199 - O PROJETOR AZUL E DOURADO - IV

O projetor azul e dourado despertou em seu quarto sentindo uma presença espiritual em seu ambiente.

198 - PROJEÇÃO DO ESPÍRITO

TEXTO EXTRAíDO DA REVISTA VIVA FELIZ
Nº 08 - Editora Europa - Páginas 48 à 51

197 - TUDO COMEÇOU COM UM SONHO QUE DESPERTA

- Por Nice Ribero -

"Sonhei ser uma borboleta ou na realidade sou uma borboleta que sonhou ser um homem?" Chuang Tsú perguntou-se, após sonhar que era uma borboleta.

Apesar de ainda não ter morrido, pelo menos nesta vida, para saber o que acontece depois, posso seguramente relatar que já constatei a existência da vida fora do corpo. Ou seja, já estive, algumas vezes, consciente numa outra realidade no mesmo momento em que meu corpo estava adormecido. Como estreante no assunto, mal pude compreender o que estava acontecendo. Não tinha conhecimento algum sobre experiência extra-sensorial ou assuntos que envolvessem vida após a morte. Na época estava morando em Londres, onde trabalhava como jornalista esportiva.

Ao contrário do que acontece com muitas pessoas que para acreditarem na vida após a morte, precisam primeiro sofrer um acidente ou outras situações que as levam a uma experiência de quase morte, a minha crença surgiu de algo agradável e sem traumas. Como já mencionei, até o momento em que tive esta experiência, meu contato com esse tipo de informação era ZERO!

Numa noite muito fria e extremamente convidativa para se ficar em casa, eu preferi ficar só. Deitada confortavelmente numa long-chaise, deliciava-me com o calor daquela bebida típica dos ingleses. Através da janela via a neblina e a garoa caírem suavemente, acompanhando a melodia clássica que eu ouvia. A paisagem mostrava-se tão bela que daria um magnífico cartão postal daquela cidade londrina. Ao calor da lareira, de uma manta e de música estilo barroco, comecei a pegar no sono, sem contudo atingir o ponto "apaguei". Recordo-me que uma repentina chuva me fez abrir os olhos, tão forte o ruído das gotas que batiam na vidraça. Mesmo "dormindo", conseguia observar também o som do vento nas folhas secas que denunciavam a entrada do outono.

De repente, uma sensação de formigamento começou a subir dos pés para o corpo todo. Passei então a ficar consciente não só dos ruídos externos como também de uma espécie de estalo elétrico que parecia vir de dentro de minha cabeça. Em fração de segundos eu estava flutuando. Levitando! Minha parte racional ainda insistia em fazer-se ouvir "É impossível levitar. Isso só pode ser um sonho!" Mas eu estava totalmente desperta, e não sonhando. Livre do peso do meu corpo, era a própria borboleta que, ao libertar-se do antigo corpo, sentia indescritível leveza e o olhava sem mais se identificar com ele.

O passo seguinte foi voar em grande velocidade para um jardim de colorido vivo, cujo ambiente transmitia muita serenidade. À minha frente, um Ser, que naquele momento julguei ser Jesus. Olhos amorosos, vestes longas, de uma claridade que vibrava como faz a luz intensa, ele sorria, provocando em mim muito amor e paz. Paz que não se assina em papel, mas paz que nos integra a tudo e a todos. Sua presença me fazia tão bem, causava uma felicidade tão desconhecida, que eu lhe disse que não queria partir. Que não queria mais sair de perto dele.

É bom ressaltar que nosso diálogo era telepático e foi desta forma que ele me disse que eu deveria voltar e seguir meu caminho. Como eu resistia, ele mostrou-me uma grande árvore, de um verde vibrante, como direção que eu devia seguir. Num impulso eu o abracei e pedi-lhe para não sair dali, de perto dele. A resposta foi algo como "estarei sempre a seu lado". O contato com a energia daquele ser causou tal sensação de êxtase, felicidade e paz que tenho certeza, nunca a esquecerei.

