(Relatos Projetivos)
- Por Hamilton Prado -
- Nota inicial de Wagner Borges: Em dezembro de 2003 enviei pelos textos periódicos do site dois capítulos extraídos do livro “No Limiar do Mistério da Sobrevivência – Experiências Com o Eu Astral”, de autoria do projetor brasileiro Hamilton Prado (1905-1972). Na época, assinalei nas notas, após o fim dos textos, alguns dados sobre o livro, o autor e o motivo de remeter em aberto os dois capítulos (para situar melhor o leitor, repeti os mesmos dados ao final desses dois textos postados agora).
Como o livro está esgotado há vários anos (ainda há alguns exemplares do livro no IPPB), e levando em conta que os relatos projetivos do Prado podem ajudar a outros projetores a compreenderem alguns dos mecanismos projetivos, resolvi postar mais dois capítulos dessa obra sensacional.
Da mesma forma que antes, penso que disponibilizar textos projetivos desse nível é um verdadeiro presente para os leitores interessados no tema das projeções da consciência para fora do corpo físico.
Estou verificando com os familiares do Hamilton Prado a possibilidade de reeditar esse livro oportunamente, com anexos e correções atualizadas.
O texto com os dois capítulos anteriores está postado na seção de textos periódicos de nosso site – É o texto 433.
Feitos esses esclarecimentos iniciais, vamos à leitura desses ricos relatos projetivos de um dos maiores projetores brasileiros.
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Capítulo XIII
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... E o reverso, isto é, a influência de nossos espíritos, ou de nossas forças, sobre os espíritos de outras pessoas, também me parece exato. Isso, aliás, é que permitirá a colaboração entre os espíritos de pessoas vivas e os de pessoas mortas, o que presumo deve ser muito mais intenso do que por um rápido exame do assunto se poderia supor.
Já freqüentemente tenho ouvido de pessoas que sonharam ter feito grandes trabalhos e, ao acordarem, sentem-se cansadas. Talvez a falta de um desenvolvimento mediúnico suficiente nessas pessoas seja a causa de não terem tido um conhecimento mais completo desses acontecimentos. Comigo já tenho, porém, notado, quando em desdobramento, como essa colaboração é e pode ser intensa. Ainda recentemente (abril de 1945), num desdobramento que tive, senti-me levado pelo espaço, muito alto, tendo a impressão de que voava por sobre grande extensão do oceano. Ao descer, fi-lo em um local que me pareceu um grande "bar", onde se aglomerava grande quantidade de pessoas sentadas ao redor de mesas, ou de pé, transitando de um para outro lado. Fronteiro ao local em que me encontrava, li um letreiro que me pareceu indicar o nome do estabelecimento, que era constituído de duas palavras, a última das quais, "Germaine". Não vendo razão para permanecer naquele local, fui a uma das janelas que davam para uma espécie de balcão que, nesse lado, cercava o prédio e, lançando o olhar para o céu, meio coberto de nuvens, perguntei: Senhor, que faço eu aqui se, neste momento, bem podia fazer alguma coisa de útil? Como que em resposta à minha interpelação, senti que alguém, depois de tocar no meu braço ligeiramente, passou à minha frente, como que me convidando a que o seguisse. Assim eu fiz. A pedaços, um facho luminoso descia do espaço sobre o vulto que me antecedia uns dez passos e que percebi ser o de uma mulher já de meia idade. Seguindo o vulto, que se deslocava com rapidez à minha frente, não notei os acidentes pelos quais ia perpassando até que, moderando a velocidade num canto de praia de mar ou espraiado de ribanceira de um ri-o, eu me vi junto a uma cidade. Lembro-me de que, nessa ocasião, eu me