429 - EU CONVERSO COMIGO

- Por Phil Colburn -

Tenho conversado muito comigo ultimamente
Sobre as coisas que faço.
Volta e meia preciso seriamente
De uma conversa.

"Endireite a coluna", eu digo para mim mesma
quando chego à beira da escada.
Jogo os ombros para trás e começo a jornada.
Só espero não cair.

429 - BRAHMAN, O SOL DE TODOS

(Inspirado na leitura dos Upanishads)


Brahman (1) é o incomensurável poder interpenetrante.
Está no grande e no pequeno, dentro e fora, no corpo e na alma.
Imponderável, só revela-se aos olhos do coração espiritual.
Amor incondicional, é a inspiração sutil do atman. (2)
É o sopro vital de toda manifestação.
Seus motivos transcendentais, só Ele é que sabe.
Não obstante a magnitude de Sua luz, Brahman é pura simplicidade.

É a LUZ das luzes, mas não ofusca.

428 - PRESENTE

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora dedicava a ensinar o Zen-Budismo aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro - conhecido por sua total falta de escrúpulos - apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.

428 - ATRAVÉS DOS TEMPOS...

A ânsia pela busca do conhecimento leva você a não saber o que querer, aonde ir e como agir. A busca pela espiritualidade exige, acima de tudo, organização. E essa organização atende a dois princípios:

1 – O princípio puramente intelectual de buscar o método mais adequado para o crescimento; a busca do conhecimento pelo conhecimento: a doutrina do olho.

2 – O princípio que busca o caminho do coração; a busca pelo sentimento, pela inspiração de algo que está no ambiente, mas que não pode ser percebido pelo intelecto: a doutrina do coração.

427 - RECADO DE FRANCISCO

(Para a dor de quem perdeu seu bicho estimado)

Sei,
que uma lágrima de dor escorre dos teus olhos
Agora e no dia em que o teu irmão se foi
E se afastou de ti e se aproximou de Deus.

Todavia,
Dou-te uma nota feliz neste dia tão triste:
Jamais Deus teria sido injusto com os animais!

Agora mesmo, neste exato instante em que choras,
Teu bicho estimado segue e evolui...
Brilha na imensidão do espaço e volta,
manso, ao seu aconchego de almas!

As hostes dos anjos e Franciscos
Cuidam das luzes em pêlos e
preparam suas patas para uma nova vida.

Enxuga assim teu rosto e acredita!
Fizeste a parte que te cabe neste mundo.
Que um sonho jamais termina num último miado
E nem tampouco se pode calar os latidos de um dia...

É que o Criador adora as suas crias!
E deixa que elas permaneçam sempre vivas,
Na memória de quem fica ou mesmo até que um
novo homem se forme!

Porque os anjos têm asas como as aves.
Porque os homens têm pêlos como os bichos.
E todos nós temos alma como Deus!

Seja nos quintais, nas árvores ou nos rios!
Seja nos mares, nas florestas ou nos lares!
De uma vez por todas:
Sempre estaremos vivos!

Ao Dunga, Princesa e Susi e todos os gatos, cães e bichos que iluminaram meu caminho.

- Maurício Santini – São Paulo, 30 de abril de 2003.



Texto <427><08/05/2003>