423 - NO MEU FUNERAL

No dia em que levarem meu corpo morto
não penses que meu coração ficará neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações
- lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.

Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!"
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao túmulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.

Ante a visão do corpo que desce
pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.

E ainda que o túmulo te pareça uma prisão,
e é ele que liberta a alma:
toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.

O balde só se enche de água
se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o José do espírito
reclamar do poço em que foi atirado?

Fecha a tua boca deste lado
e abre-a mais além.
Tua canção triunfará
no alento do não-lugar.


- Rumi –
(Texto extraído do inspirado livro "Poemas Místicos", de Jalad ud-Din Rumi, maravilhoso poeta sufi – Editora Attar).


Texto <423><25/04/2003>

423 - LÁGRIMAS DE LUZ

Caro amigo leitor,

Antes de mais nada, devo avisá-lo de que este texto não é um tratado sobre lágrimas e nem tem a intenção de levá-lo ao emocionalismo barato ou a atitudes piegas.

422 - ASTRO REI

Que poder mágico terá o raio solar
Que interpenetra a fresta da janela?
Aquecendo teu rosto como se estivesse a beijar,
Despertando da inércia quem hiberna.

Que poder mágico terá o Sol da primavera?
Sol que limpa o outono das folhas caídas;
Põe um sorriso no mau humor de quem inverna;
Com a promessa de verão e melhores dias.

Que poder mágico terá o entardecer?
Cartão-postal de quem ama a vida.
Aquarela diária que a gente vê,
Pintada pelo Grande Artista.

Que poder mágico terá a aurora?
Que convida todos a despertar.
Deixando pra trás os problemas de outrora,
Oferecendo um novo tentar.

Esse poema é só para afirmar,
Que eu não sei que magia ele tem;
Mas de vez em quando vale a pena saudar,
A luz presente do grande Astro Rei.


- Frank -
Londres, março de 2003.


Texto <422><22/04/2003>

422 - A LUCIDEZ EXTRAFÍSICA E A REMEMORAÇÃO FÍSICA

Trabalhando com a projeção desde os quinze anos de idade, ministrando palestras e cursos de Projeciologia pelo país, há vários anos, sempre com grande freqüência de pessoas interessadas no tema, tenho observado bem de perto os anseios dos que desejam sair do corpo sem saber como alcançar esse objetivo.

É bastante comum, no fim de um curso de Projeciologia ou após narrarmos algumas experiências pessoais, ouvirmos dos alunos, no meio dos comentários finais, a seguinte expressão, que no fundo denota um misto de ansiedade, medo, frustração e esperança:

"Ah! Quem me dera, um dia, eu aprendesse a me projetar conscientemente!"

É obvio que todas as pessoas possuem as condições básicas para realizarem o fenômeno da projeção da consciência, já que ela é um potencial anímico de cada um. Entretanto, é forçoso admitir que algumas pessoas parecem ter maior predisposição para a execução do fenômeno. Tal predisposição não é devida, como muitos erroneamente pensam, a algum dom espiritual que essas pessoas tenham recebido ao reencarnarem. Ela tem suas origens nos cursos pré-reencarnatórios, realizados por esses projetores no plano extrafísico, antes dessa reencarnação atual ou até mesmo em encarnações anteriores, nas quais desenvolveram seu potencial anímico-mediúnico, através de processos iniciáticos de escolas de esoterismo da antigüidade, principalmente no antigo Egito e nas antigas academias espiritualistas da China e da Índia.

Por ocasião da reencarnação, a entidade reencarnante perde a noção de si mesma e fica desmemoriada. Tal fato se dá devido à falta de condições adequadas do novo cérebro físico para acessar os conhecimentos acumulados na memória integral, sediada no corpo mental.

Portanto, as pessoas esquecem o que vivenciaram e aprenderam em outras vidas e o que vivenciaram e aprenderam no período intermissivo, entre as vidas, quando elas estavam desencarnadas. Não obstante, o registro integral dos acontecimentos vivenciados pela entidade imortal, em suas experiências anteriores, permanece intacto, arquivado nos recônditos espirituais de sua memória subconsciente, aguardando o momento em que possa ser despertado para o nível consciente de manifestação. Isso foi brilhantemente sintetizado por Steve Gerber e Val Mayerik na sua obra "Void Indigo" (Graphic Novel n.10; Abril de 1989; pg. 24; Ed. Abril), onde eles dizem:

"Eles passam por cada uma dessas vidas mortais sem qualquer recordação do que houve antes. Este conhecimento permanece oculto nos recônditos de suas memórias, no fundo da consciência... aguardando ser despertado por uma mente que possa transcender-se, que ouse enxergar além de seus próprios limites para perceber sua conexão com o infinito".