disse a mim mesmo: "Que lugar esquisito este aqui!" Mas a senhora que caminhava em minha frente, atendendo à minha surpresa, observou: "Como é que está estranhando? Você tem vindo aqui tantas vezes, não se lembra?" Apesar desse esclarecimento, o lugar continuava desconhecido para mim. Avançando, todavia, ingressei numa das ruas que dali saiam e vi encanamentos de água vazando e alagando o calçamento, uma parte do qual me pareceu revolvido. A minha frente vi, logo em seguida, o vulto que me guiava entrar por uma porta pequena. Acompanhando-o, desci para um porão, ao qual ia ter a escada que se seguia àquela porta. Pareceu-me logo um abrigo antiaéreo ou hospital de campanha subterrâneo. Ali, naquele porão, reinava grande confusão de pessoas, havendo gente que se movia em um trabalho intenso e pessoas deitadas em vários beliches superpostos, as quais pareciam feridas. Já então, guiado por um forte instinto, aproximei-me de um beliche no qual um preto, ainda moço, robusto, de rosto cheio e luzidio, com blusa militar, jazia deitado e ofegante. Assim que cheguei ao lado da armação que fazia parte do beliche, o moço, que olhava para o outro lado, fez um movimento brusco, como que convulsivo, meneando a cabeça. Vi os seus olhos fechados e nitidamente o ouvi dizer: "Não, não, eu tenho medo". Num gesto incontido, enquanto eu lhe dizia: "Não tenha medo, meu amigo, não vê como nada de mal existe?" - segurei, com as minhas mãos, a cabeça dele, que se voltara para mim. Nesse momento, o bafo de sua respiração chegou até o meu rosto e senti o cheiro forte de remédio que dela exalava. Porém, aí, a respiração como que sofreu uma parada em seu ritmo, seguindo-se dois ou três suspiros profundos e bruscos e um ligeiro tremor, após o que parou de vez. No mesmo instante, as minhas mãos se afastaram da cabeça do moço, que eu ainda via, trazendo entre elas uma outra cabeça, ou melhor, a cabeça espiritual, que eu já não via. O corpo lá continuava e, com ele, a cabeça física, que ainda eu enxergava e, no entanto, ali, entre as minhas mãos, eu percebia que se encontrava a mesma cabeça do moço que eu pegara, mas agora invisível. Mal me afastara um pouco e um forte facho de luz desceu do alto, iluminando-me e fazendo-me subir até atravessar o teto que cobria o abrigo. Chegando ao ar livre, alguém tomou de entre as minhas mãos aquela cabeça que eu não via e, em seguida, o facho de luz afastou-se à medida que ascendeu no espaço. Compreendi, então, que auxiliara o espírito de algum soldado a desencarnar-se.
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Quando, em virtude da Guerra (1939-1945), a dificuldade da obtenção de certas matérias-primas para a indústria era aguda e os seus preços estavam tabelados, à Companhia em que trabalho, pelo Consulado de um dos países aliados, foi encaminhado certo indivíduo, judeu, cuja firma se via ameaçada de ingressar na lista negra daquele país, a fim de que o mesmo nos entregasse, pelo preço do tabelamento, certa matéria prima que importara com o fito de especular. Como condição para evitar a sanção de que estava ameaçado se lhe impunha, entre outras coisas, entregar as mercadorias recebidas daquele país pelo preço do tabelamento. Ao tratar conosco, lembro-me perfeitamente, achava-se o homem profundamente transtornado pela emoção. Ignoro se a contrariedade, o receio de prejuízo ou prejuízos efetivos lhe causavam sentimentos violentos, mas, de qualquer forma, era visível que o pobre homem sofria profundamente e se sentia confuso, desnorteado. E foi assim que o vi sair, depois de ter estabelecido o preço total da operação e as condições de entrega da mercadoria, a qual devia ser iniciada no dia seguinte.
