497 - A LUZ

(Conto)

Seu corpo tremia e chacoalhava cada vez mais, como um velho trem em movimento que estivesse perdendo todos seus parafusos, um a um. Mesmo sabendo o que era aquilo, mesmo cansado de saber o que estava para acontecer, ele sentia uma pontinha de medo. Sim, sabia que não havia o que temer, mas nunca conseguia se dominar direito naquela hora. Só depois.
Ah, depois... Depois que saia do corpo físico era tudo uma beleza... Uma enorme euforia tomava conta dele, seu corpo astral ganhava impulso e num instante partia, numa velocidade impossível, para lugares e aventuras inenarráveis...
Ah, quantos lugares conhecera... Gente bonita, amável, daquelas que pareciam realmente se importar com as coisas... Até ajuda a espíritos mais elevados ele prestara, uma vez ou outra, em assuntos que já esquecera, mas que deviam ser de grande importância para o equilíbrio universal, disto ele tinha quase certeza...

Mas agora seus corpos lutavam - o de luz tentando se desvencilhar, o de carne, ancorado na cama, fazendo de tudo para impedir o outro de sair. Ele, quer dizer, seu eu pensante, sua consciência, seu sei lá o que, já não sabia dizer onde estava... Em que lugar? Em que corpo?
Não, não sabia dizer. Num ponto flutuante, talvez, entre o espírito e a matéria, ou bem além disso tudo... Sim, havia as vibrações, mas não as sentia mais, apenas percebia as fortes reverberações que vinham delas. Aliás, sentir, não sentia mais nada... Era bom não sentir mais nada... Cama, dores, mundo... Isso... Deixar-se ir... Deixar que os últimos trancos do processo expulsassem sua alma para longe do corpo físico... Aí se veria em seu corpo de luz, seu lindo corpo de luz, e partiria voando, voando como um pássaro de prata, e era só isso que queria, agora...

* * *

Com a lanterna acesa, o policial vasculhava o abrigo de indigentes, alumiando a cara de cada homem e mulher ali deitados, à procura de um tal de Faísca.
Incomodados, os mendigos reclamavam, gemiam, mas o homem não interrompia a busca, às vezes saltando por cima de corpos já revistados ou chapinhando pequenos riachos de urina, para alcançar um outro leito ou esteira.
Houve um ruído seco, uma mulher gritou, por causa de algum pisão ou de um pesadelo.
O policial praguejou, afastando o foco da lanterna da boca desdentada e babujenta de outro homem, mais um que não era o Faísca. A fraca lâmpada do galpão, que já não iluminava quase nada - um halo irrisório, apenas, só delineando vultos amontoados aqui e ali - estalou debilmente e apagou. O homem, passeando o feixe da lanterna, meio ao acaso, escolheu uma direção qualquer e dirigiu-se para lá.

* * *

Era de pura prata o riacho que cortava aquela grama verde, da mais
verde que ele já havia visto. Crianças de faces afogueadas corriam e brincavam por ali, rindo e gritando alegremente. Mais além, pessoas vestindo leves túnicas de cores claras passeavam e conversavam, algumas de mãos dadas.
Foi se aproximando, devagar, dominado por um forte sentimento de pertencer, de fazer parte daquilo, e era como uma nostalgia às avessas, uma coisa difícil de explicar, como aquilo que a gente sente quando volta pra casa, depois de passar muito tempo fora. É, finalmente estava voltando para casa...
As pessoas sorriam para ele, algumas até erguiam os braços, surpresas
e alegres com seu retorno. Ele sorria e acenava, desajeitado, e fazia força para não chorar.
Um homem idoso, que ele sabia conhecer, veio se aproximando, sorridente, e era um líder, pois em seu peito, sob a longa barba branca, refulgia uma bela pedra preciosa - um diamante mágico, quem sabe, que parecia brilhar cada vez mais, emitindo uma luz muito clara, muito forte, uma luz forte demais...

* * *

Abriu os olhos e não viu nada, por causa da luz. Quer dizer, ver ele viu, mas só aquela luz toda e mais nada. E ouviu a praga de alguém que o segurava por um ombro, com brutalidade, e depois o largava, sozinho e de olhos abertos no escuro, porque ele não era o Faísca.

