584 - VIAJANDO FORA DO CORPO CONSCIENTEMENTE

(Relato projetivo originalmente postado nas listas Viagem Astral e Voadores, ambas dedicadas à discussão das experiências fora do corpo na Internet*)

- por Marco Antonio Coutinho -


Oi, pessoal.

Alguém escreveu aqui na lista: "Você poderia relatar uma de suas viagens astrais conscientes?”

Respondo eu: Bem, pensando assim de uma maneira geral, eu sempre me lembro com muito carinho da minha primeira Experiência fora do corpo. Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, não é? [risos] Com a projeção é assim também.

Eu tinha por volta dos 16 ou 17 anos de idade (este ano completarei 53) e andava lendo livros sobre EFCs**, que não eram muito populares na época.

Naqueles tempos quase não se encontrava literatura sobre as experiências fora do corpo, de modo que tínhamos de contar com os livros de T. Lobsang Rampa, um inglês que dizia ser tibetano, mas que conhecia bastante bem a cultura do Tibet e entendia bastante das EFCs. Fiquei muito motivado por aquilo.

Desde criança a idéia de sair do corpo me fascinava. Até a época em que comecei a ler os livros de Rampa, eu só havia lido algumas poucas referências sobre o assunto, a maioria delas em histórias em quadrinhos de terror.

Meu irmão e eu decidimos tentar, utilizando os métodos propostos por Rampa (que você encontra em forma bem mais objetiva no livro*** "Além do Primeiro Décimo").

Meu irmão teve mais sucesso do que eu, só que bem depois.

Eu não conseguia nada, e só hoje percebo que realizava os exercícios com muita tensão. Então, certo dia, eu estava sozinho em casa, à tarde. Resolvi que iria tirar uma soneca na cama de meus pais, aproveitando a ausência de ambos.

Então ocorreu-me a idéia de tentar mais uma vez sair do corpo. Mas eu não estava me sentindo muito à vontade com o método de Rampa (que bem mais tarde eu viria a utilizar corretamente e com êxito). De modo que optei por um método meu.

Como em geral se dizia que as pessoas saiam do corpo sempre que dormiam, independentemente de terem ou não consciência do fato, eu raciocinei: então basta acordar na hora em que estiver saindo ou já tiver saído, oras! E foi o que fiz. Deitei-me normalmente, como quem vai dormir, sem procurar posições "propícias" às EFCs.

Deitei-me de bruços mesmo, que era a minha posição inicial de adormecimento na época. E deixei-me adormecer com o seguinte pensamento e "sensação" em mente: “assim que sair do corpo, vou acordar.”

Rapidamente fui ficando sonolento e adormeci. Perdi a consciência.

Depois, não sei quanto tempo após, comecei a acordar lentamente. Mas era um acordar diferente, porque eu me sentia estranhamente leve. Abri os olhos e vi uma cabeça à minha frente. A parte de trás de uma cabeça.

Aquela cabeça parecia-me estranhamente familiar. Ao lado da cabeça, vi uma mão repousando relaxada, e essa mão pareceu-me também extremamente familiar.

Aos poucos fui percebendo que aquela cabeça, aquela parte do ombro e aquela mão direita que eu via repousando, estavam repousando sobre a cama de meus pais. E que eu

estava ligeiramente acima. Foi então que me dei conta que eu estava flutuando a uma distância de meio metro, talvez até um pouco menos, acima de meu corpo físico!

Fiquei muito feliz e desejei sair daquela posição. Então flutuei para cima e cheguei até o teto do quarto. Vi o armário embutido, as mesinhas de cabeceira, tudo, de uma perspectiva que eu não conhecera antes.

A sensação que eu tinha era de extrema delícia. Eu estava completamente nu, e era como se vibrasse todo em pura vida. Minha consciência estava exaltada e eu me sentia pleno de vigor, com uma certa motivação erótica, sem que houvesse necessariamente vontade sexual envolvida nessa motivação. Porque era algo que bastava a si mesmo. Era o erotismo da vida, da vibração, da totalidade de mim mesmo. Algo indescritível.

Não sei por quanto tempo fiquei flutuando, experimentando aquela forma de ser, e tentando controlar meus movimentos, que eram um pouco desengonçados fora do corpo, como se eu devesse me acostumar a eles.

Depois, reintegrei o corpo, sentei-me na cama e fiquei rememorando aquela vivência, de modo a não perder nada, a não esquecer. Foi realmente revelador e formidável. Jamais esquecerei aquela minha curta, porém significativa e incrivelmente forte experiência fora do corpo!


Abraço,

- Marco Antonio Coutinho -
Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 2005.

- Nota de Wagner Borges: Marco Antonio Coutinho é nosso amigo e um dos maiores pesquisadores das experiências fora do corpo no Brasil. É autor do livro "Além do Corpo" (Editora Mauad) e o organizador de um excelente site sobre as saídas do corpo, cultura e espiritualidade: Spiritu, Psique, Soma: www.marco.antonio.nom.br

Ele nos autorizou a postagem desse relato projetivo.


- Notas do texto:

* As listas Viagem Astral e Voadores são as duas principais listas brasileiras de discussão na Internet sobre as experiências fora do corpo. O Marco Antonio Coutinho, mais conhecido como MAC, é um dos moderadores da lista Viagem Astral. O endereço na Internet é: http://br.groups.yahoo.com/group/viagem-astral

O endereço da lista Voadores é www.voadores.com.br

** EFCs: Abreviatura de “Experiências Fora do Corpo”.

*** Há outro livro de Rampa que contém muitas informações úteis sobre as EFCS: “Você e a Eternidade” – Editora Record.

Texto <584><01/02/2005>

584 - UMA ORAÇÃO À MÃE DAS ÁGUAS

Enquanto eu passava energias para uma amiga que estava muito cansada, Ela surgiu flutuando em meio a uma luz azulada. Ela, a Mãe das águas.

Em silêncio, Ela olhou-me com carinho, como uma mãe olha para um filho querido.

