481 - VIAJANDO NO OLHAR DE UM SER DE LUZ II

Ele surgiu em meio ao azul do céu do coração.
Era um Ser de Luz, irmão dos homens, amparador de todos.
Nada disse, apenas me olhou no centro de meu espírito.
Em seu olhar silencioso Ele verteu o Amor incondicional,
E eu fui possuído por uma onda de magnanimidade.
De Espírito a espírito, Ele ordenou-me algo.
Então, o meu coração "escutou", se encantou e me ordenou escrever.
Daí, sentei-me em frente ao computador, e deixei o coração pilotar as teclas.
Sem regras e sem vergonha, somente com Amor, ele teclou o recado Dele:

481 - LIANA E FELIPE

Querido anjo,
Acaba de chegar nos nossos jardins um lindo casal de adolescentes: Liana e Felipe. Eles vieram de longe apenas para acampar por aqui e expressar aquilo que sentem, um pelo outro. É tão lindo ver um casal assim tão jovem e tão entregue às melhores sensações naturais. Quem não viveu algum dia isso? A descoberta, a inocência.

Todavia, eles vieram de uma experiência traumática lá embaixo, em meio à floresta sombria. As inconsciências apagadas e suas iniqüidades varreram as fagulhas de amor da mata. Uma violência atroz e gratuita que pasma até aos corações mais compassivos.
Anjo querido, receba o casal com toda dedicação e carinho. Deixe-os à vontade e seguros. Aqui eles podem sentir, finalmente! O mundo lá embaixo quase não apresenta mais o mote da expressão do amor - não há mais quase lugar para manifestações tão naturais. As pessoas não “adolescem” e não têm mais direito aos atos de irresponsabilidade sadia, tão comuns nesta idade. Qualquer vacilo é muito perigoso. Lá, a poesia de um primeiro encontro, o lirismo de um primeiro beijo e a tensão de um primeiro sexo já estão semi-extintos.
Ofereça a eles os nossos mais sinceros votos de felicidade! Agora sim eles estão num lugar de aconchego onde a paz e o amor acolhe a todos. Aqui eles podem passear em meio aos jardins mais floridos e parar para um beijo sem olhar para os lados. Podem ficar juntos sem mentir ou mascarar qualquer situação. Aqui a verdade impera e não fere ninguém. Agora mesmo, neste momento, eles estão nos braços de uma dimensão muito feliz e harmoniosa. O medo ficou para trás, muito distante da barraca. Deus reservou um lugar bem tranqüilo, perto das nossas árvores mais frondosas, onde bate um confortável raio de sol!

- Mauricio Santini -
São Paulo, 13 de novembro de 2003.

