1391 - VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NAS ONDAS DO MAR DE ITAPUÃ

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VIAJANDO ESPIRITUALMENTE NAS ONDAS DO MAR DE ITAPUÃ
 
Tristeza? Nada disso.
Olhe só o mar de Itapuã...
Que beleza, vamos lá!
Veja o por de sol que é um Samadhi*.
Vamos ver onde o poeta viajou na inspiração.
Nada de saudade diante do mar.
Porque o movimento das ondas é pura vida.
Assim como cada Ser nas ondas da existência infinita...
Olha lá, a Mãe Iemanjá**está dançando sobre as ondas.
Ela diz que nós somos gotinhas desse mar que é a Vida.
Vamos lá, voar espiritualmente com Ela, nas ondas do Bem.
Olha lá, o poeta está dançando com os Orixás e louvando a Luz.
Além da linha do horizonte do coração, o Samadhi...
Que não é em nenhuma caverna do Himalaia, mas no mar de Itapoã.
Ah, o poeta sabia das coisas dos iniciados espirituais...
As coisas do coração, que inspiram as canções e as viagens espirituais***.
Ele descobriu isso olhando para o mar de Itapoã e sentindo a Mãe Iemanjá.
Então, vamos lá, acima das ondas, dançar com o poetas e os Orixás.
Olhe só que beleza, o céu e o mar, uma coisa só, nas ondas do Samadhi.
Saudade? Nada disso.
Vamos para os braços de Iemanjá, no Bem que vem do mar...
Sim, o mar de Itapuã, que se vê melhor com o coração.
Lá, onde o poeta falou de Amor e cantou a Luz.
Vamos lá, entre o céu e o mar, voar de Itapuã para as estrelas...
No por de sol que é um Samadhi.
 
P.S.:
Amigos, a distância não é nada!
Dentro do coração estamos juntos.
Mais do que percebemos.
Então, deem uma voltinha na praia de Itapoã...
E pensem em mim.
Porque, aqui, eu estou pensando em vocês.
 
(Dedicado a Jerônimo, Eliana, João, Rodrigo, Carla, Sizenanda e Sergio, meus amigos de Salvador, a linda capital da Bahia, terra dos Orixás, onde sempre sou bem recebido.)
 
Axé!****
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 01 de dezembro de 2014.
 
- Notas:
* Samadhi – do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica. Ver o texto “O Ioga do Riso e o Samadhi do Roque”, postado no seguinte link: https://ippb.org.br/textos/textos-periodicos/1269-o-ioga-do-riso-e-o-samadhi-do-roque
** Iemanjá: no Brasil, Iemanjá está associada ao mar, embora na África esteja mais vinculada à desembocadura dos rios. Nas lendas africanas ela é tida como filha de Olokum, deusa do mar, Mãe que criou muitos Orixás.
Na Bahia, as festas se realizam no dia 02 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, com repercussão nacional. Seus instrumentos são o abebé cor de prata e uma espada. Sua saudação espiritual é "Odoiyá!"
Obs.: Seguem-se abaixo seis links para outros textos meus alusivos a Iemanjá (postados no site do IPPB – www.ippb.org.br):
"Uma Viagem espiritual Sobre as Ondas do Mar" -
"Iemanjá - A Mãe do Amor na Cachoeira dos Olhos" –
"Bahia - nas Graças de Oxalá" -
"O Brilho de Krishna nas Águas de Iemanjá" -
"Prece Para Iemanjá" - 
"Prece Para Iemanjá - Parte II” -
*** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
**** Axé - expressão afro-brasileira significando a força vital; energia; alto astral.
Obs.: Deixo na sequência um link do site do Youtube contendo uma linda versão acústica da bela canção “Tarde em Itapoã”, de Vinicius de Moraes, levada magistralmente por Gilberto Gil e Toquinho.
- Toquinho & Gilberto Gil – “Tarde em Itapoã” -

Texto <1391><12/02/2015>

1391 - O XAMÃ-CABOCLO E O RAMA

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O XAMÃ-CABOCLO E O RAMA
(Uma Visita Nativa com o Astral da Floresta)
 