Todavia, na manhã seguinte, o sócio do homem nos comunicou que este, na véspera, ao invés de recolher-se à sua casa, dirigira-se a um hotel e, de uma de suas janelas, atirara-se ao solo, morrendo. Desde a véspera, eu ficara dolorosamente impressionado com o estado de confusão que percebera naquele homem e a notícia de seu suicídio me foi muito penosa. Por isso, nessa noite, rezei empenhadamente para o bem daquela alma, que devia estar padecendo e, de madrugada, tive ensejo de participar da seguinte ocorrência: em dado momento, vi-me deslocado de meu corpo, mas deitado sobre este; sinto então que, dando volta pelos pés de minha cama, se aproxima de minha cabeceira um vulto, que se parecia com um grande homem de neve, porém preto, carregado de lama, que lhe escorria pelo corpo. Esse vulto vinha soluçando perdidamente, sob o domínio de uma intensa angústia.
Quando ele se aproximava, uma voz ciciou-me aos ouvidos o nome do judeu que se suicidara, dizendo-me que era ele que ali se encontrava. Dirigi-me então ao vulto e pedi-lhe que não se entregasse àquela angústia e visse que ele já estava morto e que ali, ao seu lado, alguém desejava esclarecê-lo e ajudá-lo.
Percebi então que ao meu lado se erguia como que uma parede escura, que separou de mim o vulto que se me defrontava. Do outro lado dessa estranha parede, fez-se, em seguida, uma luz intensa e cheguei a ouvir, do judeu, uma exclamação patética: "Ó Deus de Israel!" - a que se seguiu um diálogo que não compreendi, mas foi breve. Ato contínuo, apagou-se a luz, desfez-se a parede e à minha frente vi, novamente, o estranho vulto, que chorava ainda, mas suave e tristemente. "Obrigado - disse-me ele - obrigado pelo que fez por mim. Não me esquecerei". E deslizando para donde viera, desapareceu o vulto.
Parece evidente que, à vista de minhas disposições, os amigos espirituais do falecido, aproveitando-se das forças mediúnicas que eu podia proporcionar-lhes, esclareceram aquela alma, que se debatia em profunda angústia. Por outro lado, inúmeras vezes notei que os espíritos, preocupando-se em nos beneficiar, tomam iniciativas e realizam trabalhos excepcionais. Já referi fatos relativos a mediações e atenções de que fui objeto e que melhoraram minhas disposições. Lembro-me de vários casos, alguns extraordinários, mas um deles posso, desde logo, relatar, transcrevendo o que anotei imediatamente após o ocorrido, com todas as minúcias.
Ei-lo:
"Madrugada de 3/9/45.
Há mais de uma semana que se faziam sentir em mim os sintomas de uma pleuridina. Esta noite, deitara-me com costas e peito doloridos e uma sensação mais acentuada de cansaço.
De madrugada, senti, em dado momento, que à frente da minha cama se fazia uma luz muito forte, que se projetava sobre mim, estando eu deitado. Alguém se aproximou do meu lado esquerdo e, segurando minhas mãos espirituais, assentou-as sobre o meu peito, como que para uma massagem ou um passe. Logo em seguida, outro vulto se aproximou pelo lado direito. O primeiro, que cheguei a pensar fosse meu pai, parou seus movimentos e interrogou o segundo com um gesto. Este, aproximando-se mais, mostrando-me seu rosto aquilino e risonho, encostou a cabeça no meu peito, como quem ausculta. Assim fez durante um breve tempo e disse em seguida ao primeiro: "Precisamos reduzir à metade".