Esses conhecimentos ocultos na memória subconsciente funcionam como ativadores do potencial parapsíquico da consciência reencarnada, provocando projeções espontâneas e, muitas vezes, fazendo fluir as lembranças anteriores, através da retrocognição extrafísica *, não só para as existências anteriores, mas também, para os períodos intermissivos, entre as vidas, no plano extrafísico.

O grande obstáculo à rememoração perfeita das lembranças anteriores e das projeções da consciência, durante o sono comum, deve-se à falta de uma ponte adequada entre o cérebro físico e o corpo mental, que está restringido dentro do paracérebro do psicossoma **, para filtrar as informações adquiridas extracerebralmente do veículo de manifestação mais sutil para o veículo de manifestação mais denso. Sem essa ponte de ligação entre a mente e o cérebro físico, não há como reter, no plano físico, a lembrança dos eventos extrafísicos vivenciados na experiência extracorpórea, pois o cérebro físico não tem como lembrar de algo que ele não participou, já que as vivências extrafísicas se dão extracerebralmente.

Logo, caro leitor, o fato de não se lembrar de uma projeção não significa que você não a tenha feito. Inclusive, posso afirmar com toda a certeza, baseado nos conhecimentos empíricos por mim obtidos através de muitas projeções, que a maioria das pessoas interessadas firmemente em assuntos espirituais, principalmente em Projeciologia, já tem um nível razoável de lucidez extrafísica. É muito comum eu me encontrar fora do corpo com alunos egressos dos cursos de Projeciologia, mas dificilmente eles se recordam do encontro extrafísico e são capazes de jurar que nunca fizeram uma projeção consciente.

Alguns leitores podem objetar que, se estivessem realmente lúcidos e ativos fora do corpo, o cordão de prata transmitiria as informações extrafísicas para o cérebro físico, já que seus principais filamentos estão inseridos na cabeça. Porém, infelizmente, o cordão de prata é somente um conduto para a transmissão de energia de um veículo de manifestação para o outro, durante a projeção, e não um conduto mental, pois não se presta à transmissão de idéias e, por vezes, devido à densidade das energias do duplo etérico *** que podem acompanhá-lo, é um dos principais obstáculos à lucidez extrafísica e à rememoração física.

Portanto, o candidato a projetor consciente tem dois objetivos a alcançar, se deseja ter uma experiência fora do corpo completa:

1. Obter uma melhor lucidez extrafísica nas projeções;
2. Obter uma melhor rememoração física das projeções.

Em primeiro lugar, deve vir o esforço em melhorar a lucidez extrafísica, durante as projeções que ocorrem naturalmente, durante o sono comum de todas as noites. A melhor maneira de iniciar esse esforço é trabalhar melhor a própria lucidez habitual, durante a vigília física ordinária. Uma pessoa que não tenha uma boa lucidez durante o dia, fatalmente terá dificuldades para ter uma boa lucidez extrafísica.

Em segundo lugar, o ser humano não usa totalmente as potencialidades de seu cérebro físico e isso acarreta uma série de dificuldades para o projetor, ao retornar da projeção. O cérebro tem sua própria mecânica de funcionamento e esta, por sua vez, é condicionada pelos parâmetros humanos tridimensionais de manifestação do plano físico. Quando o projetor retorna da projeção consciente para seu veículo físico, com as informações extrafísicas, há uma verdadeira batalha mental, pois o cérebro, dentro de seu condicionamento tridimensional, rejeita o que não compreende e, baseado nisso, em frações de segundo projeta alguns sonhos, misturando-os àquelas informações aparentemente sem lógica, objetivando o sepultamento das mesmas no fundo de seu arquivo mnemônico. Se o projetor perder a lucidez ao interpenetrar o corpo físico, quando despertar fisicamente pela manhã, dificilmente terá alguma rememoração de sua projeção, pois, em cima de sua lembrança, estarão vários sonhos e fantasias subconscientes. Além disso, normalmente, durante o sono há uma intensa atividade onírica ocorrendo no cérebro. De maneira tumultuada, sonhos, pesadelos, devaneios, estados hipnagógicos e hipnopômpicos**** se sucedem em seu interior, criando então, uma evocação de imagens fantásticas que se misturam e geram lembranças caóticas ao despertar, dificultando assim a rememoração da projeção.