- Bene -
São Paulo, 11 de fevereiro de 2004.

Bene é o apelido carinhoso do nosso amigo Benedicto Cohen. Ele é um dos moderadores da lista Voadores na Internet (www.voadores.com.br). É tradutor de livros e pesquisa há muitos anos as projeções da consciência, o Xamanismo e os temas espirituais de forma universalista. Para maiores detalhes sobre o seu trabalho, ver sua coluna na revista on line de nosso site (www.ippb.org.br).

Texto <497><26/02/2004>

497 - BUDA

"Os olhos espirituais do Sr. Buda estão interpenetrados nos olhos espirituais das pessoas valorosas."

"Nas vastas dimensões espirituais da consciência do Sr. Buda, só há uma vibração se manifestando: a VIBRAÇÃO DA COMPAIXÃO!

"No coração de cada ser vivo habita um pequeno Buda em desenvolvimento."

"O Amor do Sr. Buda é tão sutil que só raríssimas pessoas o percebem."

"Há várias equipes extrafísicas ligadas às vibrações sutis da compaixão de todos os Budas. Essas equipes trabalham nos bastidores dos corações que trabalham pela ventura da Paz Imperecível."

"Não é ilusão; os olhos do Sr. Buda estão aqui. Abra os seus e veja a compaixão a olhá-lo!"

"Toda criatura que deixa de ser um anão espiritual dominado pelo ego e se transforma em um gigante de AMOR, é um Buda manifestado no plano fenomênico da existência!"

"A jornada pelo infinito começa com o primeiro passo na trilha da compaixão."

- Um Grupo de Espíritos Budistas -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 1998 – Texto extraído do livro "Viagem Espiritual III" – Ed. Universalista.)

As pessoas adoram rotular os outros de acordo com suas próprias convicções espirituais. Se alguém escreve algo sobre projeção, é logo rotulado como projetor ou projeciólogo. Se recebe um texto espiritual, é rotulado como espírita. Se fala de Jesus, é chamado de cristão. Se fala de Buda, é budista. Se faz um poema sobre Krishna, é hinduísta. Se escreve sobre Hermetismo, é tachado de esotérico. Se diz que viu um preto velho, deve ser de Umbanda. Se fala de preceitos iogues, é considerado discípulo de algum caminho espiritual oriental. Se admira Lao-Tzé, é rotulado como taoísta. E, daí por diante, outros rótulos, rótulos, rótulos... que, na verdade, não definem coisa alguma. Só servem para limitar a expressão do outro e condicioná-lo a um sistema doutrinário qualquer. Que dia radiante será aquele em que chamarmos o outro apenas de irmão, sem considerar raça, sexo, religião ou cultura. Nesse dia, Jesus, Buda, Krishna, Lao-Tzé e todos os amigos sutis da humanidade surgirão de mãos dadas diante de nós, saudando-nos na atmosfera da paz imperecível e dizendo-nos que o Pai Divino é um só e interpenetra a todos com o mesmo amor.

Texto <497><26/02/2004>

496 - GRANDE ESPÍRITO, O SUPREMO HIEROFANTE

Em todas as coisas, seja homem,
Ou estrela, há uma LUZ.
Sem nome e sem forma, brilha em tudo.

Eterno esplendor dos esplendores,
Do pequeno ao grande, da centelha ao Todo,
É o AMOR que permeia a tudo.

Esse GRANDE ESPÍRITO, Criador do Céu e da Terra,
Que viaja dentro dos corações,
E que inspira o sopro vital nos seres.

Esse SER INFINITO, pura vastidão consciencial,
Que é o moto contínuo de cada espírito,
E que é a respiração de tudo o que respira.

Esse GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO,
Pai-Mãe de todos, terrestres e extraterrestres,
Filhos de Sua canção vital reverberando no infinito.

Esse BRAHMAN, que está aqui,
Invisível no visível, Paz além do entendimento,
Como ensinavam os antigos sábios hindus.

Esse Supremo TAO, que do vazio primordial
Engendrou a Vida e seus mistérios,
E que faz a canção do Chi (1) acontecer.

