552 - MENINO NUVEM

Ontem, por um momento, parei de me preocupar.

Ontem, por um momento, desejei nada, abracei o silêncio e deixei-me levar pelo

Céu, como nuvem bem levinha, que não se importa em que direção o mundo vá girar.
Enquanto nuvem, descobri como é bom não esperar que nada aconteça.

Como é maravilhoso guardar o ar no bolso e segurar o rio com as mãos.

Como é bom fechar os olhos para o relógio e abrir a visão para dentro, enxergando um mundo onde o tempo pára, e a felicidade não é uma montanha que a gente passa a vida inteira tentando escalar.

Como é difícil não complicar.

Como é difícil não ocupar o nosso tempo perseguindo algo que não podemos alcançar.

Como é difícil se entregar ao silêncio entre dois pensamentos e se deixar levar pelo silêncio que dura uma eternidade.

Silêncio que nos transforma em meninos nuvens brincando no céu, sem pressa de amadurecer em pingos de chuva.

Silêncio que, quando enfim cai como tempestade, se transforma em pingos dançarinos de poças de chuva, enquanto o mundo se esconde sob o peso do guarda-chuva do não se molhar.

Hoje vou tentar novamente virar nuvem que passa; quem sabe com a prática eu acabe virando nuvem floquinho, que em olhar de menino muda de forma e vai indo embora, para onde o mundo levar...


- Frank -
Londres, 11 de Julho 2004.


Texto <552><17/09/2004>

551 - TUA ALMA

- Por Huberto Rohden -

Tua alma é uma luz - não a extingas...
Tua alma é uma harpa - não a destemperes...
Tua alma é um espelho - não o embacies...
Tua alma é uma flor - não a deixes murchar...
Tua alma é uma fonte - não lhe turves as águas...
Tua alma é um santuário - não o profanes...
Tua alma é um poema - não lhe roubes a poesia...
Tua alma é uma virgem - respeita-lhe a pureza...
Tua alma é um mistério - silencia-lhe os segredos...
Tua alma é um arco-íris - contempla-lhe os primores...
Tua alma é livre - não a escravizes...
Tua alma é um sopro de Deus - defende-lhe a vida divina...

* * *

Se tudo isto é tua alma, homem, por que não fazes a tua vida à imagem e semelhança de tua alma?...
Não foi o corpo que produziu a alma - é a alma que produz o corpo...
É a alma espiritual que arquiteta o edifício material de teu ser...
É a alma que forma as carnes, que difunde o sangue, que arma os ossos, que distende os nervos, que desdobra a pele - que confere vida ao organismo inerte!...
É a alma o princípio ativo que domina o elemento passivo......
É a alma que pensa e quer, que sente e ama, que imagina e recorda...
É a alma que de maravilhas de ciência e arte inundou a face da terra...
É a alma que num cosmos de ordem transforma o caos da matéria...
É a alma que sobrevive imortal ao corpo mortal...
É a alma que para uma vida nova ressuscita o corpo desfeito...
Se tudo isto faz a alma, meu amigo, por que dás ao corpo as 24 horas do dia - e nenhuma hora à alma?
Por que não lhe dás, em carinhosa solicitude, ao menos uma hora por dia?
Por que não a enriqueces, quando pobre?
Por que não a curas, quando enferma?
Por que não a libertas, quando escrava?
Por que não a robusteces, quando fraca?
Por que não a alimentas, quando faminta?
Por que não lhe dás de beber, quando sequiosa?
Por que não lhe dás um banho solar quando saudosa da luz?
Por que não a fazes respirar na atmosfera divina, quando desejosa de Deus?
Tem caridade com tua alma, homem - porque tua alma é tua vida...
Tua alma és tu mesmo...

(Texto extraído do excelente livro "De Alma Para Alma" - Huberto Rohden - Editora Martin Claret.)


Texto <551><14/09/2004>

551 - EM BREVE

Uma vez escutei o Seu chamado, mas você me chamou de um jeito diferente, pois não falou meu nome, nem gritou pela minha atenção, apenas se aproximou e disse de um jeito bem carinhoso, através da brisa do entardecer:

“Deixa de choro, menino, vem crescer!”

Era um dia daqueles em que a gente só reclama e não se dá conta da beleza do mundo ao nosso redor. Estava descendo em direção ao metrô e vi um pôr-do-sol, tão lindo que fiquei com vergonha de estar me sentindo tão para baixo. Então, parei com todas aquelas abobrinhas na cabeça e percebi Você. E fiquei lhe olhando: eu, ali, vestido de humano, e Você, do outro lado, disfarçado de sol se pondo.