Muitas vezes, mesmo despertando no momento exato da interiorização, a tendência do projetor é perder, em frações de segundo, as lembranças dos eventos extrafísicos dos quais tenha participado.

Podemos entender isso melhor se fizermos uma analogia com a rememoração dos sonhos comuns: muitas pessoas lembram de alguns sonhos, no exato momento em que despertam, porém, no instante seguinte, a lembrança lhes escapa, deixando a sensação frustrante de saber que sonharam, mas não saber o que sonharam. É como querer segurar água com as mãos: por mais que a pessoa se esforce, a água termina escapando por entre os dedos. Se com os sonhos comuns acontece o esquecimento (e eles são bem mais fáceis de serem rememorados, pois ocorrem dentro dos limites do cérebro), imagine a dificuldade do projetor ao tentar rememorar, dentro do cérebro, uma experiência que ocorreu fora de seus limites, momentos antes, em outra dimensão ou a milhares de quilômetros de distância.

Como o amigo leitor observa, a projeção consciente com boa rememoração fisica não é tarefa das mais simples, porém, está ao alcance de qualquer um, já que a capacidade projetiva (projetabilidade) é inerente à todas as criaturas. Entretanto, a lucidez extrafísica e a rememoração da projeção são inerentes apenas àqueles que se esforçam por conquistá-las.


- Wagner Borges –
São Paulo, 1995.

(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual II" – Ed. Universalista) *****

* Retrocognição (do latim: Retro, Atrás - Cognoscere, Conhecer): É o que popularmente é conhecido como regressão de memória. A retrocognição extrafísica ocorre quando o projetor relembra de vidas anteriores enquanto está projetado para fora do seu corpo físico.

** Psicossoma (do grego: Psique: Alma – Soma: Corpo): Corpo espiritual, Perispírito, Corpo astral, Corpo sutil).

*** Corpo Etérico: Campo energético que interliga o corpo extrafísico (corpo astral, perispírito, corpo espiritual, psicossoma) ao corpo físico. É a malha energética na qual se situam os chacras e os filamentos energéticos que compõem o cordão de prata nas projeções da consciência para fora do corpo físico (viagem astral, experiência fora do corpo, projeção astral) – Sinonímias: Duplo etérico (Teosofia), Holochacra (Conscienciologia), Corpo vital (Rosacruz), Pranamayakosha (Vedanta).

**** Estado hipnagógico e estado hipnopômpico são estados alterados da consciência, limítrofes entre a vigília física e o sono. O Hipnagógico é o cochilo que ocorre no início do sono. O Hipnopômpico é o cochilo que ocorre perto do despertar físico.

***** O livro "Viagem Espiritual II" encontra-se esgotado no momento. Porém, a Editora Universalista deve lançar em breve a 3a edição.

Lembramos que o livro está disponibilizado para leitura gratuita em nosso site (www.ippb.org.br)

Texto <422><22/04/2003>

421 - O PRETO VELHO E O JULGAMENTO DO MÉDIUM

Dentro do Centro Espírita,
Os mestres de branco aconselhavam e oravam.
Fora do Centro e de vista,
O preto velho a todos protegia e guardava.

O Médium sentou e se preparou,
Para psicografar a mensagem.
Quando o preto velho se aproximou,
O moço ficou julgando a entidade.

"Onde já se viu espírito,
Com esse jeito de ex-escravo negro?
Se ele fosse mesmo evoluído,
Não falaria assim desse jeito."

O preto velho sorriu,
Mesmo perdendo a viagem.
Não entendia o preconceito do médium,
Mas, ainda assim, deu-lhe um passe.

Ele sabia que no dia certo,
Aquele médium perceberia o fato:
Que se aprende tanto com o médico,
Quanto com o operário.

Despediu-se dos mestres do Centro,
Que lhe olharam pedindo paciência.
Embora o trabalho ainda fosse lento,
Aumentava o discernimento e consciência.

A cada dia que passa,
Os novos médiuns estão descobrindo.
Que não importa como se fala,
E sim o que está sendo dito.

Por isso é que na rua ou no Terreiro de Umbanda,
O Preto Velho continua o seu trabalho e nunca pára.
Até que os tambores de Aruanda
O convidem para uma outra jornada.


- Frank -
Londres, 08 de abril de 2003.


Texto <421><16/04/2003>