A seqüência que me lembro já era o retorno ao quarto. Mas posso possivelmente ter esquecido outros acontecimentos. Isso é comum quando sonhamos. Unimos vários trechos de situações diferentes e pensamos que o que lembramos é o resultado, o roteiro do que vivenciamos naquela noite.

Só mais tarde é que fui aprender que esta experiência é denominada Projeção Astral ou Projeção da Consciência. Também pode ser chamada de experiência extrafísica, ou contato com a vida interna. Porém, naquele momento não me interessava nomenclaturas, mas a extraordinária vivência que pode ocorrer quando dormimos ou mesmo quando estamos acordados. Na cama, meu corpo dormia. Fora dele, eu, meu pensamento, minha consciência. Onde ficaria o "penso, logo existo" de Descartes? Ficou claro para mim que não precisamos do corpo físico para existir ou para pensar. Pelo contrário, o corpo é que necessita desse algo espiritual que alguns chamam de alma ou espírito para viver.

Questionei-me se aquilo poderia ser alguma espécie de alucinação. A resposta vinha do meu ser mais profundo: Não era! Estava consciente numa outra dimensão e continuava a pensar com a mesma lucidez. Definitivamente, eu existia também fora do corpo. Em seguida, minha consciência foi atraída de volta, num encaixe lento e perfeito. Foi então que percebi que aquele ser ainda estava presente. Como um pai abençoa o filho que se deita para dormir, ele abençoou-me com um beijo na testa. A maravilhosa sensação de sentir o encaixe que se deu de forma tão suave, o beijo amoroso em minha testa e, por fim, a vibração intensa que circulava da ponta dos meus pés ao alto da cabeça são inesquecíveis.

Mesmo ao levantar, meus pés pareciam mais fluídicos, ou seria o chão que não estava tão sólido? Durante aquela semana, era como se eu tivesse com baterias novas. Alegre, esperançosa, mil projetos, mais compreensiva e amorosa. É claro que, com o tempo, esta energia se foi desgastando. Porém, a imagem do que eu havia vivido era muito real e não se apagaria.

Hoje entendo o que o sábio chinês, Chuang Tsú, quis dizer sobre a possibilidade de, ao pensarmos estar acordados, lúcidos, na verdade estamos adormecidos para a realidade à qual pertencemos. E quando pensamos estar dormindo, estamos vivendo experiências em dimensões extrafísicas, experiências reais. Agora estou convicta de que existe vida fora do corpo, o que podia ser sinônimo de a vida continua depois da morte. Como a borboleta que vive presa num casulo, mas não é o casulo, nós temos um corpo para ser habitado, mas acreditamos que somos ele. Porém, estava mais que na hora de tal crença acabar. Como li no livro "A Quinta Raça", de Trigueirinho, "O ser humano não é o corpo. O corpo é para ser habitado." Com tal convicção, a partir daquele momento percebi que minhas pesquisas tomariam outro rumo.

É desse forma que qualifico tal sonho: como real. Era como se eu não tivesse dormido. Havia me deitado, vivido aquela experiência fora do corpo para depois levantar-me da cama e voltar para o cotidiano de "desperta". E cada acontecimento do dia anterior, daquela noite e daquele novo dia, existiam como extensão um do outro.

Diante daquela experiência, percebi que algo em mim havia mudado. Paz e harmonia eram sentimentos que tomaram para si um novo sentido. Era como se cada molécula e cada célula tivessem recebido uma visita de um impulso transformador. Aquele Ser havia deixado em meu corpo vestígios da existência do verdadeiro amor e felicidade. Deixou também uma vontade de conhecer o que os olhos não podem ver. O que está além da morte.

E eu que sempre quis escrever sobre esportes da moda e viver nos bastidores esportivos - na época cobria Fórmula Um - passei a me interessar pelo bastidor do invisível. Essa era uma pequena morte que eu vivia: deixar para trás o conhecido para a busca de conhecimento sobre dimensões espirituais. Para mim inusitadas e desconhecidas.