A seguir, ambos se afastaram. Aproximou-se então alguém, que me pareceu um enfermeiro e que colocou sobre o meu corpo, ou antes, na altura de meu pescoço, alguma coisa que me impediu de ver o resto do corpo. Era como se fosse uma armação. Depois, senti uma agulhada que me penetrou o tórax. A seguir, senti ainda, durante uns quatro ou cinco minutos, vários toques ligeiros no interior do meu peito, como se de lá estivessem tirando coisas. Transcorrido aquele tempo, que me pareceu longo, senti-me como que desalojado de mim e me vi distante do meu corpo e, onde devia ser o meu peito, notei como se fossem cachos de bolinhas pequenas e brancas que estavam sendo banhados por um liquido branco, semelhante ao leite, que era coletado por baixo. Tive a impressão de ser um líquido fisiológico especial de que se embebiam aqueles cachos. Ao mesmo tempo, um médico, com um instrumento em suas mãos, auxiliado por dois outros, localizava pequenos pontos escuros entre aqueles cachos, que ele, maneirosamente, extraía. Essa operação durou ainda uns quatro ou cinco minutos, que me pareceram longos. Em seguida, aqueles homens deram por terminado o serviço e, colhendo o seu material ali existente, retiraram-se, enquanto a luz se apagava. Quis, então, acordar, mas não consegui. Não me impacientei porque intuição muito forte me dizia que devia permanecer quieto. Durou talvez vinte minutos. A imobilidade em que estava me era cômoda. Afinal, devagar, acordei, sentindo um enorme bem-estar. Já agora não sinto nenhum daqueles indícios desagradáveis de pleuridina".
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Antes de terminar este capítulo, acho que devo avisar aos tímidos que não se arreceiem das influências más que espíritos atrasados possam exercer. Isto porque tais espíritos só podem atingir-nos quando lhes facilitamos o acesso, e tal acesso vem a ser os maus pensamentos e as más ações com as quais se casam os fluidos daqueles. Tais espíritos facilmente são repelidos se nós não os temermos (dado que o temor enfraquece nossa resistência) e orientarmos nossos pensamentos para idéias nobres e boas, que nos tornam inacessíveis às influências daqueles espíritos, conforme ainda oportunamente esclarecerei melhor.
Tudo isto quanto atrás ficou dito me tem valido imensamente para entender que entre os espíritos de pessoas mortas e os de pessoas vivas, não obstante as diferenças que os põem em planos e condições diferentes, subsistem laços, meios de comunicação ou entendimento que são indispensáveis para uma colaboração cada vez mais intensiva, exigida pelo destino comum de ambos.
Parte minúscula, infinitesimal da grande multidão que habita o universo, cada qual depende dos outros para a sua evolução e deve aos outros a sua colaboração. Essa lei que impera nos aglomerados sociais da nossa humanidade é também dominadora no destino dos espíritos. Isso me parece razoável, porque de tal lei depende a formação das melhores virtudes, tais como o amor, a caridade, a solidariedade, o espírito de sacrifício, humildade, paciência, lealdade, honestidade etc.
Por isso, ela devia ser melhor compreendida e ainda melhor executada entre os homens.
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Capítulo XIV
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Em várias passagens do que atrás tenho escrito, pode o leitor concluir que, numa experiência semelhante à que me ocorre, há sempre alguém do outro mundo que me acompanha.
De fato, sempre me senti acompanhado nessas saídas. O curioso é que o acompanhante variou com os planos que percorri, e isso eu depreendo porque até a forma de tratar-me se modificou. Como já disse, algumas vezes percebi que meu próprio pai, depois de falecido, me acompanhava. Não o via, porém ouvia sua voz, podia abraçá-lo e apertava-lhe a mão muito minha conhecida. Levou-me ele para lindos passeios, ou a excursões muito instrutivas. Somente uma vez eu o vi entrar em meu quarto, acompanhado por um espírito desconhecido. Achava-me então muito doente e ele veio dar-me conselhos. A minha surpresa e o meu contentamento foram tão grandes que pouco guardei do que ele me disse. Porém a sua voz, a sua figura, tudo nele pude ver como se estivesse vivo. Foi essa a única vez que o vi depois de morto .
Em outras ocasiões, vi-me acompanhado por vultos desconhecidos. Noutras vezes, ouvia apenas vozes, ou estas se faziam ouvir quando, por qualquer circunstância, minha curiosidade pedia alguma explicação. Não raro, percebia o meu acompanhante porque a sua luz se projetava por detrás de mim sobre o solo, vendo eu então a minha sombra sobre a claridade emitida pelo meu companheiro.