Então, surgiu uma grande estrela (de cinco pontas) azulada brilhante pairando sobre nós. E dela se projetavam suaves raios por todo o ambiente.

Maravilhado, percebi a proteção estelar que a Mãe das águas estava realizando em nossa intenção. Eu e minha amiga estávamos recebendo uma benção Dela.

Agradecido pela bela manifestação e pelo seu carinho, brotou espontaneamente em meu coração uma prece em Sua homenagem.

Ali, de mãos dadas com a minha amiga, a estrela protetora por cima de nós dois, e com a Mãe das águas projetando suas energias maravilhosas, o meu coração alçou vôo nas asas da prece sincera e universalista:

“Yemanjá, Mãe das águas,
Abre as suas asas sobre nós!
Ilumina os nossos corações sedentos de amor e paz.
Abençoa esse serviço espiritual que abraçamos em nome da luz.

Vem, Mãe querida!
Interpenetre os nossos pensamentos e os nossos sentimentos, para dançarmos juntos na luz.
Que as suas águas curativas lavem as nossas mazelas.
E que as criaturinhas extrafísicas da natureza, sob o seu comando, brinquem em nossos chacras acesos de amor.

Mãe das águas,
Abençoa essa estrela bonita, que flutua acima de nossas cabeças.
Essa estrela do Dharma (1) que nos protege com as luzes do Oriente.
Renova os nossos votos de crescimento e nossas energias.
Faz a dança do universalismo quebrar os nossos preconceitos e limitações.

Mãe amada,
Que todos nós (encarnado e desencarnados), possamos ser melhorados com as suas águas curativas.
Que haja a festa da luz em todos nós (em espírito e corpo).

Yemanjá, rainha espiritual,
Abre as suas asas sobre nós!
E abençoa esse nosso serviço espiritual.
Que todos nós sejamos lavados nas águas da bem-aventurança!
De coração aberto, com humildade e respeito, nós agradecemos a sua proteção espiritual.”

Yemanjá Odoiyá! (2)

P.S.:

Não sou umbandista, espírita, ocultista, ou cristão.
Não sigo nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra.
Mas, a Mãe das águas sempre aparece para me dar uma força espiritual.
E eu sempre lhe agradeço, de coração, sem medo de ser feliz.
De mente e coração abertos, nas ondas do universalismo consciente, Transito pela espiritualidade de forma sempre livre...
Assim como o vento sopra por onde quer, assim, também, é o espírito.
Livre das limitações dogmáticas, mesmo ainda preso na carne, Prezo sempre a liberdade de raciocínio e a criatividade, venha de onde vier!
Os espíritos amparadores são como o vento: vão e vêm.
Uma hora passa um chinês taoísta, outra hora, um budista.
Em outro momento, é um benfeitor cristão, daqui a pouco o preto velho.
Às vezes é o exu protetor, outras vezes é o sábio hindu.
Voam extraterrestres e espíritos da natureza, anjos e mestres...
E dançando na luz, lá vem Yemanjá, Maria, Mataji e Kuan-Yin...
O amparo espiritual é universalista e incondicional, e baseia-se na Cosmoética (3).
O Amor não tem doutrina, é só Amor, onde quer que seja, por onde quer que vá...
A Espiritualidade não é doutrina, é um estado de consciência!
O vento sopra por onde quer, os espíritos também!
Por isso, de forma responsável e consciente, registro aqui o meu agradecimento A todos os benfeitores espirituais, de todas as linhas, de todos os lugares...
Ao longo dos anos tenho sido muito ajudado espiritualmente, mais do que mereço.
E só O Grande Arquiteto Do Universo é que sabe o quanto devo aos amparadores.
Então, sem vergonha de ser feliz, agradeço, agradeço, agradeço...

- Wagner Borges -
Jundiaí, 13 de dezembro de 2004

1. Dharma (do sânscrito): Dever, Mérito, Trabalho, Virtude, Retidão, Programação Existencial, Ação correta, Benção.

2. Yemanjá: Saudação: Odoiyá!

“No Brasil, Yemanjá está associada ao mar, embora na África esteja mais vinculada à desembocadura dos rios. Nas lendas africanas ela é tida como filha de Olokum, deusa do mar. Mãe que criou muitos Orixás e considerada uma Grande Mãe.

Na Bahia, as festas se realizam no dia 02 de fevereiro no bairro do Rio Vermelho, com repercussão nacional. Seus instrumentos são o abebé cor de prata e uma espada.”

Obs.: Informações extraídas do trabalho “Imagens Duplas”, contendo pinturas alusivas aos Orixás, do padre José Pinto, um grande artista baiano, com um coração amplamente universalista.

3. Cosmoética: Código de ética superior, espiritual; Paraética; Ética Cósmica, universal.

Texto <584><01/02/2005>

583 - PENSAMENTO, O ARTÍFICE DO DESTINO

(Os Modos do Pensamento, Segundo as Tradições Espirituais)

Nós somos o que pensamos.
Muito mais do que imaginamos.
Muito mais do que supomos.
Mais ainda do que sentimos.

Se pensarmos melhor, melhor seremos.
Isso é lei básica do pensamento.
A energia segue automaticamente o que pensamos.
Logo, melhora as energias quem pensa melhor.

Quem pensa em melhorar, melhora só de pensar.
O pensamento é o artífice do destino.
Cada pensamento é um sulco na mente,
Por onde correm as energias e os sentimentos.

Cada escolha, modos do pensamento.
Cada ato, escolha do pensamento.
Cada destino, modos de escolha.
Cada um é o que pensa!

Quem pensa, escolhe; Quem semeia, colhe.
Quem planta cerejas, colherá cerejas.
Quem semeia vento, colherá tempestade.
Quem semeia luz, já melhora, só por semear.

Cada ato é pensamento exteriorizado.
Cada palavra é a sonorização do pensamento.
Cada gesto é movimento do pensamento.
Cada energia manifestada, modos do pensamento.

Pensamos, logo existimos.
Ou, melhor, existimos porque pensamos.
Ou, seria mais acertado dizer?:
"Pensamos, logo complicamos!"