Um outro aspecto era que a vida apresentava novo sentido, o que estava longe de ser somente trabalhar, obter, procriar e procurar não se sabe exatamente o quê, para depois morrer insatisfeita. Viver, naquele momento, significava descobrir e absorver ensinamentos que me dessem qualidade de vida e compreensão do processo de vida e morte.

Se a mente humana reluta em aceitar a ligação entre a vida nos sonhos e a vida após a morte, eu estava com a bateria carregada para estudar o elo que tinha certeza existir. O que ainda não sabia é que aquele tipo de pesquisa seria algo perfeitamente possível, pois livros, cursos e pessoas para elucidarem o assunto, não faltavam. E nunca iriam faltar. Em pouco tempo, como que por magia, algumas pessoas foram colocadas em meu caminho e com elas pude usufruir de preciosos ensinamentos. Com Wagner Borges, aprendi muito sobre a vida no plano astral, como também que a vida nos sonhos é muito mais real do que podemos imaginar. Com Laércio Fonseca, tive esclarecimentos astrofísicos, que mostravam a urgência de sairmos do estreito pensamento terreno e partir para a imensidão do desconhecido. Dele, coloco aqui uma frase que bem traduz o que mentes esclarecidas sentem a respeito: "Quando eu morrer podem fazer festa, pois estarei muito melhor fora deste pedaço de carne que me limita à Terra!"

Com Trigueirinho, além de aprender que nossos corpos hospedam nosso ser profundo e imortal, aprendi que podemos contatar esse ser interno que conduz amorosamente nossos passos. Sobre a morte sintetiza: "O fraco teme a morte. O forte a enfrenta. O sábio a transcende".

(Extraído do livro "Vida Sem Fim", de Nice Ribeiro; Ed. Universalista; pág. 21 à 26)


Texto <197><17/02/2000>

196 - KARUNA - II

Mãe Divina,
há muitas pessoas sofrendo nesse planeta.

Algumas são vítimas da fome, enquanto outras são vítimas do próprio ego.

Há pessoas machucadas demais por aqui e as causas disso são muito variadas.

Bem sei que há vários acertos cármicos nisso tudo. Mas sei, também, de sua imensa compaixão.

Querida, ajude toda essa gente!

Sinto a dor deles em meu coração e seus lamentos ecoam dentro de minha alma.

Por favor, derrame aquela luz bonita em seus centros vitais e acenda-lhes a esperança.

Interpenetre-os com aquele AMOR que sustenta e dá forças para seguir em frente.

No silêncio de suas almas, pingue aquelas gotas sutis que curam e ajude-os na dissolução de seus dramas e confusões.

Conceda-lhes aquele toque espiritual de que Ramakrishna tanto falava.

Abençoa seus caminhos e ajude-os nas provas retificadoras da Terra.

Sejam aqueles que tombam sob a força da violência ou aqueles que morrem no anonimato; sejam os que tem fome ou os que perderam as esperanças, dê-lhes seu toque de Mãe.

Cure as feridas dos homens e abençoe a todos, encarnados e desencarnados.

Que as ondas de seu Amor cheguem as praias do coração espiritual da humanidade e deposite nelas as pérolas da esperança e da paz.

Mãe, que o fogo de seu Amor possa queimar nossas tolices e curar nossa cegueira espiritual, para que possamos perceber seu esplendor em cada ser.

E que, além do sofrimento da humanidade, nós possamos trabalhar e servir inspirados em seu sorriso e em sua presença.

- Wagner D. Borges -

* Karuna (do sânscrito): "Compaixão divina".

Texto <196><15/02/2000>

196 - PRANA-KRISHNA

No céu da projeção da consciência, em meio à volitação (1) consciente, surgiu o menino Krishna, nimbado de luzes azuis, douradas e amarelas.

Ele me disse:

"Narananda (2), as nuvens do mal não podem toldar os céus do coração valoroso. Dentro dele, está o mais puro amarelo do prana (3) em nobre função vital.

Visualize esse amarelo circulando em meu nome.