Todavia, quando comecei a percorrer regiões inferiores, vi-me acompanhado por vultos escuros ou por animais, especialmente o cão, os quais me defendiam quando alguma sombra inimiga tentava agredir-me. Esses vultos escuros, não obstante amigos, troçavam de mim e não raro me molestavam por brincadeira, o que me aborrecia. Mas, indisfarçavelmente, todos nós, além dos amigos afetuosos conhecidos, devemos ter espíritos protetores adiantados que nos assistem e se não nos acompanham assiduamente, freqüentemente olham por nós.
Inúmeras vezes vi distante, como se fosse uma estrela fulgente, ou formosa lua cheia, alguém que procurava acompanhar-me nos passeios, olhando-me de longe. Sabia eu que era alguém interessado em ver-me, em assistir-me, em examinar o meu estado, mas que não se revelava. No entanto, certa vez em que me sentia triste e desejoso de alçar-me a planos melhores, andando por um lugar sombrio, que me parecia uma estrada fechada por arbustos em noite escura, senti, de repente, que se erguia ao meu redor e por cima de mim, uma espécie de parede, que depressa se fechou como um túmulo, dentro do qual me vi agachado. Não tive, porém, medo, porque um sentimento de conforto me invadiu, ao mesmo tempo que uma luz radiosa penetrou pelas frinchas das lápides que cobriam aquela espécie de túmulo em que me achava.
Veio-me, em seguida, a intuição de que devia estender a mão pelo meio daquelas frinchas. Tentei fazê-lo e vi que elas se dilatavam à medida que minha mão avançava. Assaltou-me então a idéia de que papai é quem teria corrido para me consolar e imaginei logo que iria ter na minha mão a sua mão grande, rugosa e tão minha conhecida. Todavia, uma surpresa me aguardava, porque, ao invés da mão de meu pai, senti a mão suave, pequena e frágil de uma moça. Ao apertar aquela mão, um estranho sentimento me invadiu. Parecia-me que uma grande amizade, muito antiga, de há muitos séculos atrás, ali continuava empenhada em auxiliar-me, interessada no meu destino. Foi rápido aquilo. Logo aquela mão gentil se retirou acompanhada da luz que a antecedera. O sarcófago que me prendia se desfez e vi-me no mesmo lugar sombrio atrás descrito. Desejei acordar e, ao fazê-lo, assaltou-me uma grande nostalgia, uma saudade estranha, que me acompanhou vários dias.
Parece, porém, que, por melhores que sejam as nossas amizades no outro mundo, elas não podem valer senão como estímulo. O trabalho que nos cabe, nós mesmos é que precisamos resolvê-lo. O exemplo supra ilustra essa conclusão e, melhor que esse exemplo, outro ainda posso citar.
Certa noite, fui deitar-me profundamente preocupado com uma situação de minha vida que havia vários dias me atormentava sem que eu soubesse como resolvê-la. Fazendo as minhas orações, pedi que os meus amigos, os meus guias do outro mundo me apontassem, de qualquer forma, a solução, que eu a executaria, fosse ela qual fosse. De madrugada, depois de acordado, senti-me, em dado momento, como se estivesse para exteriorizar-me. Percebi, porém, que alguém se achava ao meu lado, na cabeceira de minha cama. Ocorreu-me que esse alguém seria papai e não me contive que não perguntasse:
- Papai?
- Sim, respondeu-me a sua voz muito minha conhecida.
- Papai, o senhor veio para ajudar-me?
Nenhuma voz me respondeu e eu, então, insisti:
- Papai, o senhor sabe qual é o meu problema, que é difícil para eu resolver. Não sei como agir. Se seguir as minhas convicções, farei F. sofrer e eu, a meu ver, não tenho esse direito. Por outro lado, se deixar de atender às minhas convicções, tenho a impressão de que terei errado. Como devo proceder?