 

Fiquei perguntando um monte de coisas, e Você na maior paciência, só me iluminando; então você não agüentou e disse que havia mesmo uma razão para tudo ser como é, assim como havia uma razão para os pássaros voarem no céu e para as flores desabrocharem. Saquei na hora que era tudo tão simples e fácil de entender, que logo eu iria esquecer tudo (sabe como é, a gente só lembra daquilo que é complicado). E sabe de uma coisa: não é que eu esqueci mesmo?

Mas lembro-me de que, naquele momento, Você meio que entendeu que eu iria esquecer tudo o que conversamos espiritualmente, e fez tocar no rádio que eu escutava uma música tão bonita, que na hora entendi tudo; aquela música era como a Sua verdade: só podia ser ouvida e entendida com o coração.

Hoje, em frente a uma folha de papel com a caneta na mão, ouço essa canção novamente. Jon Anderson, o vocalista da banda de rock progressivo Yes, vai cantando a canção chamada “SOON”, enquanto me lembro daquele dia conversando com Você.

Acordes maravilhosos de guitarra, junto com a bela voz do Jon Anderson vão me levando até aquela tarde na qual Você chamou meu nome com o entardecer, sacudindo-me e tirando-me da pobreza mental em que eu estava. Ouvindo essa música (passei anos procurando por ela, sem saber como ela se chamava), lembro-me também de um outro amigo que me ensinou tanto e que ensina a muita gente através da música e da poesia, do mesmo jeito que Você me ensinou. Acho que ele se lembra da Sua verdade, mas como sabe que todo mundo vai esquecer, ele usa música e poesia para fixar na cabeça da galera que vale mesmo a pena a gente melhorar e se tornar pelo menos alguém bacana, que entre erros e acertos, saiba que o céu e o inferno são portáteis, e a gente os carrega dentro da gente mesmo.

Lembrei-me dele, também, porque ele manja tanto de Yes, que provavelmente deve estar se perguntando porque eu nunca lhe perguntei se ele sabia o nome dessa música que eu tanto procurava, mas ele sabe que certas respostas a gente tem que encontrar sozinho, mesmo que seja o nome de uma música, ou por que razão o sabão em pó é branco. Porém, para outras tantas dúvidas e tropeçadas, a gente precisa de um amigo que nos sacuda e nos lembre que é hora de retornar ao caminho, e que não precisamos mais bancar os perdidos.

Quanto a Você, só espero que continue enviando esses amigos para nos ajudar; amigos que estão tanto aqui quanto do outro lado, e mesmo com tanto egoísmo da nossa parte, eles continuam usando melodias e poesias para nos despertar, até quem sabe, muito em breve todos nós possamos nos lembrar dessas conversas com entardeceres e descobrirmos o segredo das flores e do vôo dos pássaros no céu. Até lá, que a canção continue a nos tocar e que a poesia guie nossos passos pela vida, de volta para casa.


P.S.: A música que eu escutava se chama “Soon”, e encontrei-a numa coletânea do Yes chamada “The Ultimate Yes” (edição comemorativa do 35o aniversário da banda, em atividade desde 1968). A música fala por si mesma*.


- Frank -
Londres, 16 de Janeiro de 2004

- Nota de Wagner Borges:

Comentário sobre a canção do Yes: Na verdade, “Soon” é apenas a parte final de uma suíte chamada “The Gates of Delirium” (música de 18 minutos, inserida no magnífico álbum “Relayer”, de 1974) – Esse trecho da canção também foi inserido na coletânea “The Ultimate Yes”, contendo uma seleção das melhores músicas da banda.

Aproveitando o texto do Frank, reproduzo na seqüência a tradução da letra em português, e logo em seguida a letra original, em inglês.

Agradeço a minha amiga Sheila Smith pelo trabalho de tradução.

EM BREVE

Em breve, ó em breve a luz,
Passa por dentro e suaviza esta noite sem fim
E espera aqui por você,
Nossa razão de estarmos aqui.
Em breve, ó em breve o tempo,
Tudo o que movimentamos para ganhar será atingido e acalmado;
Nosso coração está aberto,
Nossa razão de estarmos aqui.
Há muito tempo atrás, posto em rima.
Em breve, ó em breve a luz,
Nossa para moldar por todos os tempos,
Nosso o direito;
O sol nos guiará,
Nossa razão de estarmos aqui.
Em breve, ó em breve a luz,
Nossa para moldar por todos os tempos,
Nosso o direito;
O sol nos guiará,
Nossa razão de estarmos aqui.

SOON

Soon, oh soon the light,
Pass within and soothe this endless night
And wait here for you,
Our reason to be here.
Soon, oh soon the time,
All we move to gain will reach and calm;
Our heart is open,
Our reason to be here.
Long ago, set into rhyme.
Soon, oh soon the light,
Ours to shape for all time,
Ours the right;
The sun will lead us,
Our reason to be here.
Soon, oh soon the light,
Ours to shape for all time,
Ours the right;
The sun will lead us,
Our reason to be here.