Olá, pessoal.
Eu fico cada vez mais surpreendido com a sabedoria da Espiritualidade e sua forma de se manifestar por entre os planos da vida.
Digo isso porque, ainda agora, enquanto eu estava meditando sentado no sofá da sala, com o Rama*deitado e encostado na minha perna esquerda, vi surgir na minha tela mental, pelas vias da clarividência**, as imagens de lugares de florestas, rios e rostos de índios da região amazônica.
Então, surgiu à minha frente um sujeito desencarnado, simpático, com aparência de caboclo mestiço (descalço, sem camisa, moreno, meio-índio, com jeito de quem viveu em alguma comunidade na bordas da floresta amazônica).
Ele tinha umas penas presas numa espécie de tiara em volta da cabeça. Além disso, vestia uma espécie de saiote indígena. E fazia uma espécie de dança circular, enquanto postava as mãos em frente ao peito, numa atitude de reverência.
Postado à minha frente, ele me saudou e riu. Eu senti uma energia amistosa emanando dele. Ele era exótico na aparência, mas sua energia não deixava dúvidas: era um cara do Bem!
Daí, para minha surpresa, ele voltou-se na direção do Rama e saudou-o com uma reverência. E me disse, mentalmente:
“É você que cuida dele? Ou é ele que cuida de você?”
Diante da minha surpresa, ele continuou:
“O Pai Primeiro emprestou-lhe um protetor animal para guardar sua jornada. Observe: é ele que fica com você a maior parte do tempo. Ele o ajuda a ficar no mundo, é seu ponto de firmeza. Quando você cuida das necessidades dele, é como cuidar de um filho. E isso faz com que você esteja ‘aqui e agora’.
O Pai Primeiro sabe o que faz. Ele enviou esse animal para sua companhia por um propósito: ancorar você no mundo. E encher o seu lar de vida e movimento...
Então, eu reverencio o mundo espiritual nesse cãozinho. Ele é filho da Magia do Grande Espírito em sua trilha vital. E digo-lhe mais: quem gosta realmente de você, também gosta dele. Porque sabe que ele o ajuda a se manter nesse mundo. E o agradece por isso, por fazer você ‘estar aqui’.
Sempre agradeça aqueles que cuidam do Rama, pois estão lhe fazendo grande bem e provando sua lealdade. Ore por eles. Honre-os.
E reverencie o Pai Primeiro, por Sua Sabedoria.
Hoje eu vim pelo Rama, para honrá-lo pelo Bem que ele faz a você.
Assim, eu também honro a você, porque você o ama.
E, assim, você honra a Sabedoria do Pai Primeiro.
Da próxima vez que eu vier, será por você.
Então, conversaremos mais. E isso será em cima da floresta.
Lá, fora do seu corpo***, nós honraremos juntos o Senhor de todas as trilhas.
E isso será bom. Sim, será muito bom...”
Logo a seguir, ele me saudou novamente e foi sumindo gradativamente...
E foi isso, amigos. Recebi a visita de um xamã-caboclo risonho.
Ou, melhor dizendo, a visita foi para o Rama.
E, agora, eu estou na dúvida: “Sou eu que cuido dele? Ou ele que cuida de mim?”
Sei lá... Quem sabe dos motivos misteriosos pelos quais o Todo age?
Só sei que ele e eu estamos juntos na mesma trilha aqui embaixo.
Eu o ajudo a evoluir, ele me ajuda a ficar aqui. E, assim, o equilíbrio se faz.
Obrigado, Rama. Obrigado, Grande Arquiteto Do Universo.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - sempre aprendendo...
São Paulo, 06 de fevereiro de 2015.
 
- Notas:
* Rama é um cãozinho da raça Yorkshire Terrier, de cor escura mesclada com tons claros, atualmente com cinco anos de idade.
** Clarividência – do latim, clarus - claro; videre, ver – é a faculdade perceptiva que permite ao indivíduo adquirir informações acerca de objetos, eventos psíquicos, cenas e coisas, físicas ou extrafísicas, através da percepção parapsíquica de imagens ou quadros mentais.
*** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.

Texto <1391><12/02/2015>
 
Foto do Rama citado no texto.