1. Peço permissão ao Mauricio para acrescentar aqui uma informação.
A tragédia que vitimou os jovens Felipe e Liana chocou a sociedade de forma contundente. Obviamente que um fato dessa natureza causa grande comoção emocional e muitas pessoas passam a navegar nas ondas coletivas dos desejos de vingança ou de mais violência. E é aí que mora o perigo.
Ao entrar na onda coletiva disso, verdadeiro vagalhão emocional e energético, muitas pessoas sintonizam o seu pior lado, e aí passam a comungar na mesma sintonia daquela violência que viaja pelo ar de forma invisível. Isso é uma espécie de contaminação vibracional ou psíquica ao qual muitos estão entrando. Por isso, faço aqui um alerta às pessoas que estudam temas espirituais, para que se cuidem e não entrem nesses climas pesados ventilados coletivamente. E, pelo contrário, ofereçam o seu melhor a favor dos dois jovens e vibrem preces e energias em sua intenção, e também na intenção de todos os outros que passam pelo mesmo problema.
Com isso isto eu não estou dizendo que às pessoas devam se alienar emocionalmente diante de fatos dessa natureza. Estou apenas considerando de que quem estuda temas espirituais se baseia em parâmetros alternativos que possibilitam olhar as coisas de uma maneira mais eclética e coerente.
Em lugar da revolta mal direcionada, que tal colocar em prática tudo aquilo que se estuda nessa área a favor do bem dos dois jovens e de quem mais precisar? Que tal um pouco de LUZ projetada com carinho na intenção desses dois irmãos nossos que foram morar em outros planos?
Fiz isso por algumas vezes, e senti uma onda de Amor muito grande em ressonância com o que eu estava fazendo. Por experiência espiritual de muitos anos na mediunidade e na assistência extrafísica, posso dizer com toda certeza de que esses dois jovens foram acolhidos com muito carinho pela Espiritualidade Maior. Foram embalados num Amor que transcende as emoções transitórias aqui da Terra. Estão nas mãos espirituais de quem de direito! Nada vi, mas senti esse Amor para eles.
E o Mauricio captou bem a essência disso em seu texto inspirado.
Não tenho como provar isso para ninguém, pois só o Amor é que poderá dizer alguma coisa no silêncio dos corações que não se deixam levar pelas vagas emocionais da Terra, e que se erguem nas asas da prece silenciosa a favor de todos.
Esclareço, ainda, que sou pai de duas meninas (e o Mauricio é pai de um menino) e sequer posso aquilatar o sofrimento pelo qual os pais dos dois jovens estão passando. Porém, posso imaginar a dor de uma perda tão brutal. Por isso, além do Felipe e da Liana, que o Grande Arquiteto Do Universo também possa abençoar esses pais e curar suas dores.

"O espírito jamais morre, apenas entra e sai dos corpos perecíveis. É eterno!"
- Krishna -

Texto <481><21/11/2003>

480 - COM KRISHNA, NA ESTRADA DO AMOR

(Texto postado originalmente na lista do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB)

Ele estava no ônibus velho e lotado de pessoas que, assim como ele, voltavam do trabalho. Sentia uma certa náusea, pois o ar estava quase rarefeito e o suor das pessoas o incomodava muito. O veículo estava tão lotado e, no mínimo, estava comportando o dobro de sua capacidade. Às pessoas, literalmente, brigavam por alguns centímetros de espaço, a fim de não caírem quando o ônibus fizesse algum movimento mais brusco. Jovens sentados ignoravam as pessoas mais idosas e não se ofereciam para dar o lugar. Outros passageiros fingiam estar dormindo a fim de não segurar bolsas e outros objetos das pessoas que estavam em pé, à sua frente. Velhos, crianças, mulheres, homens: todos estavam ali, desanimados e derrotados. Suas faces não negavam a tristeza que rodeava seus corações. Até quando essa vida, meu Deus? Esse era o pensamento que percorria suas almas.
Essa era a rotina diária que João Maya presenciava todo dia. Não via a hora de chegar em casa e pensar e tentar ver o menino Krishna. Que sufoco, todo dia essa mesma lata de sardinha! Mesmo tendo um emprego melhor do que a maioria daquelas pessoas ali no ônibus, não tinha condições ainda de comprar um carro. Por enquanto teria que "viver com essas pessoas", duas vezes por dia: na ida e na vinda do trabalho. Fazer o quê???

Pensou no prana (energia) que ele, como praticante de Yoga, sabia manipular e sentiu dó daquelas pessoas que mal sabiam respirar corretamente. Elas sabiam lá cantar o mantra Hare Krishna? Elas sabiam fazer as posturas psicofísicas que ele sabia? Elas já tinham tido a iniciação de um Mestre de linhagem indiana? E leve zombeteiro sorriso quase explodiu de sua boca...
No meio desse turbilhão de pensamentos, viu um menininho de cara muito alegre, olhos lindos que pareciam dois sóis recém-criados. Sua pele era branquinha, mas se ele, João Maya, não fosse desconfiado de muitas coisas que os olhos físicos duvidam, juraria que sua pele era bem azulzinha... Sendo desperto pela voz do menino, saiu de seu mundo de reflexões. O menino, todo sujo e com as roupinhas rasgadas, chegou perto e disse:
- Moço, o senhor poderia comprar esse pacote de balas de mim? Eu preciso ajudar muito minha família e uma certa pessoa...