Texto <551><14/09/2004>

551 - QUATRO TOQUES CONSCIENCIAIS SIMPLES E CONSCIENTES

- Por Lázaro Freire -


- Projeção astral não traz perigos, não tem contra indicações, não requer "cuidados especiais", nem faz mal. Mas não se pode dizer o mesmo da dependência de mestres, gurus, ordens e credos; sonegação de informações e falta de discernimento, que já fizeram males gigantescos à evolução da humanidade.
- Há muita coisa legal em pessoas que estudam Enoque. Mas pode estar certo: fugir do convívio, sentir-se escolhido e preparar-se para um resgate, é EGO e BOBAGEM que já vimos acontecer inúmeras vezes, só mudando o nome e o local (Alto Paraíso, São Tomé das Letras, Mauá). Ninguém é deste planeta. Se alguém um dia vier resgatar os realmente "especiais", fique tranqüilo: quem estiver mantendo sua sintonia na cidade, com brilho nos olhos e amor no coração tem muito mais "chances". Mas estes não querem ser resgatados, porque sabem que a morte nem existe, e que o que salva não é um lugar, mas sim um ESTADO DE CONSCIENCIA.

- Na igreja, todos rezam. É fácil ser monge no Tibet. Escalar o Himalaia é fácil, difícil é romper as nuvens que nos impedem de acessar o ponto mais alto de nossos próprios corações.

- Há um respeito e um "respeito". O professor de biologia não pode deixar de ensinar a evolução das espécies apenas porque um crente fundamentalista sentiria sua fé desrespeitada. Ora, que ele ensine Adão e Eva na sua igreja, mas deixe o professor em paz. O professor de biologia não vai atrapalhar a igreja. Mas o crente, se puder, vai tentar mudar o programa de ensino das escolas.

São Paulo, 15 de maio de 2004.

Texto <551><14/09/2004>

550 - SOMOS LUZ!

O Divino escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz.

Sorrindo, Ele disse dentro de cada espírito:

“Você ocupará muitas formas na existência, terá vários rostos e corpos, de cores e formatos diferentes, mas a sua verdadeira face é a da Luz!”

Porém, o tempo passou, e nos identificamos com as diversas formas, não só físicas, mas, também, com aquelas mentais e emocionais.

Passamos a viver e agir nas formas, mas sem sentir o Espírito em nós. Passamos a viver de forma vazia, sem sentido e sem profundidade.

Apegamo-nos demais às formas moldadas e condensadas nas energias da natureza, e mesmo quando elas se desgastam, e o seu uso não é mais possível, ficamos meio perdidos, chorando sobre a referência externa com a qual nos identificávamos tanto.

Foi por isso que o sábio Jesus disse:

“Deixem que os mortos enterrem os seus mortos!”

O Rabi estava certo: quem anda com o espírito entorpecido nas ilusões sensoriais do mundo e acha que é só isso que existe, na verdade está morto de raciocínio, percepção e espírito. Confundir a Luz do espírito com a casca abandonada é o mesmo que confundir a roupa com quem a veste.

Se é necessário respeitar o invólucro carnal abandonado, pois era morada do espírito em ascensão, é mais necessário, ainda, respeitar o próprio espírito, essência imperecível e dotado de todos os potenciais celestes.

E nenhum espírito, em época alguma, jamais foi seguro pelo caixão ou pelo solo onde o seu corpo ficou sendo transformado em outras energias pela generosa Mãe Terra.

Aos corpos que ficam na Terra, o nosso muito obrigado, por tudo o que aprendemos por intermédio deles. Porém, somos espíritos com a face da Luz!

Somos forma e semelhança da Luz, pois não somos animais vertebrados, somos consciências imperecíveis. Somos a cara de Deus!

Não somos brancos, negros, amarelos ou vermelhos. Não somos nem mesmo terrestres, pois qualquer espírito é egresso de outros planos sutis, não-físicos.

Portanto, somos extraterrestres, pois terrestres são apenas os corpos que ocupamos temporariamente.

SOMOS LUZ!

Enquanto os “mortos enterram os seus mortos”, os espíritos continuam vivendo além... Os primeiros olham as tumbas e choram a ilusão de suas referências apenas físicas; os últimos olham para as estrelas e alçam vôo para outras paragens.

E lá em cima não há nenhum número de tumba como referência, nem esquifes enterrados para alguém se guiar na dor de sua perda ilusória. O que tem mesmo é uma infinidade de espíritos vivos, todos com a cara de Deus!

O Divino Escultor esculpiu nossa imagem-forma na Luz.

Portanto, façamos jus a essa Luz.