1390 - AS CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS DOS “RACHAS” DE CARRO

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AS CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS DOS “RACHAS” DE CARRO
(Um Recado da Companhia do Amor Para os Rapazes Loucos por Adrenalina)
 
Carros derrapando, faíscas saltando e a adrenalina a toda!
A excitação intoxicando os sentidos.
Ah, quantos gostam disso!
E quantos desencarnam por isso, vazando energia a rodo...
E, depois no Astral, dão trabalho aos seus guias espirituais*.
Choram desarvorados, pois sabem que causaram a própria passagem final.
E também porque se viciaram nas descargas agitadas de adrenalina.
Sofrem crises de abstinência, pois se acostumaram à agitação dos sentidos.
Por isso, detestam ambientes suaves que levam à reflexões profundas.
Não querem serenidade, querem é bandalheira, torcida e adrenalina.
A velocidade é o mote deles. Assim como o egoísmo é mestre de suas loucuras.
Não pensam em seus entes queridos que sofrerão com sua perda prematura.
Muitos deles têm filhos pequenos. Mas, na hora do “racha”, tudo é esquecido.
E assim eles vão levando... Até que, pela exposição ao perigo, algo ruim aconteça.
Ninguém morre! Mas, para que sair do corpo prematuramente e se complicar?
Ah, que rapazes loucos! Precisam de terapia e equilíbrio, não de velocidade.
Por isso, sua desintoxicação no Astral se dá em ambientes bucólicos.
São levados para cuidar de jardins e ensinados a conversar com as flores.
Passam um bom tempo reaprendendo a volitar**, de forma lúdica e serena.
Aprendem Ioga, meditação e arte-terapia. Alguns aprendem Tai Chi Chuan.
Muitos deles são tratados com Acupuntura. E outros, com música adequada.
O importante é levá-los ao ponto de equilíbrio individual de que precisam.
Quando ficam bem, são levados para ajudar nos centros de cura do Astral.
Faz parte do seu progresso ajudar os outros. E com o tempo, eles ascendem...
Voltam para suas procedências extrafísicas e seguem na senda evolutiva.
Ah, que desperdício de vitalidade! Poderiam ter descoberto tudo isso na Terra.
Não precisavam de “racha”. Precisavam é de Paz no coração e Luz na direção.
Então, fica aqui esse alerta: ”rapazes, não causem sofrimento aos seus familiares.
E não deem mais trabalho para os seus guias extrafísicos. Eles não merecem isso.
De que adianta correr, correr e correr para, no final, abraçar a dor e sofrer?
Viver não é só correr. É também aprender, crescer, sorrir, amar e evoluir...
Usem suas energias para ajudar os outros e também para se equilibrarem.
Comprem flores. Meditem. Ouçam música. Enfim, se encontrem, em Paz.”
 
- Companhia do Amor*** -
A Turma dos Poetas em Flor.
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 17 de dezembro de 2014.)
 
- Notas:
* Guias Espirituais - entidades extrafísicas e positivas que ajudam na evolução de todos; mentores espirituais; benfeitores extrafísicos; amparadores extrafísicos; auxiliares invisíveis; guardiões astrais; protetores astrais.
** Volitar – voar extrafisicamente.
*** A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável.
Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita Alegria e Amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros “Companhia do Amor - A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2” - Edição independente - Wagner Borges -, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site):   https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=category&id=78:cia-do-amor&Itemid=109&layout=default 
Obs.: Enquanto eu passava esses escritos a limpo, rolava aqui no meu som uma coletânea de músicas da banda inglesa de rock progressivo King Crimson. Então, deixo na sequência os links do site do Youtube para algumas de suas músicas que mais gosto.
King Crimson:
- "Lady Of The Dancing Water" -
- "The Night Watch" -
- "Prince Rupert Awakes" (com vocais de Jon Anderson, do Yes; versão editada) - 
- "Prince Rupert Awakes" (com vocais de Jon Anderson, do Yes, versão completa, animada) –
- "Book of Saturday" -
- Matte Kudasai" -
- "I Talk to the Wind (In the Court of the Crimson King)" -
- "Walking On Air" (Gravação original) -
- "Walking On Air" - (Live in Japan) -
- "Exiles" (Improvisation, live, in studio, 1973) -
- Exiles" (Live in Italy 1974) -
- "Starless" -
- "Heroes" (live) -

Texto <1390><10/02/2015>

1390 - MANITU - A INSPIRAÇÃO VITAL DOS VIAJANTES ESPIRITUAIS

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MANITU – A INSPIRAÇÃO VITAL DOS VIAJANTES ESPIRITUAIS
(Falando do Grande Espírito Numa Noite de Chuva na Cidade)
 
