituais o nível dos papos poderia ser bem melhor. Isso não significa que as pessoas tenham que concordar com tudo o que os outros escrevem, ou que não possam expressar suas opiniões. Apenas é um cuidado óbvio para quem já estuda a influência dos pensamentos e emoções nas energias manifestadas e que objetiva compartilhar de climas saudáveis dentro da temática à qual participa.

Numa lista dessas, que, mais do que de discussão, poderia ser de compartilhamento de idéias criativas que gerassem climas espirituais sadios, os pensamentos e emoções se cruzam interdimensionalmente e portam as suas respectivas atmosferas psíquicas. Muitas vezes, espíritos assediadores pegam carona nessas vibrações e patrocinam obsessões ocultas entre os participantes beligerantes da lista e aqueles que se afinizarem com tais climas pesados (coisa que, nesse exemplo específico, obviamente é um absurdo em se tratando de uma lista supostamente voltada para o compartilhamento de estudos espirituais).

Sei que ao escrever isso poderei ser até mal interpretado. Porém, fica óbvio para qualquer um com um mínimo de inteligência e bom senso que, quanto maior o nível de conhecimentos, maior será a responsabilidade de alguém. Principalmente alguém que estuda temas espirituais e que fala de amor, luz, espiritualidade e discernimento. Parece óbvio que climas de disputa entre participantes de uma lista, ou mesmo de beligerância declarada por algum motivo pessoal (em alguns casos nota-se claramente a vontade de alguém de aparecer ou de aumentar o próprio ego. Fora os casos de inveja mesmo e de pura leviandade) não são o objetivo de alguma lista espiritualista em essência.

No entanto, uma lista é composta por seres humanos com qualidades e defeitos (me incluo nisso também) e isso é naturalmente exteriorizado naquilo que alguém escreve. O melhor e o pior podem aparecer, dependendo do momento e das circunstâncias.

O objetivo dessas linhas é apenas o de alertar sobre as energias densas que grudam nos computadores e as conseqüências oriundas disso. Cada leitor é que sabe a quantas anda o teor daquilo que pensa, sente, faz e escreve.

Num planeta onde a maior parte da população não tem acesso à Internet (infelizmente, muitos não tem recursos nem para alimentar-se satisfatoriamente) parece claro que quem participa de alguma lista de discussão está tendo uma chance muito boa de compartilhar idéias dentro da temática que gosta e enriquecer seus conhecimentos e amizades.

Será que as pessoas têm a noção correta das amplas possibilidades de formar novas amizades e ampliar os conhecimentos que o acesso à Internet propicia?

Será que elas já perceberam que uma lista de discussão não é um ringue virtual para suas disputas estúpidas e nem para a ampliação de seus egos?

Será que elas estão agradecidas pelas possibilidades da abertura consciencial?

Será que elas estão sorrindo mais e com o coração mais rico por poderem teclar sobre aquele assunto de que tanto gostam?

Talvez eu seja até mal compreendido ao escrever tudo isso. Porém, cada um sabe o tipo de coisa que projeta em seus caminhos de vida.



PS: Fico pensando nas pessoas que atuam como moderadoras de alguma lista, e naquelas que coordenam sites na Internet. O que elas recebem de cargas psíquicas nos e-mails não é brincadeira!

É, talvez seja carma gerenciar uma lista ou manter um site no ar e agüentar os dramas psíquicos dos outros.

De toda forma, a Internet só reflete o nível das pessoas. Se cada um é o que é, também é verdade que “a cada um segundo suas obras!”

Quem planta morangos colherá morangos. E quem planta pimenta nunca colherá morangos.

Tomara que as pessoas possam perceber que vale muito mais a pena compartilhar os morangos do conhecimento nas listas de que participa, do que apimentar os papos com disputas desnecessárias**.



Paz e Luz.



- Wagner Borges –
São Paulo, 15 de julho de 2005.

* Uma técnica simples e eficaz de limpar energeticamente o computador é a seguinte:

Sentado em frente ao computador, feche os olhos, eleve os pensamentos ao Grande Arquiteto Do Universo, e visualize uma bola de luz dourada ou violeta flutuando por cima dos teclados da máquina. Imagine que essa esfera emana energias para dentro dos teclados. Ou seja, dê um banho de luz neles! Faça isso por cerca de 1 minuto, com confiança e sentimentos legais.

A seguir, eleve a esfera um pouco e mantenha a mesma flutuando em frente a tela da máquina. Ela deve pairar no ar, bem entre a tela e o seu rosto. Imagine que a luz emanada dela é curativa e energizante. Fique assim por mais 1 minuto.

Fique bem!


** Esse texto foi escrito originalmente no ano de 2002 e postado em algumas listas da Internet. Aqui ele está ampliado e acrescido da nota com a técnica de limpeza energética., escrita hoje, em julho de 2005.

Texto <625><15/07/2005>

624 - PRECE-POEMA A PAI BENEDITO DE ARUANDA

- por Pai Ronaldo Linares -


Meu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido constrito, aguardando sua benção.

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: ESPERANÇA.

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:

"Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei e também fui injustiçado.

Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.

Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado.

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente um coisa via... terra.

Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados.

Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita, que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim...

Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente.

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.

Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal.

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que deviam matá-la... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.

Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou, e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão".



(Escrito por Pai Ronaldo Linares, em 20 de Outubro de 1964, entregue em mãos, por ele, ao Jornal de Umbanda Sagrada e publicado no mesmo em Maio de 2005).

Pai Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, é responsável pelo Santuário Nacional da Umbanda.

Texto <624><13/07/2005>

624 - NAS TRILHAS DO DHARMA, COM HONRA E AGRADECIMENTO

(Texto direcionado originalmente para os 140 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB)


Enquanto eu meditava, Ele surgiu flutuando na música da flauta.

Era o Ananda (1), amparador querido e ligado às vibrações de Krishna.

À minha frente, Ele sorriu e me disse:

“Saudações, meu querido!

É hora de retomar o dharma (2) junto com os seus companheiros de estudo e labuta espiritual.

Diga-lhes sobre a responsabilidade e a riqueza sutil que o esforço sadio confere ao coração.

Diga-lhes que o senhor dos olhos de lótus cinge luminosamente a fronte dos trabalhadores justos em seus caminhos. Ele sabe quem é quem na jornada!

Ele conhece os pensamentos mais secretos e o serviço de cada um.

Ele conhece cada passo na senda, pois Ele é o senhor das trilhas dhármicas.

Diga aos seus parceiros de práticas espirituais para mergulharem fundo no coração espiritual. Que eles entrem no ashram (3) secreto, no âmago do próprio espírito, com respeito e humildade, e depositem guirlandas de flores sutis em homenagem ao Senhor dos trabalhos.

Que, no centro do olho espiritual, eles realizem a consciência cósmica!

Que, no centro do coração espiritual, eles agradeçam a quem lhes deu a chance de mourejar dignamente na senda da luz.

Que as gotas de suor de cada um deles, por amor, sejam transformadas por Krishna, em gotas de luz, que irrigarão de harmonia as trilhas ressequidas de ego dos sofredores da Terra e de outros reinos.

É hora de trabalhar, meu querido!

O som da flauta de Krishna está convocando os justos à ação sadia nos caminhos do mundo.

Sua música atravessa os diversos planos e espalha no ar a doçura secreta, a ambrósia curativa.

Até mesmo o prana (4) queda, embevecido, nessas doces harmonias.

Querido, é uma honra fazer parte da egrégora (5) de Krishna!

Que você e os seus companheiros se sintam felizes, só por isso.

Entrem no coração e depositem as guirlandas sutis, com humildade e reconhecimento ao Senhor dos trabalhos.

É hora de cingir luminosamente a fronte...”



P.S.: “Quando você perceber uma tragédia, pense em Krishna.

Quando estiver em dificuldades, pense em Krishna.

Quando notar a ingratidão, a violência, a tolice e a mediocridade campeando entre os homens, evite julgamentos e críticas, apenas pense em Krishna.

E quando você rir, também pense em Krishna!

Ele, o Senhor de todos os dharmas, sabe o momento certo de cada coisa.

Então, mãos à obra, pensando em Krishna.

Querido, é hora do dharma!

Que o senhor abençoe mais essa jornada de estudo e trabalho na senda espiritual.”



OM NAMO BHAGAVATE VASUDEVAYA! (6)



- Ananda –

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 12 de janeiro de 2005).

1. Ananda (do sânscrito): bem-aventurança; êxtase espiritual.

Obs. Ao longo dos milênios da tradição hinduísta, muitos iogues e estudantes espirituais assumiram a expressão “Ananda” como parte da formação de seu nome iniciático, ou mesmo como um mantra evocativo das energias superiores.

O amparador extrafísico que me passou esses escritos assumiu o nome de Ananda como forma de homenagem a Krishna, o senhor da bem-aventurança e felicidade plena. Diga-se de passagem, ele é um dos amparadores mais ternos que conheço.

Para mais detalhes sobre ele, favor ver o texto 589 (na seção de textos periódicos enviados pelo site).

2. Dharma (do sânscrito): dever, trabalho, mérito, missão, programação existencial, benção, atitude virtuosa, ação meritória, meta espiritual elevada.

3. Ashram (do sânscrito): literalmente: ordem, hierarquia, retiro. Edifício sagrado, centro espiritual, mosteiro ou ermida para fins ascéticos, templo espiritual, centro de estudos espirituais e meditativos.

4. Prana (do sânscrito): sopro vital, força vital, energia.

5. Egrégora (do grego “Egregorien”, que significar “velar”, “cuidar”): é a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.

É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude (independente de linha espiritual) forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, a qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interdimensional.

Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."

Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.

O dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza de que esse mundo será melhor de viver.

Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam a todos, independente de credo, raça ou cultura esposada.

6. Om Namo Bhagavate Vasudevaya (do sânscrito): é um dos mantras de evocação de Krishna.

OM é a vibração interdimensional que interpenetra a tudo e a todos.

NAMO: saudação ou reverência ao poder divino.

BHAGAVATE: respeito ao Senhor.

VASUDEVAYA: Vasudeva é o nome da família carnal que criou Krishna. O Ya acrescentado no final significa a característica ativa (masculina) do mantra. Quando alguém faz esse mantra completo, evoca Krishna como homem que também viveu aqui na Terra e sabe das dificuldades enfrentadas por todos.

Texto <624><13/07/2005>