Foi com nitidez que ouvi a sua resposta:
- Não posso, meu filho, indicar-lhe o caminho. Você mesmo tem que procurá-lo. É contingência da vida; o próprio sofrimento que resultar do erro que você vier a cometer lhe será benéfico, pois, com a experiência que adquirir, passará a evitar encruzilhadas difíceis no futuro.
Compreendi, nitidamente, que papai não poderia inculcar-me a melhor solução. Eu enfrentava um problema que a minha imprevidência, a minha inexperiência criara. Precisava agora resolvê-lo eu mesmo, enfrentar-lhe as conseqüências, para que, no futuro, soubesse como me conduzir entre os muitos ensejos semelhantes que a vida apresenta.
Assim, parece manifesto que são sempre limitadas as condições de influência dos espíritos sobre os vivos. Essa influência é apenas corroborante e se exerce dentro do plano ou do nível das condições de vida moral, ou de elevação da pessoa viva. Assim, se esta, pela ordem de suas idéias, de suas convicções, de sem objetivos e anseios se nobilita, recebe influências benéficas e úteis, e se, ao contrário, se rebaixa, as influências decaem em merecimento e podem tornar-se perniciosas. Todavia, em qualquer condição, o vivo pode ficar livre dessas influências pela reação de sua vontade contra o ambiente, através do qual se exerce a influência dos espíritos que o rodeiam.
Ao vivo, cumpre, pois, nutrir coragem e energia para reagir contra suas más disposições, adquirindo independência de ação e, em seguida, aproveitar essa independência para decididamente procurar, através da modificação de seus hábitos, de seus pensamentos normais, melhor ambiente para si, a fim de se tornar acessível às boas influências.
(Textos extraídos do livro "No Limiar do Mistério da Sobrevivência – Experiências com o Eu Astral" – Hamilton Prado – 1968.)
Postado pelo site do IPPB – www.ippb.org.br
- Nota do texto:
1. Depois da data em que redigi este trecho, tive outras visões de meu pai, como se verá adiante.
- Nota original de Wagner Borges:
Temos no IPPB alguns exemplares do excelente livro "No Limiar do Mistério da Sobrevivência - Experiências com o Eu Astral", do projetor brasileiro Hamilton Prado (1905-1972). Esse livro está esgotado há muitos anos, e é obra de referência dentro dos estudos das projeções da consciência para fora do corpo físico.
Os exemplares disponíveis estavam guardados com João Prado, sobrinho do Hamilton. Entrei em contato com ele e peguei os 100 livros para repassá-los aos diversos estudantes do grupo de estudo e assistência espiritual do IPPB e aos alunos da 4a fase do curso de projeção da consciência.
Como alguns desses exemplares ficaram, e por tratar-se de obra séria dentro do estudo projetivo, estou informando em aberto para todos.
O livro custa R$ 20,00 - O valor integral da venda dos 100 livros estará sendo repassado para o João Prado tocar a obra de um centro espiritualista em construção na baixada santista - e poderá ser adquirido no IPPB ou por telefone: (11) 6163-5381 e 6915-7351 (no horário comercial).
Obs. Pedi autorização do João Prado para colocar um capítulo importante do livro em nosso site, numa nova seção que estamos abrindo com textos projetivos extraídos de livros importantes (avisaremos oportunamente sobre isso). Porém, enquanto escolhia os textos para esse envio, resolvi postar em aberto o relato projetivo do Hamilton Prado. É extenso, mas vale a pena, principalmente se for levado em consideração de que é material raro.
Portanto, selecionei os dois primeiros capítulos do livro e estou enviando-os na íntegra como um envio especial de texto. Trata-se de um verdadeiro presente para os interessados nas projeções da consciência para fora do corpo físico, principalmente para aqueles que experimentam sintomas projetivos com freqüência (paralisia, estados vibracionais, ballonemant, e outros)
Paz e Luz.
Texto <555><28/09/2004>