O pensamento vai e vem pelos sulcos...
Sua natureza é o movimento.
E esse é o seu tormento: a agitação.
O remédio: a meditação.

* * *

Ao longo dos milênios, os sábios espirituais vêm falando aos povos sobre a necessidade da educação dos pensamentos e emoções. Cada um deles, de acordo com o contexto de sua época e cultura, falou as mesmas verdades.

Alguns deles foram direto ao ensinamento, outros escolheram o caminho das parábolas, e outros mais ensinavam pelo olhar silencioso e a consciência expandida em outros planos invisíveis ao olhar comum.

Seja pelos caminhos iniciáticos do antigo Egito ou da Grécia, ou pelos caminhos iogues ou taoístas, ou ainda, pelos ensinamentos budistas ou sufis, surge sempre a ênfase na educação do pensamento.

Seja ensinado por Jesus ou Buda, Krishna ou Mahavira, Maomé ou Ghandi, o certo é que a melhoria dos pensamentos é um dos fundamentos básicos para qualquer ser humano interessado em progredir na senda espiritual.

Baseado nisso, vamos olhar algumas dicas sobre os modos do pensamento, extraídas de várias fontes espirituais.

Hermetismo: PENSE NA LUZ! SEJA LUZ! O TODO ESTÁ EM TUDO! RÁ!
Cristianismo: PENSE NO BEM DE TODOS! PRATIQUE O AMOR! AMÉM!
Budismo: PENSE NA PAZ! SEJA UM CANAL DE COMPAIXÃO! OM MANI PADME HUM!
Hinduísmo: PENSE NO DIVINO QUE VOCÊ É! OM... OM... OM!
Taoísmo: PENSE NO TAO! SEJA SERENO! DANÇE COM O CHI!
Sufismo: PENSE LEVE! RODOPIE COM A LUZ! FESTEJE A VIDA!
Islamismo: PENSE FIRME NO DIVINO! ELE É LUZ SEM IGUAL!

* * *

Lançando um olhar universalista sobre esses ensinamentos espirituais, nota-se, claramente, que se destaca o toque consciencial de pensar em valores maiores e baseados na LUZ. Talvez o modo do pensamento mais adequado aos nossos esforços seja esse:

PENSAR LUMINOSAMENTE!

É óbvio que é mais fácil falar ou escrever sobre isso, do que praticar e melhorar o clima mental, passo a passo, na prática do viver diário, sempre cheio de coisas para complicar essa boa intenção. Mas, é certo que, mesmo só pensando nisso inicialmente, já melhoramos só de pensar. Pelo menos, é melhor do que nem pensar nisso.

Ou seja, pensar nisso já é LUZ!


(Estes escritos são dedicados a dois sábios cheios de simplicidade, compaixão e bom humor: o Swami Sivananda e o mestre Omraam Mikhael Aïvanhov. Deixo aqui a minha gratidão e admiração por esses dois mestres da consciência. Pensar neles é LUZ!)


PAZ E LUZ!



- Wagner Borges -
Jundiaí, 01 de janeiro de 2005.


P.S.: Enquanto eu escrevia este texto, rolava no som o Cd "Black Moon", da banda britânica de rock progressivo Emerson, Lake and Palmer - Esse é um trabalho de 1992, longe da fase áurea da banda, entre 1970-1975, mas bem sólido e com canções muito bonitas (destaque para a bela balada “Affairs of the Heart”, terceira música do Cd), além da já tradicional viagem instrumental, característica principal da banda.

- Notas explicativas das várias expressões espirituais:

- Rá: No contexto esotérico do antigo Egito, a LUZ.

- Om (do sânscrito): A Vibração do Todo que está em tudo! O Verbo Divino que permeia tudo e todos. O mantra de Brahman, O Absoluto.

- Om Mani Padme Hum (do sânscrito): "Salve a Jóia no Lótus!" - Esse é o mantra da compaixão no contexto do Budismo Tibetano.

- Chi (do chinês): A Força Vital; Energia.

- Tao (do chinês): "O Caminho"; "a essência de tudo"; "O Todo". Na verdade, o TAO não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:

"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o TAO.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."

- Lao Tzé - in "Tao Te King" - China, Século VI a.C.

OBS.: Complementando esse texto, posto na seqüência um texto do espírito André Luiz, que apresenta correlações interessantes com esses escritos de agora.





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PONDERAÇÕES ESPIRITUAIS
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Antes da ação, reflexão.
Antes do sono, oração.
Antes da dor, discernimento.
Antes da agitação, silêncio.
Antes da arrogância, modéstia.
Antes de você mesmo, Deus.

Observe, escute, persevere, trabalhe, estude e siga...
Os seus pensamentos revelam muito de você mesmo.
Os seus sonhos projetam raios.
Os seus passos deixam marcas no mundo.
Os seus atos estão registrados em suas energias.
O seu caminhar nunca é solitário.
Em você, e em todos, antes de qualquer coisa, pense em Deus guiando-lhe na jornada.
Antes de caminhar, estudo, serviço e oração.


- André Luiz -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 07 de fevereiro de 2003).

- Nota de Wagner Borges:

Esses escritos foram recebidos durante a palestra pública no IPPB, com cerca de 180 pessoas presentes.

Já fazia muito tempo que eu não via o Dr. André Luiz. Inclusive, dá para notar claramente que ele mudou de nível extrafísico, pois o seu psicossoma (corpo espiritual, corpo astral, perispírito) apresenta-se mais sutilizado e diáfano. No entanto, a minha grande surpresa foi ver ao seu lado, pela primeira vez após ele "descascar" e ir morar "do lado de lá", o querido Francisco Cândido Xavier. Ele acompanhava o Dr. André Luiz de perto, bem tranqüilo. Suas condições extrafísicas são excelentes, e isso pode ser mensurado pela renovação de sua aparência, bem mais nova do que quando ele descascou. Isso é bem característico do bem estar do espírito, e muitos médiuns experientes podem confirmar isso.