Esse PAI CELESTIAL amoroso,
Tão amado por Jesus, tão incompreendido pelos homens,
Que faz a Magia da Vida acontecer.

Esse PODER INCOMENSURÁVEL, Mãe Divina
Da chama eterna acesa nos templos vivos dos corações
Que viajam na ousadia de sentir o fogo estelar em si mesmos.

Essa PRESENÇA que está aqui!
Nos recônditos secretos dos corações
Fazendo a grande magia acontecer:
A florescência do Amor Que Gera a Vida.

Esse Amor Que Ama Sem Nome,
Além do entendimento dos homens,
Que é cantado pelos anjos, pelos pássaros,
Pelos xamãs, pelos sábios e pelos avatares (2) espirituais.

Essa LUZ tão amada pelos iniciados,
Tão proclamada pelos hierofantes (3) nos templos
Herméticos, na corrente dos ensinamentos estelares.

Esse ABSOLUTO tão sutil,
Do qual os rishis (4) falavam com o coração
Emocionado igual criança diante da PRESENÇA.

Esse mesmo PODER INCOGNOSCÍVEL,
Criador, Preservador e Transformador da Vida,
Do qual os irmãos do espaço também falam,
Naturalmente é a essência simples de tudo.

Complicado é só o entendimento dos homens,
Pois o TODO que está em tudo
É o Hierofante Supremo de todos os corações.

Ele é o motivo do iniciado entrar na senda espiritual.
É a sua luz, o seu amor, e a sua paz.

O iogue O respira em cada coisa, o prana (5) viaja no ar...
O rishi O ama, o coração sabe...
O xamã canta sobre a Sua Glória, a natureza o ensinou...
O médium sabe que Ele é o Mentor Eterno, os espíritos o ensinaram...
O poeta O sente em cada ser, as flores o ensinaram...
O golfinho brinca com Ele, as ondas o ensinaram...
As crianças riem com Ele, os anjos as ensinaram durante o sono...
O projetor consciente viaja com Ele, os amparadores o ensinaram...
O hindu canta o mantra OM por Ele, Krishna o ensinou no Dharma...(6)
Sidarta Gautama O encontrou em si mesmo, e tornou-se o Buda.
Maomé O trouxe ao povo pela fé, o anjo lhe mostrou...
As sacerdotisas O encontraram na natureza, Gaia lhes ensinou...
Lao-Tzé O percebeu em tudo, o Chi ensinou-lhe...
Hermes Trismegisto O chamava de Grande Luz, as estrelas lhe ensinaram...
Os celtas falavam de Sua Presença, os espíritos das brumas lhes contaram...
Os pretos-velhos bondosos sempre falam Dele, Yemanjá os ensinou...
Ramakrishna chorava, sorria e cantava por Ele, a Deusa Kali O revelou...
Sarada Devi cantava Seu Nome, a Deusa Párvati lhe ensinou o canto da Mãe...
E quando Jesus falava Dele, os seus olhos brilhavam muito... Ele o via em tudo e em todos.
Tudo É Ele! Tudo É Ele! Tudo É Ele!

PS: Hoje, em meio à agitação do mundo moderno e vivendo em meio à dor dos homens tristes, também falo Dele com admiração. Não tenho a sabedoria dos mestres nem sei tocar as consciências como eles, só sei que o meu coração me ensinou que falar do Grande Espírito de maneira universalista sempre melhora as energias e faz pensar em algo além do próprio ego.

(Esses escritos são dedicados ao Pai Joaquim, a Ramatís e aos amparadores do grupo dos Iniciados, que apesar das minhas deficiências evidentes, mesmo assim me apóiam incondicionalmente no cumprimento do Dharma (6) justo nos caminhos da espiritualidade.)


Paz e Luz.

- Wagner Borges -
São Paulo, 11 de fevereiro de 2004.

1. Chi (do Chinês): Força Vital; Energia.
2. Avatares (do Sânscrito): Emissários Divinos; Canais Despertos da Divindade.
3. Hierofantes: Dentro das tradições herméticas, é o mestre iniciador que submete o neófito (calouro) as provas iniciáticas necessárias ao seu aprimoramento espiritual.
4. Rishis (do Sânscrito): Sábios espirituais.
5. Prana (do Sânscrito): Sopro Vital; Energia.
6. Dharma (do Sânscrito): Dever, Missão, Trabalho, Mérito, Benção, Programação Existencial.