Quando se preparava para dar um sonoro não - pois odiava moleques que vendiam coisas nas ruas e ônibus, achava aquilo tudo muito errado! - sentiu um barulho enorme e seu único olhar foi de ponta-cabeça: o ônibus havia atropelado alguém e havia capotado. Sentiu uma forte pancada na cabeça e no coração. Rogou ajuda de seus mestres que ainda estavam vivos e nada. Uma forte decepção tomou conta de seu coração. Pela primeira vez na vida, percebeu que aqueles homens vestidos de roupas indianas eram apenas homens... Pessoas comuns, como ele. E que seus nomes não eram mantras de salvação coisa nenhuma! No maior dos desesperos, pensou no Mestre de Olhos de Lótus, e uma prece saiu de seu coração: “Menino Krishna, por favor, me ajude, por favor..." E perdeu, de vez, os sentidos.
Saindo, lenta e pesadamente de seu corpo carnal, João Maya atravessou os limites do mundo físico e deparou-se no mundo astral, o mundo dos espíritos, o Mundo da Verdade. Sentiu que uma música extremamente amorosa o puxava para longe. Muitas pessoas também eram atraídas por essa música celestial. Era tão doce essa música que tinha certeza que o nome de seu Amado Krishna estava ali. O engraçado era que via que todos cantavam com consciência essa música, de crianças até velhos, pessoas de várias classes sociais e de todas idades e de ambos os sexos. E quanto mais cantavam mais rápido eram transportadas para um lugar que ele sabia ser muito bom. O engraçado era que as pessoas cantavam com o coração. Tentou fazer o mesmo, porém parecia que o nome de Krishna emperrava dentro de seu peito, ao passo que todos ali cantavam suavemente o nome do Menino Celestial. Ainda se sentia pesado e lento. Teve a impressão de que alguém o ajudava a locomover-se, pois se dependesse de suas próprias forças não acompanharia aquela multidão. Tudo que sabia era que deveria acompanhar aquelas pessoas. E assim, com essa ajuda estranha a sua percepção, juntou-se à multidão astral.
Chegaram todos a uma estrada. Ele foi o último. Todos estavam fazendo aquela reverência com as mãos, cada pessoa fazia um pujá e unia as duas mãos em frente do peito e cantavam celestialmente o nome de Krishna. O mais estranho era que a estrada era feia, barrenta e cheia de buracos. João Maya não entendia aquelas pessoas... Por que faziam aqueles gestos e cantavam o nome de Krishna, num lugar feio, numa estrada horrível... Nessa estrada só havia uma porteira e em volta dela, muitos arames farpados, que impediam a entrada sabe-se lá para onde. Era um bando de loucos, pensou.
De repente, todas as pessoas começaram a abrir a porteira e, uma a uma, organizadamente, começaram a entrar e caminhar a um destino que seus olhos não conseguiam alcançar. Ele não conseguia se mexer e caiu no chão chorando. Lágrimas grossas de orgulho ferido saíam de seus olhos. Pela primeira vez na vida entendeu que não era um super-herói da espiritualidade. Soluçando como uma criancinha perdida dos pais, deixou sua cabeça cair na terra e amaldiçoou sua existência. Por que tanto orgulho? Por que tanto sentimento de superioridade? De que tudo isso adiantava para ele agora? Perdendo toda a noção de tempo, chorou, chorou e chorou. Quando estava chegando a ponto da loucura máxima, aquele momento em que pensou que iria se desintegrar no universo da dor, ouviu passos leves e suaves como o vento da primavera. Um forte cheiro de rosas e flores, de todos os tipos e tamanhos, cores e essências, invadiu o ambiente. Um avassalador som de flauta que fazia até o chão dançar tomou conta de todo o seu ser. Duas mãos suaves e poderosas, bem azulzinhas, levantaram-no.
Quando conseguiu entender o que se passava, entendeu que era o Menino Krishna que estava ali, pessoalmente! A emoção foi tão forte que só a palavra AMOR poderia ser proferida de seus lábios. Estava totalmente paralisado. E o Senhor dos Olhos de Lótus continuava a tocar a sua flauta. Após um tempo em que João Maya sentiu que muita coisa ruim foi retirada de sua mente e coração, pode articular as primeiras palavras.