O contato espiritual foi muito rápido, e no âmbito de uma palestra, durante a leitura de um texto. Por isso não foi possível uma comunicação direta com ele.

Sei que muitas pessoas duvidarão do fato de eu tê-lo visto, mas isso não é problema meu. O fato é que fiquei muito contente em percebê-lo em ótimas condições espirituais, como já era de se esperar de quem tanto trabalhou em prol da humanidade.

Esclareço aos leitores de que não sigo nenhuma linha espiritual específica, apenas percebo coisas em outros planos, seja pela mediunidade desenvolvida, ou pelas projeções da consciência para fora do corpo e o contato direto com os espíritos.

Às vezes, digo que sou espiritualista, pelo fato de não prender-me a linha espiritual alguma. Mas a verdade é que sou mesmo um ESPÍRITO (e os leitores também).

Sendo um ESPÍRITO, nada mais natural do que vivenciar experiências espirituais, absolutamente normais para quem considera a Espiritualidade não como doutrina, mas como estado íntimo de consciência.

Lembro, ainda, que os espíritos amparadores são apenas pessoas extrafísicas. Não são deuses ou mitos, são apenas "gente legal" que mora em outros planos.

Cada um deles tem seu próprio jeito e expressão, mas são sempre muito legais.

Francisco Cândido Xavier é hoje um desses caras legais que mora "do lado de lá".

Texto <583><28/01/2005>

582 - CONVERSANDO SOBRE MESTRES E POSTURAS CONSCIENCIAIS

(Texto postado originalmente na lista Paz e Luz da Internet)

- Por Lázaro Freire -

Vou começar citando um trecho do Wagner Borges:

"As pessoas fazem CAMPEONATO DE MESTRES, ficam discutindo quem é o melhor, em vez de aplicar o ensinamento deles, ou fazer 1 milésimo do que pregavam e exemplificavam."

No Ocidente, há uma concepção distorcida da palavra Mestre. Não endosso o uso equivocado que fazem dela, mas tampouco tenho algo contra a mestria interior:

Somos todos mestres e discípulos, uns dos outros.

Normalmente, o simples uso da palavra gera respeito excessivo, ou, não raro, críticas, egos e excessos. O que embute, não sei porque, uma exigência de perfeição inatingível - fruto de nossa própria incapacidade de seguirmos modelos, escondendo, com isso, a nossa deficiência em SERMOS modelos a serem seguidos.

Na Índia, país construído principalmente com base na tradição oral, não há este preconceito. Todos são gurus (mestres, preceptores) de alguma coisa. Não se "é" melhor por isso, mas não perdem o respeito pelo que "temos" de melhor para repassar.

Há o guru de Ioga - mas também o guru de sânscrito, o guru de culinária, o guru de flauta, o guru de Kryia (técnicas de purificação), o guru de inglês - gurus de coisas simples e complexas, sem preconceitos, sem exigências de perfeição.

As pessoas são conscientes de que têm algo a ensinar - e as demais, mais ainda, de que têm sempre algo a aprender com o outro. Um belo ato de compartilhar.

Aqui, não. Mesmo que alguém materialize vibhuti (cinzas sagradas) e levite (como o Sai Baba); mesmo que possamos ter pelo menos algo a passar em Espiritualidade, Astrologia, Tarot, ou simplesmente Vida - as pessoas estarão sempre procurando achar algum defeito, seja em um Sai Baba, seja em nós.

De tanto procurar, é claro que encontrarão. Exista o tal defeito ou não. E quanto maior for o conhecimento transmitido, as palavras trocadas, as mensagens veiculadas, mais os mesmos estarão, intimamente, em uma postura do tipo de tentativa de anulação, senão da mensagem, pelo menos do mensageiro.

Por exemplo: "Sei não... Alguma coisa tem ali... Não pode ser perfeito assim... Mais cedo ou mais tarde, algo vai dar errado... Vai aprontar alguma, vai falar demais, vai ter um furo no Imposto de Renda, vai ter uma fábrica de incenso, vai agir errado, tenho certeza!"

E assim, em vez de aproveitarem o que havia de bom, passam o tempo procurando o tal defeito que lhes permita se auto-desculpar por não seguir os ensinamentos dos Mestres...

Mestres sim: do Mestre Sai Baba, mas também da Mestra Marília, do Mestre Lázaro, do Mestre Wagner. E do Mestre Chefe Chato que nos ensina paciência; do Mestre Padeiro que nos recebe de manhã com um sorriso; do Mestre Assaltante, que nos mostra que nada nos pertence de fato e que precisamos fazer mais ainda em prol da justiça social...

Tantos Mestres - 6 bilhões deles, para contar apenas os encarnados. Em maior ou menor grau, todos com algo a ensinar.

Todos humanos - mesmo Cristo e Sai Baba. E ao mesmo tempo, todos divinos - mesmo eu e você.

Todos eles, não se cansando de dizer que somos iguais. E os iguais de fato, cheios de erros e acertos, como nós, nem precisam nos dizer.



Estes escritos me fizeram lembrar de Richard Bach (em "Ilusões - As Aventuras de Um Messias Indeciso"):

"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe.

Fazer é demonstrar que você o sabe.

Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.

Somos todos aprendizes, fazedores, professores.

Você ensina melhor o que mais precisa aprender."

Grande verdade!

E o que mais me salta aos olhos nesta questão dos Messias do cotidiano, falhos e divinos, é a necessidade que as pessoas têm de colocá-los em um patamar "supostamente" acima. Para, a seguir, tentar derrubá-lo do pedestal onde ele não se colocou.

Eu, que já senti na pele várias vezes em diversos níveis, por tentar ensinar, e que já vi pessoas tão mais capacitadas serem impedidas por este comportamento vândalo do aprendiz, chamo a este comportamento de "Síndrome do Messias Crucificável"

O mecanismo é simples: os Mestres do cotidiano costumam lembrar, em seus atos e palavras, serem iguais, falhos e simples, mas mesmo assim terem algo a ensinar...