Um índio veio no meio da chuva e me cumprimentou, em Espírito e Verdade.
Exteriorizando energias benfeitoras pelas mãos, ele me disse:
“Há joias mais brilhantes que o relâmpago na câmara secreta do seu coração.
Ali, só ali, onde a Luz se funde à luz, o Grande Espírito se revela.
A Palavra sem som de Manitu*é mais poderosa que o ribombar dos trovões.
Para aqueles que estão despertos, Sua Presença é incontestável!
No entanto, o Gerador dos turbilhões siderais é o Sutil do mais sutil.
Ele é o Amor que está na sua respiração e que inspira a sua trilha vital.
Sem Ele, o seu coração seria um deserto e só haveria sede e ansiedade...
É Manitu que inspira as grandes canções. E quem está desperto, reconhece isso.
A trilha do curador é a mesma do Grande Espírito... Então, o curador anda n’Ele.
Irmão, olhe a chuva caindo na noite... E se admire. Agradeça a Manitu pela vida.”
Então, ele fez uma prece e projetou uma esfera luminosa sobre minha cabeça.
Ele me disse que mais tarde nós nos encontraríamos novamente, lá nas estrelas.
E se foi, sumindo em meio à chuva... enquanto eu fiquei aqui, com o relâmpago.
Sim, com o relâmpago nos meus olhos e o Amor em meu coração.
 
P.S.:
O meu amigo extrafísico é um índio ligado às tradições espirituais dos povos nativos da América do Norte. Ele me passa muitos toques conscienciais legais e gosta de mim como um irmão. Sempre me trata com respeito e me passa energias maravilhosas e serenas. Segundo ele, Manitu abençoa os nossos contatos por entre os planos. Ele me ensinou a sempre pensar no Grande Espírito antes de deitar, para, assim, haurir inspirações e energias superiores nas saídas do corpo**.
Agradeço a ele pela atenção e carinho com que me trata.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 22 de dezembro de 2014 (noite chuvosa na cidade).
 
 
- Notas:
* Manitu - designação que os índios algonquinos dos EUA dão a uma força mágica não personificada, mas inerente a todas as coisas, pessoas, fenômenos naturais e atividades, ou seja, o Grande Espírito.
Obs.: Para os leitores que gostam de temas xamânicos, sugiro uma visita ao site do nosso amigo Vítor Hugo França (participante do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB - e responsável pela parte administrativa), que faz um trabalho de esclarecimento muito bom nessa área.
O endereço do mesmo é www.vozdoselementos.com.br
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.

Texto <1390><10/02/2015>
 
Imagem: capa do CD Initiation do músico Phil Thornton

1389 - NETI, NETI...

1389-neti-neti
 
NETI, NETI...
(Texto postado originalmente na lista SAK - YES da internet)*
 
(Esses escritos respondem a pergunta de um dos participantes da lista que escutou a expressão “neti, neti” durante o programa “Viagem Espiritual”)**
 
A expressão é essa mesma: “neti, neti”, oriunda do sânscrito antigo***.
Significa algo que sentimos, mas não conseguimos descrever com as palavras e nem entender só com o intelecto. É algo que não se entende com a mente, mas se compreende com o coração. 
Há muitas coisas neti, neti na vida. Por exemplo: o Amor.
Quem pode explicá-lo intelectualmente?
Que ciência pode desvendar os seus mistérios?
O certo é o que se sente, mas não dá para explicar.
Outro exemplo: quem tem filhos sabe do Amor que se abre no coração quando esses pequeninos chegam. É algo que só é percebido integralmente quando se tem um. Parece que o coração se derrete de Amor por eles... E não há como explicar isso para quem não teve um filho na prática. Pode-se até escrever um livro sobre educação e outras coisas sobre crianças, mas só tendo uma para sentir isso, não dá para expor em palavras que sentimento é esse. Logo, é neti, neti.
Outras coisas que são neti, neti: imortalidade do espírito, consciência cósmica e Deus, o “Neti, Netão”, o maior Neti, Neti de todos.
Mantidas as devidas proporções, o Amor que sentimos pela música do Yes é neti, neti. Como explicá-lo para os outros? É algo que se sente e faz viajar no som. Mas, quem pode explicar intelectualmente o prazer de ouvir e viajar na Yesmusic?
O Roger (vocalista da banda cover Yessongs e participante da lista), por exemplo, estuda música e canto. Ele precisa de sua inteligência para entender o que faz. No entanto, duvido que ele possa explicar o que se passa em seu coração na hora em que se torna um canalizador vocal das letras do Yes que ele tanto ama. Ali, ele é possuído por um Amor que o faz gostar da canção e dar o melhor por ela.
Se não fosse por esse Amor, o verdadeiro neti, neti nos bastidores de sua alma, ele não se esforçaria tanto nisso. A técnica do canto ele pode explicar e dar aulas, mas o Amor que ele sente nisso, é neti, neti e não dá nem mesmo para falar, quanto mais explicar. Então, só resta cantar, cantar e cantar...
A vida mesma é neti, neti. É um grande mistério, que só se descobre vivendo... E aprendendo, para se compreender, um dia, que as maiores verdades podem ser silenciosas e já habitarem em nossos corações. Mas, essas verdades são neti, neti.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 13 de abril de 2001.
 