- Mestre, por que todas aquelas pessoas entraram por aquela porteira e eu, que há tanto tempo canto os seus nomes sagrados, não consegui? Por quê?
- Amado filhinho, não é só repetindo meu nome mecanicamente que se alcança o Estado de Bem-Aventurança. Essa é a Estrada do Amor e para caminhar por ela, só tendo conhecimento para abrir a porteira que permite o começo da caminhada Nela.
- Mas eu li os Livros Sagrados da Índia... E acho que eles não...
- Amigo, não confunda a palavra entendida e a palavra sentida. A primeira, qualquer pessoa pode concretizar, pois ela é fruto da arte de ler e escrever. Já a segunda, é a arte de ler e escrever com o coração. Geralmente, são os mais humildes que entendem as palavras que vêm dos céus...
Mas Menino Celestial, eu pratico Mantra Yoga todas os dias: de manhã, na hora do almoço, pois deixo até de comer para cantar seus nomes, e à noite, depois que chego do trabalho. Acho que ninguém que conseguiu passar por essa porteira sabe sequer o seu nome...
- Meu querido filho do Eterno, você confunde os meios com os fins. Que importa se me chamam de Krishna, Jesus, Buda ou qualquer outro nome? Você acha que não vou ao socorro daqueles que clamam pelo Amor do Criador do Universo? Já parou para pensar que AMOR é meu nome? Que sou UNIVERSAL e me manifesto de acordo com as condições locais, tanto as espaciais quanto temporais? Além do mais, saiba que é melhor você estar de barriga cheia e dar um sorriso para alguém; pois é muito melhor fazer o bem para o próximo em vez de ficar, egoisticamente, cantando os meus nomes.
- Mas Menino Amor, eu ouço as pessoas com carinho...
- Será realmente assim, amigo de meu coração? Lendo suas atitudes, que estão bem gravadas em você próprio, vejo você sendo grosso com uma cigana. Você a chamou de suja... Através dela, iria avisar você daquele assalto do qual você foi vítima... Lembra-se? Através daquele seu vizinho chato, a quem você tem nojo, eu iria falar para você que tinha esquecido o gás ligado... Como você não o escutou, sua casa explodiu... Tem memória daquele diálogo de seu chefe chato, quando ele disse para você ficar até mais tarde no trabalho? Teria evitado aquela chuva que levou você até o hospital, com uma séria pneumonia... E por aí, vai, amigo de minha alma. Quer ouvir mais sobre seu comportamento?
Com a cabeça caída, os olhos marejados de arrependimento, João Maya diz:
- Como posso mudar? O que fazer para melhorar?
- A todos me manifesto. Como podem me ver, ouvir, tocar e cheirar. Mas me apresento no coração de todos, sem exceção. Aquelas pessoas que abriram a porteira e tiveram acesso à Estrada do Amor sabiam, pelo menos minimamente, o significado da palavra Amor. Ame a tudo e todos, sem exceção. Aí poderá sempre conversar comigo diretamente, sem atravessadores do ego. Vá, volte e cumpra sua missão. Eu dou a minha benção em seu coração.