Entretanto, as pessoas, discípulos, tendem a colocá-los primeiramente em um andar superior.

Se o ensinamento for divino, basta promovermos nossos Mestres a este nível acima.

Assim, ele está no Alto, é visto como um "iluminado", ainda que negue. Podemos, assim, ter uma atitude passiva perante eles. Vamos ao instituto, à montanha, ao centro, à sinagoga, à palestra, à lista de discussão, à igreja ou ao ashram para ouvi-los, e saímos de lá os elogiando. Sem tirar nosso "traseiro" da cadeira.

Assim os vemos:

O grande médium do centro, intocável e divino (mas que come arroz com feijão e defeca como qualquer vivente).

O grande espiritualista, autor de livro, astrólogo iluminado, iogue, proprietário de lista na Internet, Projetor Astral, Músico, qualquer coisa - elevamos quem tem algo a nos passar a um patamar inatingível para um ser humano, e que só existe em nossa expectativa - e imaginação.

No primeiro momento, fazemos vistas grossas aos seus naturais defeitos e exageramos suas qualidades. Preferencialmente as atribuímos a "dons", para esquecermos do esforço que o Mestre fez para ter e ser, esforço este que também poderíamos fazer.

Então, é só esperar suas sábias palavras, seus passes, suas análises astrológicas, seus livros, seus ensinamentos, seus evangelhos - sempre distantes de nós - como quem recebe um bálsamo. Pobre Mestre.

Neste momento, ele foi transformado no divino, e como tal será cobrado, apenas pela covardia acomodada do discípulo em atuar.

Colocamos Jesus e Krishna - dois homens de seu tempo, legando um exemplo de espiritualidade atuante que poderia ser seguido pelos comuns - em um patamar inatingível. Criamos mitos e os transformamos em nosso porto seguro. Passam a ser o mais perto de Deus, encarnações divinas, os que recebem (todas) nossas orações e mantras.

Ousaram nos ensinar, vivendo inseridos em seu tempo e sociedade, mas preferimos ignorar seu exemplo, esquecer-nos de suas mulheres e filhos, de seus erros e acertos, e os transformamos em "Os Iluminados".

E séculos ou milênios depois, ainda ignoramos (por conveniência) que eles sempre nos diziam ser como nós. Ou que éramos nós como eles, e que podíamos fazer tudo que eles faziam, também.

Rimos, internamente, preferindo atribuir estas advertências à humildade destes Mestres, fingindo que não entendemos o recado de que o mestre não era "iluminado", ele BUSCAVA E FAZIA sua própria luz, trilhando um caminho que também podíamos seguir.

Não notamos sequer que, para fazer a diferença de sua iluminação para a nossa mediocridade, eles apenas ensinavam - e costumavam TENTAR fazer o correto. Coisa que normalmente nós não queremos.

Oxalá fosse apenas com Krishna e Jesus. Mas, infelizmente, fazemos o mesmo com os Mestres do dia-a-dia. Até bem pior.

Jesus e Krishna tinham seu preparo. Mas talvez o Mestre Padeiro, o Mestre Feirante, o Mestre Colega de Trabalho que sabe mais sobre o negócio, o Mestre Escritor de Livro, o Mestre Bom Médium, o Mestre Autor de mensagens longas na Internet, o Mestre Excelente Astrólogo, o Mestre Palestrante, o Mestre Amigo, e tantos outros, simplesmente não têm a mesma resistência que um grande avatar. Nem o mesmo grau de perfeição. Mas nem por isso deixaram de ter EXCELENTES mensagens para nos ensinar. Se tivermos ouvidos para escutar!

Porém, humanos ou "divinos", nós os colocamos primeiramente lá em cima.

Assim podemos ir a eles apenas quando nos convém, como eternos pedintes. Como se fôssemos mendigos conscienciais! E se eles assumem, de algum modo, sua mestria - ainda que em um contexto - jogamos em suas costas a NOSSA exigência de que sejam perfeitos, já que OUSARAM tentar nos ensinar qualquer coisa para que crescêssemos.

É um grande mecanismo de defesa e comodismo: chegamos com as mãos estiradas... E ao mesmo tempo, sempre desconfiados, procuramos um motivo para... CRUCIFICÁ-LOS.

Não é surpresa. Afinal, é o que sempre fizemos com os Messias. Flechamos até mesmo um Krishna, crucificamos até mesmo um Jesus.

Porque não faríamos pior com nossos inúmeros mestres imperfeitos do dia-a-dia?

Do mesmo modo, os mestres cotidianos também nos disseram, até com atitudes, que somos iguais. Mas nós, fascinados, tentamos elevá-los a algo mais do que poderiam

suportar ser, e atribuímos sua recusa à sua "humildade" e "evolução"...

Repetindo o erro, para continuarmos FINGINDO NÃO ENTENDER que todos são Mestres, Irmãos, Deuses e Demônios.

Que são simplesmente HUMANOS, que por mais erros que tenham, SEMPRE terão uma porção divina, uma capacidade de amar e algo a ensinar.

Que navegam, todos eles, mestres ou não, pelas mesmas águas do Universo, a bordo do mesmo barco azul chamado Terra. Em uma atmosfera coletiva, em UMA SÓ evolução.

Com individualidade, mas também como alma-grupo, com um inconsciente coletivo, células de Gaya, precisando todos uns da evolução dos outros, para termos também maior facilidade de crescimento.

Neste momento, surdos por conveniência, preferimos transformar nossos gurus em semi-deuses, distanciando-os o suficiente para que possamos jogar nossas pedras sem que eles saibam de onde vêm.

Exigimos, nesta hora, mais e mais deles - e, pelo mesmo mecanismo, menos de nós.

Compensação às avessas: afinal, desta forma, nos auto-desculpamos por não termos nascido tão iluminados assim...

Não temos "os dons" - iremos dizer. Como se o CRIADOR tivesse predileções e distribuísse injustamente seus talentos, pessoalmente, provavelmente para nos injustiçar, ou dar um álibi para nossa inércia consciencial.