 
- Notas:
* O SAK é uma lista da Internet organizada por fãs do Yes (uma das grandes bandas inglesas de rock progressivo).
Obs.: Ver o meu artigo “Matéria Sobre o Disco do Yes: Tales From Topographic Oceans”, postado no seguinte endereço específico:
** O programa “Viagem Espiritual” está no ar desde 1999 – e vai ao ar todos os domingos, das 12h30min às 13h, na Rádio Mundial de São Paulo – 95.7 FM.
*** Neti Neti - do sânscrito – “Não isso, não isso!”. Ou, “Isso não é isso, isso não é aquilo”. Trata-se de uma expressão hinduísta para as coisas espirituais que não podem ser descritas em palavras ou explicadas convencionalmente. Por exemplo: o mestre estava vivenciando um samadhi (expansão da consciência, estado de consciência cósmica). A Luz havia ascendido do seu chacra cardíaco até o chacra coronário e expandido sua consciência aos níveis do plano mental puro, além do espaço e do tempo.
Percebendo-o naquele estado consciencial superior, o discípulo perguntou-lhe: 
“Mestre, o senhor pode me explicar o que está sentindo?” 
Ele respondeu: “O que estou vivenciando não pode ser explicado pelas palavras.
Como explicar o Amor que viaja além do tempo e do espaço e que mora nos corações?
Como classificar aquela Luz onipresente e transcendente que é a causa de tudo?
Como falar do que transcende a visão limitada do intelecto humano?
Como descrever a sensação de ser um surfista cósmico deslizando pelas ondas da bem-aventurança?
Como falar de algo que só se compreende no silêncio e que é pura consciência?”
O mestre olhou para o discípulo e seus olhos pareciam duas estrelas. Uma onda de Amor silencioso interpenetrou o discípulo e ele sentiu-se alçado às praias do infinito.
Então, ele compreendeu o que a linguagem humana não pode expressar. E pensou:
“Se alguém perguntar-me o que estou vivenciando, só responderei que é neti neti!”
Da mesma forma, quando perguntavam a Sidarta Gautama, o Buda, sobre o Divino, ele ficava em silêncio. Ele sabia que o ser humano não tinha noção exata nem sobre sua própria consciência, quanto mais da consciência cósmica do Todo.
Ele sabia que não havia condições do Ser relativo descrever o Absoluto. Por isso, ele não respondia, pois era algo neti neti.
Inclusive, alguns religiosos radicais chegaram a insinuar que o Buda era ateu, justamente porque ele se recusava a exprimir em palavras o infinito além de qualquer descrição convencional.
Engraçado. Enquanto digito essas linhas, a minha segunda filha, Maria Luz (que tem seis anos), está tentando explicar-me sobre os novos episódios do “Dragon Ball Z” e que o Goku (personagem principal do desenho e herói da série) vai pegar o Friza (vilão do desenho e que sempre ressurge para aprontar) de jeito. Não entendi nada. Acho que isso também é neti neti.
E mais: sei que mais tarde terei que assistir junto com ela a vários episódios de “Pokémon” e “Digimon”. E entender como as crianças conseguem saber os nomes desses bichos e suas fases de evolução é tarefa difícil, é neti neti.
Se ainda fosse “A Vaca e o Frango”, “Johnny Bravo” ou o “Tom e Jerry”, a tarefa seria fácil, mas encarar o Bulbassauro, o Pikachú, o Charmander, o Greymon, o Piomon e outros é tarefa muito complicada. Acho que isso é uma espécie de iniciação neti neti.
Ah, que saudade do “Zé Colméia”, da “Tartaruga Touché”, do “Nacional Kid” e do “Robô Gigante”.

Texto <1389><06/02/2015>