Sentido uma multidão em volta de si, João Maya abre os olhos físicos e vê as pessoas chorando de emoção, por ele ter voltado à consciência. Não acreditava que pessoas que não conheciam pudessem cometer tal ato de amor. Uma senhora, desdentada e bem mal-tratada pela vida, aproximou-se de João e lhe disse que só ele tinha ficado inconsciente com o acidente. Que todos rezaram pela sua recuperação. Agradecendo e tentando levantar, João percebeu que uma mão estava a segurar a sua há muito tempo. Era a mão daquele menino vendedor de balas... O menino contou que havia segurado sua mão o tempo todo, que não havia ele, menino, sofrido nada. Mas que alguém, dentro de seu coração, pedia para que ele fosse o sustentáculo do homem que havia perdido a consciência por um tempo de sua vida e que agora começava a voltar para a realidade...
Com as lágrimas escorrendo de sua face, João Maya pergunta o nome do menino.
- Pedro. Mas meus amigos me chamam de Balarama*, senhor. É porque ganho a vida vendendo balas da marca Rama...
- Meu novo amiguinho, gostaria muito de agradecer você, por toda a sua dedicação. Gostaria de tomar um sorvete comigo?
Com os olhos brilhando de alegria, o novo amiguinho de João Maya dá um sonoro e alegre "Simmmm!!!”.
E os dois partem, de mão dadas, para uma simples sorveteria da rua próxima.


PS: Pessoal, senti uma forte presença de vários hindus, aqui em casa. O nome de Krishna ficou ecoando dentro de mim e escrevi esta história sem pensar em quase nada. Ela pertence a eles, apenas a escrevi por inspiração.
Coloquei para ouvir o CD “Krishna Bajans”, de Jagit Singh e Chitra Singh.
Que Krishna possa abençoar a todos nós! **


- Washington da Silva -
São Paulo, 21 de abril de 2003.

* Balarama (do sânscrito): Irmão de Krishna.

** "Nesse momento, Arjuna pôde ver na forma universal do Senhor as expansões ilimitadas do Universo situadas em um só lugar, embora tenham sofrido muitos e muitos milhares de divisões."
- Bhagavad Gita -

Texto <480><19/11/2003>

480 - ENQUANTO AINDA ESTOU LÚCIDA

Dá vontade de desistir, principalmente quando as pessoas começam a caminhar por cima de nós, como se não estivéssemos por lá.

Dá vontade de reclamar quando eles não vêem você, não escutam você e não compreendem que você continua a viver.

 

Mas ainda tenho ânimo de não me deixar abater e continuar.

Meus cabelos podem estar brancos, minha pele enrugando cada vez mais, mais ainda cuido de mim, mesmo sendo difícil manter a vaidade quando sua idade está estampada no rosto e as roupas já não combinam mais.

Hoje, tenho todo o tempo do mundo para saber como é se sentir idoso e, às vezes, dá vontade mesmo de colocar uma cara amarrada, sentar em frente à TV, ou mesmo desaparecer entre as linhas de crochê; mas enquanto eu estiver lúcida, ainda insisto em continuar.

Tenho 72 anos e ainda tenho consciência o suficiente para assumir a minha caminhada e que há ainda muito a aprender. Quando olho para trás, não me perco na nostalgia dos parques que nunca foram visitados e nas coisas que gostaria de ter feito. Não, meu amigo, eu ainda vou lá e faço. É obvio que já não tenho a mesma energia da moça que me dá lugar no ônibus, mas apesar de ser chamada de velha, ainda estou viva.

Na minha idade, nós começamos a desconfiar que a vida não acaba quando a "dona morte" vem nos visitar, mas ainda prefiro acreditar que nós só vivemos uma vez, assim aparece coragem para aquele curso, ao invés de deixar para a próxima vida a chance de aprender algo novo; aparece vontade para aquele passeio ou atividade da terceira idade, ao invés da novela na TV, e principalmente de manter aquele riso sem dente de leite, mas sincero, ao invés da cara amarrada de muita gente por aí.

Sim, nem tudo são flores; eu sou discriminada, atacada e atingida, mas por outro lado também sou respeitada, defendida e recebo carinho de todos à minha volta que reconhecem que aquela senhora continua fazendo parte de sua história.