Em seguida, por mais que tentemos afastá-los, percebemos, por fim, que somos iguais. Uns por ego, outros por compreensão das limitações do objeto de adoração, o fato é que passamos a ver também, em nós, pelo menos o mesmo potencial.

Às vezes, é o próprio mestre quem nos mostra este nosso potencial...

Isso se a nossa própria expectativa e adoração (conhecida esotericamente como "babação de ovo") não desenvolverem nele um negativo excesso de ego que corrompa a mensagem.

Em outros casos, ele nem precisa nos mostrar.

Nós é que buscamos seus erros, obsessivamente, INCAPAZES que somos de nos elevarmos, senão a Jesus e Krishna, PELO MENOS àquele referencial tão próximo, tão falho e divino.

E como se não fosse o bastante, incapazes também de ajudar aquele Mestre Humano no que quer que seja. E eles, na solidão de um planeta onde a maioria foge do compartilhar e/ou privilegia a mediocridade, sempre precisam de muito: seja um pão, um sorriso, uma palavra, um ato, um aperto de mão, um beijo, um amigo, um gozo, um outro conhecimento, um livro, um novo discípulo, um fim-de-semana feliz, uma dica - sempre há o que trocar, aprender, ensinar... E mesmo se não houvesse, sempre haveria uma possibilidade de diminuir um pouco seus fardos, para que pelo menos eles pudessem passar a quem aproveitasse um pouco mais que nós.

Mas NISSO, indevidamente, vemos pieguice. Preferimos, para não crescermos, para não o fazermos crescer - simplesmente encontrar seus erros (e ele os tem), ou suas falhas, e tentarmos "trazê-los até nós". No pior dos sentidos, o de rebaixar.

Se possível, "desmascará-lo". Ou seja, imaginarmos a máscara que ele não tem, e na falta desta para arrancar, tiramos seu próprio escalpo.

Não somos capazes apenas de admitir a nossa teimosia em não domarmos nosso ego, NEM AO MENOS para termos uma postura receptiva para aprendermos e crescermos. E já que um bom egoísta não deixaria passar a oportunidade de crescer, somos, então, piores do que os egoístas inteligentes. Ou seja: somos BURROS, mesmo.

E não é o suficiente: precisamos tirar também, dos outros, a oportunidade que tinham de se mirar naquele Mestre - seja Cristo ou Krishna; seja um orientador evolutivo; seja um mestre entre os comuns.

Afinal, se alguém puder ser humano, ter erros, medos, receios, lágrimas (como nós); e mesmo assim puder ser alguém que ALGUM DIA mereceu de nós o respeito (erroneamente) reverente que dedicamos aos Mestres, isso significaria que a diferença entre os mestres que antes idolatramos e depois desmascaramos (por cometer o pecado de ser igual a nós) e nós mesmo é muito simples.

São coisas como:

- OUSAR ENSINAR.

- DAR A CARA À TAPA.

- TIRAR O TRASEIRO DA CADEIRA.

- ESTAR ABERTO PARA COMPARTILHAR.

- TRANSFORMAR O EGO QUE TEM, EM UM "EGO SERVIDOR"

- NÃO SE RECUSAR A CRESCER POR TER AS MESMAS LIMITAÇÕES QUE TEMOS.

- NÃO DEIXAR DE SER O QUE É PELO QUE AINDA NÃO PODE SER.

- TER CORAGEM DE SER O QUE DEVE SER FEITO - MESMO SABENDO QUE SERÁ CRUCIFICADO POR ISSO, MAIS CEDO OU MAIS TARDE, POR NÃO SER PERFEITO.

E vendo que isso faz sentido, e que até nós, comuns, discernindo, podemos vislumbrar esta triste sina dos Mestres, que limitados somos, assustado concluo, então:

- Cristo sabia que morreria e seria traído!

- Krishna sabia que o destino da guerra fratricida eram as flechas, que seu corpo morreria!

E não me esqueço que o primeiro veio trilhar a experiência humana, repetindo sempre a consciência que tinha de seu destino. E o segundo, ainda assim, preferiu lembrar a Arjuna que nada pode ferir a alma, que é imortal - e que devemos cumprir nosso dever (dharma), mesmo quando incompreendido, mesmo quando cruel.

E ele, neste nível de consciência, é claro que sabia que falava até mesmo de si, e do dharma de ensinar o dharma, a nós, acomodados, prontos para condená-lo, também.

E digo mais: se é discernível ao intelecto, isso implica que em algum nível, consciente ou não, os mestres que chamamos, apedrejando, de chatos, egóicos, pseudo-profetas; os falsos-messias, segundo nós, desmascarados, lapidados, crucificados e flechados todos os dias por não serem perfeitos como "gostaríamos", também sabem disto!

E sabem mais: os mais lúcidos, em seu dharma terreno de ensinar aos colegas do caminho, sempre se souberam imperfeitos. E sabem, também, que não têm a resistência e a resignação de um grande avatar (1). E não têm o mesmo canal com o divino, que com certeza deve servir de alento.

Seja quem for que os ataque, não estará sendo nem o primeiro, nem único, nem original. E eles, sabendo, mesmo assim, continuam a nos ensinar, a cumprir seu dharma, a serem amados e odiados, a aprender e ensinar, sob chuva de pedras, flechas e cruzes.

Falíveis, sempre - como sempre souberam ser. Mas, mesmo assim, continuando a "ensinar melhor aquilo que mais precisamos aprender".

Afinal, somos todos "aprendizes, fazedores e professores".

Já pensaram nisso? Pelo menos agora, sim.

Agindo assim, é hipocrisia rezar de joelhos por termos crucificado um Cristo - que tinha preparo para esta missão...

Hipócritas! Dizemo-nos arrependidos (ou mesmo não coniventes com os atos dos romanos e judeus, que podem ter sido nós mesmos antes). E ao sairmos da igreja, após atos de penitência e culpa, jogamos fora a oportunidade que Ele nos dá de repararmos isto, no dia-a-dia, em cada novo Mestre que a vida nos envia, em cada rosto, em cada sorriso, em

cada palavra, em cada pessoa.