SEJAMOS LUZ!


(Este texto é dedicado às pessoas que jamais desistem dos ideais sadios na existência. Mesmo cercadas por dificuldades variadas, elas persistem e confiam na própria Luz que viaja dentro de seus corações. Elas sabem que essa Luz não é deste mundo, e que só o Divino Escultor é que sabe o real valor de cada um, pois Ele conhece profundamente o mais secreto dos pensamentos dos homens e sabe quem é leal e servidor consciente dos seus magnos desígnios evolutivos.)


Paz e Luz.

- Wagner Borges – sujeito com qualidades e defeitos, igual a todos, mas que quando lembra de alguém que foi morar no Astral, sempre olha para cima, jamais para baixo, pois sabe que nenhum túmulo pode segurar alguém que é a cara de Deus!

São Paulo, 12 de agosto de 2004.

- Nota: Para enriquecer estas linhas, posto na seqüência um texto (postado no site em 2002) com alguns toques a mais.





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QUEM LEVA QUEM?
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Muitas vezes, nós que estudamos temas espirituais e procuramos fazer algo de bom com esse estudo em nossos pensamentos, sentimentos e energias, costumamos dizer:

"Nós levamos a informação espiritual para os outros."

Na verdade, é a informação espiritual que nos leva, somos apenas seus canais (e diga-se de passagem, canais imperfeitos) expressando algumas coisas no mundo.

Expressando algo da espiritualidade e tentando crescer com valores que o mundo sequer considera (valores elevados e muitas vezes esquecidos por nós mesmos quando aprontamos alguma tolice, pois estudar temas avançados não significa que sejamos elevados), somos levados por ela a certos momentos conscienciais interessantes e criativos.

Levamos a espiritualidade e somos levados por ela, muito mais do que imaginamos.

Quando somos levados por ela, geralmente se apresentam alguns desses estados de consciência:

- Os olhos brilham muito.

- A alegria se apresenta como estado de consciência independente dos fatores que ocorrem no momento.

- O amor possui os pensamentos e leva a altos vôos pelo céu do coração.

- A vontade de crescer aumenta o tesão de viver.

- A aura se expande muito e toca as auras de outros com toques de energia estimulante ao progresso e ao bem de todos.

- A consciência sente-se ligada a outras consciências sadias, da Terra e de outros planos de manifestação.

- Cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres maravilhosos que deixaram mensagens de paz e luz entre os homens.

- Também cresce a admiração por todos aqueles homens e mulheres que vivem na Terra e tentam fazer algo bom, mesmo portando defeitos e enfrentando diversas dificuldades, mas se esforçando por gerar climas melhores na existência.

- A própria imortalidade permeia a consciência e lhe dá forças para continuar caminhando e apreciando a vida, mesmo sob o impacto da perda de alguém amado. Ela sabe dentro dela mesma. Por isso, não precisa de nenhuma doutrinação espiritual para certificar-se de algo que ela sempre soube em seu coração.

- Dentro ou fora do corpo, ela é impelida a estados conscienciais sadios e é incapaz de fazer o mal para alguém. É imperfeita, pois é humana, mas não porta maldade.

Enquanto levamos a informação espiritual, também somos levados por ela. E aí, pouco importa quem leva quem, pois o importante em qualquer estudo espiritual é sempre melhorar a lucidez, ampliar o amor e ser parceiro constante da alegria.

Resumindo: levando a espiritualidade ou sendo levado por ela, o importante é ser feliz com o que se faz.


Paz e Luz.

- Wagner Borges -
São Paulo, 07 de fevereiro de 2002.


- Mais uma nota: Enquanto organizava esses textos para enviá-los pelo site, lembrei-me de dois belos poemas iniciáticos do mestre árabe Rumi (Séc. 16), que cabem como uma luva nesse envio de texto. Seguem-se os mesmos logo abaixo.





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NO MEU FUNERAL
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No dia em que levarem meu corpo morto
não penses que meu coração ficará neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações
- lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.

Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!"
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.

Ante a visão do corpo que desce
pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.

E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,
e é ele que liberta a alma:
toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.

O balde só se enche de água
se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o José do espírito
reclamar do poço em que foi atirado?

Fecha a tua boca deste lado
e abre-a mais além.
Tua canção triunfará
no alento do não-lugar.


- Rumi –
(Texto extraído do inspirado livro "Poemas Místicos", de Jalad ud-Din Rumi, maravilhoso poeta sufi – Editora Attar).





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A EVOLUÇÃO DA FORMA
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Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma se desvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.

Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.

Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman .

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre "Um" com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.


- Rumi -
(Texto extraído do livro "Poemas Místicos", do brilhante poeta sufi Jalal Ud-Din Rumi; Editora Attar).

Texto <550><10/09/2004>