Uma vez me perguntaram se eu gostaria de ter vinte anos novamente, mas por mais tentador que seja, reconheço que estou mais lúcida hoje do que quando eu era jovem e assumo todos os meses e dias que se transformaram em meus 72 anos nesse corpo, mas não me considero velha, nem velhoca, como muitos me chamam, apenas me considero viva.

Como a jovem que fui não serei mais, e a morta de amanhã ainda não chegou, continuo viva, viva, viva, e repito isso porque tem muita gente morta em vida.

Meus ossos estão fracos, mas até quando puder andar, vou seguir caminhando; minha vista está fraca, mas até quando puder ler, vou devorar mais um livro, escrever mais um conto e continuar olhando, aprendendo e observando as belezas do mundo, do qual ainda faço parte, e até o último sopro de ar em meus pulmões, faço questão de aproveitar a delicia que é apenas simplesmente respirar.

A cada dia que abro os olhos de manhã, reconheço que ganhei do Criador um pouquinho mais de vida, mais algumas horas extras para aproveitar e não deixar de fazer o que tenho vontade, mas se há uma lição que a vida me ensinou e que gostaria de compartilhar com vocês, é a de que cedo ou tarde, você também terá uma certa idade em que chamarão você de velho. Porém, se você ainda estiver lúcido para compreender, saberá que velho mesmo é quem, quer tenha 20 anos ou 80 anos, deixa a vida passar na mesmice do dia-a-dia por medo de tentar.

Velho é aquela pessoa que troca o riso pelo mau humor e deixa de ver que cada dia na terra é um presente de Deus para nós.

Velho mesmo é deixar escapar a oportunidade de brincar, ousar e experimentar plenamente o que nos faz humanos: a magia de escolher um caminho e vivenciar o universo que acabou de ser criado.


- Frank –
Londres, 08 de novembro de 2003

PS: Escrito por Frank, que tem apenas 29 anos de idade, mas que tem aprendido com muita gente com mais de 70 anos de que a vida não para na casa dos "tentas".
Esses escritos acima foram baseados nas conversas que eu tinha com Dona Doris, quando trabalhei no prédio em que ela morava aqui em Londres. Ela vivia no oitavo andar e me dizia que apesar de eu ser muito gentil por sempre me oferecer para comprar frutas para ela na feira, enquanto ela ainda estivesse bem e lúcida, não iria perder a oportunidade de ir lá e comprar por ela mesmo.
Dedico esse texto também a avó da amiga voadora Nina, que recentemente passou desse plano para o outro e deixou um rastro de amor, carinho e aprendizado no ar.

Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores, que atualmente mora em Londres. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site, e em nossa seção de textos projetivos e espiritualistas em meio aos diversos textos já enviados anteriormente.

Texto <480><19/11/2003>

480 - CENTELHA

Centelha divina que habita em mim, percebo-te como um ponto de luz rosada no espaço espiritual do chacra cardíaco.

Tua morada é o coração, mas tu viajas pelas múltiplas dimensões do Amor.

Por isso, além das freqüências percebidas pelos sentidos comuns, tu brilhas mais do que bilhões de sóis juntos.

Tu és centelha de Brahman (1), luz rosada nos meus rumos e lucidez das minhas viagens espirituais.

Tu és o Atman (2), eu mesmo sem o corpo, revestido de puro Amor, viajando no Rosa-Sabedoria de Brahman.

Centelha imortal, "EU-LUZ" em "PAZ-ROSADA".

OM TAT SAT! (3)


- Wagner Borges -
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual III" – Editora Universalista).

1. Brahman (do sânscrito): O Absoluto, O Supremo, Deus, O Grande Arquiteto Do Universo, O Todo que está em tudo!
2. Atman (do sânscrito): Espírito, Essência divina, O SER divino, imperecível, eterno, filho da Luz e viajante interdimensional.
3. Om Tat Sat (do sânscrito): Tríplice designação de Brahman, O Supremo, O Absoluto, O Grande Arquiteto Do Universo. Como mantra, pode ser usado na concentração e ativação dos chacras.

Texto <480><19/11/2003>