Hipócritas! Vamos à igreja - ou mais recentemente, ao cinema - nos "arrependermos" do que fizemos com Jesus, mas ao encontrarmos um novo preceptor no centro, no instituto, na lista de discussão, confirmamos nossa natureza, matando covardemente quem nem tinha a mesma condição de resistir.

Hipócritas! Isentamo-nos de seguir a mais humana das referências dentre os Grandes Mestres que por aqui passaram. Transformamos o homem em Deus, sua mãe em virgem, sua esposa em prostituta distante, seus pescadores comuns em santos milagreiros de quem compramos indulgências e perdões, apenas para não termos exemplos humanos a seguir. E reclamamos falsamente a Deus, dizendo que não somos perfeitos como Ele.

Hipócritas! Não podemos apenas nos negar a caminhar, mas precisamos também invalidar o crescimento do outro, que atestaria nossa mediocridade. E depois não entendemos como a humanidade expulsa e assassina seus avatares.

Hipócritas! Pedimos um caminho dos comuns. Exigimos uma espiritualidade que pudesse ser trilhada no cotidiano. E quando a encontrarmos e vermos que pessoas como nós podem também ser Mestras, os Mestres que poderíamos e deveríamos nós mesmos ser, repetimos a crucificação, na crítica pelas costas, no ataque destrutivo, na palavra ácida, na minúcia de julgamentos da qual só a mediocridade é capaz, ainda que lamentando o que os "outros" fizeram com Jesus.

Continuamos fabricando Messias, todos os dias. E os crucificando a seguir.

Parece-me muito mais grave. E a vocês?



Om Shanti! (2)
Om Prakash! (3)


São Paulo, 28 de maio de 2001.

- Nota de Wagner Borges: Lázaro Freire é pesquisador, projetor, espiritualista, fundador e moderador da lista "Voadores" da internet - www.voadores.com.br –
Maiores informações sobre o seu trabalho podem ser obtidas em sua coluna na revista on line de nosso site - www.ippb.org.br

- Notas do sânscrito:
1. Avatar: Emissário Celeste; Canal da divindade.
2. Om Shanti - Paz Divina, que é mais do que a PAZ humana, mero intervalo entre duas guerras
3. Om Prakash - Luz, ou Brilho Divino - que é muito mais do que a mera claridade física.
OBS.: A partícula OM (shabda, verbo criador, fiat lux) dá o caráter divino ao mantra.

Texto <582><26/01/2005>

581 - VIAJANDO NO OLHAR DE JESUS - V

"Abaixo da iluminação, só há dor!"
- Buda -


Rabi (1), foi nos seus olhos que vi mais estrelas pontilhando.
Desde que você entrou em meu coração, não fui mais a templo algum.
Que adoração eu poderia fazer fora do templo secreto, onde você habita?
Que outro céu buscar, se já o encontrei dentro do próprio coração?

Ah, como me lembro de Ramakrishna, dizendo-me:
"Garoto, é nas praias do coração que os avatares (2) chegam.
Eles vêm como as ondas de Brahman (3) e beijam as praias do Ser.
Eles gostam do céu do coração."

Hoje, alguém me contou que sonhou com você.
E eu disse: "não foi sonho.
Aquela praia não era onírica.
Era Ele mesmo beijando suas areias."

Outrora, apresentaram-me você numa cruz.
Mas, mesmo sendo criança, nunca aceitei desse jeito.
É que eu sempre soube que você ri dentro da gente.
E também sei que você gosta de canções e crianças.

Amigo, em seus olhos não vejo cruz ou pecado algum.
Só vejo miríades de estrelas pontificando.
Elas giram em torno de sua consciência cósmica.
Elas dançam com você no samadhi! (4)

Novamente, lembro-me de Ramakrishna, dizendo-me:
"Garoto, quando Ele chega, o amor se faz!
O coração derrete no deleite de Sua luz.
É o amor do amor, o avatar do coração."

Engraçado. Não fiz salmo algum, mas você veio.
E você não me fez ajoelhar em subserviência alguma.
Pelo contrário, aprendi com você a olhar para a frente...
E a ver o Divino em tudo, mesmo naqueles que nada sabem disso.

Sabe, já tentaram tanto me doutrinar em seu nome.
Mas eu nunca aceitei o que me diziam.
Porque eu não sentia você neles.
E eles não tinham amor nem estrelas cintilando no olhar.

E eu pensei: "sem amor não dá!
E o Jesus que sinto não doutrina ninguém.
Pois o amor jamais impõe o que quer que seja.
O amor tudo compreende, jamais condena."

Rabi, não vi capítulos e versículos em seu olhar.
Mas vi o amor, e isso me bastou.
As estrelas rodopiaram em torno e me levaram junto...
E eu mergulhei no samadhi com você.

E na consciência cósmica você me abraçou!
E tudo se fez amor.
E eu dancei e ri com as estrelas...
Dentro do seu olhar cintilante.

E lembrei-me novamente das palavras de Ramakrishna:
"Ele veio e entrou em mim, e nos tornamos um só.
Nós éramos avatares do mesmo amor.
Garoto, quando ele chega, só há samadhi!"

P.S: Rabi, mais um ano se vai, e os fogos espocam lá fora.
Aqui, eu fico pensando em você.
Não enchi a cara de álcool, mas estou vendo estrelas.
E elas estão dentro do céu do meu coração, com você.
Por tudo, querido amigo, muito obrigado!
Oxalá, eu possa fazer o que você me sugeriu:
"vive, ama, trabalha, aprende, compreende, sorri e segue..."


- Wagner Borges -
Jundiaí, 31 de dezembro de 2003, às 23h57min

- Notas:

1. Rabi: Mestre.

2. Avatares (do sânscrito): Emissários celestes; Canais da divindade.

3. Brahman (do sânscrito): O Absoluto, O Supremo, O TODO, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus.

4. Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência; Consciência cósmica.