Interpenetre os pulmões, o fígado, o estômago, o baço e o coração com esse Prana-Krishna.

Mergulhe-os, banhe-os nessa massa de luz amarela.

Essa é a minha luz-sukshima (4) para renovar a vitalidade, combater a poluição e dispersar as nuvens da incompreensão.

Passe isso para os seus alunos.

Diga-lhes para não compactuarem com o cinza da violência e nem com o marron-avermelhado das emoções torpes.

Ensine-os a espalhar essa luz-amor pelos orgãos sugeridos.

Vá, meu amigo. Viaje por aí levando essa boa nova.

Compartilhe meu amor com seus irmãos e siga firme na trilha do Bem.

Lindananda (5) envia-lhe um abraço fraterno.

Quem viaja espiritualmente sabe: O AMOR É A LUZ DOS CAMINHOS!

Lembre-se de que são as gotas do meu amor que dão vida ao lótus de seu coração."

Pois aí está, amigo leitor, a orientação do menino Krishna.

Que seu coração celebre com a luz.

E que o céu de suas aspirações seja sempre sukshima (6).



- Wagner Borges -

1. Volitação: "Vôo".

2. Narananda (do sânscrito): "Nara": "Homem" - "Ananda": "Bem-aventurança". Logo, significa "Homem de bem" ou "Homem que porta a bem-aventurança de Krishna". Também é um epíteto de Arjuna, o discípulo-arqueiro de Krishna.

3. Prana (do sânscrito): sopro vital; energia; força vital.

4. Sukshima (do sânscrito): sutil.

5. Lindananda: devoto brasileiro de Paramahansa Ramakrishna e bom amigo extrafísico.

6. Enquanto eu passava esses escritos a limpo, lembrei-me de um texto que poderá enriquecer bastante as idéias inseridas nele, além de dar uma abordagem universalista complementar. Juntar os ensinamentos de Krishna e Jesus é muito legal! Segue-se o texto na seqüência.





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O YOGA DE JESUS
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Existe um Yoga (1) de Jesus.

É o "Amai-vos uns aos outros".

Colocado em prática, abre o chacra cardíaco. Então, surge uma vontade de compartilhar o amor.

Uma cascata de luz ascende do peito ao topo da cabeça.

Por ela correm para o alto as cores de SILA (2): rosa-amor, amarelo-consciência e azul-paz.

Possuído pelo amor, Jesus revelou um segredo:

"Na Casa do Pai há muitas moradas!"

Uma delas é o coração espiritual; a outra é o topo da cabeça.

Projetando as cores virtuosas entre essas duas moradas, faz-se a UNIÃO.

O Yogue de Jesus respira o prana (3) e acha o amor.

Sabe que "não cai um fio de cabelo que o Pai não saiba", pois o TODO está em tudo!

Sabe que o Invisível é a base de todo visível e que o silêncio porta um som que os ouvidos não escutam.

Sabe que o ódio rouba o brilho de seu coração, por isso combate tenazmente a negatividade em sua mente.

Aprendeu com Jesus que o amor é o grande lance. Vive por esse amor que não é da Terra, mas compartilha-o com os irmãos terrestres.

Quando é cercado pelas dificuldades ou pelas trevas, ele sempre se lembra do sorriso de Jesus e sorri também.

Basta lembrar-se do olhar meigo do Rabi para que os seus próprios olhos brilhem com amor.

O Yogue de Jesus não segue doutrina alguma da Terra, só segue o Amor...



Paz e Luz.

(Esses escritos são dedicados a dois grandes yogues de Jesus: o mentor espiritual Bezerra de Menezes, e o mestre Bábaji)


- Wagner Borges -
São Paulo, 17 de maio de 2002.


- Notas:

1. Yoga (do sânscrito): união.

2. Sila (do sânscrito): virtudes. Pronuncia-se: "Sheela".

3. Prana (do sânscrito): sopro vital, energia, força vital.

Texto <196><15/02/2000>
Texto <599><08/04/2005>