Texto <496><20/02/2004>

496 - RIR É O MELHOR REMÉDIO

VIDAS PASSADAS:

* Você se lembra de morar no Himalaia, na sua vida de iogue, e de tão doido que era o êxtase, você chamava de casa uma caverna que era fria no inverno, quente no verão e não tinha o menor conforto?

* Você já lembrou da sua iniciação no Egito, com dança do ventre, quando lhe vestiam, faziam você requebrar e cobriam somente o seu rosto porque, afinal, ele nem fazia diferença?

* Lembra quando você foi a mulher mais amada e feliz que todo homem desejava ter, e tinha, independente de você querer ou não?

* Lembra quando você não namorava, não transava, vivia só e cantava o dia inteiro músicas sacras (até quando trabalhava) e nos intervalos você se auto-flagelava para conversar com aquele Deus (que ninguém nunca viu), dizendo: “Eu sou feliz porque me pedes esse sacrifício, Pai!”?

* Lembra de quantos templos, sinagogas, mesquitas, igrejas, mestres e gurus você seguiu sem saber para onde nem o porquê, mas achava aqueles homens simpáticos, a igreja bonita e todo mundo fazia o que dizia e queria?

* Já lembrou de todos os tesouros que você caçou, roubou, herdou e teve, sempre se sentindo pobre ou achando que nunca era o bastante?

* E agora? Você já se lembrou o suficiente para conseguir se superar hoje ou é preciso desfilar o rosário inteiro?

Vamos lá! Tem muito trabalho para se fazer e o tempo é precioso.

Por isso, toda vez que se sentir por baixo, qualquer que seja a situação, lembre-se de todo o percurso que você fez para chegar até aqui, e ria! Ria muito.

Rir é o melhor remédio. Somente com boas gargalhadas você vai dizer a si mesmo: “se eu já agüentei e já fiz de tudo, não existe nada hoje que eu não possa suportar ou fazer. Evolução, estou dentro!”

Aí, vai ser a vez dos amparadores extrafísicos lhe darem as mãos e seguirem com você, lado a lado. São mãos invisíveis, é verdade. Mas você vai sentir a paz, a confiança e principalmente o amor deles envolvendo você, onde quer que você vá!


Paz e Luz!

- Mônica Allan -
São Paulo, 10 de junho de 1999.

(Este texto é dedicado a todas aquelas reclamações diárias que usamos para não crescer.)

Monica Allan é participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB. É a coordenadora da Oficina do Riso. Para maiores detalhes sobre o seu trabalho, ver a sua coluna na revista on line de nosso site: www.ippb.org.br

Texto <496><20/02/2004>

495 - ESCRITOS ANANDA

Estamos todos trabalhando a favor da Luz.

Vivemos e agimos no mesmo coração do Eterno.

O ontem, o hoje e o amanhã se fundem no mesmo momento dentro do coração.

A consciência, criança-flor da luz de Deus, viaja nas vibrações da experiência. Evolução e conquista da natureza interior são suas metas.

Ninguém nunca perdeu nada, pois tudo pertence ao Senhor!

Um simples coração que ama o mundo e pulsa na sintonia do eterno amor, brilha mais do que a soma de todos os livros sagrados do mundo.

Escolhemos nossos caminhos e sofremos a natural repercussão de nossas escolhas.

Por isso, é fundamental termos discernimento em nossas escolhas e caminhos.

E que o amor ilumine nossas decisões!

- Lindananda** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 18 de maio de 1999.)

* Ananda (do sânscrito): Bem-aventurança.
** Lindananda: pseudônimo do professor Arlindo Corrêa da Silva (1910-1993), fundador da Missão Ramakrishna de Belo Horizonte e amoroso amigo extrafísico.
Enquanto passava a limpo esses escritos, lembrei-me de um outro texto passado espiritualmente por Lindananda, e já postado no site há alguns anos. Reproduzo-o na seqüência:
continua

Texto <495><16/02/2004>