5. Para enriquecer esses escritos, posto na seqüência uma de suas partes anteriores (Parte IV - postada pelo site em 03 de junho de 2003 - Texto 434).





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VIAJANDO NO OLHAR DE JESUS IV
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Rabi **, meu amigo.

Há dias venho sentindo uma grande saudade de você.

Parece que o meu coração conversa com você, sem que eu saiba disso conscientemente.

Quando tenho notícia das tragédias diárias que rolam no mundo, sempre me lembro do seu olhar tão amoroso, e curvo a cabeça em silêncio.

Sei que há processos cármicos coletivos dos quais não tenho noção no momento, mas isso não tira a pressão de sentir a dor da humanidade dentro de mim mesmo.

Há duas grandes fomes grassando no planeta: a fome material, que pega milhões de seres humanos, e a fome espiritual, que pega a grande maioria da humanidade.

No vácuo dessas duas fomes, surgem as guerras, a violência sem par e aquelas ondas de pessimismo que sabotam as melhores qualidades dos homens.

Será que se as pessoas se lembrassem mais de você e de seus ensinamentos, não como ícone religioso, mas como alguém próximo de um amigo incondicional, as coisas seriam diferentes?

Fecho os olhos e lembro-me do seu olhar atravessando os diversos planos e chegando até o centro do meu SER. Então, parte de mim (minha mente) se recolhe em timidez, como se temesse a chegada de sua luz e a onda de amor que vem com ela. Porém, uma outra parte minha (o meu coração), sei lá como, sente esse amor e se alegra com ele, como se já soubesse o caminho...

Entre o questionamento da mente e a alegria do coração, sinto uma luz preenchendo minha aura e um contentamento sereno viajando pelos meus chacras, que parecem pequenos sóis irradiando luz serena e silenciosa.

E sob o influxo dessa onda serena e amorosa, finalmente minha mente se entrega ao coração, e eu não sei mais o que dizer.

Talvez seja a hora do amor silencioso falar... Ou do coração unido à mente cantar a admiração ao Supremo, o Pai-Mãe de todos... Ou mesmo de simplesmente ficar quietinho agradecendo os toques espirituais que chegam nas asas da inspiração.

Rabi, meu amigo, será que é possível repassar a serenidade do amor e o brilho do seu olhar para essas linhas?

Será possível melhorar outras consciências, físicas e extrafísicas, por intermédio desses escritos?

Olho para fora do apartamento e vejo um nevoeiro fino misturado com a poluição baixando por entre os prédios da metrópole fria e cinzenta. Penso que há um nevoeiro psíquico interpenetrando a bruma fina, somatório de muitas mentes e corações poluídos de ressentimento e egoísmo, esquecidos do que você ensinou. Sei que isso é resultado da fome de amor que grassa entre os homens, e também da fome de discernimento espiritual.

Porém, aqui dentro está tudo clarinho, e os chacras são sóis brilhando sob a Luz do seu Sol central de Amor incondicional.

Não sei de que maneira, mas parte de mim sabe que o seu olhar está interpenetrando a muitos nesse momento. Sei que você está ajudando principalmente os pequenos e esquecidos pelo mundo, de uma forma que os olhos não vêem, mas que o coração sabe e a mente pressente.

Parece tolice o que vou dizer, mas posso jurar que os meus chacras são semelhantes a pequenas crianças luminosas nesse instante. Parece-me que eles estão pulsando de alegria por eu ter pensado no seu olhar.

Sei que muitos evocam o seu amor de forma compungida e carregada de drama, mas posso jurar que os meus chacras estão dançando e curtindo o seu olhar.

Jesus, meu querido Rabi, agora compreendo quando você disse:

"Vinde a Mim as criancinhas, pois é delas o Reino dos Céus!"

Percebendo a dança dos chacras-criancinhas, finalmente compreendo, depois de muitas vidas, o que você quis dizer.

É, o Amor faz os chacras dançarem de alegria, e acaba com o nevoeiro sensorial do ego e sacia a fome espiritual.

Meu amigo, não sou cristão nem sigo qualquer linha espiritual em particular, pois prefiro seguir o Amor que vejo em seu olhar, que me faz viajar espiritualmente de forma incondicional e universalista dentro da Espiritualidade.

Firme nesse olhar, que me transforma em "SOL CONSCIENTE", dançando na Luz com os chacras-criancinhas, peço a você que inunde esses escritos com aquela canção espiritual de ananda ***, para que outros no mundo possam ouvir o chamado do Amor ecoando nas dobras secretas de seus corações.

Olho novamente lá para fora do apartamento, com os seus olhos interpenetrados nos meus, e rezo para que o seu Amor possa transformar as dores dos homens em danças luminosas. Para que eles viajem pelos céus do coração rindo como criança, felizes por perceberem que o paraíso é um estado de consciência interior, e que na "casa do Pai há muitas moradas", muitas delas dentro de nós mesmos, no universo daquilo que pensamos, sentimos e fazemos na existência.

Rabi, o seu olhar é pura festa!

Muito obrigado por tudo, querido.



P.S: Esses escritos são dedicados a dois Chicos muito especiais: Francisco de Assis e Francisco Cândido Xavier, ambos meninos de Jesus.



- Wagner Borges -
(Carioca radicado em São Paulo, 41 anos de "encadernação", espiritualista, pai da Heleninha e da Maria Luz, sujeito com qualidades e defeitos, que finalmente compreendeu o significado de "SER CRIANÇA NA LUZ", e que aprendeu que da mesma maneira que os planetas dançam em torno de um sol, os chacras dançam igual a crianças em torno do sol de amor, inspirados por Jesus, mais do que mito, um amigo do peito!)

São Paulo, 30 de maio de 2003.



- Notas:

* Os textos "Viajando No Olhar de Jesus I, II e III" estão em nosso site na seção de textos periódicos (textos Projetivos e Espiritualistas - textos 272, 281 e 287, respectivamente).

** Rabi: Mestre.

*** Ananda (do sânscrito): Bem-Aventurança, Êxtase espiritual.

Texto <581><21/01/2005>